
Capítulo 238
Ator Magnata em Hollywood
Lucas se remexeu desconfortavelmente em sua poltrona de hotel macia, a testa franzida enquanto olhava para Neil. "Quer dizer, estou animado com a festa de aniversário do Tom Cruise e tudo mais, mas por que eu? Ele me convidou do nada."
Neil riu, recostando-se na cama. "Eu também estou sem palavras, mas pode ter algo a ver com aquele seu vídeo viral. Sabe, aquele em que você é praticamente um Bruce Lee?"
Lucas riu sem jeito. "Você acha que ele é fã das minhas artes marciais?"
Shawn, saboreando sua bebida, interveio: "Bem, Tom é conhecido por fazer suas próprias acrobacias. Talvez ele aprecie suas habilidades."
"Bem..." A mente de Lucas divagou para a conhecida afiliação de Tom com a Cientologia. Ele não pôde deixar de se perguntar se essa era a verdadeira razão para o convite.
Os olhos de Neil percorreram o traje casual de Lucas, uma expressão preocupada vincando sua testa. "Lucas, isso não vai dar. Esta festa tem celebridades e chefes de estúdio. Precisamos te vestir a caráter, já."
Lucas passou a mão pelo cabelo bagunçado, sorrindo. "É só uma festa de aniversário, Neil, não o Met Gala ou o Oscar. Eu vou ficar bem."
Neil suspirou, cedendo. "Acho que você tem razão. Mas ei, talvez isso possa levar a alguns projetos de filmes únicos para você. Cruzando os dedos."
3 de julho de 2011, Los Angeles. O sol castigava implacavelmente o para-brisa do carro alugado, preto e elegante, enquanto serpenteava pelas ruas afluentes de Beverly Hills. Lá dentro, Lucas estava sentado no banco de trás, acompanhado por seu empresário, Neil, e seu corpulento guarda-costas, Jack. Shawn, o motorista, navegava habilmente pelas estradas sinuosas, guiando-os ao seu destino.
O olhar de Lucas pairou preguiçosamente para fora da janela escura, observando as mansões opulentas que margeavam os bulevares ladeados por palmeiras. Era fácil entender por que os ricos e famosos afluíam a esta parte de LA — a privacidade, a exclusividade e a ilusão de estar acima de tudo.
Finalmente, chegaram ao destino, uma vasta mansão empoleirada no topo de uma colina, com sua entrada fechada camuflada pela folhagem exuberante. Shawn parou o carro na entrada, manobrando-o habilmente no estacionamento já lotado. Os olhos de Lucas se arregalaram ao contemplar o mar de luxo e excesso ao seu redor. Bentleys, Ferraris e até um ou dois Lamborghinis raros disputavam espaço, sua pintura brilhante refletindo a forte luz da tarde.
Neil deu um leve empurrão nele, um sorriso conhecedor brincando em seus lábios. "É isso, garoto. Lembre-se, mantenha a calma e não faça nada que eu não faria."
Lucas conseguiu um sorriso fraco em resposta, seu estômago dando cambalhotas. Era isso. Uma festa de aniversário discreta e de alto perfil para ninguém menos que Tom Cruise. O convite tinha sido uma surpresa, mas Neil insistira que era uma oportunidade que não podiam perder. "Networking", ele dissera, como se aquela única palavra contivesse a chave para abrir os portões de Hollywood.
A mansão foi na verdade alugada para esta festa específica. Em vez de arriscar a enxurrada de paparazzi e olhares curiosos na residência real de Tom, este local discreto prometia um pouco de privacidade para as celebridades presentes.
Lucas seguiu Neil pela grandiosa escadaria, ladeado por seguranças corpulentos que examinavam cada convite com precisão de falcão. Neil mostrou seus cartões, e eles foram conduzidos para dentro sem incidentes — todos, exceto Jack, que recebeu uma negação educada, mas firme.
"Sinto muito, senhor", disse um dos guardas, sua expressão apologética, mas inflexível. "Este é um evento privado. Não podemos abrir exceções."
