
Capítulo 476
O Cavaleiro em Eterna Regressão
476
— Não dava para ter salvado?
[4;1HUm homem de cabelos pretos e olhos azuis balbuciou enquanto estava ajoelhado. Suas pupilas tremiam e suas mãos tamb[?25hém. Sua pele estava flácida e havia olheiras profundas sob seus olhos.
Ele parecia não dormir direito há dias. Parecia destruído e cheio de arrependimento.
Havia pedregulhos afiados sob seus joelhos. Ele não se importava, mesmo com o sangue escorrendo por sua calça.
Ele apenas continuava ali sobre o cascalho, com os olhos ansiando por uma resposta.
Então, a resposta veio.
— Sim, poderia ter sido o caso.
O homem no chão abriu a boca novamente para ouvir uma resposta vinda de algum lugar.
— Não é? Pois é. Dizem que os dados não mudam, mas o que acontece se eu mudar um deles à força?
— Ele vai mudar. Então mudará.
Não há nada que não possa ser alcançado com a força de vontade. Essa era a resposta[?25l clara.
[16;1HMas será que isso é algo bom?
O homem sussurrou para o nada, mas a resposta continuou vindo.
Mesmo havendo apenas uma parede negra diante dele, era assim.
— Então eu deixei o Lorde Oara morrer?
— Isso [?25hmesmo.
Antes que ele percebesse, a parede negra havia desaparecido.
À sua frente, estava um homem de cabelos pretos e olhos azuis, com os lábios firmemente cerrados.
Eles eram iguais. Ambos tinham a mesma aparência.<[?25l/p>
Os dois não se olharam.
Cada um apenas soltou o que queria dizer.
[27;1H— Então quer dizer que a minha escolha foi errada?
As pupilas de Encrid tremeram enquanto ele se ajoelhava. Suas mãos tremeram ainda mais do que antes.<[?25h/p>
— Você achou que tinha feito a coisa certa?
Encrid perguntou com uma expressão indiferente.
Lágrimas de sangue escorreram dos olhos de Encrid ajoelhado. O sangue fluiu em gotas a princípio, para depois jorrar como uma cachoeira.
— Ahhh, mais uma vez, deixe-me repetir o dia de hoje novamente.
Eu oro fervorosamente, gritando e derramando lágrimas de sangue.
— Você sabe que isso não é possível.
Uma resposta indifere[?25lnte veio de volta.
Ele permaneceu indiferente mesmo com o sangue subindo até seus tornozelos.
[39;1H— Então, espero que faça uma escolha melhor na próxima vez.
De pé sobre o chão de cascalho, a expressão[?25h indiferente de Encrid e suas palavras voaram como uma lâmina e apunhalara
[39;120Ham seu coração.
A lâmina real de fato se enterrou em minhas costelas.
Em seguida, o sangue jorrou como uma cachoeira do peito do Encrid que estava ajoelhado.
O sangue coagulou e se acumulou, tornando-se negro.
O sangue enegrecido ondulou como um rio.
Um barco surgiu no rio ensanguentado, como se estivesse ali há algum tempo.
Era um barco a remo com lanternas roxas iluminando os arredores e um barqueiro de manto negro segurando o remo.
O verdadeiro Encrid, que estivera observando tudo de canto, perguntou:
— O que você está fazendo?
De repente, o sangue sumiu e os dois Encrids falsos desapareceram também.
O barqueiro encerrou seu show solo.
— Eu fiz porque me deu vontade. Foi impressionante?
Foi só isso. Não o fez se sentir mal, nem lhe deu motivos para refletir sobre nada.
Encrid ainda estava lá.
Um amanhã fracassado é melhor do que um hoje perfeito. Se você não avançar, estagna. Em vez de parar assim, prefiro s
[39;120Hseguir em frente mesmo que perca meus membros.
Claro, pode haver algo com o qual você absolutamente não possa transigir.
Era arrogante sempre procurar o melhor caminho no momento da escolha.
Apenas dê o seu melhor com o que lhe é dado naquele momento.
Encrid não estava preso no dia de hoje porque havia decidido viver daquela maneira.
Ele é um homem de ação que segue em frente sem qualquer hesitação.
Encrid perguntou curioso, pois era a primeira vez que via o barqueiro discutir sentimentos.
— Do nada?
É isso que me faz sentir bem.
— Você sabe disso?
O barqueiro perguntou.
Pensei imediatamente que ele estava me perguntando do nada sobre o que eu sabia.
— Não sei.
Mas respondi calmamente. Comparado aos membros loucos do esquadrão, isso não seria considerado uma conversa de qualid
[39;120Hdade?
