
Capítulo 115
Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval
TL/Editor: raei
Revisor: Pickhead7
Cronograma: 5/semana
Ilustrações: Nenhuma.
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Depois de expulsar o mistério profano, Pyra começou a agir de forma muito mais familiar com Ian.
Parecia que uma espécie de camaradagem havia se formado por enfrentarem o mesmo inimigo juntos...
Da perspectiva de Ian, não havia nada a perder.
Pyra era um xamã da tribo Urso Vermelho e exercia um tipo diferente de influência.
Se Pyra ajudasse, a tarefa de resgatar Takarion seria muito mais fácil.
Assim, Ian tentou ter o máximo de conversas possível com Pyra.
“…Então, você realmente acha que o Elixir da Vida é inútil?”
Ian e Pyra trocaram conhecimentos sobre os mistérios.
“Até onde eu sei, não sei que poder reside no coração de um monge, mas, no fim das contas, o monge não é o próprio dono desse poder?”
“Isso mesmo.”
“Se o Elixir da Vida funciona através de alguma força misteriosa, acredito que ele exija a cooperação voluntária daquele que empresta esse poder.”
“Hmm…”
“A menos que Takarion se sacrifique voluntariamente para realmente salvar o chefe, duvido que tenha qualquer efeito adequado, já que está sendo imposto a ele.”
Pyra concordou com a lógica calma de Ian.
Fazia sentido ao refletir.
O primeiro Elixir da Vida foi inventado por um xamã que queria compartilhar sua força vital com os outros.
Desde então, tem sido transmitido boca a boca com o espírito de “Se eles fizeram, nós também deveríamos tentar”.
Muito do conhecimento xamânico era impreciso.
Se alguém via um efeito, ele era empacotado e transmitido como conhecimento sem questionamentos.
Se há um conto sobre um xamã em alguma vila que come flores de pera para curar dores de estômago,
Então, flores de pera tornam-se conhecidas como um remédio para dores de estômago.
O problema é que não há como verificar se o xamã realmente comeu flores de pera para curar sua dor de estômago.
A maioria das dores de estômago cura com o tempo de qualquer maneira, então eles apenas alimentam a pessoa com flores de pera e esperam até que passe.
E então eles concluem: “Viu, flores de pera são boas para dores de estômago!”
Na verdade, a maioria dos conhecimentos antigos era dessa forma.
Não havia recursos ou pessoas suficientes para realizar experimentos adequados, então eles frequentemente aceitavam boatos como verdade.
“Ha… se você diz…”
Pyra concordou prontamente com a opinião de Ian.
Ele havia testemunhado as habilidades de Ian em primeira mão e aprendido sobre seu vasto conhecimento mágico através de uma conversa profunda.
“Na verdade, eu também não quero realmente fazer o Elixir da Vida.”
“…?”
“Continuo tendo maus presságios.”
Ian ouviu a história de Pyra.
Quem primeiro exigiu o Elixir da Vida foi Ragnar, o filho do chefe.
“Como o chefe continua perdendo forças, ele me pediu para fazer um tônico para ele. Mas você viu o chefe, não viu? Ele está apenas em uma idade em que é natural perder energia. Isso não é algo em que eu deva interferir.”
“Hmm, sim, parecia ser esse o caso.”
Ian entendeu bem essa parte.
Em uma era em que a tecnologia médica não era avançada de qualquer maneira, o que eles poderiam fazer a respeito de um velho com falta de energia?
Mas esse era o pensamento dos intelectuais.
Pessoas no poder como Ragnar não entendiam as mentes dos profissionais.
Vocês, xamãs, são pra cacete de competentes, não são? Vocês fazem todo tipo de coisa estranha com mistérios, certo? Mas não conseguem curar pessoas? Isso faz sentido?
Quando os especialistas dizem: “Não é possível!”, aqueles em posições elevadas frequentemente respondem: “Por que não? Não é apenas falta de esforço?”
Ian entendeu as dificuldades de Pyra.
“Bem, mesmo no Império, nobres perseguem magos por razões estranhas.”
