
Capítulo 442
Ator Magnata em Hollywood
Lucas imergiu-se no estudo do contexto religioso que moldou Elvis, aprofundando-se no coração da fé cristã do Sul.
Sua jornada o levou ao Mississippi, onde ele buscou experimentar o espírito das igrejas em primeira mão.
Surpreendentemente, Tom Hanks decidiu acompanhá-lo. Não para atuação de método — ele nunca foi esse tipo de ator — mas porque queria ficar de olho em Lucas.
Ele pensou que poderiam ensaiar juntos enquanto ele fazia sua própria pesquisa, ouvindo antigas gravações do Coronel Tom Parker e folheando livros. Aprender algo novo sempre o entusiasmava e, de certa forma, este projeto o fazia sentir-se jovem novamente.
Lucas, por sua vez, visitou pequenas igrejas locais, cada uma deixando uma impressão única nele.
Ele se viu atraído pela energia soulful da música gospel sulista, aquela que não apenas preenchia o ar, mas parecia vibrar pelas paredes e nos ossos de cada pessoa lá dentro.
Uma igreja em particular, escondida das ruas movimentadas, não era muito conhecida, mas a devoção lá dentro era palpável.
Os cantores gospel não estavam apenas cantando — eles estavam sentindo a música, seus corpos movendo-se instintivamente, pegos no ritmo da fé.
Seus movimentos não eram polidos, não eram ensaiados, mas de alguma forma, carregavam um magnetismo bruto que fazia todos na sala quererem balançar junto.
Lucas, sentado tranquilamente no fundo, observava com um fascínio que beirava a admiração.
Então, o vocalista principal, um homem animado cuja voz era tão poderosa quanto sua presença, de repente o notou.
"Ora, vejam só! Temos mais um irmão fiel entre nós!" ele gritou, sua voz ressoando com entusiasmo.
Cabeças se viraram. A congregação seguiu seu olhar até Lucas, que, apesar de usar um boné dos Yankees puxado para baixo, sentiu os olhos deles se fixando nele.
O cantor sorriu, com os olhos brilhando. "Venha, irmão! Não fique aí parado — junte-se a nós para sentir o Senhor!"
Lucas hesitou. Ele não tinha vindo para participar, apenas para observar. Mas a energia na sala era contagiante, e a maneira como todos olhavam para ele — expectantes, acolhedores — deixou claro que ele não escaparia disso.
Com um suspiro resignado, ele se levantou e deu um passo à frente, recebendo aplausos e vivas enquanto começava a se mover desajeitadamente com a música.
Pareceu… estranho. Mas também libertador. O riso, os aplausos, o ritmo — nada era forçado. Sem coreografia, sem roteiro. Apenas movimento puro e desinibido.
O pastor, sorrindo de orelha a orelha, circulava pela sala, interagindo com a congregação no meio da dança.
"Irmão Jacob! O que o Senhor está colocando em seu coração hoje?"
Um homem mais velho, movendo-se alegremente, respondeu: "Ele está me dizendo para continuar avançando! Para confiar no plano Dele!"
A multidão aplaudiu.
O pastor girou para outra mulher. "Irmã Lola! O que o Senhor está sussurrando para você?"
"Ele está me dizendo que, não importa o quão difícil a vida fique, Ele está ao meu lado!"
Mais aplausos.
Então o pastor se virou para Lucas, que esperava passar despercebido.
"E você, jovem? O que o Senhor está falando ao seu coração hoje?"
Todos os olhos estavam nele novamente.
Lucas, pego pelo momento, exalou e sorriu. Ele não tinha certeza do que dizer, mas deixou a energia da sala guiá-lo.
"Ele está me dizendo…" Ele fez uma pausa, sentindo o ritmo, então sorriu. "Que eu deveria parar de pensar demais… e apenas dançar."
A sala explodiu em risos e aplausos, a música voltando a crescer.
Lucas deixou seu corpo se mover instintivamente, sem passos ensaiados, sem movimentos calculados — apenas energia pura e crua. Ele se entregou ao ritmo, permitindo que seus movimentos fossem ditados pelo que sentia no momento.
Era bruto, mas eletrizante, uma dança de presença completa, assim como o que ele havia testemunhado nas igrejas.
Trinta minutos se passaram no que pareceu um instante, e enquanto a música diminuía, ele assentiu em gratidão silenciosa antes de sair da igreja.
