
Capítulo 460
Ator Magnata em Hollywood
Se no passado Lucas hesitara em aceitar papéis de super-heróis — especialmente aqueles sob o selo da Marvel —, desta vez a sensação era diferente.
Naquela época, com sua fama ainda em ascensão, interpretar um super-herói poderia tê-lo marcado como "aquele cara da Marvel", em vez do ator sério que ele desejava ser. Mas agora, as coisas tinham mudado. Ele estava aberto a mais. Papéis mais ousados. Riscos maiores.
Ele sentou-se ao lado de Jennifer no trailer dela enquanto viam clipes de Motoqueiro Fantasma no YouTube.
Jennifer observou uma cena de um crânio flamejante pilotando uma motocicleta em chamas e fez uma careta. "Aquela coisa vira ossos e fogo? O Motoqueiro Fantasma é aterrorizante...", ela disse, rindo um pouco. "E é carregado de CGI[1]. Tem certeza de que está tudo bem com isso?"
Lucas inclinou a cabeça, sorrindo.
"Por que não? Não se esqueça, já trabalhei em projetos com muito CGI antes. Lembra de Gravidade?"
Jennifer assentiu. "Lembro. Mas aquilo era CGI do espaço e da Terra. Desta vez, você é o CGI. Eles vão colar sensores em todo o seu rosto e corpo e te colocar naqueles trajes de captura de movimento desajeitados."
Ela estendeu a mão e tocou gentilmente o rosto dele, sorrindo de forma brincalhona. "Você realmente está bem com eles transformando esse rosto em um crânio em chamas?"
Lucas riu. "Só porque é CGI não significa que posso relaxar. Na verdade, é mais difícil." Ele acrescentou com um brilho nos olhos: "Eles precisarão das minhas expressões — da minha linguagem corporal — para conduzir a atuação. O computador apenas segue o meu comando."
Jennifer olhou para ele por um momento, então assentiu lentamente. "Você tem razão. A captura de movimento ainda precisa de alma. Isso não dá para fingir."
Eles conversaram um pouco mais, brincadeiras divertidas se misturando a pensamentos sérios — até que Jennifer decidiu apresentá-lo aos seus colegas de elenco.
No momento em que ele pisou no set, os colegas dela receberam Lucas calorosamente, alguns maravilhados, outros apenas genuinamente gentis. Eles riram, apertaram as mãos e tiraram fotos juntos — fazendo-o se sentir parte da equipe, nem que fosse por um momento.
Lucas passou vários dias no set, acompanhando silenciosamente Jennifer durante seus últimos dias de filmagem.
Toda vez que ela ficava diante das câmeras, havia algo mais intenso, mais focado em sua atuação. Isso não passou despercebido — a equipe, seus colegas de elenco, até o diretor trocavam olhares, reconhecendo sutilmente o fogo extra que ela trazia quando Lucas estava observando. Mas ninguém disse uma palavra. Apenas deixaram que ela brilhasse.
Poucos dias depois, o projeto foi oficialmente encerrado. As cenas finais foram filmadas, a equipe trocou despedidas e o set foi lentamente desmontado.
Agora, finalmente, Lucas e Jennifer tinham tempo para si mesmos.
"Antes de voltarmos", disse Jennifer, com um brilho nos olhos, "vamos explorar um pouco. Estamos na Rússia, afinal. Podemos aproveitar para ver algo."
Lucas sorriu. "Claro. Por que não? Minha fama nem é tão grande por aqui mesmo..."
Ele não poderia estar mais enganado.
Mais tarde naquela noite, dentro do conforto silencioso de seu quarto de hotel, um único vazamento online mudou tudo.
Alguém publicou a localização deles na internet e, em menos de uma hora, o hotel estava cercado.
Fãs lotaram a entrada, ocuparam o saguão e transbordaram para a rua.
"Droga. Flashbacks de Los Angeles", Jack murmurou enquanto observava a multidão lá fora. "Lembra de quando ficamos presos naquele hotel por horas?"
Simon balançou a cabeça. "Não achei que passaríamos por isso de novo. Na Rússia, de todos os lugares..."
Shawn, ao volante do carro de fuga, acrescentou calmamente: "Parece que eles te amam aqui também, chefe."
Lucas e Jennifer trocaram um olhar.
Eles esperavam uma viagem tranquila, mas claramente sua fama os seguira — até através dos continentes.
Eles chegaram a outro local tranquilo uma hora depois. Mas assim que saíram, foram cercados novamente. Desta vez, as vozes eram mais altas e não estavam gritando por Jennifer.
