
Capítulo 443
Ator Magnata em Hollywood
Baz antecipara que Lucas levaria meses para encarnar Elvis por completo. Ele sabia que o papel exigia não apenas talento, mas uma dedicação quase obsessiva aos detalhes. No entanto, ali estava ele — observando Lucas transformar-se gradual, mas naturalmente, em questão de dias.
Era mais do que impressionante.
Com Lucas tão adiantado em relação ao cronograma, a equipe de produção decidiu seguir em frente antes do previsto. Todo o elenco e a equipe arrumaram as malas e voaram para a Austrália, onde o trabalho de verdade começaria.
Ao contrário da fanfarra usual em torno das grandes produções de Hollywood, a chegada deles foi mantida em sigilo. Nenhum grande anúncio, nenhum flash de câmera — apenas eficiência discreta. Na verdade, durante os primeiros dias, o público não tinha ideia de que alguns dos maiores nomes de Hollywood — Lucas Knight e Tom Hanks incluídos — haviam sequer desembarcado na Austrália.
Na Gold Coast, dentro do Bazmark Studio, a equipe se instalou.
Embora as filmagens estivessem prestes a começar, os preparativos estavam longe de terminar. As ruas de Arundel ainda precisavam ser transformadas em uma recriação crível da Beale Street, um processo que levaria tempo.
Com o atraso, o elenco aproveitou para ensaiar, aprimorando suas atuações à perfeição. Tom usou esse tempo extra para aprofundar ainda mais o personagem do Coronel Tom Parker, refinando cada nuance.
Quanto a Lucas, ele passou horas trabalhando de perto com Baz, ajustando ângulos de câmera e aperfeiçoando a forma como as músicas de Elvis seriam interpretadas na tela.
Baz sentou-se na sala de edição, assistindo a clipe após clipe de Lucas como Elvis. Não importava quantas vezes ele reprisasse as imagens, ele permanecia boquiaberto. A maneira como Lucas se movia, a maneira como ele se portava — não era apenas uma imitação.
Era Elvis.
Sacudindo a cabeça em descrença, Baz murmurou para si, "Não admira que o chamem de Ator Extraordinário de Hollywood."
O título não era apenas sensacionalismo da mídia. Lucas o merecia.
Baz havia trabalhado com alguns dos melhores atores da indústria, mas em sua mente, nem mesmo Daniel Day-Lewis — um homem renomado por sua dedicação extrema — poderia se comparar à pura habilidade natural de Lucas.
E Baz não era o único a sentir isso.
Tom Hanks, um veterano com décadas de experiência, ainda estava meticulosamente montando seu personagem, descobrindo as menores sutilezas do Coronel Parker. Enquanto isso, Lucas já havia absorvido completamente Elvis, como se tivesse nascido para interpretar o papel.
Era humilhante.
O tempo passou num piscar de olhos. Três semanas depois, a equipe de produção e o elenco se mudaram do Bazmark Studio para os Village Roadshow Studios, em Oxenford, para as filmagens de teste.
Foi nesse ponto que o segredo finalmente veio à tona.
O público — especialmente na Austrália — rapidamente soube que duas das maiores estrelas de Hollywood estavam no país.
A mídia atacou.
Canais de notícias inundaram as redes sociais com manchetes ligando Lucas e Tom ao misterioso projeto da Warner Bros., "Taking Care of Business". A especulação se espalhou como um incêndio.
No Twitter, os fãs australianos dominaram a discussão, elevando #LucasKnightInAustralia ao terceiro lugar nos trending topics.
Fotos de Lucas começaram a circular — imagens dele caminhando casualmente pelas ruas, pegando um café ou simplesmente saindo do hotel.
Então vieram os vídeos.
Paparazzi conseguiram filmar Lucas entrando em um SUV preto, seus movimentos naturalmente elegantes, exalando uma confiança tranquila que só alimentava a especulação sobre seu mais recente projeto.
