
Capítulo 116
Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval
Tradutor/Editor: raei
Cronograma: 5/semana
Ilustrações: Nenhuma
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Uma vez que um mago ganha impulso, nada pode detê-lo.
O desempenho que Ian exibiu e a atitude de Pyra.
Quando esses dois fatos simples se combinaram, Ian ganhou uma voz inegável dentro da Tribo do Urso Vermelho.
"Procurando pelas Lágrimas de Hrundal..."
"Sim, Ragnar."
Ian transmitiu o plano de Pyra a Ragnar.
Pyra estava confiante de que Ragnar morderia a isca, e as coisas pareciam estar progredindo de acordo com as expectativas deles.
"Discutirei isso com meu pai. Enquanto isso, você deve trabalhar em seu plano."
Houve uma breve pausa.
Ian alinhou rapidamente sua história com seus companheiros.
Tendo passado por muita coisa como mago, Ian acumulou bastante experiência.
Ele podia facilmente planejar o que dizer e como alinhar suas palavras ao lidar com indivíduos de alto escalão.
"Belenka, tente manter suas palavras ao mínimo. Kira, me apoie como de costume."
"Entendido."
"Claro, Ian."
E por último...
O problemático Takarion.
"Takarion."
Ian chamou Takarion em voz baixa.
O ambiente estava tão silencioso que mesmo uma voz baixa era claramente ouvida.
"Fiz tudo o que pude. Fiz de você um convidado ilustre de Hrundal e disse a eles que, com você, certamente encontraremos as Lágrimas de Hrundal."
"..."
Takarion respirou fundo e com dificuldade.
Ele não parecia bem.
Ao contrário dos monges fanáticos que eram devotos à sua fé, ele era apenas um escritor que amava escrever.
Suportar tudo o que havia acontecido até agora já era difícil, e corresponder às 'ações de mago' de Ian certamente não era uma tarefa fácil.
"O que devo fazer?", perguntou Takarion com voz trêmula.
Ian explicou calmamente.
"Diga que você recebeu uma revelação dos deuses. Diga a eles que Hrundal lhe concedeu acesso à montanha sagrada e que ele o guiará até o elixir."
"Mas... isso é uma mentira."
Ian respondeu descaradamente.
"Dependendo do seu ponto de vista, sim."
Era um tipo de engano que apenas mistérios e magos podiam realizar.
Com o xamã e o mago, ambos garantindo por Takarion, nem mesmo o chefe poderia agir arbitrariamente.
"Eu... eu..."
Takarion disse com voz trêmula.
"Eu não consigo fazer isso!"
"..."
"..."
Belenka esfregou o rosto exausta, e Kira olhou para Takarion com uma expressão de compaixão.
Cercado por monges, ele era um respeitado escritor de evangelhos.
Agora, jogado no norte apenas consigo mesmo, Takarion era apenas um jovem assustado.
"Eu vou ficar aqui! Vocês podem trazer as Lágrimas de Hrundal ou qualquer outra coisa!"
"Como isso é possível? Se as coisas derem errado, precisamos escapar. O que você planeja fazer se ficar aqui?"
Ian tentou acalmar Takarion.
"Vamos lá. Você não é o [Dedo de Ouro Takarion]? Você escreveu sobre a coragem de São Marcus até agora. Como o São Marcus que você mais admira, vamos repreender severamente os hereges!"
"..."
Takarion fechou a boca.
Ian tinha razão.
O grande São Marcus nunca se encolheu de medo.
Em vez disso, ele repreendeu severamente inúmeros hereges em nome do céu.
Takarion sabia sobre a coragem de São Marcus.
Mais intimamente do que qualquer outro aqui, ele conhecia essa verdade dolorosamente bem.
Mas...
"Eu... eu..."
Lágrimas escorriam pelo rosto de Takarion.
"Eu não sou São Marcus... Eu não tenho esse tipo de coragem...!"
Ian permaneceu em silêncio.
Belenka encarou Takarion e cuspiu.
"Este humano patético é aquele cujo evangelho é lido por inúmeras pessoas no Império? É verdadeiramente nojento."
