
Capítulo 94
Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval
Tradutor/Editor: raei
Revisor: Pickhead7
Cronograma: 5/semana
Ilustrações: Nenhuma.
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Era o início da noite, e o sol havia se posto.
A condição de Ian era excelente.
Logo, toda a casa foi preenchida por uma escuridão profunda.
[Ian! Nós estamos aqui!]
Com a escuridão totalmente implantada, Ian era virtualmente invencível.
Quando você não consegue ver, até dar um passo é desafiador, muito menos perseguir e lutar contra inimigos.
Ian também havia lançado um feitiço em Belenka.
"[Vento!]"
Esta era a magia de ecolocalização[1] - Técnica que permite visualizar o ambiente através de ecos de som, desenvolvida no túmulo do Barão Talian.
O feitiço visualizava os sons, permitindo distinguir objetos mesmo no escuro.
"Hmm."
Conforme os mistérios do vento sussurravam, Belenka sentiu uma distinção borrada dos objetos ao seu redor.
No entanto, ao contrário do subsolo confinado, a magia era significativamente mais fraca no ar livre acima do solo.
O vento e o som se espalhavam em todas as direções; a ecolocalização não funcionava bem nessas condições.
Assim, Belenka só podia abater os inimigos que estavam por perto.
"Droga!"
Como a situação se inverteu rapidamente, os assassinos perderam a compostura.
Eles pensavam que esta missão era apenas sobre lidar com monges impotentes.
Clérigos são desagradáveis de matar, não difíceis.
Mas entre o grupo de Takarion havia um mago — um altamente competente!
'Certamente Takarion é abençoado pelos deuses?!'
'Eu estava errado...! Nós nunca deveríamos ter começado isso!'
À medida que seu plano dava errado, os assassinos entraram em pânico.
Havia um Plano B preparado para o caso de falha no assassinato, mas isso era irrelevante para os assassinos.
"Fujam!"
"Dispersem! Todos, dispersem!"
Sentindo seu fracasso, os assassinos buscaram sua própria sobrevivência, fugindo em todas as direções.
Alguns foram pegos por Belenka correndo em direções aleatórias, mas a maioria escapou da casa e desapareceu na escuridão lá fora.
Ian não perseguiu os assassinos.
Mais precisamente, ele não podia persegui-los.
"Rendição! Eu vou me render!"
"???"
"Eu pagarei um resgate, apenas poupe minha vida!"
O líder dos assassinos havia caído de joelhos.
Ian estava pasmo.
Que bobagem sobre resgates? Você vale isso?
"Com licença, só para conferir, você é da realeza?"
"Não. Mas..."
Não valia a pena ouvir mais.
Ian sacou Anor-lsil e mirou no peito do assassino.
"..."
Pouco antes de balançar a espada, as pontas de seus dedos tremeram levemente.
Para as pessoas medievais, matar era tão rotineiro quanto a vida diária, mas não para Ian.
Glória e pecado são dois lados da mesma moeda.
Assassinato é um ato honroso, mas também um pecado que corrói a humanidade de alguém.
De repente, a escuridão se dissipou.
Belenka se aproximou de Ian e disse,
"Eu posso fazer isso no seu lugar."
Ian olhou para Belenka.
Ela era sua cavaleira.
Ela poderia carregar os pecados de Ian sem que ele precisasse sujar as mãos de sangue.
Mas Ian balançou a cabeça.
"Não."
Ian não era uma pessoa moderna; ele era um residente medieval.
Aqui, não havia leis ou oficiais para proteger Ian.
Para se defender, deve-se usar a violência.
Ian precisava se acostumar com a violência.
"Se você me poupar, eu lhe darei um mapa do tesouro escondido com ouro e joias! Posso lhe dar álcool e mulheres também! Por favor, me poupe!"
Ian zombou em descrença.
Dinheiro, álcool, mulheres.
Essa é toda a riqueza acumulada de uma vida inteira matando?
Ian posicionou a ponta da lâmina para baixo, enterrando-a entre as clavículas.
"Guh!"
A lâmina desapareceu suavemente na carne.
Era a primeira vez de Ian empunhando uma espada, ainda assim ele milagrosamente evitou atingir qualquer osso — um golpe de sorte de iniciante, talvez.
Quando Ian puxou Anor-lsil,
Baque.
O assassino desabou como uma garrafa de vinho da qual a rolha foi arrancada, derramando sangue profusamente.
Belenka assobiou suavemente.
"De fato, uma boa espada. Geralmente não é tão fácil puxar uma lâmina que foi cravada tão profundamente."
"..."
"É a primeira vez que você mata alguém, Ian?"
Ian assentiu mecanicamente.
Uma sensação estranha permaneceu nas pontas de seus dedos — excitação e tremor.
E essa sensação era assustadoramente prazerosa.
Os humanos buscam instintivamente a violência.
Ao destruir os outros e incutir medo, eles afirmam sua própria força.
A violência carrega um prazer viciante o suficiente para prender os humanos.