A empolgação fervilhava entre a base de fãs, mas na Austrália, a reação foi ainda mais intensa.
"A Austrália ficou 1000% mais legal porque Lucas Knight está aqui!"
"Espera, Lucas está no meu país? ONDE?! Alguém o encontre, preciso de uma selfie!"
Outros não puderam deixar de se maravilhar com o sigilo em torno de sua visita.
"Este homem casualmente voou para a Austrália, e só estamos descobrindo agora???"
"Ele provavelmente está aqui trabalhando, mas imagine esbarrar em Lucas Knight enquanto pega seu café da manhã. Eu desmaiaria."
Apesar da empolgação, a Warner Bros. permaneceu em silêncio sobre "Taking Care of Business", deixando os fãs curiosos.
Nos Village Roadshow Studios, o teste de pré-produção estava a todo vapor. As câmeras rodavam enquanto Baz se concentrava inteiramente em Lucas, capturando cada movimento, cada nota.
Lucas sentou-se com um violão nas mãos, seus dedos deslizando sem esforço sobre as cordas, dedilhando os acordes iniciais de "That's All Right". O som era cru, rico e cheio de energia — do tipo que te fazia bater o pé antes mesmo de você perceber.
Sua pegada no violão era relaxada, natural, como se ele tivesse tocado mil vezes antes.
Ele balançava levemente, entrando no ritmo, sua linguagem corporal imitando a de um jovem Elvis Presley, não por imitação forçada, mas por instinto.
Atrás da câmera, seus colegas de elenco assistiam em fascínio silencioso. Tom Hanks inclinou-se para frente, braços cruzados, sua expressão ilegível.
Ele já havia lido os artigos antes — afirmações de insiders de Hollywood que haviam trabalhado com Lucas, chamando-o de "desumano", "de outro mundo", um ator diferente de qualquer outro que já tinham visto. Ele havia descartado isso como o exagero usual da indústria. Agora, observando Lucas em ação, ele não tinha tanta certeza.
Havia algo estranho nisso. Não apenas a semelhança, não apenas a voz — mas a sensação. Era como se o próprio Elvis estivesse na sala.
Ao lado dele, Olivia DeJonge sentava-se em silêncio, cativada. Ela não estava analisando como Tom — ela estava simplesmente apreciando. A presença de Lucas, seu carisma, a maneira como ele fazia a música ganhar vida — era hipnotizante.
Então ele começou a cantar.
"Well, that's all right now mama, that's all right for you..."
Sua voz ecoou pelo estúdio, profunda, rica e inconfundivelmente Elvis.
Não era uma imitação de Elvis Presley por Lucas Knight.
Era Elvis Presley.
A equipe, profissionais experientes que já haviam visto muitas performances incríveis, permaneceu congelada.
Baz andava de um lado para o outro na frente de Lucas, braços cruzados, olhos fixos nele, absorvendo cada movimento, cada nota. Ele estava tão atordoado quanto todos os outros. Finalmente, ele levantou a mão e chamou, "Certo, é isso."
Os operadores de câmera hesitaram por um momento antes de parar a filmagem, quase relutantes em interromper o momento. A sala, que estivera densa com tensão e foco, de repente exalou.
Então Baz aplaudiu, balançando a cabeça em espanto. "Isso foi incrível, Lucas. Absolutamente fenomenal."
Lucas, ainda preso à energia remanescente de sua performance, respirou fundo, sua postura mudando ao sair do personagem. "Obrigado. Isso significa muito."
Baz o estudou, intrigado. "Ainda não entendo como você faz isso. Num segundo, você é Elvis Presley, no próximo, você é apenas Lucas novamente. Já trabalhei com atores que levam horas, até dias, para se livrar de um papel."
Lucas riu levemente. "Desenvolvi alguns truques ao longo do tempo."
"Você terá que me ensinar esses truques depois", Tom Hanks interveio com um sorriso malicioso.
Lucas hesitou, coçando a nuca. "Eu, uh... não acho que seja algo que eu possa ensinar."
