
Capítulo 37
Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval
Trad./Ed.: Raei
Revisor:
Cronograma: 5/semana
Ilustrações: Nenhuma.
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Enquanto Ian soltava um bando de pássaros para seguir a manticora,
Lucy Talian já havia se encontrado com o Conde e discutido o futuro.
"...e foi assim que mal consegui escapar sozinha."
Lucy inicialmente estava decidida a não se deixar levar, uma promessa para si mesma.
Mas, ao começar a contar a história de seus pais assassinados, sua determinação enfraqueceu rapidamente.
Era inevitável.
Ela era apenas uma garota de dezoito anos.
Então, ao começar a falar sobre a fuga do domínio, Lucy achou difícil controlar suas emoções.
Ao ver sua sobrinha em lágrimas, o Conde Catina sentiu uma mistura de emoções.
'Eu avisei sobre aqueles malditos gananciosos...'
A falecida Lady Talian era irmã do Conde.
Embora ela tivesse saído de casa quando jovem, família ainda era família.
Seria mentira dizer que não havia afeição.
O Conde sentiu simpatia por sua irmã morta e por sua filha.
Ao mesmo tempo, ele estava furioso com o mercenário usurpador que assassinou o casal Talian e estava tentando se casar com Lucy.
O casal Talian poderia ter cometido erros, mas foram eles que acabaram assassinados.
O Conde tinha um pretexto adequado para a vingança.
'...Tornar Lucy uma Baronesa não é uma má ideia.'
Interferir na sucessão de títulos é claramente uma interferência externa.
No entanto, se Lucy pedir ajuda primeiro, a história é outra.
O Conde terminou rapidamente seus cálculos.
Ele usaria Lucy para garantir o domínio e escolheria um de seus vassalos para se casar com ela.
Assim, a Baronia Talian cairia naturalmente sob a influência do Conde Catina.
Era uma boa oportunidade para expandir seu poder sob um pretexto adequado durante esses tempos caóticos.
"Eu entendo seus sentimentos, Lucy."
"Conde..."
"Chame-me de tio, não de Conde."
"...!"
Lucy ficou genuinamente comovida com a atitude gentil do Conde.
Era porque ela estava em um estado muito sensível.
"Não se preocupe com nada agora. Com certeza vingarei sua mãe."
"Tio...!"
O Conde não mencionou o cansativo 'Se eu te ajudar, o que ganharei em troca?'
Essas palavras desnecessárias apenas deixariam Lucy na defensiva.
Afinal, não seria tarde demais para pedir o que ele queria depois que tudo acabasse.
O exército do Conde já teria ocupado o domínio Talian; que escolha Lucy teria?
Ser um 'tio gentil' que 'voluntariamente' levantou um exército 'para vingar sua irmã' era o melhor cenário.
Uma vez que tudo estivesse resolvido, a ameaça não tão sutil de 'Depois de tudo que fiz por você, você não pode me fazer esse favor?' funcionaria.
O Conde, confortando uma Lucy soluçante, começou a se preparar para a guerra.
Depois que os Cavaleiros de Santiago partiram,
O Conde Catina reuniu seus vassalos, cavaleiros e o mago Ian para declarar suas intenções.
"Vocês todos conhecem a história da minha sobrinha! Executarei o detestável usurpador Graham[1] e restaurarei a lei e a ordem desta terra!"
"Vida longa ao Conde!"
Algum tempo depois.
O exército do Conde marchou para fora do domínio.
Sob a bandeira do Conde Catina, 400 mercenários se reuniram.
Nesta época, as guerras eram travadas principalmente por mercenários.
Manter um exército permanente era difícil e caro.
Mas mercenários podiam ser utilizados imediatamente assim que fossem pagos.
Especialmente para conflitos de domínio, os mercenários eram essenciais porque era inaceitável sacrificar cidadãos preciosos (fontes de renda) nas lutas pelo poder dos grandes e poderosos.
"O que você acha, Raven?"
O Conde Catina, com Ian ao seu lado, exibia orgulhosamente seu exército.
Era uma característica dos governantes desta época desfilar com um mago.
"Com este tipo de força militar, podemos facilmente nos livrar daquele maldito usurpador, não podemos?"
O Conde olhou para Ian com um olhar expectante, buscando a sabedoria do mago.
Como nos contos antigos, os magos desta época frequentemente assumiam o papel de emprestar sua sabedoria aos monarcas.