Após cinco visitas a diferentes pequenas igrejas, Lucas sentiu que havia absorvido o que precisava. Não era apenas sobre entender Elvis — era sobre sentir o espírito por trás da música, a maneira desinibida como ela se movia através das pessoas, impelindo-as a dançar, a cantar, a estar no momento.
Era diferente de tudo o que ele já havia experimentado antes.
Ao retornar ao hotel, ele encontrou Tom Hanks sentado no lounge, um livro de psicologia aberto em seu colo. Assim que notou Lucas entrar, ele colocou o livro de lado e sorriu.
"E então, garoto?" Tom se recostou, observando-o com curiosidade. "Aprendeu algo novo hoje?"
Eles estavam no Mississippi há três dias, com Lucas imerso nas igrejas locais, experimentando a fé que havia moldado Elvis. Tom não era de mergulhar de cabeça na atuação de método, mas ele respeitava o processo de Lucas. O que ele via não era apenas dedicação cega — era pesquisa, a maneira de um artista encontrar sua verdade no papel.
Lucas sentou-se no sofá com um sorriso pensativo. "Aprendi algo, sim", ele divagou, tamborilando os dedos no apoio de braço. "Os domingos… são diferentes. A igreja pega diferente aos domingos."
Tom ergueu uma sobrancelha, intrigado. "Ah? E o que exatamente você aprendeu?"
Lucas não respondeu imediatamente. Em vez disso, ele se levantou, jogou os ombros para trás e assumiu sua postura como se estivesse segurando um microfone invisível.
Tom sorriu, cruzando os braços. "Ah… entendi. Você vai me mostrar em vez de me contar."
Lucas não respondeu — ele apenas começou a se mover.
No início, era lento, apenas um balanço dos quadris, um toque do pé. Então, de repente, a energia aumentou.
Ele se lançou em "Blue Suede Shoes", sua voz rica e soulful, transbordando com algo mais do que apenas habilidade técnica. Era instintivo.
A dança não era coreografada, nem era estritamente Elvis — era viva, alimentada pelo mesmo fogo que ele havia visto naquelas igrejas, o mesmo movimento espontâneo de fé e sentimento.
Tom assistia, seu sorriso vacilando quando algo inesperado aconteceu — ele sentiu.
Não era apenas uma performance; era magnético.
Antes mesmo de perceber, seu próprio pé batia no ritmo. Então seus ombros se moveram. E então, como se tivesse sido possuído pelo espírito da própria música, Tom se viu dançando.
"Que diabos —" ele riu, seu corpo se movendo sozinho. "O que é isso?! Meus pés têm vida própria!" Ele balançou a cabeça, sua risada se misturando ao ritmo.
Lucas sorriu, mas não parou. Ele continuou cantando, alimentando-se da energia na sala.
Por alguns minutos, eles dançaram como dois homens que haviam esquecido o peso da realidade, presos apenas na pura alegria do movimento.
Finalmente, sem fôlego, Tom se curvou com as mãos nos joelhos, balançando a cabeça em descrença. "Jesus, garoto…" ele ofegou, olhando para Lucas com os olhos arregalados. "Eu não esperava por isso."
Lucas enxugou o suor da testa, recuperando o fôlego. Ele sorriu e perguntou: "O que você achou? Fui Elvis o suficiente?"
Tom não respondeu imediatamente. Em vez disso, ele estudou Lucas com um olhar intenso, sua expressão ilegível. Então, lentamente, um sorriso puxou seus lábios. Algo no ar mudou.
Lucas sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Aquele não era mais Tom Hanks.
Aquele era o Coronel Tom Parker.
"Vejo potencial em você, garoto." A voz de Tom se transformou em um sotaque sulista profundo, mas com um toque de um estranho sotaque holandês — estranho, calculado. Era ao mesmo tempo caloroso e predatório.
Os olhos de Lucas se arregalaram ligeiramente. 'Então, ele está no personagem agora.'
A maneira como Tom o olhava… era como se ele fosse um empresário avaliando seu produto mais valioso.
Lucas de repente entendeu por que as pessoas diziam que Parker era um gênio — e um diabo.
Sem outra palavra, Lucas endireitou a postura. Ele se deixou levar pelo momento, entrando nos sapatos de Elvis sem hesitação. Sua voz se suavizou, hesitante, mas cheia de excitação juvenil.
"Você realmente acha, senhor?"
