Mago Prismático Genial

Capítulo 15

Mago Prismático Genial

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Ray, escondido atrás de uma caixa, observava os garotos que iam em direção à livraria.

‘Eles parecem ser do lado do Zephyr. Em termos de território.’

Sua localização atual era a Rua 8.

Ficava nos limites do setor e costumava ser um lugar com pouca gente.

‘Bem, a janela não teria sido quebrada sem motivo, teria?’

Era possível deduzir até certo ponto o que os três garotos pretendiam fazer através da conversa deles.

Eu tinha recebido a oferta.

Para qualquer outro que quisesse um lugar com uma livraria.

Era algo que víamos com frequência no Setor 50, e o próprio Ray já tinha recebido esse tipo de pedido.

“Ei, garoto, posso falar com você um minuto?”

“É simples. Só atrapalhe um pouco os negócios deles.”

“Vocês decidem como fazer. Só garantam que isso não vire um boato muito grande.”

Eu não aceitei o pedido.

Isso porque o alvo era uma loja com a qual eu estava familiarizado.

Só mais tarde soube que o cliente era um concorrente de outra rua.

De qualquer forma, contratar órfãos de rua para atrapalhar ou até mesmo afugentar seus oponentes era um método muito bom.

Não deixava muitos rastros, além de ser muito mais seguro e econômico do que pedir para uma gangue fazer isso.

Ray olhou ao redor.

Era o lugar perfeito para resolver as coisas, já que não havia absolutamente nenhum pedestre passando.

Quando os três garotos chegaram a alguns metros da livraria e se posicionaram para atirar pedras.

Ranger — bam!

A janela do segundo andar se escancarou.

“Ei! Vocês! Sumam daqui! Vocês não param de jogar pedras na loja!”

Era uma garota de cabelos ruivos.

Ray passava sempre pela livraria, mas ela era uma garota que ele nunca mais tinha visto desde o primeiro encontro deles.

Ray olhou para o recipiente da garota.

A mana negra que se agitava violentamente indicava que a dona do recipiente estava aterrorizada.

Além disso, havia a mana amarelo-clara que tentava expulsar a mana negra.

Era um sinal de que a garota estava demonstrando coragem.

Coragem e confiança.

Uma cor pertencente à família do amarelo-claro.

‘A combinação de cores é parecida com a do tempo de Philip.’

É uma cor que tenho visto muito ultimamente.

A mana amarela da garota se diferenciava da de Philip por estar prestes a ser consumida pela mana negra.

“O que eu faço? Alguém apareceu?”

“O que você está fazendo? Ela é só uma criança. Não vê que ela está morrendo de medo?”

Ray não foi o único a notar o medo da garota.

Os garotos, percebendo quem eram o predador e a presa naquele lugar, começaram a gritar alto.

“Ei! Você tem sorte! Você tem uma casa! Nós não temos nem um lugar decente para dormir!”

“Isso mesmo! Minha barriga está doendo tanto que eu mal consigo aguentar!”

A pedra voou pelo ar.

Não foi um arremesso fraco.

Fiiiu —! Fiiiu —!

Os garotos atiraram as pedras com todas as suas forças, com os braços esticados para trás.

A malícia e hostilidade evidentes podiam ser sentidas.

Era uma ação com a clara intenção de machucar o oponente.

A única sorte era que o teto do prédio era alto, então a pedra perdia bastante força ao alcançar o segundo andar.

Mas ainda assim era ameaçadoro suficiente.

Tac —!

A pedra, que havia cortado o ar com violência, colidiu contra a parede.

Bem ao lado da janela.

A garota estremeceu.

Seu rosto ficou pálido ao ver os pedaços e o pó de concreto caindo da parede.

Se não desviasse, acabaria se machucando seriamente.

Se levasse uma pedrada na cabeça, poderia até morrer.

Um tremor visível tomou conta de suas pupilas.

Ela parecia prestes a cair no choro a qualquer momento.

Mas a garota não fugiu.

Ela não derramou nenhuma lágrima nem gritou de desespero.

Em vez disso, ela manteve a boca fechada.

E segurou o parapeito da janela com ainda mais força.

Então, inclinou o corpo para a frente, projetando ainda mais o tronco para fora da janela.

“Sumam! Sumam daqui, todos vocês! Eu vou matar vocês!”

Infelizmente, as ameaças raivosas da garota surtiram pouco efeito.

“Vai matar a gente?”

“Não liga para isso e continua jogando. Quando ela for atingida, vai tomar juízo.”

“Desce aí! Se não tiver nenhuma arma sob essa saia além de facas ou punhos, eu posso acabar com você!”

“Olha só!”

“Mandou bem! Isso aí! Desce!”

Os garotos bateram palmas e riram alto, provavelmente achando que a piada tinha sido muito engraçada.

Eles não tinham nenhuma experiência sexual de verdade.

Nem sabiam exatamente como o ato sexual era realizado.

Apenas repetiam como papagaios o que os mendigos e bêbados diziam.

