
Capítulo 624
O Cavaleiro em Eterna Regressão
624. Um pedido sincero
— O que quer dizer com isso?
— A Irmã Shinar tem mais de quatrocentos anos.
— Tão velha assim?
— Humpf.
— Você poderia me chamar de avó em vez de irmã mais velha.
— Aí eu vou ficar brava.
— Ah.
Era um costume de cavalheiros não provocar uma mulher sobre sua idade. Krang assentiu.
Seu aceno de cabeça devia conter sua determinação de nunca mais provocá-la, caso voltasse a vê-la.
— O que você vai fazer quando for?
— Vou perguntar por aí e depois volto.
— O quê?
— É realmente seu desejo cumprir seu dever ou algo do tipo?
Algumas pessoas poderiam realmente querer viver uma vida de dever. Mas Encred quis me perguntar antes que eu pudesse decidir.
Se eu fosse perguntar o porquê.
“É um pressentimento.”
As palavras e ações de Shinar no outro dia passaram pela minha mente.
Especialmente nas palavras que Shinar disse no dia anterior à sua partida, li um forte arrependimento, como um chá mal preparado que estava extremamente amargo.
Na época, pensei que fosse insensibilidade, mas, pensando bem, ser insensível já era um sinal por si só.
— Foi divertido.
Tem sido divertido até agora. Ao mesmo tempo, não será divertido depois disso.
“Então eu vou perguntar. Eu vou lá perguntar.”
Encred pensou assim.
— Faça como quiser.
Krang cruzou as pernas e falou. Ele também não sabia exatamente o que Shinar estava pensando.
— Onde fica a Cidade Élfica?
— Eu também não sei.
— Entendo.
Encred assentiu e trocou algumas palavras banais, e no dia seguinte saiu perguntando onde ficava a Cidade das Fadas.
Primeiro, perguntou a Chrys.
— Depois que Shinar desapareceu, mobilizamos a Guilda da Informação, mas dizem que ele está se escondendo em algum lugar nas montanhas. Dizem que é difícil encontrá-lo por causa da barreira.
Ele disse isso com a testa franzida. Comentou que tinha investigado por conta própria, mas não sabia ao certo.
Depois, perguntou a todos os outros.
— Você acha que eu sei?
Primeiramente, REM foi eliminada.
— Meu conhecimento não chega tão longe, irmão. Venha quando sua vontade de persistir tiver amadurecido. Tenho que cuidar da próxima tarefa.
Audin também não sabia.
O que surpreende é que Ragnar fingiu que sabia.
— Cidade élfica? Já vi crianças tecendo roupas com grama e galhos. Quer que eu te guie?
Claro, recusei a oferta de Ragnar. Se eu seguisse aquele guia, poderia acabar visitando a cidade dos anões em vez da cidade dos elfos, e levaria anos só para chegar lá.
— Seria ótimo se você pudesse ir brincar em outra dimensão.
Saxon balançou a cabeça enquanto observava Ragnar e Rem, que ouviam ao lado, começarem a brigar.
— Não existe apenas um clã élfico. Precisamos encontrar a cidade onde Shinar está localizado.
Ouvindo Saxon, parece que nem mesmo descobrir onde ficava era uma tarefa fácil.
Sim, se fosse fácil, Chrys já teria descoberto através da Guilda da Informação.
— Mas por que você procurou o lugar para onde Shinar foi?
Fiquei curioso novamente e perguntei a Chrys.
— Uh, não há um motivo em particular.
Devo chamar isso de instinto ou um desejo reflexivo de reunir informações?
— Acho que devo dizer ao capitão que “está lá” se ele encontrar mais tarde. Se eu tivesse que dar um motivo, sim. Mas é um pouco embaraçoso, já que não consigo encontrar.
Costuma-se dizer que os sábios veem o futuro antes do tempo, e Encred achou que isso era verdade.
Quando ele disse isso, Chrys respondeu como se estivesse se perguntando o que ele queria dizer.
— Eu estava fazendo todo tipo de coisa e olhando por aí, então aconteceu de eu esbarrar nisso. Caso contrário, sinto-me ansioso.
Foi tudo o que ele disse.
Poderia ser que sua ansiedade crônica estivesse alimentando o desejo de Chrys por reunir informações.
Em vez de olhar para frente e se preparar, ele se preparava muito e reagia quando era pego, mas Encred achava que era sábio se preparar desde o início.
Então, será que Shinar se preparou assim?
O que ela precisava para resolver a maldição, o dever e coisas do tipo?
— Eu não sei. A cidade das Fadas não quer visitantes.
Realmente não havia ninguém que não conhecesse Luagarne.
— Vivi na selva a vida toda e agora moro aqui. E meus talentos se limitam à esgrima, não a achar direções.
