
Capítulo 47
Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval
Tradutor/Editor: Raei
Revisor:
Programação: 5/semana
Ilustrações: Nenhuma.
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"Pagar com o corpo", como Belenka disse, não carregava o significado sugestivo que poderia ter hoje em dia.
Significava compensar a falta de dinheiro com o próprio esforço físico.
Essa era uma prática muito comum entre os cavaleiros na era medieval.
Os cavaleiros, que não possuíam nada além de sua força, vagavam pelo mundo e, quando ficavam sem dinheiro, vendiam seus serviços marciais para sobreviver.
Belenka devia uma dívida significativa a Ian.
Diferente das pessoas modernas que apenas falam sobre ter dívidas, no mundo de fantasia medieval, esperava-se que as dívidas fossem pagas fisicamente.
Isso se devia à doutrina da Igreja da Fé do Céu.
Se você devia 100, tinha que pagar exatamente 100 em dinheiro ou serviços.
Oferecer 120 ou 130 não era permitido, pois seria considerado usura, um pecado.
Portanto, Belenka estava dizendo que prestaria serviços equivalentes ao valor de ter sua vida salva e de esquecer seu passado para Ian.
O serviço que uma cavaleira poderia oferecer... era obviamente de natureza marcial.
"Até que minha dívida seja totalmente paga, minha espada é sua, Ian."
Foi por isso que Belenka se ajoelhou.
Até que ela pagasse sua dívida, ela serviria Ian como seu Lorde.
"Você ao menos sabe o que eu faço?"
"Que tipo de pergunta é essa? Você não é um mago?"
"E para onde eu vou?"
"Eu não me importo. Seja onde for, estou com você até que a dívida seja paga."
Belenka falou com indiferença.
Ian notou que Belenka era verdadeiramente indiferente ao seu destino.
'Nada mal.'
Tendo viajado brevemente pelo continente sozinho, Ian percebeu a necessidade de uma vanguarda.
Magos são fracos no combate corpo a corpo.
Em um campo de batalha com muitos, magos podem ser como deuses, mas eles lutam quando um louco avança contra eles com uma espada.
Mas se um louco igualmente armado pudesse ficar na frente e receber o impacto, o fardo de Ian diminuiria.
'Com as habilidades da Belenka, ela não será derrotada facilmente.'
Ian, que considerara contratar mercenários ou escravos gladiadores, ficou muito satisfeito com a presença da cavaleira errante.
"Vamos nos dar bem, então."
Belenka respondeu com uma curta reverência, indicando que trataria Ian não como um chefe, mas como um Lorde.
"É dia claro. Vamos reunir os soldados dispersos."
Ian encarregou Oberon de localizar os mercenários e cavaleiros.
Ele disse a ele para trazê-los para cá caso estivessem por perto.
"Ah. Mas Belenka. Você pode mesmo estar aqui?"
"O que você quer dizer?"
"Quero dizer... você estava do lado de Graham até ontem."
Belenka estava cortando os soldados do Conde apenas um dia antes.
Dizer aos soldados que haviam perdido companheiros que essa carniceira humana estava agora do lado deles certamente não os deixaria felizes.
Belenka assentiu como se entendesse.
"Não faço ideia do que você está falando."
"...?"
"Eu acabei de chegar aqui pela primeira vez hoje."
Que merda.
Ian, estupefato, olhou para Belenka, que calmamente disse:
"Não concordamos em esquecer meu passado ontem?"
"..."
"Então, eu sou alguém que chegou aqui pela primeira vez hoje."
Ian ficou tonto com a lógica surpreendente de Belenka...!
Claro, Ian prometera esquecer seu passado.
Mas não era apenas sobre esquecer seu passado como *cosplayer* [1]?
[1] - Pessoa que se fantasia de personagens de ficção.
Mas, porra, era como se tudo tivesse sido inteiramente editado!
"Belenka..."
"Sim?"