Mas aquilo era o suficiente.

O principal objetivo daquela imitação era se sentirem adultos e se exibirem.

Ray, sentindo que era hora de intervir, pegou um cano de ferro enferrujado que estava por perto e começou a caminhar.

.

Quando passou por ali e observou o prédio da última vez, ele viu que a livraria se conectava ao segundo andar.

Ela devia ser alguém relacionada à livraria.

Por exemplo, a filha do dono.

Por conta disso, se a ruiva morresse ou ficasse gravemente ferida, havia a possibilidade de se tornar difícil entrar

na livraria.

“Sumam! Sumam daqui! Os adultos já estão saindo!”

“Sua idiota! Acha que a gente não sabe que aí dentro só tem velhos doentes e crianças?”

“Vocês todos vão morr— Aaagh!”

Zás!

Uma pedrinha de raspão atingiu a bochecha da garota.

Gotas de sangue misturadas com poeira escorreram pela bochecha alva.

“Acertei!”

“Vou acertar em cheio na próxima! Estou pegando o jeito enquanto jogo!”

Lágrimas brotaram nos olhos da garota.

Elas foram se acumulando e, por fim, começaram a escorrer pelo seu rosto.

Desta vez, a garota não fugiu.

Ela rangeu os dentes e não se afastou da janela.

Ray sentiu uma súbita sensação de desconforto.

Sentia que já tinha vivenciado uma situação parecida em algum lugar.

‘Ah.’

Logo se deu conta.

Pale e seus irmãos.

Antes de ele se juntar a eles, as crianças de Guldari eram frequentemente ameaçadas por outros grupos.

Afinal, Guldari era o local perfeito para órfãos de rua se abrigarem.

A situação agora era semelhante à daquela época.

Havia aqueles que queriam tomar o que era dos outros e aqueles que queriam proteger.

‘Quando a ponte foi cercada... Que expressão Pale tinha no rosto naquela hora?’

Ray franziu a testa ao observar as costas dos três garotos se aproximando.

Distinguir expressões faciais sempre fora difícil para ele.

Era como olhar para uma folha de papel em branco, sem nada desenhado.

Por causa disso, era ainda mais difícil se lembrar daquela expressão.

Ray demonstrou uma concentração incrível por um instante.

Graças a isso, conseguiu recordar vagamente o contorno da expressão de Pale na época.

‘A boca bem fechada. A testa franzida. E…’

Ray olhou para cima e encarou o segundo andar.

Sim. Era exatamente a mesma expressão que aquela garota fazia agora.

Por algum motivo, seus passos se apressaram.

Mesmo sabendo que um ataque surpresa só daria certo se todos os vestígios de sua presença fossem apagados.

Fiiiu —!

A pedra rasgou o ar.

Se continuasse no mesmo trajeto, atingiria em cheio o rosto da garota.

Naquele instante, a pedra em pleno voo mudou de direção repentinamente e caiu na vertical.

Em seguida, deu meia-volta e voou na direção dos garotos.

“Caramba!”

O garoto que por pouco não foi atingido pela pedra gritou.

“Hã? O que acabou de acontecer?”

“Não pareceu meio estranho?”

“Será que é só impressão minha?”

Os garotos ficaram momentaneamente atordoados.

Mas logo recobraram os sentidos e começaram a se preparar para atirar as pedras de novo.

E Ray viu tudo claramente.

‘Magia…?’

Não era a magia que ele costumava usar.

Claramente, a mana no ar estava oscilando.

O vento gerado a partir de um ponto no ar envolveu a pedra e mudou sua direção.

Dúvidas intensas e curiosidade brotaram com força no coração de Ray.

Ao mesmo tempo, veio uma revelação.

‘Existia uma forma assim. Era possível manifestar magia não a partir da palma da mão, mas de um ponto específico no a

ar.’

Ficou evidente na hora quem tinha conjurado o feitiço.

Era a garota na janela.

O rosto dela de repente parecia exausto.

Os garotos começaram a atirar pedras novamente, gritando.

“Fora! Caiam fora da Rua 8!”

“Você não pode fazer nada aí dentro!”

Como esperado, eles já estavam acostumados a arremessar as pedras, que voaram de forma ainda mais rápida e violenta q

que antes.

Fiiiu —!

Uma pedra voando pelo ar.

Desta vez, o alvo era exatamente o rosto da garota.

A garota mordeu os lábios.

Ela estendeu os braços para a frente.

Manas de várias cores se entrelaçaram.

Elas se misturaram em um ponto para formar uma única cor.

“… … !”

But for a moment, as if concentration was broken, the mana began to dissolve and its original colors began to appear.

.

A pedra já estava quase a atingindo.

Um breve instante que durou menos de um segundo.

Ray se concentrou.

Ele não tinha tentado antes, mas sentia no íntimo que conseguiria.

Vum!

A mana que estava se dispersando de forma instável parou por um instante.