— Eu sou bom em encontrar direções, então vou te mostrar o caminho.
Enquanto eu perguntava a Fel, Ragna interrompeu novamente.
— Não, você está bem.
Encred deu um toque suave nele. As palavras de Ragnar não poderiam ser falsas. Ele não era do tipo que inventa mentiras com essas coisas.
No entanto, ainda era um mistério como ele tinha se perdido e acabado na cidade dos elfos.
— Por que estou bravo?
Enquanto Ragna murmurava, Rem, que estivera brigando com Ragna ontem e estava rangendo os dentes, interveio.
— Seria mais rápido ensinar boas maneiras à mesa para um ghoul do que te ensinar a encontrar o caminho.
— Hã? Não consegue me ouvir direito porque isso veio de uma retardada que quebrou a própria canela enquanto girava um machado?
Ontem, quando estávamos lutando, Rem bateu na minha canela com o cabo do machado, mas foi intencional para ganhar impulso, e Ragnar pinçou isso.
Os dois brigaram novamente.
Olhando para trás, as palavras de Ragnar tinham realmente evoluído.
Lawford, que assistia de lado, repetia a conversa deles várias vezes.
— O que você está fazendo?
— Fui provocado quando estávamos lutando outro dia e perdi o argumento. Foi tão injusto que até sonho com isso.
Eu estava falando sobre o que aconteceu com o grupo de Templários. Encred disse com os olhos.
É possível ser provocado.
— ……O capitão não vai saber como eu me sinto.
Encred queria dizer não às palavras de Lawford.
Como ele poderia não saber como era ter Shinar provocando-o com piadas que pareciam feéricas?
A enxurrada de piadas ridículas era rara para ele, e era difícil retrucá-las.
Mesmo tendo perguntado e se movido o dia todo, Encred não adiou seu trabalho.
Era o tempo que ele passava treinando, comendo, lavando e limpando sua arma.
Foi quando ele estava seguindo o conselho de Eitri e limpando sua espada de prata com óleo de linhaça.
Ao contrário do verão, a luz do sol que se punha cedo criava um crepúsculo precoce.
Ele podia ouvir passos entre as folhas que farfalhavam no chão enquanto balançavam ao vento.
Logo, uma sombra se aproximou, bloqueando a luz do sol que pairava sobre o chão, criando uma sombra e se sobrepondo à de Encred.
— Você está procurando a Cidade Élfica?
Será que era por causa do clima que a voz parecia ter um calafrio?
Encred levantou a cabeça. Mesmo no frio cortante do meio do inverno, ele viu uma mulher vestindo apenas um manto conjurado por um feitiço. Era uma mulher linda, de longos cabelos negros, olhos azuis, pele branca e lábios vermelhos. Era a bruxa Esther, apelidada de Flor Negra.
— Para ser exato, encontrar para onde Shinar foi.
Encred respondeu. Se Esther perguntasse por que ele a procurava, Encred planejava jogar uma piada para cima de Krang.
Algo sobre sua irmã mais velha possivelmente estar esperando por ela.
Mas Esther não fez isso. Sua boca se abriu sem um traço de riso.
— Sim. Você deveria perguntar a eles.
— Humm?
— Quando você parte, deve haver um motivo para partir, e quando parte sem nem dizer o motivo, deve haver uma boa razão, certo? É o que eu penso.
— Humm?
— Então você deveria perguntar a eles. Por que eles têm que partir? Por que eles partiram.
Esther disse isso e levantou a mão para a testa de Encred. Encred não se afastou. A mão dela estava fria como gelo.
— Abaixe a barreira por um momento.
— O quê?
— Se sua barreira mental for muito espessa, você não conseguirá transmitir isso.
— E daí?
— Você saberá quando receber.
Não era apenas um sentimento, era real. As mãos de Esther estavam frias, sua respiração não saía pela boca e, quando ela se aproximou, o frio penetrou nas roupas de Encred.
Não parecia que ela iria abraçá-lo, mas sim que ela estava praticando seu feitiço.
Encred fechou os olhos, pensando no que era uma barreira mental.
Então ele desenhou uma imagem em sua mente. O processo em si não foi tão difícil quanto ele pensava. Foi porque seu tempo com o barqueiro não tinha sido em vão.
Imagine uma parede e faça uma porta. E abra a porta.
Ele pensou nisso e o fez. Ao fazer essa associação em sua mente, o que Esther tinha dito infiltrou-se em sua cabeça.
Era um mapa que levava a um determinado lugar. Não era apenas um mapa que mostrava direções e locais, mas um mapa com notas de rodapé para orientação.
— Ouvi falar sobre o clã antes de Shinar partir. É onde as fadas vivem.