"Lucas! Lucas! Uma foto, por favor!"
"Eu amo sua música!"
"Motoqueiro Fantasma! É verdade?"
Jennifer olhou em volta, atônita. Depois se virou para ele com um olhar de provocação. "Não ouvi meu nome nenhuma vez."
Ela ergueu uma sobrancelha.
"Tem certeza de que não é o 'protagonista' desta viagem?"
Lucas levantou as mãos em sinal de rendição fingida.
"Ok, ok. Sou culpado. Vamos voltar para os Estados Unidos."
Naquela noite, eles se mudaram para uma propriedade privada nos arredores — silenciosa, segura, pacífica. Foi a primeira vez em dias que eles puderam ouvir os próprios pensamentos.
Na manhã seguinte, dirigiram-se ao aeroporto, desta vez por um terminal privativo. O voo estava marcado, o jato pronto — e o caos da Rússia estava finalmente atrás deles.
Enquanto esperavam para embarcar, Jennifer se apoiou no ombro de Lucas.
"Na próxima vez", ela murmurou, "vou reservar uma praia."
Lucas riu suavemente.
"Desde que não gritem 'Lucas!' na areia, estou dentro."
Ela sorriu enquanto se mantinham abraçados um pouco perto demais. Enquanto isso, demorou um pouco para que a notícia chegasse verdadeiramente à Rússia: Lucas e Jennifer — um dos casais mais comentados do momento — já haviam deixado o país.
Os fóruns de fãs russos explodiram em decepção.
"Droga! Nem sequer consegui ver o Lucas! Eu queria que ele autografasse meu álbum Knight. Amo a música Viva La Vida dele!"
"Eu me odeio. Deveria ter tirado folga do trabalho e ido atrás dele!"
"Nós, os fãs, falhamos. Como não conseguimos que ele assinasse nada?"
"Pelo menos alguns de vocês o viram! Eu mataria só para ter conseguido um vislumbre!"
As discussões estavam cheias de arrependimento e frustração.
As manchetes internacionais começaram a repercutir o burburinho:
"A Rússia se derrete por Lucas Knight: O Elvis da nossa geração?"
"Febre Lucas domina Moscou: Fãs devastados com a oportunidade perdida."
"O amor russo por Lucas atinge níveis virais."
E falando em Elvis —
O vazamento de "Taking Care of Business" havia se transformado em uma onda de problemas jurídicos para Vince Knight. Com a informante anônima finalmente confirmada como uma ex-secretária da HFPA[2], sua credibilidade não estava mais em questão.
Ela alegou que Vince havia movido pauzinhos para manipular o 68º Globo de Ouro — especificamente para garantir que seu próprio filho não ganhasse nada.
Em uma tentativa desesperada de contra-ataque, os aliados de Vince reagiram. O ex-presidente da HFPA entrou com um processo de difamação contra a mulher, acusando-a de fabricar a história.
Esse contra-ataque arrastou o caso original para um caos ainda maior. Mas para Vince, esse era o objetivo.
Ganhar tempo. Adiar. Sobreviver.
Sentado em seu escritório luxuoso, Vince massageava as têmpras, o peso de tudo aquilo finalmente começando a tomar conta.
"Droga... ajudar aquela minha filha idiota foi o pior erro que cometi nesta década."
Seu maxilar se contraiu. "Se eu não tivesse concordado em deixá-la vazar o filme do Elvis, nada disso teria saído do controle."
Agora, ele estava preso entre processos, repercussão negativa na mídia e a percepção de que ficar do lado de Katherine em vez de Lucas lhe custara muito caro.
E desta vez, talvez não houvesse saída.
Em setembro, Viva - A Vida é uma Festa[3] começou a ganhar força nos mercados globais. O burburinho inicial não estava particularmente focado no elenco, já que a maioria do público estava simplesmente atraída pelos visuais emocionais e pelo potencial da história do filme.
Isso mudou rapidamente quando os espectadores notaram um nome familiar no elenco de voz: Lucas Knight.
De repente, a empolgação mudou de foco. As redes sociais inundaram-se de pedidos:
"Espere — Lucas está dublando alguém em Viva? Onde estão as imagens dos bastidores?!"
A Disney, sentindo o aumento do interesse, lançou um featurette de bastidores no YouTube mostrando Lucas na cabine de gravação como Héctor.
A reação foi instantânea.
"Como ele faz sua voz soar tão mais velha e áspera?"