Pensando no tempo que passaram no esquadrão, devia ser isso.
— Você está dando poder à maldição que estou lançando agora.
Encrid olhou para o rosto do barqueiro revelado dentro do capuz.
Pele acinzentada e olhos sem cor.
Lanternas que balançavam no ritmo, o rio que ondulava e até mesmo aquele estranho show solo.
As ramificações do pensamento levam à realidade. Repetir o dia de hoje é uma maldição. O que estou fazendo do lado d [40;120He
[39;120He fora é chamado de maldição.
Costuma-se dizer que o exorcismo é um tabu para os humanos, mas, para ser mais preciso, ele disse que agora era um to
[39;120Hotem, não um exorcista.
De qualquer forma, era uma história complicada. Mas uma coisa era certa.
Há duas maldições, uma maldição e uma maldição.
Havia momentos em que as conclusões vinham a mim intuitivamente, sem sequer passar pelo processo[1Cde raciocínio. Este
[39;120H era um daqueles momentos.
— Você está sugando a maldição na tenda?
Por isso o barqueiro está se sentindo bem.
Em vez de responder, o barqueiro sorriu. Os cantos de sua[?25l boca se elevaram.
Não importava como se olhasse, não era um sorriso agradável. Pelo contrário, parecia um sorriso sinistro.
[40;113H[?25hNão havia dentes na boca exposta, apenas uma escuridão profunda.
Mas Encrid olhou para aquilo com indiferença.
— Houve algo parecido antes.
O barqueiro continuou, rindo alto:
— Todas as maldições ao seu redor recairão sobre você. Sabe o que isso significa? Você nunca mais poderá sair deste l[?25l
[39;120Hlugar. Você é meu brinquedinho. É um sacrifício que ficará preso no dia de hoje. Nunca poderá escapar da palma da minha [40;119H[?25h m
[39;120Hmão. Mesmo depois de morrer, continuará aqui. Portanto, o melhor a fazer é encontrar um hoje para desfrutar.
As últimas palavras se sobrepuseram, fazendo minha cabeça latejar. Parecia que alguém estava batendo na minha cabeça.
[39;120H.
Mesmo assim, Encrid sequer franziu a testa.
[?25l[?25l[?25l[?25lEu estava apenas pensando.
Era só isso.
Não é que ele tenha grandes poderes, ele apenas está sob uma grave maldição que absorve outras maldições.
[40;113H[?25hNão era tão irritante, mas eu estava curioso para saber o motivo de isso estar acontecendo.
Audyn não tinha dito na Guarda de Fronteira que havia um cara que lançou uma maldição estranha?
Deve ser desse cara que o barqueiro está falando.
Como se sua vida tivesse chegado ao fim, ele mexeu com o que não devia e faleceu de causas naturais.
Até agora, Encrid acadou acreditando que o assassino enviado pelo culto havia morrido de morte natural.
— Então eu não serei amaldiçoado pelo resto da minha vida?
Diante das palavras de Encrid, o olhar do barqueiro se voltou para quem falara. Os cantos de sua boca, que antes esta
[39;120Havam erguidos, logo caíram.
Quanto mais olho para as reações desse garoto, mais fascinantes as acho.
— É isso mesmo.
— Entendi.
— Sim.
— Sim.
— ...Bom.
— Sim.
O sonho acabou.
Quando abri os olhos, era antes da manhã, ao amanhecer. Hoje, meu corpo parecia leve. Dizem que absorve maldições, ma
[39;120Has isso não parecia ter efeito algum no meu corpo.
‘Então a maldição é absorvida.’
Parecia difícil sentir isso fisicamente.
Então, podemos baixar um pouco a guarda ao lidar com bruxaria?
— Estou cansada pra caralho.
Encrid entrou na tenda e viu Rem resmungando.
Ele se aproximou com passos silenciosos e deitou-se em um colchonete a cerca de três passos de distância.
[40;113H[?25h— O que você está fazendo?
— Não dá para ver? Vou dormir.
Encrid hesitou entre perguntar primeiro por que ela estava dormindo àquela hora ou se ela não tinha onde dormir, e es
[39;120Hscolheu a última opção.
— Você não tem casa?
— Tenho.
— Então por quê?
— A Ayul não me aceita.
A relação delas ainda não havia se reestabelecido. Será que eu deveria mesmo cortar a cabeça dele e entregar a ela?###TAG###
[39;120H/p>###TAG###
— Não venha com suas bobagens bizarras. Eu já estou cheia de preocupações.
Rem se antecipou.
— Diga-me quais são as suas preocupações.
Encrid disse, pensando que provavelmente não funcionaria.