O sorriso de Tom aumentou. "Acho? Garoto, eu sei." Ele riu, seu tom transbordando confiança, com manipulação. "Um garoto como você, com uma voz assim, quadris assim? Meu Deus, o mundo ainda não viu nada."
Lucas sentiu a interação se desenrolar naturalmente, como se estivessem em uma época diferente. Eles não eram mais Lucas Knight e Tom Hanks — eram Elvis Presley e o Coronel Tom Parker, no exato momento em que Elvis foi descoberto.
Eles interagiram sem esforço, a energia saltando entre eles como se já tivessem passado meses ensaiando.
Minutos se passaram antes que a cena chegasse ao seu final natural.
Tom relaxou, a máscara de Parker desaparecendo. Seu sorriso caloroso e familiar retornou enquanto ele olhava para Lucas, balançando a cabeça em descrença. "Eu não consigo acreditar, garoto."
Lucas enxugou o rosto com a manga. "O quê?"
"Você realmente conseguiu." Tom riu, esfregando o queixo. "Faz, o quê? Alguns dias desde que você começou a mergulhar na religião dele? E já — isso?" Ele gesticulou para Lucas. "Inacreditável."
Lucas deu de ombros. "Tenho trabalhado duro."
"Não apenas isso." Tom se aproximou, sua voz mais baixa, mas cheia de admiração. "A maneira como você se porta, a maneira como você canta, a maneira como você se move — por um momento, juro por Deus, foi como se o próprio Elvis tivesse possuído você." Ele soltou uma risada ofegante. "Se você melhorar mais, garoto, eu posso ter que chamar um padre."
Lucas sorriu. "Você está me elogiando demais."
Tom balançou a cabeça. "Não, não, é sério. Já vi muitos atores, muito talento. Mas isso? Admiro muito o que você está fazendo." Ele tocou a têmpora. "Espero que um dia você possa me ensinar seus próprios métodos. Eu poderia usar um pouco dessa magia."
Lucas assentiu. "Claro. A qualquer hora."
Após cinco dias intensos no Mississippi, Lucas e Tom retornaram à Califórnia, Los Angeles.
No momento em que chegaram ao escritório de produção da Warner Bros., Baz Luhrmann já os esperava. Ele estava ansioso para ver o quanto Lucas havia evoluído desde o último encontro.
Eles se reuniram em uma sala privada com o resto do elenco. Lucas ficou no centro, respirando fundo antes de iniciar sua performance.
No momento em que ele começou, a energia na sala mudou.
Sua voz ressoou, rica e crua. Seu corpo movia-se com confiança sem esforço, cada passo, cada balançar de quadril infundido com algo elétrico.
Olivia, observando de lado, sentiu sua respiração prender. 'Achei que a última performance dele foi impressionante… mas esta?' Ela olhou com admiração. 'Eu não pensei que ele poderia realmente superá-la.'
Alguns dos outros membros do elenco se viram inconscientemente batendo os pés, tamborilando os dedos nas pernas, atraídos pelo magnetismo da presença de Lucas.
Baz, sentado em sua cadeira, inclinou-se para a frente, as mãos juntas, os olhos fixos em Lucas como um homem que acabara de encontrar a última peça de um quebra-cabeça. Seu coração acelerou.
'É isso', ele pensou. 'É isso que eu estava procurando.'
Enquanto isso, Tom estava de pé, braços cruzados, observando não apenas Lucas, mas as reações de todos os outros na sala. Um sorriso satisfeito brincava em seus lábios.
Quando Lucas finalmente terminou, sua respiração um pouco ofegante, a sala caiu em um silêncio atônito.
Então — aplausos.
Aplausos explodiram de todas as direções, e elogios seguiram logo depois.
"Isso foi incrível!" exclamou um membro do elenco.
"Eu senti isso!" outro acrescentou.
Lucas enxugou o suor da testa, sorrindo enquanto olhava para Baz. Ao contrário dos outros, o diretor permaneceu em silêncio, seu olhar ainda intenso.
Segundos se estenderam.
Então, finalmente, Baz recostou-se na cadeira e sorriu. "Parece que estamos prontos para fazer as malas para a Austrália."
Murmúrios animados encheram a sala.
Após semanas de ensaios, de preparação, de refinar suas performances — estava finalmente acontecendo.
A produção de Elvis estava oficialmente prestes a começar.