Sinceramente, não era algo que pudesse ser dividido em lições — era o "Mind Workshop" em ação, algo que só ele conseguia acessar. Ele poderia compartilhar técnicas, falar sobre preparação e controle emocional, mas a capacidade de virar a chave tão facilmente? Isso era algo que nem ele tinha certeza de como explicar.
Tom riu com cumplicidade. "Não se preocupe, garoto. Estou apenas brincando com você. Esse tipo de habilidade — é apenas talento. Você o tem, simples assim."
Depois, a equipe se reuniu para revisar as imagens de Lucas interpretando "That's All Right" na tela.
Enquanto o clipe era reproduzido, Baz observava atentamente, seus dedos batucando o queixo. Quando terminou, ele recostou-se e sorriu maliciosamente. "Se algum fã de Elvis começar a duvidar da nossa escolha de elenco, eu apenas lançarei isso para calá-los."
Risadas ecoaram entre o elenco e a equipe.
Tom balançou a cabeça, sorrindo. "Eu faria o mesmo, sinceramente."
"Grandes mentes pensam parecido", Baz riu.
Lucas observou o elenco e a equipe compartilharem uma risada, a energia leve e vibrante de excitação. Esta era uma boa equipe. Uma equipe que se encaixava. Se as coisas continuassem assim, a produção correria mais suavemente do que a maioria.
Os testes de filmagem de pré-produção continuaram — não apenas para Lucas, mas também para Tom e os outros membros do elenco. Cenas foram marcadas, ensaios foram refinados e cada detalhe foi ajustado à perfeição.
Ao lado de Baz, a diretora de fotografia Mandy Walker observava tudo de perto. Ela havia passado meses imersa no mundo de Elvis, estudando seus maneirismos, sua música, sua história. No entanto, o que mais a fascinava não era a pesquisa deles — era Lucas.
Mais tarde, quando ela e Baz estavam sozinhos, assistindo às imagens de teste, ela recostou-se na cadeira, braços cruzados. "Não há como Lucas ter se tornado tão preciso como Elvis em apenas algumas semanas."
Baz, ainda olhando para a tela, sorriu. "Você não acredita?"
"Passei nove meses estudando tudo sobre Elvis. Você está nisso há ainda mais tempo — desde 2014. E você está me dizendo que este garoto conseguiu assimilar tudo em apenas algumas semanas?", ela perguntou, com um tom de ceticismo, embora a admiração em seus olhos fosse inconfundível.
Baz encolheu os ombros. "Algumas pessoas são simplesmente diferentes."
Mandy exalou, balançando a cabeça. "Você sempre disse que vê Elvis como um tipo Mozart — alguém com gênio puro e inato. Você está dizendo que Lucas é o mesmo?"
Baz não respondeu imediatamente. Seu olhar permaneceu nas imagens, observando Lucas incorporar Elvis com uma facilidade que não deveria ser possível.
Finalmente, ele disse: "A história prova que talento assim existe."
Mandy inclinou a cabeça, estreitando os olhos para ele. Então ela sorriu maliciosamente. "Vejo esse brilho em seus olhos. Você está colocando Lucas no mesmo nível de Elvis, não está?"
Baz riu. "Talvez. Quem sabe? Um dia, alguém pode fazer uma cinebiografia sobre ele." Então, com um sorriso brincalhão, ele acrescentou: "E, claro, teria que ter um bom drama familiar nisso — especialmente com o pai dele."
Mandy bufou. "Se Lucas te ouvir, ele pode reconsiderar assinar para este filme."
Baz sorriu. Eles estavam brincando, mas a verdade era inegável — o talento de Lucas Knight não era algo que se encontrava com frequência. Talvez uma vez por geração. Talvez uma vez na vida.
Com os testes de pré-produção finalizados, o cenário na improvisada Beale Street estava agora totalmente construído.
As filmagens reais estavam prestes a começar.