Eu estava disposto a ajudar tanto quanto recebi ajuda.
E ele estava confiante de que era melhor em lidar com o sexo oposto do que aqueles bárbaros ignorantes.
— Hum.
Rem pareceu hesitar por um momento, como se escolhesse as palavras.
Encrid decidiu que, para ouvir o que a outra pessoa estava pensando, o certo seria dizer o que ele já havia percebido
[39;120Ho.
— Pode falar.
— ...O quê?
Rem piscou e perguntou novamente. Encrid falou abertamente.
— O segredo do seu nascimento vem primeiro, certo? Pode me contar. Qual é o problema nisso?
Para quem lidava com um barqueiro amaldiçoado, o segredo do nascimento era inútil.
Os ocidentais tinham aparências semelhantes no geral, mas a de Rem era um pouco diferente.
Com isso, Encrid concluiu que Rem tinha sangue continental misturado.
Apenas um palpite, mas devia estar certo.
Porque eles pareciam diferentes.
Isso foi o que pensei quando conheci Ayul.
Esse era o segredo do nascimento.
Será que isso não teria sido um obstáculo para se integrar à tribo?
Não sei se é por parte de mãe ou de pai, mas acho que ela é mestiça.
— Do que diabos você está falando?
Rem arregalou os olhos de espanto. Seus olhos ficaram triangulares. Havia um tom de irritação em sua voz.
[40;113H[?25hO tato avisou Encrid de que ele havia cometido um erro.
— Não é?
Encrid perguntou novamente, acrescentando uma breve explicação, só por garantia.
Você está dizendo que tem sangue continental misturado?
— Eu sou uma ocidental nativa, do que você está falando?
Encrid olhou para o rosto da criança deitada abaixo com uma expressão pensativa.
O nome da criança é Ziva, e ela crescerá para ser uma bela jovem.
Isso era o que Luagarne garantia.
Além disso, os ocidentais tinham, no geral, uma boa aparência.
Alguns tinham maçãs do rosto proeminentes e sardas, mas para um olho comum, eram bem bonitos e atraentes.
[40;113H[?25hDe acordo com um antigo mito, um urso se tornou humano e diziam que ele era muito bonito.
Alguns dizem que ela tem sangue de fada, mas isso provavelmente não é verdade.
Eu saberia quando visse por mim mesmo.
A atmosfera era diferente da beleza extraordinária que as fadas possuíam.
Eles eram cheios de vida, lutando e se esforçando para sobreviver, criando gado e ovelhas.
Encrid sentou-se sobre um pano grosso estendido no chão e olhou para Rem, que apenas havia erguido a parte superior d
[39;120Hdo corpo.
Não importa como eu olhasse, ela parecia mais robusta do que bonita.
Seus braços musculosos e coisas do tipo se somavam à sua aparência.
Notei uma figura com cabelos grisalhos bem amarrados e olhos abertos com ferocidade.
Ela tinha olhos que pareciam prestes a brandir um machado se ficasse com raiva.
Perguntei-me se aqueles olhos eram triangulares. Rem demonstrou seu talento abrindo repetidamente os olhos em forma d
[39;120Hde triângulos invertidos.
— Não?
Encrid perguntou novamente.
Talvez houvesse alguma conexão entre os ancestrais que Rem não conhecia.
— Você está brincando comigo? Não posso perder tempo agora. Estou ocupada. Vou acordar e sair de novo.
— Você realmente não tem?
Encrid confiava em seus instintos. Ele tinha certeza disso. Ainda sentia que algo estava errado, mas ela realmente pa
[39;120Harecia não saber.
— Sério, vamos parar de conversar. Vou acabar te pegando. O que você sabe para ficar dizendo que está tudo bem? Sua c
[39;120Hcabeça foi danificada por alguma maldição?
Eu não tinha o que dizer.
Foi um erro.
A intuição não pode ser a resposta para tudo.
Portanto, decidi dedicar a programação de hoje para refletir e praticar minhas habilidades sensoriais.
Não era nada demais.
Tudo o que eu precisava fazer era relaxar e escutar uma coisa ou outra.
O canto dos pássaros, o balido das ovelhas, o mugido das vacas, o som dos bellops, o som da grama sussurrando ao vent
[39;120Hto.
Ao sair da tenda, agucei meus ouvidos primeiro.
Começando com o som, a porta para o sexto sentido se abre. Dava para ver Luagarne seguindo atrás mesmo sem olhar.
[40;120HEla assumiu seu posto silenciosamente atrás dele.
Dunbakel também fez o mesmo.
Como eu não tinha mais nada para fazer, disseram-me para me juntar ao treino, então assim o fiz.