"Se eu não tivesse visto as imagens, nunca teria adivinhado que era o Lucas!"
"Este homem consegue transformar sua voz da mesma forma que faz com seu corpo..."
O aperitivo também incluiu um breve trecho de Lucas cantando uma versão melancólica de "Remember Me". Seu tom cru e emocional em apenas algumas linhas foi o suficiente para despertar a curiosidade em todo o mundo.
O público nos Estados Unidos, Europa e Ásia agora contava ansiosamente os dias.
Em 17 de agosto, Viva - A Vida é uma Festa estreou oficialmente em cinemas selecionados nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e partes do Sudeste Asiático.
Muitos fãs foram ao cinema com um objetivo: apoiar Lucas. Mas à medida que o filme se desenrolava, até mesmo os fãs mais fervorosos que apareceram apenas por ele se viram tocados pela história.
O que começou como um entretenimento casual tornou-se uma imersão emocional.
E quando Miguel e Héctor cantaram "Remember Me" juntos na tela, corações se partiram.
Lágrimas correram.
Os cinemas ficaram em silêncio.
No primeiro dia, Viva já estava sendo chamado de obra-prima — e a atuação de Lucas era uma parte importante disso.
"Quando o Lucas vai lançar a versão completa de Remember Me?", os fãs perguntavam no Twitter e no Vine.
A música tocou profundamente milhões de pessoas. No Vine, os usuários começaram a fazer covers, com um clipe de um menino cantando com lágrimas nos olhos atingindo mais de 2 milhões de curtidas em dois dias.
Outro vídeo viral apresentava um idoso cantando suavemente a melodia, com a voz falhando devido à idade e à emoção. Aquele atingiu 1,4 milhão de curtidas — e contando.
O burburinho orgânico tornou-se uma onda inesperada de marketing viral para a Disney.
Enquanto isso, o Vine começou a se encher de clipes piratas curtos de Viva, divididos em cenas como capítulos de um livro digital.
"Não tem como eu assistir a um filme inteiro da Disney em partes no Vine", brincou um usuário. "Mas aqui estou eu na Parte 6..."
Os clipes piratas, filmados de forma trêmula por câmeras de baixa qualidade dentro dos cinemas, eram mais um incômodo do que uma ameaça séria à Disney. Por mais que odiassem os vazamentos, não havia muito o que pudessem fazer para impedi-los totalmente. O único lado positivo era que as filmagens eram granuladas — e o Vine, surpreendentemente, estava ajudando.
A plataforma estava sinalizando e removendo ativamente conteúdo pirata. Fazia sentido. Afinal, Viva estava se beneficiando de uma onda de promoção orgânica no Vine, e Lucas — seu dono — estava influenciando sutilmente esse movimento.
A Disney pagou por "tração orgânica" através dos sistemas do Vine, e o retorno superou as expectativas. Engajamento, memes e reações emocionais surgiram. O lado negativo, é claro, era que muitos usuários foram surpreendidos pelos spoilers dos clipes piratas antes de verem o filme.
Alguns fãs começaram a exigir uma moderação melhor.
"Não consigo rolar o Vine sem ver o final de Viva!"
"Por favor, excluam os spoilers — este filme merece ser visto sem saber de nada."
A equipe da Disney correu para lidar com a repercussão negativa enquanto continuava surfando na onda do sucesso viral.
Enquanto isso, a portas fechadas, as negociações estavam aumentando.
Neil, o empresário de longa data de Lucas, estava em conversas profundas com a Disney sobre o grande projeto da Marvel que eles tentavam conseguir para Lucas.
E Neil? Ele estava determinado a extrair cada dólar da Disney.
Ele sentou-se diante dos representantes da Disney, calmo, mas afiado. "Se vocês querem o Lucas, precisarão fazer valer o tempo dele — e o talento dele. E falo de forma financeira, criativa e contratual."
Os representantes trocaram olhares.
Neil inclinou-se para frente. "Ele quer controle criativo total."
A sala ficou em silêncio.
"Não porque ele não confie em vocês", Neil acrescentou suavemente, "mas porque ele se importa. Ele quer que este seja um filme que ressoe com os fãs de quadrinhos e com o público geral. Não apenas mais um blockbuster de receita pronta."
Não era arrogância. Era convicção. Lucas queria construir algo que durasse.
E a Disney... eles ainda estavam pensando.
[1] - CGI: Imagens Geradas por Computador.
[2] - HFPA: Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (Hollywood Foreign Press Association).
[3] - Viva - A Vida é uma Festa: Título em português para o filme original "Coco".