Esther era uma bruxa, e construir e viver em uma cabana na floresta era algo pelo qual toda bruxa tinha que passar pelo menos uma vez. Era natural, já que havia muitos materiais para várias amostras na floresta. Uma cabana na floresta era essencial para experimentos mágicos eficientes.
Não era apenas para exibição.
E ela não era a única que cobiçava o lugar onde os materiais para as amostras e ervas eram reunidos.
Não era incomum ver fadas e druidas vivendo na vizinhança.
Com base no que Shinar tinha lhe dito antes de partir, não foi tão difícil para Esther descobrir onde ela vivia. Shinar não tinha entrado em detalhes, mas Esther sabia o suficiente. Não era algo que Shinar esperava.
— Você quer ir junto?
Encred abriu os olhos e perguntou. Esther se afastou e deu um pequeno sorriso.
— Estou ocupada.
— Ah, tudo bem.
Encred fez perguntas semelhantes aos outros.
— Desculpe. Sinto-me mal por recusar você quando está me pedindo tão sinceramente. Mas algo urgente surgiu. Preciso rachar a cabeça daquele pirralho, mas não tenho conseguido há alguns dias. Que tal eu te alcançar em alguns dias?
Encred perguntou depois de ouvir as palavras de Rem.
— Quando foi que eu te pedi sinceramente?
Ele só tinha perguntado se ela queria ir com ele.
— Eu te disse, é um pouco estranho ficar insistindo assim enquanto seguro a barra da sua calça. Eu vou atrás de você mais tarde quando tiver tempo.
Sim, eu não vou com você.
Ragna parecia ter ganhado uma pequena vantagem sobre Rem em seus duelos recentes. É por isso que vou investir meu tempo em treinamento agora.
E quem pode simplesmente sentar e relaxar?
Em algum momento, Rem, em vez de descansar, dividiu seus dias em pedaços menores.
Na verdade, era assim com todos os Cavaleiros Loucos. Era influência de Encred.
— A Irmã Teresa está se aproximando de um momento importante e estou preparando o terreno para a Irmã Seiki, então irei de qualquer maneira se você me pedir.
— Eu só pedi uma coisa. Você fica.
Em algum momento, Audin e Rem pareciam ter se tornado um pouco familiares um com o outro. Todos pareciam saber que a água não estava limpa.
— Você realmente precisa de um guia?
Ragnar foi o primeiro a recusar Encred. Acima de tudo, Rem não ficaria quieta.
— Você está louco? Está com medo?
— Você levou tantas pancadas que sua cabeça ficou danificada?
— Nunca levei uma pancada na cabeça antes. Seu moleque.
Sim, vamos deixar esses dois sozinhos.
Parecia que suas habilidades tinham melhorado muito recentemente durante o treinamento.
No entanto, Encred não sabia, mas a maioria deles sabia por que aqueles dois estavam tão exaltados.
Era por causa do que Encred mostrou em seu treinamento com Rem.
Mesmo sendo apenas um treino, ele mostrou suas habilidades sem ser empurrado para trás. Mais do que apenas ser empurrado, sua espada que condensava e carregava Vontade em um golpe e depois a desferia também era letal.
Vendo isso, era impossível ser complacente.
Outra razão era que Audin secretamente menosprezava os dois.
Audin, que tinha despertado para a divindade, poderia ser dito estar ligeiramente à frente dos dois agora.
Rem e Ragna não ignoravam isso.
— Acho que pode ser solitário ir sozinho, mas não posso. Tenho um encontro.
Saxon também recusou, dizendo a mesma coisa. Em conclusão, Encred decidiu partir com Luagarne.
Aqui, Pel se juntou.
— Vamos treinar no caminho.
Não era assim antes, mas agora os olhos de Pel estavam cheios de respeito e admiração. Naturalmente, esse respeito também era evidente em sua fala.
— Tudo bem então.
— É uma pena que eu não tenha conseguido acompanhar.
Lawford sentiu remorso. No entanto, ele não podia simplesmente abandonar o treinamento da pequena equipe de inspeção que Ragnar tinha abandonado.
Parecia que ele tinha deixado uma crise importante para trás. Mesmo sem isso, Lawford era, na verdade, uma das pessoas mais ocupadas nos Cavaleiros Loucos.
— Então.
Encred partiu sem esperar.
Krang tinha vindo a trabalho e estava hospedado por alguns dias, mas percebeu que Encred tinha partido sem lhe avisar.
Ele agarrou Chrys e perguntou.
— Você não se esqueceu de mim, esqueceu?
— ……Ah, de jeito nenhum.
Chrys disse isso, mas era difícil encontrar qualquer credibilidade em suas palavras.
Parecia que ele tinha se esquecido de Krang e simplesmente partido.