
Capítulo 410
A Protagonista Feminina Realmente Te Ama
A bebedeira tinha acabado de começar, mas Sophie já sentia o efeito do álcool.
Ela achou que devia estar bêbada; caso contrário, por que suas bochechas estariam tão quentes? Por que sua cabeça parecia estar girando, quase em branco?
Ela não precisava saber de que ilha ele estava falando, ou se a luz que ele mencionou era a aurora boreal. Sendo a garota inteligente que era, ela sabia exatamente o que ele queria dizer.
E porque sabia, ela se sentiu em pânico. Foi como se uma bala tivesse perfurado seu coração, inevitável.
Todos, quando crescem, disparam uma bala contra o mundo. E essa bala sempre volta do mundo quando você menos espera, perfurando seu coração.
Talvez seja quando você está atravessando a rua. Talvez seja quando você olha para cima e vê um bando de pombas brancas voando em direção ao horizonte. Ou talvez... não exista talvez. É agora mesmo.
Sophie observou Sam pegar sua lata de cerveja e sorrir: "Saúde."
Ela o imitou, inclinando a cabeça para trás e dando um grande gole, bebendo muito. Desta vez, ela não engasgou.
Sam não obteve resposta, mas não parecia se importar. Talvez estivesse acostumado. Nem toda pergunta precisa de uma resposta, e nem todo esforço precisa de uma recompensa. Às vezes, apenas expor o assunto, fazer a pergunta, já tem seu próprio tipo de valor emocional.
Em termos simples, as pessoas muitas vezes ficam infelizes porque se preocupam demais com ganhos e perdas. Desde que o momento seja feliz, nada mais importa.
Talvez porque a primeira lata de cerveja tenha acabado rapidamente, a segunda foi aberta com a mesma rapidez. Sophie sentiu a temperatura do ambiente subir significativamente. Ela pressionou as costas da mão contra sua bochecha delicada, sentindo o calor.
Sam notou seu pequeno gesto. "O quê, você está doente de novo?"
"Você é quem está doente. Eu não sou tão fraca, ok?" Sophie tinha se soltado muito, suas palavras já não eram tão breves. Ela falava como uma garota comum, dizendo o que vinha à mente, sem se preocupar com o impacto sutil de dizer uma palavra a mais ou a menos. Talvez não houvesse impacto nenhum; as pessoas apenas tendem a pensar demais, complicando as coisas.
"Você não é fraca? Quanto você pesa?" Sam perguntou.
Sophie deu um gole na cerveja, pensando na última vez que subiu na balança. "45 quilos..."
"Só 45?"
"Nem isso."
"Nem 45?!" Sophie não era alta, tinha uma estrutura pequena, mas como raramente mostrava uma expressão amigável, a maioria das pessoas não a descreveria como fofa. Seus traços faciais excelentes e proporções corporais muitas vezes faziam as pessoas ignorarem sua estrutura pequena.
Sophie revirou os olhos para Sam. "Qual é o problema? Esse é um peso normal para uma garota."
"Normal? Você é tão magra! Não admira que seus seios sejam tão pequenos; você nem pesa 45 quilos."
Ao ouvir isso, Sophie ficou chateada e se levantou. "Meus seios não são pequenos..."
Ela não conseguiu terminar a frase porque a imagem e o corpo de outra garota surgiram repentinamente em sua mente. Essa garota era Angel. Ela não a tinha visto apenas vestida; ela até a vira fazendo sexo com Sam.
Angel definitivamente pesava mais que ela, mas as proporções de seu corpo eram perfeitas, sem excessos. Até seus seios pareciam tão bonitos.
Sam olhou para ela, divertido. "Ainda quer discutir?"
Sophie, com as bochechas coradas, sentou-se novamente. "Muitas celebridades não parecem magras, mas na verdade são muito leves..." Ela só conseguia se consolar com essas palavras.
Sam deu um gole na cerveja. "Isso é porque elas se exercitam muito. Pelo menos estão em boa forma e comem alimentos com poucas calorias. Você é igual? Você não se exercita. Se corresse algumas centenas de metros, provavelmente desmaiaria."
Sophie franziu a testa. "O que eu posso fazer? Eu sou assim. Não consigo ganhar peso. E se ganhasse, eu ficaria horrível."
"Diz quem? Te mataria ganhar um pouco de peso?"
"O que o meu peso tem a ver com você?" Sophie encarou Sam, como se tivessem voltado à sua forma mais familiar de interagir.
Sam balançou a cabeça com um sorriso. "Como não tem? Eu cozinho para você todos os dias, e você ainda não ganha peso. Isso não é problema meu?"
"O microbioma intestinal de uma pessoa não muda tão facilmente. Você acha que comer sua comida por um mês vai me fazer ganhar peso?"
"Então me diga, por quanto tempo eu tenho que cozinhar para você antes que seu microbioma intestinal mude por minha causa?"
"Um..." Sophie quase deixou escapar um número, mas se conteve, percebendo que soava muito ambíguo.
Sam percebeu sua hesitação e não hesitou nem um pouco. "Uma vida inteira?"
Sophie não aguentava mais. Não apenas porque Sam continuava dizendo coisas assim, mas porque sua coragem e ousadia contrastavam fortemente com sua hesitação. Não era apenas provocar as cordas de seu coração; parecia um castigo para si mesma. Como uma pessoa corajosa zombando de uma covarde. Como alguém em pé no topo de uma montanha, zombando daqueles que não conseguiam escalá-la.