"Sim, a vingança é doce. Mas Ian, não se esqueça de que até mesmo a vingança é um ato de tirar uma vida."
Belenka deu um tapinha leve no ombro de Ian.
Porque a violência é prazerosa, os humanos podem facilmente se tornar viciados nela.
Aqueles viciados em violência não são diferentes de monstros.
Belenka apontou isso.
Ela esperava que Ian permanecesse um humano puro para sempre.
"[Aqueles que brincam com os brinquedos do diabo um dia se tornarão eles próprios diabos]. Quando chegarmos à vila, vamos ao templo e rezar, Ian."
"...Certo."
Ian levou o conselho de Belenka a sério.
Vingança também é assassinato.
A vingança poderia ser justificada, mas para alguém viciado, era como um jogo.
Se alguém desembainhasse uma espada só porque alguém esbarrou em seu ombro, isso não seria justiça, mas loucura.
Ian sentiu que tinha se tornado ainda mais medieval.
Ele já era medieval, mas agora ainda mais.
Para as pessoas modernas, o assassinato é um crime, mas para as pessoas medievais, é uma questão de honra.
Agora, Ian era [Aquele que Derrotou os Assassinos].
"Está todo mundo bem?"
Assim que a situação se acalmou, Ian verificou os monges.
Felizmente, todos os monges estavam seguros.
Eles haviam se escondido sob a mesa de jantar assim que a comoção começou.
"Oh! Ian!"
"Verdadeiramente...! Você deve ser um mensageiro enviado pelos céus!"
Os monges correram para Ian, competindo para cumprimentá-lo.
Até Takarion hesitou ao oferecer agradecimentos.
"Hum... obrigado, suponho... bem lutado..."
Ian assentiu com indiferença.
Tanto física quanto mentalmente, ele estava tão exausto que sentia que poderia desabar a qualquer momento.
Mas não tinha acabado ainda.
"Sinto muito dizer isso, mas precisamos sair rapidamente!"
Era a Irmã Mionia.
Os monges enfurecidos imediatamente xingaram.
"Tentando nos enganar de novo?!"
"Que tipo de esquema você está tramando desta vez!"
"Primeiro, troque essa roupa obscena!"
O rosto da Irmã Mionia ficou vermelho.
"Uh, eu não sou uma freira obscena! E estou falando sério!"
A atmosfera poderia se tornar hostil.
Ian interveio para mediar.
"Vamos ouvir o que a Irmã Mionia tem a dizer."
"Hmph! Você chama aquilo de irmã? Você pode dizer isso depois de ver como ela está vestida?"
"Por quê? Ela parece bonita."
O comentário de Ian surpreendeu Mionia, que cobriu a boca.
Os monges ficaram confusos,
E Belenka suspirou.
"Lá vai ele com sua lábia doce de novo."
Os monges se perguntaram brevemente se Ian havia sido seduzido por um demônio.
Mas o fiel Irmão Ian certamente não seria seduzido por um demônio...
Eles concluíram que o senso de Ian estava apenas um pouco estranho.
"Hmm..."
"Talvez seja porque ele é um mago, ele tem uma maneira única de ver as coisas..."
Mionia deu a Ian um leve aceno de reconhecimento.
Kira sussurrou para Belenka em voz baixa.
"Ian parece gostar daquele tipo de roupa..."
"Deve ser coisa de homem, eu acho."
Hem hem.
Mionia levantou a voz.
"Todos, escutem. Em breve, guerreiros bárbaros invadirão este lugar."
"Guerreiros bárbaros?"
Os monges ficaram assustados.
Guerreiros bárbaros não eram uma visão comum no Império.
"Sim. Até onde eu sei, eles são mercenários contratados pelo Conde Lumin, preparados caso o assassinato por veneno falhasse."
Os próprios assassinos estavam cientes de que o assassinato usando [tomates] era incerto.
Na verdade, o [método de assassinato por tomate] beneficiava apenas os assassinos, permitindo-lhes alegar que os clérigos morreram misteriosamente depois que eles tinham apenas servido comida.
Se eles realmente pretendessem garantir a morte dos monges desde o início, teriam preparado um veneno real.
No entanto, o Conde Lumin, um devoto seguidor da Fé do Céu, não queria sobrecarregar os assassinos com o pecado hediondo de assassinar clérigos.
Então, eles prepararam inicialmente um assassinato por tomate.
Se o assassinato falhasse, eles simplesmente sorririam e mandariam os monges embora, depois tentariam um segundo assassinato.
Esse seria o [Método de Assassinato Bárbaro].
"Bárbaros..."
"Isso é sério," os monges murmuraram, a preocupação se espalhando por seus rostos.
Seguidores da Fé do Céu nunca prejudicariam clérigos devido ao medo de repercussões na vida após a morte.
Mas bárbaros são diferentes; eles são pagãos!
Eles não acreditam na Fé do Céu, então, para eles, matar centenas ou até milhares de clérigos não é nada assustador!