"Você acha... que essa desculpa vai funcionar?"
Mesmo que Ian concordasse em esquecer o passado de Belenka, não era como se tivessem ativado algum aplicativo de hipnose que faria todos os outros deixarem de reconhecê-la.
Especialmente quando ela está vestindo aquela armadura preta!
Mas Belenka era descarada.
"Não é sobre se funciona ou não. Se eu digo isso, não há outra escolha a não ser acreditar em mim."
Ian balançou a cabeça em descrença.
Ele não entendia, mas... se ela diz, bem.
Ela dará um jeito de alguma forma.
Ian estava um pouco preocupado com Belenka, mas acabou sendo um medo infundado.
Por volta do meio-dia, os soldados começaram a se reunir ao redor de Ian, seguindo seu corvo.
Na verdade, reagrupar um exército derrotado nesta era não era uma tarefa fácil.
Normalmente, após uma derrota na batalha, era cada um por si.
Fuja por conta própria, reúna-se por conta própria e decida o que fazer a seguir por conta própria.
Com comandantes e cavaleiros mortos ou desaparecidos, que estrutura de comando restava?
"Oh? Nosso exército perdeu? Melhor ir para casa e comer."
E, de fato, muitos soldados fizeram exatamente isso, foram direto para casa.
Se um soldado decide lutar e depois ir para casa comer, de uma perspectiva moderna, é uma loucura... mas o que um comandante derrotado pode fazer?
Se alguém não quer lutar, como você pode forçá-lo?
Claro, se a cidade natal do soldado fosse a mesma do comandante, eles poderiam ser arrastados de volta para lutar.
Porque eles são do mesmo lugar, era fácil ir procurá-los e trazê-los de volta.
Mas nesses casos, eles não desertariam em primeiro lugar.
Eles desertam porque acreditam que não serão pegos.
A desintegração de um exército derrotado era uma ocorrência diária em um mundo de fantasia medieval com poder administrativo tão insignificante quanto o olho de uma formiga.
O exército do Conde não era diferente.
No dia anterior, quando o centro foi rompido e o Conde foi atacado... o moral dos soldados atingiu o fundo do poço.
Qual era a razão de estarem sangrando em primeiro lugar?
Para serem pagos pelo Conde!
Mas então o chefe morre, porra!
Sem chefe, não há razão para os funcionários ficarem.
Então, apesar de terem a vantagem na batalha, os mercenários se espalharam.
Muitos cavaleiros foram capturados, e os cavaleiros sobreviventes verificaram o cadáver do Conde e então fugiram.
Não é sem razão que no xadrez, o jogo termina quando o rei é capturado.
O rei era a própria razão da guerra.
Os mercenários e cavaleiros sobreviventes, seguindo o princípio de cada um por si, seguiram caminhos separados para encontrar sua própria maneira de sobreviver.
Alguns tentaram retornar ao domínio do Conde para coletar seu pagamento restante.
Outros recorreram ao roubo, saqueando vilas.
Alguns até se juntaram ao lado de Graham.
Ou apenas jogaram tudo para o alto e foram para casa comer a refeição que sua mãe fez.
Mas hoje, o corvo de Ian encontrou os remanescentes do exército.
Os soldados, que tinham sido importunados pelo familiar do mago durante toda a marcha, reconheceram Oberon num relance.
"É isso! Não é aquele enviado pelo mago?"
"E daí?"
"Não deveríamos ir?"
"Porra, o que ele vai fazer se não formos?"
"Talvez ele nos amaldiçoe?"
"...Porra. Isso é assustador."
Os mercenários poderiam ter ignorado o chamado de um nobre, mas estavam com medo demais para ignorar a convocação de um mago.
Magos eram seres imprevisíveis.
Quem sabia que forma bizarra de retaliação eles poderiam empregar?
Graças a isso, Ian conseguiu reunir um bom número dos remanescentes.
