O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 477

O Cavaleiro em Eterna Regressão

477
Era o terceiro dia desde que Ayul tinha vindo nos[?25hvisitar na tenda.

Era o momento em que o amanhecer estava surgindo, e eu estava no meio dos movimentos de uma técnica de isolamento.

Enquanto eu estava de pé em frente à tenda, Ayul se aproximou.

Pele bronzeada, padrões pintados no rosto, olhos brilhantes.

A impressão era diferente. A expressão dela parecia muito mais suave do que antes.

Pelo menos não parecia que alguém seria decapitado com um machado.

As palavras que saíram da boca dela foram bem assim.

— Prazer em conhecer. Eu sou a Ayul.

Era um temperamento completamente diferente de quando nos conhecemos. Ela estava calma.

Eu deveria mesmo chamá-la de ocidental?

Encred parecia ter uma ideia geral dos hábitos dos ocidentais.

Eles eram diretos e sem pretensões.

Assim como Rem.

— Parece uma nova saudação.

Disse Encred, alongando os músculos distraidamente. Ele segurou as pontas dos dedos esquerdos com a mão direita, girou o braço e pressionou para baixo. Era um processo de relaxamento dos músculos e tendões que começava no cotovelo e ia até o pulso.

Flexibilidade não é algo que se desenvolve do dia para a noite. Exige trabalho duro e prática diária.

Claro, Encred fazia isso há anos.

O olhar de Ayul examinou o corpo de Encred enquanto ele relaxava.

Embora ele fosse grande e musculoso, era muito maleável. Seus músculos eram fortes, firmes e flexíveis.

Era um corpo tão definido que os canibais balançariam a cabeça só de olhar.

Os bebês canibais são os que, por natureza, detestam corpos duros e fortes.

— Isso é verdade, mas você deve saudar as pessoas direito.

Ayul olhou atentamente para o corpo do estranho, mas seus olhos não demonstravam nenhuma emoção. Ayul estava indiferente.

— Bem, mesmo que seja isso, está tudo bem.

Enquanto Encred assentia bruscamente, Ayul perguntou:

— Posso falar à vontade?

— Eu também prefiro, é mais confortável.

Depois que resolvemos a forma de falar de um jeito direto.

Ayul estava grata a Encred por ter se tornado um totem humano. Era por isso.

— Só vou te mostrar o lugar um pouco.

Disse Ayul, ajeitando sua saia colorida com elegância.

Encred viu que havia duas adagas longas nas coxas dela, sob a saia.

Dava para perceber apenas olhando para o andar e os gestos dela, sem precisar ver as armas diretamente.

Ao caminhar, o peso de cada pé é diferente. O pé direito é mais pesado. Devia haver uma arma relativamente pesada escondida.

Quando vi Rem pela primeira vez, não achei que uma mulher que empunhava um machado andaria por aí desarmada.

Qualquer um podia ver que Ayul era uma guerreira.

Sua aparência era assim, e suas ações também.

A saia esvoaçante também parecia boa para esconder alguma coisa.

Se ela fosse a esposa de Rem, talvez usasse aquela saia para bloquear a visão do oponente.

O louco, que transformaria qualquer situação em um duelo, mais uma vez avaliaria as habilidades de seu oponente.

Ayul esperou pela resposta do outro de costas para o sol. O sol estava apenas começando a surgir com o romper da aurora.

O sol aquecendo o ar seco me dava o prazer de exercitar meu corpo ali.

Encred tinha acabado de se aquecer. Ele limpou o suor do corpo com um pano seco e entrou na tenda, perguntando a Hira se podia esvaziá-la.

— Você volta antes do meio-dia?

Hira falou em um tom suplicante. Parecia que ele não dormia direito há três dias fazendo alguma coisa, então se perguntava se seu corpo aguentaria. Encred assentiu.

Alguns dos que estavam deitados por ali fingiram me conhecer. Depois de cerca de três dias, o número de pessoas que melhoravam aumentou.

Entre eles, havia uma criança que eu via pela primeira vez.

— Meu nome é Ziva. Planejo me casar com você mais tarde.

A criança era atrevida.

