
Capítulo 441
Ator Magnata em Hollywood
O elenco e a equipe de produção de *Taking Care of Business* ainda estavam imersos no planejamento, na sede da Warner Bros. Cada detalhe, da cinematografia às emoções das performances, estava sendo escrutinado.
Com o tempo, Lucas foi se acostumando com seus colegas de elenco. Entre eles, Tom Hanks se destacava mais — sua natureza calorosa e acessível tornava fácil conversar com ele.
Tom tinha sua própria abordagem única para atuar. Embora não fosse um ator de método estrito como Daniel Day-Lewis, ele ainda se imergia em seus papéis com uma técnica pessoal refinada. Lucas já havia experimentado a forma extrema da atuação de método, evitando deliberadamente o uso de sua Oficina Mental para se desafiar. Mas, à medida que ganhava experiência, percebeu que a abordagem de Day-Lewis não era apenas desnecessária, mas às vezes francamente prejudicial.
Assim como Tom, Lucas havia desenvolvido seu próprio método personalizado, misturando preparação intensa com adaptabilidade.
Enquanto isso, Olivia DeJonge também estava tirando notas de Tom. Ela admirava sua abordagem, mas mais do que qualquer um, era Lucas quem realmente a impressionava.
Ela notou o quão relaxado ele parecia durante os ensaios, em contraste com os rumores de que ele era um ator de método que permanecia no personagem o tempo todo. Ele era simplesmente ele mesmo — até a hora de atuar.
E foi aí que a verdadeira surpresa aconteceu.
Durante os ensaios, quando era hora de Lucas entrar no personagem, Olivia assistiu maravilhada enquanto ele se tornava Elvis — mudando sem problemas de seu eu normal para o músico jovem e incerto.
Até mesmo Baz Luhrmann, o diretor, junto com Tom Hanks, ficou surpreso com a transformação.
Lucas encarnou o jovem Elvis, o artista tímido, mas ambicioso, como se tivesse saído da história.
Mas então, Baz deu seu feedback: "Foi ótimo. Consegui ver o jovem Elvis em você. Mas... sinto que algo está faltando. Você pode tentar novamente, desta vez como o Elvis confiante?"
Ainda faltando?
Olivia e os outros membros do elenco trocaram olhares. Do ponto de vista deles, Lucas já havia entregado uma performance impecável. Sua capacidade de se imergir tão naturalmente era impressionante.
Mas, aos olhos de Baz, não era o suficiente.
Alguns deles esperavam que Lucas se opusesse. Afinal, ele era um vencedor de dois Oscar, conhecido por *50/50* e *Coringa (2016)* — uma performance tão lendária que ele nem compareceu à cerimônia do Oscar quando ganhou.
Se alguém tinha o direito de discordar da crítica de um diretor, era ele.
No entanto, Lucas simplesmente sorriu e acenou com a cabeça. "Sim, eu entendo o que você quer dizer. Também sinto que algo está faltando."
A sala ficou em silêncio. Nem Baz esperava tanta humildade de alguém da estatura de Lucas.
Tom Hanks o observou mais de perto agora, reavaliando o jovem ator.
Lucas ajustou sua postura: "Certo, aqui está o Elvis quando ele encontrou sua confiança."
Sem hesitação, Lucas imergiu-se novamente no papel, mas desta vez, foi diferente. Toda a sua postura mudou — ele irradiava aquela energia magnética de superestrela.
"Sábios dizem que só os tolos se apressam~"
Ele lançou-se na performance, canalizando o carisma característico de Elvis.
O elenco e a equipe ficaram cativados. Olivia observava em admiração silenciosa. Ele não estava apenas agindo como Elvis — ele o estava encarnando.
Baz acariciou o queixo, pensativo.
Lucas era inegavelmente talentoso, tanto como ator quanto como cantor. Mas ainda assim... algo parecia estranho.
E, no entanto, Baz não conseguia colocar em palavras. "Foi incrível. Não admira que você seja um vencedor de EGOT. Vejo Elvis nessa performance, mas... algo ainda está faltando."
Uma pausa. Ele olhou para Lucas com uma expressão conflituosa.
