Ator Magnata em Hollywood

Capítulo 461

Ator Magnata em Hollywood

As negociações entre Neil e a Disney se arrastavam.

Neil estava determinado a extrair cada centavo do "Rato" [1], mas a Disney não estava disposta a ceder facilmente. Eles já estavam dispostos a oferecer mais de 30 milhões de dólares — um valor que superava até mesmo os salários das maiores estrelas da Marvel na época, como Robert Downey Jr., Chris Evans e Scarlett Johansson.

Mas o verdadeiro ponto de discórdia não era o dinheiro; era o controle criativo.

A equipe executiva da Disney, incluindo o chefe da Marvel Studios, Kevin Feige, estava sentada em uma sala de reuniões privada, com documentos e propostas espalhados pela mesa.

Bob Iger, CEO da Disney, inclinou-se para frente e dirigiu-se aos presentes: "Quero que falemos sobre isso abertamente. Quero especificamente o Lucas para este projeto. Mas a condição do Neil é dar a ele um controle criativo significativo. O que acham?"

A sala ficou em silêncio por um momento antes que um dos produtores se manifestasse.

"É arriscado", disse o produtor, com a voz tensa. "Deixar um ator, mesmo alguém como o Lucas, ter esse tipo de poder sobre um filme da Marvel? Nunca fizemos isso antes."

Um diretor que eles estavam considerando, Scott Derrickson, suspirou: "E é o Motoqueiro Fantasma. Vocês sabem como as coisas funcionam. Qualquer filme com fantasmas ou elementos sobrenaturais pesados é banido na China. Perderemos um mercado gigantesco."

Outro executivo concordou: "Exatamente. O Motoqueiro Fantasma é um risco de bilheteria. Não podemos contar com os mercados internacionais, especialmente a China."

Bob Iger tamborilou os dedos na mesa, pensativo. "Mas pensem em Coringa. Aquele filme fez mais de um bilhão de dólares sem a China. Lucas esteve profundamente envolvido naquilo. Ele sabe como romper barreiras e entregar resultados."

Kevin Feige finalmente se pronunciou: "É verdade. Ele provou que consegue lidar com a pressão criativa. E, francamente, o burburinho em torno dele sozinho poderia carregar o filme. Se vamos arriscar, talvez seja esta a hora."

A sala silenciou novamente. A ideia de dar a um ator — mesmo um tão influente quanto Lucas — qualquer tipo de rédeas criativas era algo inédito na máquina rigidamente controlada da Disney.

E, ainda assim, ali estavam eles, considerando seriamente a possibilidade.


No Solstice Canyon, em Malibu, Lucas e Jennifer faziam uma trilha juntos, vestidos de forma casual. Jennifer, sem maquiagem, parecia deslumbrante sem esforço, enquanto Lucas, usando um simples moletom e jeans, caminhava ao lado dela com uma confiança natural.

Apesar da fama mundial, eles tinham conseguido encontrar refúgios de paz em lugares como aquele. Tinham se acostumado com os paparazzi os seguindo, mas ali era mais tranquilo. Um fã ou outro os reconhecia, mas não era nada comparado ao caos da cidade.

Ao chegarem a uma clareira, um pequeno grupo de trilheiros os avistou. "Meu Deus, é o Lucas! Lucas Knight! Podemos tirar uma foto?", chamou uma mulher, com os olhos arregalados de empolgação.

Atrás dela, alguns outros ecoaram: "Por favor, só uma foto!"

Lucas e Jennifer trocaram um sorriso. Lucas acenou positivamente: "Claro, sem problemas."

Eles posaram para selfies rápidas, com Jennifer rindo baixinho quando uma fã sussurrou: "Você é ainda mais bonita sem maquiagem!"

"Vocês dois são incríveis juntos", acrescentou outro. "Obrigado por serem tão gentis!"

"Obrigado pelo carinho", disse Lucas calorosamente, fazendo um pequeno sinal de adeus enquanto o grupo se afastava, ainda em êxtase.

"Eles são uns amores", comentou Jennifer, ajustando sua jaqueta enquanto continuavam a trilha.

"Sim, eu não me importo com momentos assim", respondeu Lucas. "É bom quando as pessoas são genuínas."