Quando Luagarne ouviu isso, riu, inflando as bochechas e colocando a língua para fora.

— Entre na fila, garota humana.

— O quê?

— Você já tem muitas concorrentes na sua frente.

Ziva ficou surpresa por um momento com aquelas palavras.

Mal saiu da cama e começou a andar, e já dizia que queria ser uma futura noiva. Era uma criança realmente atrevida.

A mãe ouviu as palavras da filha, mas permaneceu indiferente.

Ela não deveria impedir aquilo?

Geomna-rae ainda ria calorosamente, e a mulher sem filha dormia profundamente de novo, como se estivesse morta.

Bem, muita coisa aconteceu.

Ainda era a hora de Chiba dormir.

Ela tinha chutado o cobertor fino que cobria seu corpo, deixando a barriga exposta.

A mãe cobriu a criança que dormia à vontade com

m o cobertor e perguntou:

— Devo ir com você?

Era uma pergunta que implicava que ela o acompanharia se fosse

 necessário.

Encred balançou a cabeça e voltou para fora.

— Vamos.

Ayul falou e Encred a seguiu.

>Havia um homem em frente à tenda que a olhava de um jeito estranho há vários dias, mas Encred o ignorou.

Era um ol

lhar de amor e ódio, cheio de gratidão e rancor. Foi a primeira vez que o vi. Eu deveria dizer que ele era uma pessoa est

tranha para um ocidental que gostava e não gostava ao mesmo tempo?

Ele parecia ser próximo da mãe de Chiba, então n

não parecia ter segundas intenções.

Ayul conduziu Encred para fora da área das tendas.

Entre as várias tendas

s, a luz do sol poente saudava seus passos.

— Você cortou o pescoço do Rem?

Encred alongou o passo em vez de

 esticar o pé esquerdo. Ele podia ver uma colônia de formigas rastejando sob seu pé esquerdo.

Aranhas se dispersava

am e fugiam ao som de passos humanos.

De um lado, um escaravelho estava ocupado rolando esterco de vaca.

Será

á que Luagarne comeria aquilo também?

Não parecia ser o caso. Ela parecia escolher os insetos assim como os humanos

s escolhem a comida.

— Uma pessoa morre quando cortam seu pescoço.

Ayul cuspiu a verdade.

Era uma verda

ade que até Encred sabia.

— Acho que fiz algo tão errado que mereço morrer.

Ayul tentou concordar, mas parou.

.

Ela se lembrou do que aconteceu ontem. Ou seja, no dia em que Rem dormiu na casa dela.


— Quero ter um f

filho.

Não devia apenas dizer o que quisesse?

Ayul fez isso.

Seu companheiro ficou indiferente ao ouvir

r aquilo.

— É mesmo?

Era o mesmo de sempre. Era um rosto que parecia não ter interesse in nada além de machad

dos, lutas, batalhas e canibais.

Houve um tempo em que ele agia como uma criança travessa, mas quando começou a agi

ir assim?

Ayul parou de pensar nisso.

Faltava uma semana para o casamento.

Rem se dedicava a lutar e ca

açar.

Era o que parecia para quem via de fora.

“Parece que ele está fugindo.”

Era apenas um palpite, Re

em nunca faria isso na realidade.

Ayul observava Rem balançar seu machado, apoiando o queixo na mão. A questão de s

saber se ele queria fugir surgiu.

Ayul percebeu que estava sendo desonesta consigo mesma.

Se Rem dissesse que

e queria fugir, ela seria capaz de lidar com isso?

Ela ignorou.

Foi a primeira vez. Ela escondeu seus sentime

entos e disse outra coisa: que queria um filho.

Ela pensava secretamente que era impossível.

Rem era talentos

so, o futuro chefe e um futuro guerreiro.

Quantas pessoas nas terras do oeste podiam ser chamadas de guerreiros?###TAG###

p>###TAG###

Diziam que havia um na tribo dos canibais.

Por que Rem iria querer fugir?

Ele amava esta terra mais do q

que a si mesmo.

Ayul também gostava disso.

Então não era uma fuga. Talvez ela estivesse errada.

Foi iss

so. Ele não fugiu.

Uma semana após o casamento.