Neil colocou uma mão reconfortante no ombro de Jack. "Está tudo bem. Este lugar é o mais seguro possível. Ficaremos bem."
Relutantemente, Jack acenou com a cabeça e recuou, seus olhos nunca deixando as costas de Lucas até que as portas se fechassem atrás deles.
No momento em que entraram, o baixo dos alto-falantes os atingiu como uma onda, a música pulsando através das paredes da mansão. Lucas virou-se para Neil, com as sobrancelhas arqueadas de surpresa. "Uau, esta festa já está a todo vapor."
Neil riu, percebendo o desconforto de seu cliente. "Você não viu nada ainda, garoto. Festas de celebridades em Hollywood são um jogo totalmente diferente em comparação com aquelas cerimônias de premiação abafadas em que você esteve."
"O que você quer dizer?" Lucas perguntou, esticando o pescoço para observar o luxuoso ambiente.
"Você vai ver", disse Neil enigmaticamente, abrindo caminho pela multidão.
Enquanto se aventuravam mais fundo no coração da festa, os olhos de Lucas percorriam o mar de rostos familiares. Atores, músicos e até alguns políticos se misturavam sem esforço, taças de champanhe na mão. O ar estava denso com o cheiro inebriante de colônia e perfume caros, e o burburinho da conversa era quase ensurdecedor.
O interior da mansão era um caleidoscópio de cores e sons, com cada superfície banhada pelo brilho quente de luzes estrategicamente posicionadas. A música pulsava no ar, convidando os foliões à pista de dança, onde um mar de pessoas se movia no ritmo da batida. Os olhos de Lucas saltavam de rosto em rosto, reconhecendo alguns dos nomes mais famosos de Hollywood: Blake Lively e Ryan Reynolds, Brad Pitt, Johnny Depp, Will Smith com seu filho e esposa, e até Justin Bieber, Sean Combs, estavam em um canto, cercados por admiradores.
Neil o cutucou, desviando sua atenção da elite. "Não eles, Lucas. Estamos aqui por aqueles caras." Ele acenou discretamente para um grupo de indivíduos mais velhos e de aparência mais reservada que estavam em profunda conversa.
"Aquele é Barry Meyer, CEO da Warner Bros", disse Neil, apontando para um homem de cabelos prateados com um sorriso caloroso. "E aquele ali, o que está com a atriz britânica no braço? Aquele é Kevin Tsujihara, Presidente da Warner Bros. Home Entertainment." Seu dedo moveu-se para um homem que exalava uma aura de poder silencioso. "E lá, o que está bajulando o senador? Aquele é Ron Meyer da Universal Pictures."
Lucas estava um pouco sobrecarregado, absorvendo a sala cheia de realeza de Hollywood. "Esta festa está cheia de figurões."
Neil deu um tapa nas costas dele. "É apenas mais um dia na vida de Tom Cruise. Agora, vamos socializar."
Lucas e Neil se misturaram à multidão, apertando mãos e trocando pequenas conversas com a nata de Hollywood. Lucas se sentia como um peixe fora d'água, mas a confiança de Neil parecia contagiá-lo, e logo, eles se viram abrindo caminho para a seção VIP da festa.
"Lucas, fique perto", Neil sussurrou em seu ouvido. "Estamos prestes a encontrar os grandes nomes."
Lucas assentiu, seguiu a liderança de Neil, lembrando a si mesmo que era por isso que estavam ali em primeiro lugar.
Barry Meyer, CEO da Warner Bros., estava no centro de um semicírculo de admiradores, seus cabelos prateados refletindo a luz enquanto ria de uma piada. Neil os manobrou habilmente pela multidão, e antes que Lucas percebesse, eles estavam frente a frente com um dos homens mais poderosos de Hollywood.
"Sr. Barry, bom vê-lo novamente", disse Neil, estendendo a mão. "Gostaria que conhecesse meu cliente, Lucas."
Os olhos de Barry se arregalaram com reconhecimento enquanto ele apertava a mão de Lucas. "Bem, bem, não estamos honrados esta noite? É um prazer finalmente conhecê-lo pessoalmente, Lucas. Tenho acompanhado sua carreira de perto."