Ao contornarem uma curva, viram alguém familiar se aproximando na direção oposta — Miley Cyrus, vestida com roupas de trilha e óculos escuros no topo da cabeça.

"Ei, Miley!", chamou Jennifer, acenando.

Miley parou, puxando os óculos escuros para os olhos: "Jennifer? Lucas? Uau, que surpresa."

Lucas sorriu: "Também não esperava encontrar você aqui."

Miley se aproximou com um sorriso amigável: "Eu venho muito aqui quando quero fugir de tudo. É um dos meus lugares favoritos."

"O nosso também", disse Jennifer. "Mas é a nossa primeira vez nesta trilha."

"O que estão achando?", perguntou Miley.

"Pacífico. Parece um mundo diferente comparado à loucura de Los Angeles", respondeu Jennifer.

Lucas concordou com a cabeça: "É bom diminuir o ritmo."

Miley riu: "Nem me fale. Este lugar me mantém sã. Honestamente, é o meu botão de reset."

Eles continuaram caminhando juntos por um tempo, a conversa era leve.

Encontrar a Miley tinha sido um ponto alto inesperado. Apesar do que a mídia costumava retratar, ela era calorosa, sensata — refrescantemente diferente de sua reputação.

Depois de um papo descontraído, eles se despediram, seguindo suas trilhas em direções opostas.

Mais tarde, enquanto descansavam em um trecho tranquilo da trilha, o celular de Lucas vibrou. Ele olhou para a tela — era Neil.

Ao atender, ele se recostou, com os olhos semicerrados.

"E aí? Alguma notícia do 'Sr. Mickey'?"

A voz de Neil veio pelo telefone, levemente divertida.

"Eles ainda não cederam no controle criativo... mas eles querem você, Lucas. E muito. Eu diria para dar tempo ao tempo — eles vão ceder."

Lucas deu um sorriso de canto: "Isso é bom."

Ele guardou o celular, mas sua mente já estava em outro lugar.

'Um papel com superpoderes... finalmente.'

Não era apenas mais um trabalho de atuação — era um teste. Uma chance de levar as fronteiras do seu Workshop Mental ao limite.

Era mais do que ensaio. O Workshop permitia que ele se tornasse os personagens. Seu corpo, seus instintos — tudo mudava. Ele já tinha visto isso antes.

'Ainda tenho as habilidades de pintura do Peeta de Jogos Vorazes... e os reflexos do Coringa.'

Mas superpoderes? Isso era um território desconhecido.

Ele já tinha tentado antes. Um projeto para a Netflix, só para ver. Eles até lhe deram atenção, mas o projeto nunca avançou. O Workshop não respondeu — sem simulação, sem adaptação.

'Só funciona quando é real. Com respaldo de estúdio, sinal verde total.'

Desta vez, era real.

'Se o Motoqueiro Fantasma for oficial... eu realmente posso me tornar algo além de humano?'

Ele sentiu o pensamento se instalar em seu peito, pesado e empolgante.

Jennifer percebeu seu silêncio, olhando para ele enquanto tirava a comida da mochila: "O que está pensando?"

Lucas afastou o pensamento, sorrindo: "Só imaginando qual será a decisão da Disney."


Nos dias seguintes, a Disney continuou fazendo jogo duro. As negociações se arrastaram, com Neil mantendo sua posição.

Finalmente, eles cederam.

Lucas recebeu controle criativo e, junto com ele, uma oferta que chocou até os especialistas da indústria — 35 milhões de dólares.

Foi um valor estonteante — o maior salário da história da Marvel, superando até os ganhos de Robert Downey Jr. no auge. Nada mal para alguém que estava entrando no MCU pela primeira vez.

De volta em casa, Jennifer estava radiante.

"Eles realmente cederam?", perguntou ela, abraçando-o forte. "Você é imparável."

Lucas sorriu, mas seus pensamentos já estavam correndo lá na frente.

'Hora de ver o que o Workshop Mental fará com o Motoqueiro Fantasma.'


Na manhã seguinte, Lucas foi até a sede da Disney. Calmo. Focado.