No Império, existe a chamada Lei de Proteção aos Direitos dos Magos, estabelecida durante a era do Império Dourado, então os magos podem se proteger criando caso primeiro.
Mas aqui na terra dos selvagens, parece que não existe nada como uma Lei de Proteção aos Xamãs.
“...Eu também não consegui prever o fracasso do Festival da Grande Caçada. Interpretei você como um símbolo de má sorte e falhei em detectar o aparecimento do mistério profano.”
“Pyra.”
Lamentavelmente, tudo aquilo era verdade.
Mas isso não significava que Pyra fosse um xamã incompetente.
Mistérios são inerentemente inconstantes e difíceis de perceber.
Especialmente os mistérios bárbaros do Norte, que são ainda mais difíceis de lidar para os humanos. Erros são esperados.
O problema era que Pyra havia cometido erros consecutivos nos momentos mais críticos.
“Eu... devo assumir a responsabilidade pelas minhas ações. Ou melhor, devo seguir obedientemente as palavras de Ragnar. Aos olhos dele, provavelmente sou apenas um xamã charlatão.”
“…”
“Acho que já passei do meu auge. De que serve um xamã que interpreta cegamente presságios por ganância?”
Ian tentou consolar Pyra.
Mas aquele foi um gesto que subestimou um xamã do Norte.
Depois de dizer tanto, Pyra soltou uma risada bizarra.
Um grande xamã tira inspiração até dos seus próprios erros.
“Kehihihik! Mas Ian! Você abriu meus olhos!”
“Eu? Eu fiz?”
“Sim! Uma vez que eu desmoronei, tudo ficou claro! Posso ver exatamente o que interpretei mal e quais avisos ignorei!”
Ian ficou genuinamente impressionado.
Uau, essa pessoa tem uma resiliência mental incrível.
A maioria das pessoas teria entrado em colapso sob tal sequência de infortúnios.
Mas Pyra era um xamã.
Ele podia pensar tanto na sua sorte quanto no seu infortúnio como estando entrelaçados com mistérios.
“Eu estava errado, e você estava certo! Isso é certo!”
“Não, Pyra… por que você diria isso…”
“Porque o presságio me disse!”
Pyra espalhou freneticamente cartas de Arcano na frente de Ian.
A Torre, o Diabo e a carta da Morte.
“A Torre! Isso significa que fiz uma escolha errada e preciso refletir! E foi exatamente isso que aconteceu!”
“O Diabo! Eu estava confiante demais no meu xamanismo e fiquei tão preso ao meu julgamento que acreditei em apenas uma verdade! A causa dessa obsessão fui eu!”
“Morte! Mas, assim como a manhã vem após a noite, minha tolice chegou ao fim por sua causa, Ian! Um novo futuro aguarda!”
Ian sentiu como se o mundo estivesse girando na sua frente.
“Isso é o presságio?”
“Sim! Hrundal já tinha me mostrado tudo! Eu só não tinha percebido! Ah, quão grande é isso!”
Pyra colocou a cabeça para fora da tenda e gritou a plenos pulmões.
“Hrundal!!!”
“…”
Eu pensei que ele fosse uma pessoa calma.
Acabou que ele era tão louco quanto os magos.
Mas eu entendo.
Aqueles que lidam com mistérios frequentemente têm excentricidades. Já vi isso muitas vezes antes.
‘Parece que sou o mais sensato aqui.’
Ian assentiu enquanto olhava para Pyra.
Os místicos neste mundo são todos estranhos.
Exceto por mim.
Antes de se encontrar com Ragnar, Pyra falou com Ian.
“Vamos encontrar as [Lágrimas de Hrundal].”
“…O quê?”
“É uma conclusão a que cheguei após longa deliberação. Você pode fazer isso.”
Pyra explicou calmamente.
“As [Lágrimas de Hrundal] são um elixir milagroso que o povo do Norte deseja.”
“Como aquele Elixir da Vida…”
“Não o compare com o Elixir da Vida! Aquele é apenas um tônico; este é um medicamento verdadeiramente precioso!”
Após ouvir a história, as [Lágrimas de Hrundal] eram aproximadamente posicionadas como o ginseng selvagem coreano.