Lucas sorriu, sem saber o que dizer. "Obrigado, Sr. Meyer, é uma honra conhecê-lo também."
Ron Meyer, o chefão da Universal Pictures, ouviu a conversa e se juntou a eles. "Não me deixe de fora desta festa do amor, Barry!", brincou ele, estendendo a mão. "É uma honra conhecê-lo também..." ele se calou, corrigindo-se a tempo.
"Oh, peço desculpas", disse Lucas com um sorriso. "Eu não sabia que havia dois Srs. Meyer aqui esta noite. Parece que já conheci duas lendas de uma vez só."
O trio compartilhou uma risada calorosa, e Neil não pôde deixar de irradiar orgulho. "Meu cliente tem um senso de humor e tanto, como podem ver, senhores."
Kevin Tsujihara, com a atriz britânica ainda agarrada ao seu braço, interveio. "Não só engraçado, mas uma estrela em ascensão que não vemos desde a última década. Tenho a sensação, Lucas, que seu nome estará na boca de todos em breve."
Lucas riu, sem saber como responder a tanto elogio.
Neil observou a troca com um brilho nos olhos, seu plano se encaixando. Ele sabia que esses figurões da indústria se interessariam por seu cliente, e não estava errado. A atenção que Lucas estava recebendo era exatamente o que eles haviam vindo buscar.
Barry Meyer deu um tapa em suas costas. "Você tem um futuro brilhante pela frente, garoto. Não deixe isso subir à cabeça, ok?"
"Obrigado, senhor", disse Lucas, apertando as mãos deles antes que fossem levados por outros que os cumprimentavam.
Lucas se viu no centro das atenções, com figurões da indústria como Barry Meyer e outros disputando seu tempo.
Neil observou com um sorriso satisfeito, seu plano se desenrolando exatamente como ele havia imaginado. Ele sabia que eles se interessariam por seu cliente, e estava certo.
Seus olhos nunca deixaram Lucas, seu interesse despertado pelo talento e potencial do jovem ator. Eles podiam ver o valor nele, e não estavam prestes a deixar esta oportunidade escapar por entre seus dedos.
"Lucas, eu vi seu trabalho em '127 Horas', e devo dizer, você é um talento notável para alguém tão jovem", disse Barry Meyer, oferecendo-lhe uma taça de vinho. Embora ele não tivesse visto todos os filmes de Lucas, o reconhecimento da crítica e o burburinho em torno do jovem ator foram suficientes para despertar seu interesse.
Lucas corou, aceitando o elogio e a taça de vinho. "Obrigado, Sr. Barry."
"Barry será suficiente, garoto", disse ele, ajustando os óculos com um sorriso.
Kevin Tsujihara, não querendo ficar para trás, interveio com mais elogios. "Não poderia concordar mais, Lucas. Você tem um futuro brilhante pela frente."
Ron Meyer, sentindo-se em desvantagem, desculpou-se e misturou-se com outros convidados. Em sua mente, Lucas era apenas mais um ator promissor, talvez um sucesso de uma só vez. Não havia necessidade de cortejá-lo tão agressivamente quando havia muitos outros peixes no mar.
Enquanto Lucas e Neil conversavam com Barry e Kevin, a atriz britânica chamada Charlotte, sentada ao lado de Kevin, não pôde deixar de notar o jovem ator. Ela observou como os dois executivos do estúdio se engajavam com ele como iguais, atiçando seu interesse.
Barry iniciou a conversa: "Lucas, você está interessado em atuar em filmes de super-heróis?"
Lucas casualmente tomou um gole de sua bebida antes de responder: "Você quer dizer, tipo Batman?"
Barry e Kevin trocaram olhares divertidos, rindo suavemente. Barry pensou consigo mesmo: "Este garoto sabe aonde isso vai dar."
Lucas continuou: "Seria intrigante entrar no lugar do Batman, mas..."
Kevin instigou: "Mas?"
"Acho que ainda não estou pronto para interpretar um super-herói", Lucas admitiu.