Ray rapidamente assumiu o controle da mana que a garota havia perdido.

A mana se concentrou em um único ponto.

A mana assumiu uma cor única várias vezes mais rápido do que quando a garota a controlava.

Um azul-celeste límpido, sem nenhuma impurity.

Um azul claro como o céu após a chuva.

Fiuuuu ──!

Uma forte lufada de vento varreu a área.

O vento envolveu com força todas as pedras que flutuavam no ar e as arremessou de volta contra os inimigos.

Bam! Bam!

“Uh!”

“Uh!”

O ângulo e a direção também foram precisos.

Os garotos atingidos pelas pedras na testa caíram no chão, babando muito.

“Mas o que…!”

O único garoto que conseguiu desviar das pedras olhou para seus companheiros caídos com os olhos arregalados.

Ruído.

E quando ele virou a cabeça na direção do som.

Clang ──!

Ele foi atingido na cabeça pelo cano de ferro e caiu.

O rosto frio de Ray se refletiu nos olhos do garoto.

Ah, esse garoto…

O caçador…

Ploft!

Ray não parou.

Caminhou entre os garotos no chão e continuou a golpeá-los com o cano de ferro.

Mirando apenas nos pulsos e antebraços.

Repetida e persistentemente, várias e várias vezes.

Bam! Bam!

“Ahhh! Mas que porra é essa!”

“Aaah! Seu… desgraçado…! Aaagh!”

Os três garotos acabaram desmaiando.

O chão ficou manchado com o sangue que respingava da carne rasgada.

Ray arrastou os três garotos para um beco e os jogou lá de qualquer jeito, antes de retornar para a frente da livrari

ia.

Ray disse, olhando para a garota que continuava de boca aberta.

“Faz tempo.”

“… … .”

Ele olhou para o recipiente da garota.

A mana negra e a mana turquesa estavam em proporções parecidas.

Elas representavam o medo e a curiosidade.

A garota gaguejou, com o rosto pálido.

“Você… precisava mesmo ir tão longe?”

“Tão longe?”

“Não precisava destruir os braços deles desse jeito… Se fizer isso, eles não vão conseguir usá-los como antes, mesmo

depois de muito tempo.”

“Eu sei. Foi por isso que fiz.”

Os lábios da garota tremeram.

Mesmo assim, ela abriu a boca como se precisasse dizer algo.

“Mas ainda assim é exagero—”

“Nem um pouco. Se você punir de qualquer jeito, eles vão atacar de novo. Se só bater e mandá-los embora, eles vão vol

ltar e jogar pedras de novo, não é?”

“… … .”

A garota não conseguiu responder.

Foi porque ela percebeu que o que ele dizia fazia sentido.

A garota engoliu em seco e disse:

“Eu… antes de mais nada, obrigada.”

“Não precisa agradecer. Tenho uma pergunta.”

“Ah, eu também…”

O garoto e a garota.

“Você acabou de usar magia?”

“Você é um mago?”

As vozes dos dois ecoaram pela Rua 8 ao mesmo tempo.

*

Clique. Ranger ──

A garota destrancou a porta da livraria e saiu.

Ela devia ser uma garota de estômago forte, pois apenas fez uma careta de nojo diante de tanto sangue espalhado.

“Você… é incrível. Consegue criar ventos fortes assim. Nem o meu avô consegue fazer isso.”

“Seu avô?”

“Sim. Ele é o dono da livraria. Embora seja meio excêntrico…”

“Como você aprendeu magia?”

“Hã? Meu avô acolheu a mim e aos meus irmãos—”

“O seu avô também usa magia?”

As perguntas vinham uma atrás da outra, sem parar.

A garota ficou sem jeito, mas respondeu a cada uma delas sem reclamar.

“Sim. Como ele é um mago, claro que sabe usar.”

Os olhos de Ray brilharam.

Ele achava que a livraria simplesmente teria livros relacionados a magia.

Mas o dono era um mago.

Aquela era uma descoberta além das expectativas.

Também era provável que ele não fosse uma pessoa muito perigosa.

Pelo que ouviu dos garotos caídos, disseram que ele era apenas um velho doente.

Quando seu avô foi mencionado, um sentimento de confiança brotou no coração da garota.

“Então, seu nome é—”

“Eu vou poder conhecer a pessoa que você chama de avô?”

“… … .”

A garota ficou sem palavras diante da enxurrada de perguntas.

‘… Eu também tenho muito o que perguntar.’

Ela encarou firmemente os olhos do garoto.

Eles estavam cheios de curiosidade e desejo de explorar.

A garota soltou um leve suspiro e assentiu.

“Está bem, entendi. Acho que vou ter que subir e dar uma olhada na situação.”

Ranger ──

A porta da livraria se abriu.

A garota, que entrou primeiro, olhou para trás e perguntou:

“Quer entrar e esperar?”

Dentro da livraria escancarada,

o conhecimento pelo qual o garoto tanto ansiava estava ali, roçando sua pele.

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