
Capítulo 300
Ator Magnata em Hollywood
Nas semanas que antecederam Sundance, o telefone de Lucas tocou com uma ligação de Neil. Ele atendeu, aninhando o telefone entre a orelha e o ombro enquanto continuava a folhear roteiros.
"Lucas, tem um momento?" A voz de Neil estalou pelo alto-falante, uma ponta de entusiasmo evidente em seu tom.
"Claro, o que houve?" Lucas respondeu, sua atenção aguçada.
Neil pigarreou. "Então, eu tenho conversado com vários empresários de outras gravadoras. Parece que suas colaborações recentes chamaram alguma atenção. Temos alguns artistas interessados em trabalhar com você."
Lucas sentou-se mais ereto, sua atenção agora totalmente na ligação. "Sério? De quem estamos falando aqui?"
Neil começou a listar nomes, uma mistura de estrelas estabelecidas e talentos em ascensão. Alguns eram do mundo pop, outros do rock ou country. A diversidade da lista surpreendeu Lucas.
"Isso é... uma grande escalação", disse Lucas, sua mente já fervilhando com possibilidades.
"Realmente é", Neil concordou. "Agora, precisamos ser estratégicos quanto a isso. Não podemos dizer sim a todos, e precisamos considerar como cada colaboração pode impactar sua carreira e imagem."
Lucas assentiu, mesmo que Neil não pudesse vê-lo. "Absolutamente. Qual é a sua opinião sobre isso?"
Neil fez uma pausa por um momento. "Bem, acho que devemos focar em artistas que complementam seu estilo, mas também o desafiam. Queremos mostrar sua versatilidade sem se afastar muito do seu som principal."
"Faz sentido", Lucas concordou. "Envie-me a lista completa e quaisquer detalhes adicionais que tiver. Precisarei de um tempo para pensar."
"Farei isso", Neil respondeu. "E Lucas? Esta é uma grande oportunidade. Leve seu tempo, mas não demore demais. Esses artistas também têm opções."
Lucas debruçou-se sobre a lista de potenciais colaboradores, sua mente fervilhando com possibilidades. Um nome em particular chamou sua atenção: Bruno Mars da Atlantic Records. Um sorriso brincou em seus lábios ao recordar o encontro casual em um cassino no ano anterior. Bruno havia expressado interesse em trabalhar juntos mesmo naquela época.
"Talvez entrar na indústria pop não seja uma ideia tão ruim", Lucas murmurou em voz alta.
À medida que os dias se aproximavam do Festival de Cinema de Sundance, Lucas mudou seu foco para a preparação. Ele meticulosamente planejou seu disfarce, selecionando uma roupa discreta, uma peruca que alterava significativamente sua aparência e maquiagem sutil para mudar os contornos de seu rosto.
No dia de seu voo, Lucas se olhou no espelho, mal se reconhecendo. A pessoa que o encarava poderia ter sido qualquer entusiasta de cinema comum, não uma estrela de Hollywood. Satisfeito com sua transformação, ele pegou sua bagagem de mão e seguiu para o aeroporto.
No terminal, Lucas prendeu a respiração, meio que esperando que alguém percebesse seu disfarce. Mas, enquanto ele passava pela segurança e esperava no portão, nem uma única cabeça se virou em sua direção. O anonimato era ao mesmo tempo libertador e estranho.
Ao embarcar no avião, Lucas sentou-se em seu lugar, uma emoção silenciosa correndo por ele. Ele era apenas mais um passageiro, indo para Park City para o festival. Enquanto o avião decolava, ele permitiu-se um pequeno sorriso. A primeira fase de seu plano estava completa.
Horas depois, o avião pousou no Aeroporto Internacional de Salt Lake City. Lucas desembarcou com os outros passageiros, misturando-se perfeitamente à multidão. Ele pegou sua bagagem e seguiu para o serviço de traslado que o levaria a Park City.
Enquanto o traslado serpenteava pelas montanhas cobertas de neve, Lucas olhou pela janela, sua mente já no festival. Ele estava ansioso para ver "Whiplash", para testemunhar o início do que ele sabia que poderia ser uma obra-prima cinematográfica.
O traslado entrou em Park City, as ruas já fervilhando com a energia do festival. Cineastas, críticos e entusiastas de cinema de todo o mundo se misturavam nas calçadas. Lucas respirou fundo, ajustando seu disfarce uma última vez antes de sair para o ar fresco da montanha.