Ele se encontrou com o CEO, Bob Iger, apertou sua mão e assinou o contrato. Ele nem se deu ao trabalho de ler cada linha — Neil já tinha examinado tudo em busca de brechas.

Então veio o verdadeiro teste.

Scott Derrickson, o diretor, o esperava.

A atmosfera estava tensa.

Scott entregou o roteiro, sua expressão era ilegível, mas seus movimentos eram contidos. "Aqui", murmurou ele. "Leia."

Lucas pegou o roteiro e folheou. Conforme seus olhos escaneavam as páginas, sua testa se franziu.

Quando chegou à metade, ele fechou o roteiro com um suspiro.

"Eu não gostei", disse ele sem rodeios.

Bob e Scott encararam-no, pegos de surpresa.

"Por quê?", perguntou Scott, cruzando os braços defensivamente.

Lucas apontou para a página de rosto: "Essa versão do Motoqueiro Fantasma — Johnny Blaze — não está funcionando. Ela se distancia demais da origem."

Scott balançou a cabeça: "Esse é o ponto. Queríamos algo diferente. Por que refazer o que já existe? Se é para seguir a mesma fórmula, mais vale nem fazer. O Blaze já teve seu filme."

Os olhos de Lucas se estreitaram levemente.

"Não sou um fã fanático de quadrinhos, mas sei o suficiente. E, honestamente? Se vamos fazer algo diferente, então vamos até o fim."

Scott ergueu uma sobrancelha: "O que quer dizer?"

Lucas sustentou seu olhar: "Adapte o Danny Ketch."

Uma pausa. O clima na sala mudou.

Scott franziu a testa: "Danny Ketch?"

Lucas assentiu com firmeza: "Sim. Ele é um tipo diferente de Motoqueiro Fantasma. Um que os fãs ainda não viram na tela. A história dele é mais sombria — mas tem coração. E se mantém mais fiel ao espírito dos quadrinhos."

A sala ficou em silêncio.

Bob olhou de um para o outro, incerto.

Lucas não recuou: "Aceitei isso porque quero respeitar os fãs. Não farei algo que traia o cerne do que o Motoqueiro Fantasma é."

Bob e Scott trocaram olhares incertos. A ideia fazia sentido — Danny Ketch não era tão conhecido, mas trazia um potencial renovado. Havia algo ali.

Após uma longa pausa, Scott exalou e disse:

"Vai levar tempo para retrabalhar tudo o que planejamos... mas tudo bem. Vamos mudar para o Danny Ketch em vez de Johnny Blaze."

Lucas sorriu aliviado: "Obrigado. Gostaria de ajudar com o roteiro também — tenho alguma experiência com escrita."

Scott hesitou, depois deu um aceno lento: "Tudo bem. Vamos ver o que você tem."

Bob observou os dois atentamente, então se levantou com uma expressão pensativa.

"Parece que vocês dois têm uma direção agora. Vou deixá-los trabalhar."

Tanto Lucas quanto Scott acenaram conforme Bob saía, deixando-os em um silêncio carregado.

Lucas virou-se para Scott.

"Vamos conversar sobre algumas ideias."

Eles falaram por um tempo, trocando pensamentos, até que Scott levou Lucas para uma sala de reuniões onde a equipe de roteiristas estava reunida.

"Escutem", Scott bateu palmas, chamando a atenção deles. "Houve uma mudança. Vamos mudar do Johnny Blaze para o Danny Ketch como o Motoqueiro Fantasma."

Alguns gemidos preencheram a sala. "Sério?", resmungou um roteirista. "Já construímos muita coisa em torno do Blaze."

Então, uma voz no final da mesa se manifestou — calma, mas direta.

"Eu venho dizendo isso desde o início. O Ketch fazia mais sentido."

Lucas virou-se em direção à voz, levemente surpreso com a confiança tranquila. Sentado ao lado do roteirista frustrado estava um homem mais velho, casual, mas com um brilho nos olhos.

Os olhos de Lucas se arregalaram ao reconhecê-lo.

'Espere... aquele é o Stan Lee.'

[1] - Referência pejorativa comum em Hollywood para se referir à Disney, devido ao seu mascote, o Mickey Mouse.

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