Ele escolheu dormir nos campos em vez de em casa, e decapitou

u o chamado guerreiro da tribo canibal.

Sob o céu baixo, as nuvens espalhadas pareciam um teto branco.

O sang

gue escorrendo do machado desenhava linhas vermelhas no teto branco.

— Aaaaaah!

Seu companheiro soltou um rug

gido como o de um monstro. Era o grito de vitória.

Depois daquele massacre insano com o machado, Rem partiu.

>Por quê? Ela não sabia. Não houve uma palavra sequer.

No início, era absurdo.

“Esse cara?”

Rem dizia q

que nunca tinha pensado em nenhuma outra mulher como companheira.

Como os dois cresceram juntos, usavam técnicas pa

arecidas e tinham até temperamentos semelhantes.

— Não duvido da sua mãe, mas vocês parecem ter saído do mesmo vent

tre.

Seu pai, que não era o chefe na época, costumava dizer coisas assim.

— É mesmo?

Ayul ficava feliz

 em ouvir isso.

Não era Rem?

Será que seu parceiro, a pessoa que viveria com ela como sua outra metade, era d

diferente dela? Será que seus corações não estavam sintonizados?

“Só eu?”

Será que só ela se sentia assim?###TAG###

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Rem se fora.

Depois de um mês, sentiu mais raiva do que perplexidade.

Fazia sentido partir sem deixar se

equer uma carta?

— Esqueça isso.

Disse o pai que se tornara o chefe. Muitas coisas aconteceu desde então. O t

tempo passou. Os vestígios das quatro estações permaneceram nos campos.

Nos campos ventosos de verão, Ayul tomou um

ma decisão.

“Se você voltar, eu corto a sua garganta.”

Além do absurdo e da raiva, passado o estágio da preoc

cupação, o que restou foi o desejo de matar.

E então Rem voltou.

— Você disse que queria um filho.

Depo

ois de evitá-la por alguns dias, ele se aproximou e disse isso, como se tivesse algo em mente.

A sombra de Rem se a

alongava em frente à tenda.

Ayul disse ao olhar para a sombra:

— No momento, prefiro cortar as suas coisas e

 pendurá-las na parede a ter um filho.

Era um comentário sarcástico. Quando ela falava em "coisas", não se referia

 a braços ou pernas.

Provavelmente estava falando de algo que ele tinha, mas nunca teve a chance de usar.

Rem

m coçou a cabeça. Ele podia agir sem vergonha diante de qualquer outra pessoa, mas não conseguia fazer isso com Ayul.

>

Ele abandonou suas responsabilidades e seus deveres.

O primeiro deles era deixar sua companheira sozinha.

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p>Rem reconheceu suas falhas.

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É por isso que ele podia estar ali e dizer isso agora.

— Em que tipo de mundo v

você acha que essa criança viveria?

O Oeste já foi considerado uma terra estagnada.

Pensavam que os ocidentai

is eram simplesmente pessoas que haviam parado e perdido a vontade de seguir em frente.

“Não seria melhor ser um lo

ouco indignado?”

Não era isso.

Ele não estava se comparando a algum garoto maluco que ia contra as regras e q

quebrava tabus.

Mas era igualmente frustrante.

Será que esse passo foi dado para alcançar algo? Não. Era uma

 desculpa e uma justificativa.

Rem percebeu isso muito tempo depois de deixar o Oeste.

Para ser exato, foi de

epois de ver um humano chamado Encred.

Havia algo de que eu tinha desistido e esquecido no passado. Desisti sem nem

m saber o que era.

“Eu vou mudar.”

Era a vontade de mudar o Oeste.

Eu joguei fora antes mesmo de perceb

ber. Esqueci. Descartei.

Rem era um perdedor e um fugitivo.

Como eu reconhecia isso, não podia receber o feit

tiço.

No momento em que você recebe o poder divino, você morre.

Esse seria o fim.

Qualquer chance de mu

udar, qualquer chance de viver, desapareceria.

Eu não podia entrar no vale da morte daquele jeito.

Rem se tor

rnou um fugitivo, entregando-se aos prazeres restantes do mundo.

Eu não conseguia mais olhar para Ayul.