A expressão de Barry revelou sua decepção.
No entanto, Lucas acrescentou: "Estou aberto a interpretar um papel de vilão."
As sobrancelhas de Barry se arquearam. "Um vilão? A maioria dos atores aspirantes sonha em interpretar heróis como Batman, Superman ou Homem-Aranha. Sua escolha é... incomum, Lucas."
Lucas deu de ombros. "Acredito que até os vilões merecem seu tempo nos holofotes, você não acha? Acho que um filme sobre um vilão seria interessante."
Barry ficou surpreso. "Um filme sobre um vilão?"
Lucas riu para si mesmo, lembrando-se de um filme de vilão de sucesso de sua vida passada que havia arrecadado mais de um bilhão de dólares nas bilheterias.
Kevin ficou intrigado: "Por que você acha que um vilão merece seu próprio filme, Lucas? O que o atrai neles mais do que nos super-heróis?"
A curiosidade de Barry e Charlotte também foi atiçada, junto com a de Neil, que estava tão interessado na perspectiva de seu cliente.
Lucas sorriu, esquecendo momentaneamente que a ideia de um filme focado em vilões ainda era bastante incomum nesta era, salvo por algumas exceções como "Clube da Luta".
Ele respirou fundo antes de explicar: "Bem, não me entenda mal, super-heróis são ótimos. Eles representam esperança e justiça, mas..." Lucas elaborou: "Pegue 'O Cavaleiro das Trevas', por exemplo. Quem roubou a cena foi um vilão, o Coringa interpretado por Heath Ledger." Ele olhou para seus rostos em busca de sinais de reconhecimento. "Se não fosse pelo Coringa, aquele filme não teria sido tão bem-sucedido."
Barry e Kevin trocaram olhares, assentindo em concordância.
Barry ponderou em voz alta: "Entendo... então o Coringa de Heath Ledger é sua inspiração?" Um toque de tristeza invadiu sua voz ao recordar a morte prematura do talentoso ator, privando-os da chance de fazer outro filme juntos.
Lucas assentiu: "Exatamente. Imagine um filme dedicado unicamente a um vilão, como o Coringa. Não seria fascinante explorar sua história de origem e motivações?"
Barry e Kevin trocaram olhares, intrigados com o conceito inovador.
A mente de Lucas disparou, pensando na possibilidade de adaptar a história do Coringa antes do tempo com Todd Phillips e Scott Silver, os roteiristas do filme Coringa de 2019.
"Essa é uma ideia bastante intrigante, Lucas", disse Barry, impressionado. "Você tem uma perspectiva única."
Lucas sorriu: "Eu até pensei em colaboradores em potencial para o projeto – roteiristas e um diretor que tenho em mente."
Barry ergueu uma sobrancelha: "Você está falando sério?"
Lucas assentiu: "Por que não? Além de atuar e compor, também me interesso pelo processo criativo por trás das câmeras."
Kevin riu: "Entendo. Você é cheio de surpresas, não é?"
Barry entregou seu cartão de visitas a Lucas: "Aqui, Lucas. Você atiçou meu interesse. Adoraria discutir isso mais a fundo com você. Quem sabe, talvez possamos trabalhar juntos em um de nossos projetos."
Lucas apertou a mão de Barry e perguntou: "Barry, o que você realmente acha da minha ideia? Um filme focado em um vilão?"
Barry considerou por um momento antes de responder: "É certamente um conceito intrigante."
Lucas insistiu: "Se eu conseguir colocar as mãos em um roteiro para um filme centrado no Coringa, você estaria interessado em lê-lo?"
Barry e Kevin trocaram olhares, divertidos com a audácia do jovem ator.
"Claro, por que não?", disse Barry com um sorriso. "Se for bom, quem sabe? O estúdio pode até financiá-lo." Ele estava brincando, mas Lucas levou a sério.
Ao se despedirem, Neil cutucou Lucas: "Você sabe que acabou de apresentar um filme de vilão para os chefes da Warner Bros, certo? Você é corajoso ou louco."
Lucas riu: "Talvez um pouco dos dois."