"Perdoe-me — não consigo identificar exatamente o que é. Quando o vi pela primeira vez interpretar *Unchained Melody*, soube que você tinha algo especial. É por isso que o escolhi para Elvis. Mas agora, quero ver mais. Não quero apenas 'Lucas como Elvis' — quero ver Elvis. Você me entende?"
Lucas assentiu lentamente.
"Sim. Eu entendo."
Ele compreendeu o desafio.
Ele havia vivido a vida de Elvis na Oficina Mental, desde os 15 anos de idade, revivendo a vida do cantor nos mínimos detalhes.
Ele já havia interpretado personagens semelhantes antes — como em *Nasce Uma Estrela* — e podia se basear em suas próprias experiências como superestrela.
Mas algo ainda estava faltando.
Enquanto ele estava sentado ao lado de Olivia, imerso em pensamentos, uma percepção o atingiu.
'Eu vivi a vida de Elvis na Oficina Mental... mas ainda não capturei verdadeiramente sua essência.'
Ao contrário de seus papéis fictícios, Elvis não era apenas um personagem. Ele era real — um homem que havia vivido e respirado neste mundo.
As palavras de Baz ressoavam em sua mente.
"Eu quero ver o verdadeiro Elvis."
Lucas cerrou os punhos, determinado. Ele não iria imitar Elvis. Ele iria encontrá-lo.
"Eu não entendo."
Lucas virou-se ao ouvir uma voz. Era a jovem Olivia, a alguns passos de distância, com uma expressão confusa no rosto.
"Desculpe se interrompi seus pensamentos, mas..." ela hesitou, procurando as palavras certas. Finalmente, ela falou.
"Você claramente interpreta muito bem o jovem Elvis e o Elvis adulto — sua fala, sotaque, movimentos, até a maneira como você olha. Então... o que exatamente o diretor acha que está faltando?"
Lucas ficou em silêncio por um momento. Então, ele sorriu.
"Na superfície, parece que capturei Elvis perfeitamente", ele admitiu. "Seja o jovem sonhador ou o superastro. Mas... acho que Baz está certo. Também sinto que algo está faltando."
Uma nova voz se juntou à conversa.
"Você não acha que o diretor está apenas esperando demais de você?"
Lucas e Olivia se viraram. Era Tom Hanks, parado por perto. Sua voz era calma, mas seu olhar era perspicaz, testando os pensamentos de Lucas.
"Eu concordo!" Olivia assentiu, mostrando sua confiança juvenil. "Acho que Baz está apenas cobrando padrões impossíveis de Lucas! O que quer que ele pense que está faltando deve ser apenas... sua aparência. Com a maquiagem certa, Lucas ficará exatamente como Elvis!"
Tom sorriu com o comentário ingênuo de Olivia. Ela era jovem — talentosa, mas ainda aprendendo.
Lucas, no entanto, balançou a cabeça.
"Não. Não acho que ele esteja esperando demais", disse ele com firmeza. "Porque eu sinto o mesmo. Minha interpretação de Elvis está faltando algo."
Tom estudou Lucas por um momento antes de finalmente falar.
"Você vai descobrir", disse ele, colocando uma mão tranquilizadora no ombro de Lucas. "Apenas tenha um pouco de fé em si mesmo. Afinal... você é Lucas Knight."
Lucas deu um pequeno aceno enquanto Tom ia conversar com os outros.
"Fé em mim mesmo, hein...", ele murmurou.
Então—
!!!
Fé...
A palavra o atingiu como uma faísca de inspiração.
Sem hesitação, ele fechou os olhos.
Olivia, observando atentamente, não o perturbou. Ela já estava com Lucas há tempo suficiente para reconhecer o que estava acontecendo.
"Ele está meditando de novo...", ela sussurrou para si mesma.
Lucas sempre lhes dizia que, quando fechava os olhos assim, estava procurando inspiração.
"Será que ele finalmente descobriu algo?", Olivia se perguntava enquanto o observava, o rosto imóvel, os olhos fechados.
O que ela não sabia era que Lucas acabara de entrar na Oficina Mental.
Lá dentro, a simulação reproduzia a vida de Elvis.