"Ah. Sim. Bem."
No entanto, Ian, que não sabia nada sobre assuntos militares, não tinha conselhos a oferecer.
Como a guerra era domínio dos mercenários e cavaleiros, ele imaginou que eles resolveriam as coisas por conta própria.
Então, Ian ofereceu um conselho de senso comum.
"Com uma força tão grande, você deve prestar atenção ao suprimento de comida e, se chover, tome cuidado para evitar a propagação de doenças."
"Hmm... Então, contanto que não sejamos derrubados por doenças, não seremos derrotados. É isso que você quer dizer?"
Foi um conselho trivial, mas surpreendentemente, o Conde assentiu com satisfação.
"Raven. Eu gostaria que você fosse meus olhos a partir de agora."
O Conde deixou bem claro que queria Ian ao seu lado.
Embora o Conde pudesse desejar um mago conselheiro, Ian achou tudo aquilo um incômodo.
"Ajudarei no que puder."
"Bom. Aguardo ansiosamente suas conquistas."
Ian deu de ombros.
Conquistas?
Ele poderia muito bem ter recebido um pergaminho mágico.
Ele estava apenas acompanhando para ganhar seu sustento.
Afinal, a luta seria feita pelos cavaleiros e mercenários.
Ian dificilmente teria algo a fazer no campo de batalha.
"Ian!"
Lucy também se juntou à expedição.
Seu papel era essencialmente o de uma mascote.
Mais precisamente, ela era a justificativa viva para a campanha.
Era natural que Lucy os acompanhasse em sua missão de recuperar seu domínio usurpado.
"Hehe, estamos quase no fim!"
"...Nós não acabamos de sair ontem?"
Lucy já estava agindo como se tivessem vencido a batalha.
O otimismo de Lucy era um tanto compreensível, já que relatórios de inteligência sugeriam que as forças do usurpador Graham eram de apenas cerca de 150 homens.
"Mesmo que ele use sua reputação como ex-mercenário para reunir forças adicionais, dizem que não excederá 200."
O exército do Conde era de 400.
Apenas pelos números, era mais do que o dobro.
Era praticamente uma batalha vencida.
"E daí! Nós temos mais números e temos um mago."
"De fato."
Lucy já estava agindo como se fosse a Baronesa de Talian.
Ou seja, ela estava contando com o ovo no fiofó da galinha.
"Hmm... Eu me pergunto que tipo de recompensa devo dar a Ian por sua ajuda~ Ouro seria demais, não seria? Ele não estaria cansado disso?"
Eu? Sério?
Ian olhou para Lucy com descrença, mas Lucy já havia decidido que Ian era um mago que transcendia a necessidade de ouro, em grande parte porque Ian não tinha sido exigente com dinheiro.
Na realidade, Ian não era pobre.
Ele ainda tinha o dinheiro de viagem que Eredith lhe dera.
Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Não é que ele precisasse de dinheiro, mas ter mais não faria mal!
Inconsciente dos pensamentos de Ian, Lucy pulou a ideia de uma recompensa em ouro completamente.
"Ah! Eu tenho algo que Ian gostaria. Você quer pegar?"
"O que é?"
"A espada mágica que dizem ter sido usada pelo primeiro Barão Talian!"
"...?"
Anor-lsil[2]. Uma espada mágica forjada com a luz do sol e o luar."
Lucy tagarelou, explicando a história da família.
O primeiro Barão Talian, em sua juventude, apaixonou-se por uma fada que conheceu.
Enquanto lutavam contra goblins que ameaçavam a floresta das fadas, as fadas fizeram uma espada mágica imbuída com o poder do sol e da lua como um presente para o barão, que então derrotou os goblins e tornou-se o salvador das fadas... ou assim diz a história.
'O quê, isso é algum romance de fantasia antigo?'
Era constrangedor até mesmo chamá-lo de antigo.
O cenário cheirava a uma vibração de fantasia tradicional anglo-americana dos anos 1900.
Seria o autor um tolkienista[3]?
Ouvindo a história, Ian teve um pensamento estranho de repente.
"Essa... como é que se chama? Anor-lsil? Se vocês têm uma espada mágica tão grande, por que ainda são barões?"
"Barão? Isso soa estranho! Isso é um insulto, não é?!"
Ian balançou a cabeça.
Era óbvio.