Enquanto eu torcia e alongava meu corpo, Dunbakel se alongava atrás de mim, à esquerda.
Ele alongou o corpo inteiro, depois colocou as duas mãos no chão como um gato e arqueou as costas.
Como não precisava ir longe, apenas passei meu tempo daquela forma.
Tratava-se de treinar e conversar com as pessoas que recuperavam os sentidos no meio do treinamento.
— Você veio com a Rem?
Aquele cara era um deles.
Enquanto eu treinava, por volta do meio-dia Rem saiu, e antes do anoitecer houve um homem que superou a maldição e ab
[39;120Hbriu os olhos.
Quando voltou para dentro após me lavar, o homem que estava acordado falou comigo.
Ele tinha cabelos grisalhos aqui e ali, mas o resto de seu cabelo era tão preto quanto o de Encrid.
— Eu sou Geomna-rae.
— Pode me chamar de Enki. Todo mundo diz que meu nome é longo e difícil.
Após trocaremos saudações e conversas, ele disse:
— Ela não é do tipo que ouve os outros.
Acho que a relação entre o capitão e seus soldados soava estranha.
O olhar do homem era claramente observador.
Encrid olhou para o homem e respondeu.
— Se ela não escutar, posso usar isso como um substituto para a conversa.
Foi dito enquanto ele mostrava a Aker.
Não era mentira. Mesmo que fosse na marra, ele conversaria com sua espada.
Claro, agora era possível conversar de mãos dadas.
— Você luta melhor do que a Rem?
O homem fingiu ficar ainda mais surpreso com aquilo.
— Um pouco, o suficiente para vencer nove de dez vezes.
Não era assim antes, mas é assim agora.
Para ser exato, seria difícil vencer nove vezes, mas às vezes a gente só quer dar um blefe.
A palavra 'um pouco' e as palavras que se seguiram não combinavam, mas o homem aceitou.
Porque dava para ver um toque de diversão no homem à minha frente.
Ainda assim, não quer dizer que eu não estivesse impressionado.
— Uau. Mesmo sem magia, você luta melhor do que a Rem.
— Se houver magia, algo muda?
— Será completamente diferente de antes. Não será exagero chamá-lo de guerreiro. Ele é um homem que permaneceu no céu
[39;120Hu escuro por conta própria.
Por que não usar bruxaria?
Era algo que eu não sabia.
— Fiquei sabendo pela Hira. Pensei que estava acabado depois de ser derrotado por dois gigantes e depois amaldiçoado,
[39;120H, mas devo expressar minha gratidão.
O homem chamado Geomna-rae tinha veias arroxeadas saltadas em seus membros, mas também parecia que as veias estavam e
[39;120Henroladas ao redor deles.
Eles chamam isso de Maldição dos Boramain.
O nome da maldição era bem intuitivo.
Dizem que a maldição foi criada com base na aparência de um Mine de pele roxa.
Mesmo que a maldição enfraqueça, ainda vai doer se continuar assim.
Eu sabia que Encrid saberia, já que era o segundo dia que o via.
Geomna-rae piscou os olhos, que estavam cheios de remela, algumas vezes. Ele tentou se levantar, mas acabou se deitan
[39;120Hndo novamente.
Meu corpo ainda não estava me obedecendo.
— Não consigo me levantar, então considere isso como um olá.
Esse cara também era uma figura.
— Que seja.
Encrid deixou passar sem pensar duas vezes.
Bem, eram simplesmente pessoas de quem eu gostava.
Especialmente.
— Quando eu melhorar, vamos treinar. Estou curioso sobre suas habilidades.
Mesmo enquanto ouvia, escutei um som agradável.
— Sabe o que eu deveria fazer para melhorar rápido?
Quando perguntei a Hira.
— Cale a boca e descanse.
Geomna-rae riu com gosto daquelas palavras. Em seguida, começou a tossir e a se engasgar.
Seu corpo ainda estava em estado de choque.
Mas ele era uma pessoa que nunca perdia o sorriso.
A próxima pessoa a acordar foi uma mulher de idade semelhante à de Hira. Ela falou assim que soube da situação geral.
[39;120H.
— Obrigada. Quem dera eu pudesse te entregar para a minha filha.
Diante dessas palavras, Geomna-rae interveio.
— Você não tem filha.
— Eu disse que daria de qualquer jeito, já que não tenho nenhuma.
Os dois riram com gosto. Suas risadas eram parecidas. Encrid riu também.
Era uma história que valia a pena rir, ao contrário das piadas de fadas. Encrid gostou muito deles. Eram pessoas aleg
[39;120Hgres.