“No fundo de uma caverna congelante intocada por humanos, onde o poder da natureza se reúne e se condensa em gotas, essas são as [Lágrimas de Hrundal].”
“Uh…?”
Pensamentos passaram rapidamente pela cabeça de Ian.
Uma caverna, um elixir líquido formado pelo poder concentrado da natureza?
Isso é totalmente…
“Gongcheong Seokyu[1]?”
“Seokyu? Que Seokyu? São as Lágrimas de Hrundal!”
“Se você beber, isso aumenta drasticamente sua energia interna?”
“Energia interna? O que é isso?”
Ian parou de divagar ali.
Em um mundo sem circulação de energia, como poderia haver Gongcheong Seokyu?
Embora não soubesse exatamente o que eram as Lágrimas de Hrundal, ele entendeu que os nortistas realmente as consideravam um elixir precioso.
Como os coreanos que tomam diligentemente ginseng vermelho e ginseng selvagem sem saber exatamente como isso beneficia sua saúde.
“O que Ragnar quer é um tônico para o chefe, não o coração do monge que você está tentando proteger.”
“Isso é verdade.”
Se houver um tônico melhor do que o coração de Takarion, Ragnar não insistiria em abrir o peito de Takarion.
“Apenas aqueles abençoados por Hrundal podem encontrar as Lágrimas de Hrundal. Ian, discípulo de Eredith! Você pode fazer isso! Suba a montanha sagrada Gramunt e receba sua bênção em seu templo! Então ele lhe concederá as cartas de Arcano restantes! Com elas, você encontrará as Lágrimas de Hrundal!”
Embora Ian não tivesse dito nada, Pyra já estava agindo como se Ian tivesse encontrado o Gongcheong Seokyu… não, as Lágrimas de Hrundal.
Era certamente uma boa proposta.
Afinal, Ian precisava encontrar o templo de Hrundal para começar seu treinamento de magia de Arcano.
E as Lágrimas de Hrundal sem dúvida ajudariam no resgate de Takarion.
Se houvesse um problema, seria se eles não encontrassem as Lágrimas de Hrundal e acabassem fazendo uma viagem perdida.
Mas com Pyra, o xamã, tão confiante, Ian também começou a abrigar a expectativa de “talvez…”
Ao mesmo tempo, ele tinha certeza de que agora era o momento perfeito para resgatar Takarion.
“Certo, vamos tentar encontrar essas Lágrimas de Hrundal.”
“Como esperado…!”
“Mas tenho uma condição.”
Ian falou claramente para Pyra.
“Liberte Takarion primeiro, e eu subirei a montanha sagrada com ele.”
“O monge? Você está pedindo para tê-lo libertado de antemão?”
Pyra entendeu rapidamente o que Ian estava visando.
Tivesse ele encontrado as Lágrimas de Hrundal ou não, Ian queria garantir o resgate de Takarion.
Poderia ter sido uma proposta difícil de aceitar, considerando os esforços dos guerreiros tribais que haviam capturado Takarion.
Mas Pyra não pensou demais nisso.
“Certo, falarei com Ragnar.”
Pyra estava confiante de que Ian encontraria as Lágrimas de Hrundal.
Como eles as encontrariam de qualquer maneira, ele decidiu que não importava se Takarion fosse libertado com antecedência.
“Mas Ragnar não entenderá por que estamos libertando o monge.”
“Deixe isso comigo.”
Depois de garantir a promessa de Pyra, Ian foi encontrar Takarion.
Se o momento era bom ou ruim, uma atmosfera tensa pairava no ar.
“Ei, forasteiros. Por que vocês não entregam aquele porco pacificamente?”
Ragnar não estava em lugar nenhum.
Mas os guerreiros da tribo Urso Vermelho haviam cercado Takarion.
Belenka e Kira estavam contra os guerreiros.
“Vimos como vocês tratam este amigo. E vocês esperam que nós o entreguemos de volta?”
“Haha! Vocês não fazem ideia, mas aquele cara é propriedade da nossa tribo! Vocês estão roubando de nós, entenderam?”