Lucas se acomodou em uma mesa de canto na cafeteria movimentada, as mãos envolvendo uma caneca fumegante de café. O calor se espalhou por suas palmas enquanto ele observava o ambiente, repleto de conversas animadas sobre o próximo festival.
Seus ouvidos aguçaram-se ao ouvir seu nome mencionado em uma mesa próxima.
"É uma pena que Lucas Knight não esteja no festival este ano", lamentou uma voz.
Outra acrescentou: "Suas atuações naqueles filmes independentes foram impecáveis. 2010 e 2011 foram anos de pico para Sundance, com Lucas em dois filmes."
Um homem que Lucas reconheceu como um respeitado crítico de cinema acrescentou: "Ele só veio no ano passado para seu curta-metragem. Eu adoraria vê-lo em mais papéis independentes, Sundance ou não. Ele é como um jovem Daniel Day-Lewis."
"Você está exagerando", retrucou outra voz. "Lucas é muito perfeito em seus papéis. Ele precisa de algumas imperfeições para atingir o nível de Day-Lewis."
O crítico defendeu sua posição. "Não estou dizendo que ele se iguala a Daniel, mas o garoto é inegavelmente talentoso."
"Verdade", o cético concedeu. "Sua estreia em '127 Horas' foi onde ele realmente brilhou para mim. Não foi muito 'impecável' — pareceu cru, real. Eu gostei imensamente daquela atuação. '50/50' também foi ótimo, mas não atingiu a mesma altura."
Lucas reprimiu uma risada irônica, a ironia da situação não lhe passou despercebida. Eles estavam certos, ele percebeu. O uso de sua "Oficina Mental" o levou a pensar demais nos papéis, resultando em atuações tecnicamente perfeitas, mas talvez carentes de autenticidade.
Ele lembrou como o personagem de Aron em "127 Horas" o perseguiu muito depois das filmagens, quase o assombrando. Ele havia se afastado daquele nível de imersão, temendo por sua saúde mental. Mas agora, ele se perguntava se essa mesma imersão era o que separava bons atores de grandes atores.
A conversa ao seu redor continuou, mas Lucas estava perdido em pensamentos. Ele conseguiria encontrar um equilíbrio entre viver o personagem e preservar sua própria identidade? Seria essa a chave para elevar sua arte?
À medida que a tarde diminuía, Lucas deixou o café e seguiu para seu hotel. O saguão fervilhava com frequentadores do festival, sua tagarelice animada enchendo o ar.
Ao se aproximar da recepção, uma voz familiar chamou sua atenção. Lucas olhou e viu Cary Porter, conversando animadamente com um grupo de pessoas. Cary ainda estava em seu estilo flamboyant característico.
A mente de Lucas retrocedeu ao seu primeiro Sundance, quando Cary o havia dispensado como um desconhecido. Um sorriso irônico brincou em seus lábios ao lembrar de seu segundo encontro em 2011, quando Cary praticamente implorou para vesti-lo.
Enquanto Lucas esperava pela chave de seu quarto, ele ouviu trechos da conversa de Cary.
"Ah, querida, você simplesmente deve me deixar vesti-la", Cary exclamou para uma atriz de olhos arregalados. "Eu já criei para todos os grandes nomes, sabe. Até Lucas Knight usa minhas criações."
Lucas conteve uma risada da mentira descarada. Uma parte dele foi tentada a remover seu disfarce e desmascarar Cary, mas ele se lembrou de seu propósito de estar ali incógnito.
Em vez disso, ele aceitou a chave de seu quarto com um aceno de agradecimento e seguiu para o elevador, deixando Cary com suas fabricações. Enquanto as portas do elevador se fechavam, Lucas balançou a cabeça em divertimento. Algumas coisas, parecia, nunca mudavam.
Um dia se passou em um borrão de filmes independentes e antecipação. Lucas se viu deleitando-se no anonimato, capaz de mergulhar totalmente na experiência do festival sem a fanfarra usual que acompanhava sua presença.
Lucas se sentou em seu lugar, seu disfarce ainda firmemente posto. Seus olhos escanearam o teatro, pousando na seção reservada onde a equipe e o elenco estavam sentados. Ali, ele avistou o jovem diretor, Damien Chazelle, sua postura tensa com energia nervosa.