O Elvis de 15 anos estava diante dele — aquele que ele já havia vivido na Oficina.
Lucas olhou para as mãos. Então, ele emitiu um comando.
"Transforme Elvis em um garoto de 6 anos, como na abertura do roteiro."
Silêncio.
A Oficina Mental não respondeu.
Nada mudou.
Lucas franziu a testa. Ele tentou novamente.
"Inicie a simulação aos seis anos de idade."
Ainda assim, nada.
Seu estômago afundou ligeiramente.
Existem limites para a Oficina Mental.
Não podia recriar Elvis antes dos 15 anos.
Lucas exalou, sentindo uma rara sensação de desamparo.
Ele precisava ver Elvis como criança. Precisava experimentar o momento em que Elvis encontrou sua fé pela primeira vez.
Porque aquela fé — sua fé cristã — foi o que o moldou. Foi o que o definiu.
E essa era a peça que faltava.
Lucas tentou de tudo para simular Elvis como criança.
Ele ajustou variáveis, experimentou diferentes comandos e tentou reiniciar o cenário.
Mas, não importava o que ele fizesse, a Oficina Mental se recusava a obedecer.
Era uma trapaça incrível — uma vantagem diferente de qualquer outra. No entanto, apesar de todas as suas capacidades, não conseguia retroceder a idade de um personagem além dos 15 anos.
Pelo menos, não para a preparação de papéis.
Lucas franziu a testa, momentaneamente intrigado pela limitação.
Sem outra escolha, ele saiu da simulação.
Quando abriu os olhos, a sala de ensaio voltou a focar. O elenco e a equipe estavam espalhados, cada um envolvido em suas próprias preparações.
Do outro lado da sala, Tom Hanks estava sentado com um livro nas mãos — um estudo psicológico sobre imersão de personagens.
Lucas soltou um suspiro silencioso, então se levantou e caminhou até Baz Luhrmann.
"Preciso de algo", disse ele.
Baz olhou para cima, intrigado. Até agora, Lucas havia estado impecavelmente preparado, nunca pedindo nada para auxiliar seu processo.
"O que é?"
"Uma Bíblia."
Baz levantou uma sobrancelha — não porque o pedido fosse estranho, mas porque era a primeira vez que Lucas pedia algo.
Lucas havia dominado tudo sobre a voz, movimentos e presença de Elvis sem assistência. Até mesmo o treinador de sotaque sulista que havia sido trazido para treiná-lo se mostrou desnecessário — Lucas o havia dominado instantaneamente.
Os especialistas em Elvis, contratados para guiá-lo, eram praticamente inúteis.
Baz recostou-se, cruzando os braços. "Não esperava que você fosse um cristão devoto."
Lucas balançou a cabeça. "Eu não sou."
Baz piscou. "Então... por que a Bíblia?"
"Preciso entender o cristianismo da mesma forma que Elvis o entendeu", explicou Lucas. "Também estou pensando em ir a um culto na igreja, talvez assistir a uma apresentação de coral."
Ele olhou para Baz.
"Elvis era um cristão devoto, mesmo sendo o Rei do Rock 'n' Roll."
A expressão de Baz mudou quando a compreensão surgiu. Seus lábios se curvaram em um pequeno sorriso.
"Ah... agora eu entendi." Ele tamborilou os dedos na mesa. "Não sei se é fé o que está faltando na sua performance... mas isso? Isso é genial."
Lucas assentiu.
Baz virou-se para um assistente. "Arrume uma Bíblia para ele."
Poucos minutos depois, a equipe e o elenco observavam Lucas sentado em sua cadeira, completamente absorto na leitura.
Ninguém o incomodou.
Mesmo quando os produtores entraram, eles pararam, olhando para a Bíblia nas mãos de Lucas.
Hollywood não era exatamente conhecida por sua devoção religiosa.
Ver uma de suas maiores estrelas lendo abertamente as Escrituras era... inesperado.
Alguns trocaram olhares, como se questionassem silenciosamente se Lucas sempre havia sido religioso.
Mas antes que alguém pudesse especular, Baz interveio, explicando a razão por trás do método de preparação incomum de Lucas.
Assim que ouviram, os produtores assentiram em compreensão.