"Belenka..."
Kira segurou a mão de Belenka com força.
Ela poderia ensinar Takarion fisicamente se deixada sem supervisão.
"Vamos deixar isso para o Ian. Se realmente não der certo, podemos sair por conta própria."
"Eu não gosto disso."
Belenka achou que Ian abandonaria Takarion.
Para ser honesta, não seria surpreendente se ele o fizesse.
Ian perseguiu Takarion desde o distante Império até esta terra fria do norte.
Mas Takarion continuava fazendo coisas que o faziam parecer merecedor de ser abandonado.
Ian respirou fundo enquanto olhava para Takarion.
Por mais que ele quisesse abandonar Takarion e ir embora, parecia um desperdício de todo o esforço que ele havia feito até agora.
Tornou-se uma questão de orgulho agora.
Não importa o que acontecesse, ele arrastaria Takarion de volta para o Império.
"Você pode não ter coragem, mas não consegue reunir um pouco? Você é um monge que transmite as palavras dos santos aos crentes. Você apenas repetiu esses fatos todo esse tempo? Você realmente não entende as ações de São Marcus?"
As palavras de Ian atingiram Takarion profundamente.
Takarion sentiu-se miserável.
Ele estava triste porque a crítica de Ian era inegavelmente verdadeira, e ele não suportava o quão patético se sentia por não conseguir aceitar essa verdade.
"O que você sabe sobre isso! Eu inventei todas as conquistas de São Marcus! A parte sobre repelir demônios com a luz de seus dedos! A cena onde ele repreende os hereges! Tudo isso! Foi tudo da minha imaginação!"
"..."
"Eu sou apenas um louco dizendo bobagens... Os padres estão todos certos. Meu evangelho não vale a pena ser lido..."
Takarion caiu de joelhos, lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
Por acaso, ele foi acolhido por monges e, por acaso, mostrou talento para escrever.
Ele tinha um desejo vago de se tornar alguém importante, mas Takarion não tinha a sabedoria e a coragem para ser verdadeiramente uma figura respeitada.
No Evangelho de São Marcus, Marcus nunca sucumbiu a nenhuma ameaça ou julgamento, destruindo o mal com sua presença dourada.
Mas Takarion não era São Marcus.
Ele era apenas um escritor covarde com barriga de chope.
Naquele momento, Ian atingiu a cabeça de Takarion com seu cajado.
"Acorde!"
"Ai!"
Takarion rolou no chão, lágrimas escorrendo pelo rosto.
Desta vez foi de dor.
Ian tinha batido na cabeça de Takarion com muita força!
"Você continua dizendo bobagens! Takarion!"
"Ian?!"
"Só porque seu livro vendeu bem, você ficou complacente! Você sabe como isso se chama? Chama-se 'Síndrome da Obra-prima'!"
"...?"
Que síndrome?
Takarion não entendeu o que Ian estava dizendo.
"Você não sente vergonha por todos os escritores que estão lutando porque seu trabalho duro não está sendo lido?"
"Por que eu deveria sentir vergonha?!"
Ian atingiu a cabeça de Takarion novamente.
"Ai!"
Takarion segurou sua cabeça e rolou no chão.
Ian gritou.
"Seu Evangelho de São Marcus tem poder! Takarion! Ele dá força àqueles em desespero, o poder de se levantar novamente! Àqueles em medo, o poder de se mover em direção à luz! É isso que seu evangelho transmite, Takarion!"
"Mas... isso é uma mentira...!"
"Isso não importa! Takarion! O Marcus no Evangelho de São Marcus existe em seu coração! Ele existe porque você pode trazê-lo à vida!"
"...!"
Takarion tremeu como alguém atingido por um raio.
As palavras poderosas de Ian abriram uma porta fechada nas profundezas da alma de Takarion.
Ian estava certo.
Takarion suportou uma infância cheia de sofrimento.
Toda vez que era intimidado por seus colegas, Takarion rezava e rezava novamente.
Desejando que um super-herói aparecesse e o salvasse!