"Sam... você é muito mau!" Ela chutou Sam com raiva.
Sam segurou sua perna facilmente, e de repente suas posições ficaram um pouco estranhas.
Sophie congelou, sentindo a força do aperto de Sam em sua perna. Apenas o calor da palma de sua mão fez seu corpo amolecer.
"Solta!"
"Você me chuta, e eu deveria soltar?"
"Eu... eu não vou mais chutar, ok? Apenas solta!"
Sophie lutou, mas não conseguiu reunir força extra.
Sam não apenas segurou sua perna, mas também tocou levemente sua panturrilha com os dedos, como se tocasse uma melodia.
"Como vou saber que você não vai me chutar de novo se eu soltar? Eu não quero me machucar."
"Idiota... Você está tentando tirar proveito de mim? E depois dormir comigo?"
"E se eu dissesse que sim?" Sam foi completamente honesto.
"Eu não concordo!"
Embora Sophie tivesse admitido para si mesma que Sam era, de fato, o homem mais especial para ela, ela não queria entregar sua virgindade a ele tão facilmente.
Ela tentou puxar a perna de volta, mas Sam não apenas não soltou, como também tirou seu sapato e meia.
"O que você está fazendo?" A mão de Sam tocou seu pé. Quase instantaneamente, Sophie perdeu toda a capacidade de se mover e resistir. A estranha sensação se espalhou a partir de seu pé, fazendo-a perceber o quão inesperadamente sensível aquela área era.
Era como uma corrente elétrica percorrendo seu corpo, fazendo-a desabar na cama, com uma perna ainda na mão dele, como se tivesse caído em seu abraço.
Sam ficou atordoado. "Você está... fingindo?"
"Eu não estou fingindo... Solta!" A voz de Sophie estava suave e fraca.
Sophie provavelmente pensou que seu tom era firme, mas para Sam, era mais convidativo do que ficar nua. Ele percebeu que o pé dela poderia ser uma área inesperadamente sensível, então não tinha intenção de soltar. Em vez disso, ele massageou suavemente seu pé macio.
A sensação fez Sophie quase perder o controle. Seus olhos ficaram marejados.
"Mm...!" Ela não pôde evitar fazer sons estranhos por causa da sensação. Ela rapidamente cobriu a boca com as mãos, mas ainda fez alguns sons.
Sam olhou para ela, divertido. "Você está se sentindo bem ou mal?"
Os olhos de Sophie estavam nublados, sua consciência quase desaparecendo. Quem teria pensado que um pé tão pequeno poderia ter um impacto tão grande?
Sophie não sabia o que fazer. Ela só podia olhar para Sam, impotente.
Vendo-a assim, Sam sentiu um pouco de culpa. Ele poderia aproveitar este momento para fazer mais. Mas ela balançava a cabeça, fraca e patética, parecendo tão vulnerável e impotente pela primeira vez. Suas ações tornaram-se mais gentis, transformando a massagem em um carinho, como se estivesse manuseando uma delicada obra de arte.
Ele olhou para a garota, seus olhos mostrando um pânico sem precedentes, e seu olhar suavizou. "Não se preocupe, não vou forçar você a fazer sexo comigo. Apenas relaxe."
"Como... eu posso relaxar? Solta..."
"Você vai me chutar de novo?" Sam esfregou suavemente seus dedos macios, perguntando baixo.
Sophie estreitou os olhos, querendo gemer de prazer. Mas ela só conseguiu se segurar, caso contrário... seria muito constrangedor. Ela cobriu a boca, com o rosto vermelho, olhos marejados, e balançou a cabeça.
"Boa garota", Sam disse com indulgência.
Normalmente, Sophie ficaria furiosa se Sam a tratasse como uma criança. Mas agora... ela sentiu um sentimento estranho em seu coração, como mel prestes a transbordar.
"Certo, já chega." Sam soltou seu pé justamente quando ela estava prestes a perder o controle.
Sophie sentiu-se aliviada, mas quando Sam terminou sua cerveja e se levantou, sentiu uma sensação de perda.
Sam olhou para ela. "Certo, você pode limpar este lugar sozinha. Estou indo. Adeus."
"Ei? Ei, ei, ei?" Sophie não esperava que Sam fosse embora tão rápido, sem nem dizer as palavras habituais de despedida.
Depois de muito tempo, quando o som da porta fechando já tinha desaparecido há muito, Sophie finalmente teve forças para se sentar. Ela queria xingá-lo, mas o que ela deveria dizer? Por que ela deveria xingá-lo?
Era porque ele foi insensível? Ou porque ele não fez sexo com ela? Ela não sabia, e parecia estar caindo em confusão novamente.
Mas então ela de repente se lembrou de algo. A mesa. A carta! O que estava escrito dentro?
Ela rapidamente calçou seus sapatos, quase tropeçando em sua pressa para chegar à mesa. Ela pegou a carta, suas mãos tremendo enquanto a abria.
Enquanto seus olhos examinavam as palavras, ela prendeu a respiração, desdobrando os vincos um por um. Finalmente, ela viu o conteúdo da carta.
Continha uma frase, mas isso a manteve acordada a noite toda. A frase dizia —
[31 de dezembro, 23h59. O beijo de Sam e Sophie, acompanhado pelas badaladas do Ano Novo.]