Não p

podia mostrar a ela esse meu lado feio. Mas também não podia pedir que vivesse com aquele idiota como meu companheiro e c

confidente para a vida toda.

Foi assim que ele escapou.

Ah, é vergonhoso. De verdade.

Rem estava enverg

gonhado, mas não fugiu mais.

Agora que aprendi e passei a saber.

O quão inútil eu sou, e como devo viver.

>

“Nada se resolve fugindo.”

Em vez de viver a vida como um boneco sem nada para mostrar, é melhor seguir por um

 caminho que pode levar à morte. Por isso, vou caminhar.

Isso não significa que ele acredite que vá morrer.

V

Vou gritar contra este mundo injusto.

Isso não é um obstáculo.

Se você quer algo, você vai atrás.

Encre

ed fez isso.

À primeira vista, ele é apenas um humano imprudente prestes a morrer.

Depois disso, tornou-se um

ma pessoa divertida de observar.

Por trás dele há um ser humano precioso demais para morrer.

Conforme o passa

ado vinha à mente e o tempo passava, eu via o capitão lutando na minha frente.

Ele dizia tudo com as mãos e os pés,

, com seu próprio corpo.

Não vou desistir e não vou me desesperar.

Vou caminhar por cima de tudo o que bloque

ear meu caminho.

Esse era o tipo de pessoa que ele era.

Rem aprendeu. Teve uma iluminação. Olhou para trás em

m sua vida.

Lembrei-me do que havia deixado para trás.

Tudo era uma desculpa.

Aquele patife e aquele ga

ato de rua apenas me deram uma oportunidade.

Só então Rem foi capaz de virar a cabeça e olhar para o oeste. Ele enc

carou o que tinha deixado para trás, o que tinha desistido.

Então agora eu podia dizer.

— É vergonhoso, mas e

eu fugi.

Rem falou de forma honesta e aberta.

A conversa continuou de maneira calma, porém ininterrupta.

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Graças à melhora na minha fala, consegui falar com bastante coerência.

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O motivo da minha fuga foi que, se meu fi

ilho nascer, espero que a terra em que ele vai viver não seja igual à de agora.

Esse se tornou o objetivo dele.

>

Ayul ainda olhava para a sombra de Rem.

Quer fosse Rem quem falasse ou Ayul quem ouvisse, ambos pareciam extrem

mamente indiferentes.

— É o fim. Se você quiser, eu corto qualquer coisa para você.

Se essa for a redenção, e

então eu farei.

Rem disse, e Ayul ergueu a cabeça.

Da sombra até a ponta dos pés, das canelas aos joelhos, do

os joelhos à cintura, da cintura ao peito, do peito ao rosto.

No fim daquele olhar, surgiram olhos cinzentos.

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p>Desde jovem, Rem era honesto. Sempre consigo mesmo.

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Eu deveria dizer que este é o momento pelo qual estive espera

ando?

Teria sido melhor se você tivesse me contado antes, mas, já que ouvi agora, não ficaria tão chateada por ser

 tarde demais.

— Demorou muito tempo. Sinto muito.

Disse Rem.

Ayul nunca poderia perdoar Rem pelo seu p

passado.

Mas a agonia da pessoa que escolhi como companheiro tocou meu coração.

Uma lágrima caiu sem que eu p

percebesse. Foi porque entrou poeira.

Hoje é um dia mais limpo do que qualquer outro, sem um único grão de poeira.###TAG###<



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Sob a luz brilhante do luar, Ayul estendeu a mão.

— Pegue.

Rem segurou a mão dela.

— Vou deixar

 você dormir até mais tarde só por hoje.

Disse Ayul. Ela provavelmente o deixaria dormir não apenas hoje, mas no fu

uturo também.

Os dois conversaram.

Rem abriu o seu coração, e Ayul também expressou seus sentimentos de resse

entimento.

No fim daquela conversa, Ayul se sentiu um pouco irritada.

— Hã, bem, ainda tem coisas que eu quer

ro fazer.

— Quer dizer que você vai embora de novo depois de pedir perdão assim que chegou? Só para conseguir os fe

eitiços?

Esse moleque de merda?

Ayul se viu xingando.

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