O Conde Lumin havia preparado astutamente os assassinos mais adequados para matar clérigos — guerreiros bárbaros, que eram assassinos implacáveis, merecedores do termo 'máquinas de matar clérigos'.
"Devemos buscar ajuda dos seguidores da Fé do Céu o mais rápido possível."
Ian assentiu.
Se os guerreiros bárbaros atacassem, seria difícil garantir a sobrevivência dos monges.
Ian, capaz de usar vários feitiços e até possuindo um pergaminho de movimento espacial, tinha quase zero chance de ser morto pelos bárbaros.
No entanto, quase zero não significa absolutamente zero.
Nas condições sanitárias e médicas terríveis do período medieval, até mesmo uma flecha perdida poderia resultar em um envenenamento fatal.
Evitar lutas sem sentido era sempre a escolha certa.
Ian tinha uma vantagem: os inimigos eram bárbaros.
Esta terra era território imperial, transbordando de seguidores da Fé do Céu.
Cavaleiros ansiosos para ganhar glória correriam para lá, rindo e competindo para ajudar.
Qualquer cavaleiro que Ian encontrasse na estrada poderia se tornar um escudo para seu grupo.
"Entendo a situação, mas ainda há algo sobre o que não tenho certeza."
Um monge apontou para Mionia e disse,
"E se esta mulher estiver tentando nos levar para os bárbaros?"
Ian olhou para Mionia silenciosamente.
Ela era a mulher que havia alterado seu hábito de freira para seduzir Takarion, tornando-o um tanto indecente(?).
Eles poderiam confiar em uma mulher que já foi sua inimiga?
"Irmã Mionia, jure pelos céus e nos diga a verdade. Por que você os traiu? Por que você está do nosso lado agora?"
Mionia suspirou como se estivesse exausta.
"Eu só queria escapar da vida no convento, então fiz o que me mandaram. Participei do assassinato sabendo que era para matar Takarion. Sim, esse é o meu pecado."
"Você estava tentando me matar desde o começo?"
"Dá para você calar a boca por um segundo. Irmã, por favor, continue."
"Mas os assassinos pretendiam eliminar todos vocês. Eu não queria ver todos vocês morrerem. Esse é um pecado que eu não poderia suportar. Então, eu disse a verdade."
Se Mionia não os tivesse traído, Ian e seu grupo teriam simplesmente saído da casa após comer.
Mas logo, eles teriam encontrado guerreiros bárbaros e lutado.
Mionia tinha arruinado tudo. Por outro lado, ela também tinha salvado todos.
"Você tomou uma decisão difícil," Ian comentou.
"...Não é algo para ser elogiado. Foi meramente colher os pecados que cultivei."
"Se você tivesse permanecido em silêncio, poderia ter conseguido o que queria. Em vez disso, você mesma chutou a oportunidade para longe."
Ian disse com um sorriso.
"Talvez ainda não seja hora de você deixar a vida no convento."
Os monges assentiram em concordância com as palavras de Ian.
Escolher seguir os ensinamentos divinos em vez de benefícios imediatos é um comportamento mais adequado para um clérigo do que para uma pessoa comum.
Todos os monges decidiram confiar nas palavras de Mionia — exceto um.
Exceto Takarion.
"O quê?! Ela tentou me matar! E isso não incomoda você???" Takarion exclamou incrédulo.
"Bem, isso pode acontecer," Ian respondeu com naturalidade.
"O que você quer dizer com 'isso pode acontecer'?"
Parecia que Takarion ainda não tinha autoconsciência.
Considerando o quanto ele tinha feito.
"Irmã Mionia! Você disse que gostava de mim! Que me respeitava!"
A voz de Takarion era quase desesperada.
Mionia respondeu severamente: "Você é um idiota? Você acreditou nisso?"
"Foi... foi uma mentira?"
"A própria ideia de que eu poderia gostar de você é risível. Você nem olha para o seu rosto quando se lava? Ah, certo, você provavelmente não percebe já que quase não se lava."
"Isso é demais!!! Você até disse que gostava do meu evangelho!"
"Ah, o evangelho. Honestamente, seu evangelho é horrível. Ele realmente merece punição divina, sabe? Você tentou fazer do Santo Marcus um herói às custas de tratar outros santos como idiotas," Mionia criticou sem rodeios.
"Bem, isso foi simplesmente para destacar as conquistas do Santo Marcus..."
Takarion tentou se justificar.
"O Santo Garhan, que você descreveu como um completo idiota, é o santo mais reverenciado do Conde Lumin," Mionia revelou.
"..."
O rosto de Takarion ficou pálido.
"Espere... você tentou me matar só por causa disso?" ele perguntou incrédulo.
Mionia zombou: "Só por causa disso? Você acha que viver uma vida de fé é uma piada?"
Ian assentiu em concordância.
De fato, questões envolvendo um personagem favorito são assuntos sérios, especialmente se seu personagem favorito for transformado em um idiota em alguma fanfic estranha.
Como uma ex-pessoa moderna, Ian podia entender um pouco a raiva do Conde Lumin.