As luzes diminuíram, e "Whiplash" começou a ser exibido.
O curta-metragem estalou com intensidade desde o primeiro quadro. Ele lançou a audiência no mundo de alta pressão de um conservatório de música de elite, focando na relação entre um jovem e ambicioso baterista, Andrew, e seu implacável e exigente instrutor, Fletcher.
A interpretação de J.K. Simmons como Fletcher era eletrizante, seu abuso verbal e manipulação psicológica criando uma atmosfera sufocante.
Lucas assistiu, cativado, enquanto a história se desenrolava. As atuações eram cruas e poderosas, a edição afiada e precisa. A música, principalmente apresentando bateria de jazz frenética, pulsava pelo teatro, combinando com a tensão crescente na tela.
À medida que o filme se aproximava do fim, Andrew, abatido e desmoralizado pela implacável guerra psicológica de Fletcher, entregou suas baquetas a outro músico. A câmera demorou-se no rosto de Andrew, uma mistura de derrota e anseio gravada em suas feições enquanto ele assistia da lateral. A tela abruptamente cortou para o preto, deixando a audiência em silêncio atordoado.
Por um momento, ninguém se moveu. Então, como se um feitiço tivesse sido quebrado, o teatro irrompeu em aplausos. Lucas se juntou entusiasticamente.
Enquanto os créditos rolavam e as luzes se acendiam, o olhar de Lucas voltou para Damien Chazelle. O rosto do jovem diretor era uma mistura de alívio e euforia enquanto ele recebia os parabéns daqueles ao seu redor.
À medida que a multidão começava a sair do teatro, Lucas notou Damien Chazelle se dirigindo à pequena área de recepção montada para cineastas e profissionais da indústria. Aproveitando a oportunidade, Lucas manobrou casualmente pela multidão de pessoas, posicionando-se perto do jovem diretor.
Damien estava um tanto desajeitado, segurando uma bebida e parecendo ligeiramente sobrecarregado com a atenção que seu filme havia recebido. Lucas se aproximou, cuidadoso para manter sua postura discreta.
"Com licença", disse Lucas, modulando ligeiramente sua voz. "Só queria dizer que seu filme foi incrível. A tensão, as atuações... foi hipnotizante."
O rosto de Damien iluminou-se com uma mistura de gratidão e surpresa. "Muito obrigado. Fico feliz que tenha gostado."
"A maneira como você capturou a pressão de buscar a perfeição artística foi magistral", Lucas continuou, deixando sua admiração genuína transparecer. "Você já considerou expandi-lo para um longa-metragem?"
Damien assentiu ansiosamente. "Na verdade, sim. Este curta é uma espécie de prova de conceito para uma história maior que quero contar."
"Isso é fantástico", Lucas respondeu. "Eu adoraria saber mais sobre sua visão para o longa-metragem."
Damien, aparentemente aliviado por discutir seu trabalho em vez de fazer conversas triviais, lançou-se em uma explicação entusiasmada de seus planos para o filme completo. Lucas ouviu atentamente, fazendo perguntas perspicazes que impulsionaram Damien a elaborar ainda mais.
Enquanto a conversa fluía, Damien de repente fez uma pausa. "Me desculpe, eu tenho falado demais e nem sequer perguntei sobre seu trabalho. Você também é diretor?"
Lucas, pego ligeiramente de surpresa, respondeu suavemente: "Estou... envolvido em vários aspectos da produção cinematográfica. Mas esta noite não é sobre mim. Seu filme é a estrela aqui, e com razão."
Damien sorriu, visivelmente relaxado pelo interesse e apoio de Lucas. Eles continuaram a discussão, aprofundando-se nos temas de "Whiplash" e nos desafios de levar uma história tão intensa para a tela.
À medida que a conversa chegava ao fim, Lucas sentiu uma crescente certeza de que precisava fazer parte deste projeto.
"Sabe", disse Lucas, "se você seguir em frente com o longa, talvez queira considerar Lucas Knight para o papel principal. Acho que ele seria perfeito para o papel de Andrew."
Os olhos de Damien se arregalaram. "Lucas Knight? Isso seria incrível, mas... você acha que ele se interessaria por um pequeno filme independente como este?"