Quando todos estavam reunidos, seu número chegava a 300.
Foi um reagrupamento incrivelmente bem-sucedido.
"Espere, você é!"
...E, claro, os cavaleiros e mercenários reconheceram Belenka.
Diferente de personagens de histórias em quadrinhos com cegueira facial como traço passivo, estes eram humanos vivos e respirando.
Belenka era a única cavaleira de armadura preta.
Seria mais estranho se não a reconhecessem.
"O Cavaleiro Negro!"
"O Cavaleiro Negro era uma mulher!"
"Mas por que aqui?"
Alguns sacaram impulsivamente suas armas.
Era para vingar seus companheiros caídos.
Então Belenka disse:
"O Cavaleiro Negro? Quem é esse?"
"...?"
"Eu sou Belenka de Wintz."
Alguém objetou.
"Corta essa! Você é o Cavaleiro Negro!"
"Eu sou Belenka."
"Você lutou do lado de Graham ontem e matou nosso povo!"
"Eu sou Belenka."
"...Porra!"
À resposta de Belenka, as pessoas ficaram furiosas, e Ian ficou genuinamente maravilhado.
Uau. Ela é descarada!
"O Cavaleiro Negro era uma mulher?"
"..."
"Eu sou uma mulher, e aquela pessoa era um homem. Essa explicação deve bastar. Se continuarem a balbuciar, tomarei como um insulto à minha honra e exigirei um duelo."
Todos silenciaram... não exatamente, já que alguém deu um passo à frente.
Era um cavaleiro justo que não podia mais tolerar as desculpas descaradas de Belenka.
"Eu sou o filho de Hadalun, Greg! Belenka de Wintz! Eu desafio você para um duelo!"
"Quais são os termos?"
"Se eu vencer, admita claramente que você é o Cavaleiro Negro!"
"E se o oposto ocorrer, eu não sou o Cavaleiro Negro. Combinado?"
"Sim, combinado!"
'Seus maníacos...'
Ian observou o duelo espontâneo com uma expressão nonchalant, com o queixo na mão.
O que é isso?
Não é um jogo onde a pessoa mais barulhenta vence.
Se você é bom de luta, então suas palavras estão certas?
Isso faz algum sentido?
Mas como era assim que o pessoal medieval via, Ian apenas assistiu silenciosamente.
Então, se você quebrar o crânio do seu oponente primeiro, você está com a razão?
Kya. Isso sim é romance.
Fracos, bastardos modernos.
Por que se incomodar com batalhas de teclado? Por que procurar lógica?
Derrote o oponente e não há discussão!
Até a mais nobre das linhagens, Lucy, serviu como juíza.
Enquanto Belenka balançava sua espada, todos ali pensaram a mesma coisa.
'Aquela é o Cavaleiro Negro.'
'O Cavaleiro Negro.'
'Ela é definitivamente o Cavaleiro Negro...'
Claro, a habilidade com a espada de Belenka era a mesma de ontem.
Afiada, precisa e mortal.
O cavaleiro justo não conseguiu durar mais de cinco trocas antes de declarar rendição.
"Chega! Eu perdi..."
"Greg Hadalun. Quem sou eu?"
Assine aqui, Greg!
Greg murmurou como se fosse o representante de um país derrotado assinando um documento de rendição.
"Belenka é... não... o Cavaleiro Negro..."
Seguindo isso, Lucy concluiu o duelo.
"Belenka de Wintz é uma cavaleira errante salva pelo mago Ian do rio ontem! Eles se conheceram pela primeira vez ontem, e ela definitivamente não é o Cavaleiro Negro! Portanto, ela não pode ser responsabilizada por qualquer ato ilícito na batalha de ontem!"
Belenka provou mais uma vez sua inocência (fisicamente) de maneira direta.
Ah! Que nobre cavaleira!
O epítome de uma cavaleira impecável.
"Está feito?"
"Sir Diketo!"