O Marcus no [Evangelho de São Marcus] é um personagem imbuído dos desejos de Takarion.
Embora o evangelho esteja cheio de histórias que Takarion inventou...
A esperança contida nele era inegavelmente genuína.
"Haah. Tudo bem. Fique se quiser. Diremos apenas que o autor do Evangelho de São Marcus foi martirizado. Isso seria melhor para os crentes de qualquer maneira."
"Não, não...!"
Takarion saltou para seus pés.
"Leve-me com você também! Ian!"
Ian virou a cabeça ligeiramente e disse.
"Por quê? Fique aí deitado, coberto por peles quentes."
Takarion balançou a cabeça.
"O Evangelho de Marcus pode ser uma história que inventei, mas Marcus existe dentro de mim. Se ele estivesse me observando agora, ele definitivamente me repreenderia!"
Takarion gritou.
"Não aja tolamente! Siga em frente!"
Ian deu um sorriso malicioso e bateu no ombro de Takarion com seu cajado.
"Agora você está começando a parecer um monge. Takarion."
"...Ian."
"Não perca essa fé."
Ian e seu grupo encontraram o chefe da Tribo do Urso Vermelho.
Ragnar, Pyra e até mesmo Sigurd estavam presentes.
"Eu já sabia que isso aconteceria."
Pyra capturou a atenção da sala com uma voz solene.
Ele acenou sua mão com o dedo faltante na frente do chefe e de Ragnar.
"O grande Hrundal sussurrou para mim em visões misteriosas. Pyra, você não será capaz de completar o elixir da vida!"
Diante da voz do fanático Pyra, nem o chefe nem Ragnar puderam falar.
Este era verdadeiramente o xamã do norte.
"O monge da Fé do Céu trazido pelos guerreiros é meu convidado! Espere até que meu emissário chegue, Pyra!"
A voz aguda e fina de Pyra ecoou.
Soava como o uivo de uma tempestade de gelo, e também como uma mulher gritando.
"Mas eu tolamente falhei em ler sua vontade e causei problemas para nosso convidado! Mas agora, finalmente abri meus olhos!"
Pyra apontou para o corvo pousado no ombro de Ian.
"Olhem aqui! Para este corvo galante! É a prova de que o mago Ian é o emissário de Hrundal!"
"Caw! Caw!"
Ian coçou suavemente o pescoço de Oberon.
Neste gesto natural, os guerreiros murmuraram em admiração.
Vendo-o comandar um corvo, pensaram, ele deve ser um xamã favorecido por Hrundal!
Então Ian levantou-se e gritou.
"Fui ordenado pelo grande Hrundal a encontrar seu presente. E fui informado de que com Takarion aqui, podemos definitivamente encontrá-lo."
Ian puxou uma carta de arcana de sua túnica e a ergueu.
"Oh. Isso é...!"
"É sem dúvida a imagem de Hrundal!"
Ian guardou a carta e olhou para Takarion.
Agora era a vez do monge.
Finalmente, Takarion levantou-se e falou.
"Eu, eu ouvi as palavras de São Marcus."
"São Marcus?"
"Ah! Vocês não sabem quem é São Marcus! São Marcus era um santo que viveu no antigo Império Dourado, e seu epíteto era..."
Ahem. O chefe tossiu.
Ragnar interrompeu as palavras de Takarion bruscamente.
"Chega! Nós não nos importamos!"
Takarion parecia abatido.
Afinal, um otaku é mais feliz quando fala sobre o que conhece.
"De qualquer forma... sim. Recebi uma revelação dele para conhecer os deuses do norte em nome do céu."
"Revelação..."
O chefe chamou Pyra mais para perto.
"O que ele diz é verdade?"
"Existe alguma dúvida?"
Pyra respondeu com os olhos brilhando intensamente.
Olhos sem um traço de engano!
Quando o xamã, o mago e o monge falaram em uníssono sobre uma verdade.
O chefe acreditou na história de Pyra.
"Muito bem. Vão para a montanha sagrada."
Ian sorriu secretamente.