As sobrancelhas de Kira se contraíram levemente com as ameaças rudes dos guerreiros.
Ela era ótima atuando, mas não era particularmente corajosa.
Mas Belenka era diferente.
Sem piscar, ela declarou confiantemente.
“Proteger um monge da Fé Celestial é o dever de um cavaleiro. Chamar isso de roubo não mudará isso. Não tenho vergonha das minhas ações.”
“O quê?”
“Vocês têm sorte de estarmos tratando vocês como convidados…!”
Os nortistas levantaram seus machados.
Este era um lugar onde os punhos eram mais próximos do que a lei.
Na verdade, sem tribunais para falar, os punhos eram tudo o que eles tinham.
Ninguém os culparia por esmagar forasteiros que os irritassem!
Com uma atitude que mostrava que ela não tinha nada a temer, Belenka sacou sua espada.
“Ah, uh… talvez se eu apenas for para lá… ficará bem, certo?”
“Não há necessidade disso. Mantenha-se firme, Takarion.”
Ian já sentia uma dor de cabeça chegando.
Quer fossem cavaleiros ou selvagens, ambos tinham músculos no lugar de cérebros.
Quanto tempo ele desviou o olhar antes que uma briga começasse?
A única intelectual, Kira, interveio para mediar.
“Vocês. Não podem pelo menos ver quem está chegando antes de começar a brigar?”
“…?”
Kira preparou o terreno.
Agora era a vez de Ian receber.
Ian respirou fundo e se acalmou.
Então, com uma enunciação clara e deliberada, ele gritou com força,
“O que estão fazendo com um convidado de Hrundal agora mesmo!”
Oberon pousou no ombro de Ian com um bater de asas.
Com o aparecimento do mago que viaja com um corvo, os guerreiros do norte recuaram e hesitaram.
“Aquele homem...”
“O forasteiro que repreendeu o xamã Pyra...”
Rumores já haviam se espalhado por toda parte de que Ian havia 'derrotado' Pyra.
Na verdade, como eles nunca haviam lutado, era difícil discutir ganhar ou perder.
Não é da natureza humana querer saber quem ganhou quando duas pessoas estão gritando uma com a outra, perguntando 'então, quem ganhou?' quando as pessoas estão discutindo?
Ian, tendo derrotado o excêntrico xamã Pyra, certamente deve ser uma pessoa notável.
“O que, o que você quer dizer? Este porco é um convidado do Lorde Hrundal?”
“Porco, você diz. O Lorde Hrundal ficaria encantado ao ouvir tal linguagem. Oh, guerreiro sem nome.”
Ian mostrou sutilmente uma carta de Arcano do seu bolso.
Mesmo que os guerreiros sejam ignorantes quanto aos mistérios, eles reconhecem as ferramentas de um xamã.
“Lorde Hrundal!”
O guerreiro cobriu rapidamente a boca, ficando pálido.
Mas bloquear as palavras não tornará as coisas certas quando elas não estão.
Ian criou suavemente uma distração.
“Escutem bem! Este homem é um convidado do Lorde Hrundal, reconhecido por ele!”
“Aquele homem é convidado do Lorde Hrundal?”
Por que tal homem seria um convidado do Lorde Hrundal?
Bem, porque Ian disse, é por isso!
Ian é bem versado em mistérios, mas os guerreiros não são.
Não importa o que Ian alegue, eles não podem refutar!
Seria uma história diferente se Pyra aparecesse esplendidamente e gritasse: 'Chega de bobagens! Adorador do Céu!'
Tristemente para os nortistas, aquele xamã agora está do lado de Ian...
“Sim! Como ele é um convidado ilustre, tratem-no com honra!”
Quando Ian gritou, os nortistas lançaram olhares furtivos e correram para longe.
Definitivamente indo fazer fofoca para Pyra.
Mas foi inútil.
Aquele xamã acreditava firmemente que Ian havia sido escolhido por Hrundal.
[1] - Termo comum em romances de artes marciais, refere-se a um líquido leitoso que se acumula em cavernas; diz-se que uma única gota pode curar completamente o corpo e elevar o nível de energia interna do usuário.