Ian levantou-se ao reconhecer um rosto familiar.
Ele era um cavaleiro do Conde, Sir Diketo.
"Sir. O Conde..."
"... Eu sei."
Ian sentiu que tinha perguntado algo que não deveria.
Sir Diketo, com o rosto austero, perguntou:
"Quais são seus planos agora?"
"E os seus, senhor?"
Sir Diketo olhou para Lucy antes de falar.
"Por mais que eu gostaria de atacar Graham novamente..."
Havia três razões principais pelas quais Sir Diketo queria atacar Graham.
Primeiro, esse era o plano original.
Vir até aqui apenas para retornar de mãos vazias significaria que eles eram meros remanescentes de uma força derrotada.
Somente ao tomar a cabeça de Graham eles poderiam dizer: 'Embora o Conde tenha caído, nós vencemos...'
Em segundo lugar, eles precisavam tomar o domínio de Talian para pagar os mercenários.
Se retornassem agora, os mercenários iriam 100% choramingar para o próximo Conde por seu pagamento restante.
Perderam a batalha, mas ainda querem ser pagos?
Isso é uma questão à parte.
Mesmo que uma empresa esteja em déficit, ela deve pagar o dinheiro do contrato.
É uma tolice não pegar o dinheiro que lhe é devido por preocupação com a empresa.
No entanto, o próximo Conde (quem quer que seja) tentará 100% se esquivar de pagar.
"O quê? Os mercenários querem ser pagos? Não sei sobre isso, peguem o dinheiro do meu falecido pai~ O Conde já está morto? Então vocês poderiam muito bem morrer também e receber seu dinheiro na vida após a morte~"
Deve ser realmente frustrante para os mercenários, mas a menos que planejem seguir o Conde, tudo o que podiam fazer era praguejar e xingar.
É apenas assim que o mundo funciona.
Aqueles com poder roubam descaradamente aqueles abaixo deles e ainda andam por aí numa boa.
Então, seguindo a bela tradição da era medieval, os mercenários se transformarão imediatamente em bandidos e saquearão o tesouro do Conde (as pessoas).
E quem vai pegar esses bandidos?
Sir Diketo, é claro, quem mais~
Mas se eles tomarem o domínio de Talian e extraírem dinheiro de Lucy, a história muda.
Não é o domínio do Conde, mas o domínio de Talian que é roubado!
Embora as pessoas saqueadas possam estar ferradas... não é problema de Sir Diketo, desde que não seja ele.
E por último.
A razão mais importante, porém trivial, era...
Sir Diketo simplesmente odiava Graham, porra.
Ele sentia que somente enviando Graham para o inferno o falecido Conde poderia descansar em paz com um sorriso.
"Barão Talian."
Quando Sir Diketo chamou Lucy, Lucy se assustou.
Geralmente se gabando de ser um Barão, agora, ela estava genuinamente surpresa por ser tratada como um.
"Temos soldados suficientes, e ainda há provisões. Se você ordenar, podemos lutar novamente..."
A guerra é uma decisão da nobreza.
Sem a vontade de Lucy, Sir Diketo teria que retornar ao domínio do Conde com lágrimas nos olhos.
Lucy calmamente olhou ao redor para os presentes.
Sir Diketo e os cavaleiros do Conde. E os soldados que os seguiam.
A cavaleira negra Belenka.
E o mago Ian.
Todos estavam esperando pelo comando de Lucy.
"Ian."
Quando a Baronesa de Talian chamou o mago,
Ian respondeu com um sorriso.
"Faça como desejar, Baronesa. Você não esqueceu o que quer, esqueceu?"
Lucy assentiu.
Sim. A razão pela qual fugi do domínio de Talian.
Não vamos esquecer essa razão.
"Eu quero... expulsar o usurpador Graham e recuperar minha terra!"
Então Ian gritou!
"A Baronesa quer guerrrrrrra!"