Eles provavelmente trariam algum tipo de espada de bronze em forma de harpa da Idade do Bronze e alegariam 'Esta é a espada mágica Anor-lsil~'.
Ele sabia disso desde o momento em que a narrativa parecia ultrapassada.
Se Anor-lsil fosse realmente uma magnífica espada mágica, a Família Talian não seria mais barões!
"Já se passaram mais de 400 anos, de qualquer maneira!"
"Oh. Sua família é mais velha do que eu pensava?"
"E... e!"
O rosto de Lucy ficou ligeiramente vermelho.
"Anor-lsil está... no túmulo do primeiro barão."
"O quê?"
Ian ficou chocado.
O quê, eles estão oferecendo uma espada mágica como presente?
Como se estivesse apenas pendurada em um suporte no quarto deles.
A espada mágica está no túmulo do barão?
Enquanto Ian reagia, o rosto de Lucy ficou ainda mais vermelho.
"Então, para tirá-la... temos que abrir o túmulo."
"Uau..."
Ian estava totalmente alerta agora.
Uma descendente desenterrando algo selado pelo primeiro barão em seu próprio túmulo para entregar?
É essa... a integridade típica de uma pessoa medieval?
"O túmulo ancestral é algum tipo de cápsula do tempo? Para ser aberto e fechado sempre que vocês quiserem?"
"Eu sou a baronesa, o que importa!"
Ah, Ian suspirou profundamente.
Desenterrar o túmulo de um ancestral por tesouros.
Para um homem de um país confucionista, onde os ensinamentos de Confúcio estavam vivos e bem, essa era uma proposta chocante e difícil de aceitar.
E reabrir um túmulo selado também não parecia fácil.
Se fosse, aquele infeliz saqueador de tumbas[4], não teria apenas cavado por aí em Joseon e saído de mãos vazias.
Em romances de fantasia, tumbas são masmorras repletas de todos os tipos de monstros e armadilhas.
Seria essa a estratégia maligna de Lucy para se livrar dele, empurrando-o para uma masmorra porque ela não queria lhe dar uma recompensa...?
"E você nem é baronesa ainda..."
"Eu sou, sim! Só não sucedi oficialmente ainda, mas sou definitivamente uma baronesa! Então, cabe a mim decidir o que fazer com as coisas na minha terra!"
Ian estalou a língua.
A julgar por sua ânsia de vender os bens de sua família agora que ela se tornou baronesa (ainda não), parecia que a linhagem baronial Talian poderia terminar com Lucy.
"Espada mágica ou qualquer coisa, é um tesouro, certo? Você está dando isso para um mago errante como eu?"
Ian, genuinamente preocupado com Lucy, tentou o seu melhor para dar uma lição nela.
"Soa como um item valioso. Por que não usá-lo para sua família? Isso seria muito melhor do que se gabar de ser uma baronesa e depois desperdiçá-lo."
"..."
Lucy olhou para Ian em silêncio, seus lábios pressionados firmemente.
Ela parecia prestes a dizer algo... então balançou a cabeça e gritou.
"...Eu estou dizendo que vou dar essa coisa preciosa para você! Seu idiota!"
"Lucy!"
Lucy, como uma personagem de um romance, disparou sua frase e desapareceu em algum lugar.
Deixado sozinho, Ian coçou a cabeça sem jeito.
Eu disse algo muito duro?
Mas não importa o quanto ele pensasse sobre isso, entregar um tesouro de família para um completo estranho parecia estranho...
Mesmo que fosse uma recompensa por suas dificuldades, Ian sentia-se desconfortável em aceitar a espada mágica.
Ian, embarcando em uma marcha real pela primeira vez em sua vida, sentiu uma leve emoção.
Uau!
Guerra medieval!
Soldados marchando para o território inimigo!
No entanto, a empolgação de Ian não durou mais do que três dias.
Não havia nada de particularmente especial sobre a guerra.
A marcha era mais entediante do que ele havia imaginado.
Se fosse um jogo ou um filme, haveria uma grande trilha sonora tocando, desenrolando a história de soldados e generais enfrentando a guerra.
Mas a realidade não é uma obra de ficção.
Grande trilha sonora, nada.
Apenas um silêncio sufocante, constrangimento e a irritação de soldados cansados preenchiam o ar.
Os mercenários se mantinham em seus próprios grupos, compartilhando histórias que conheciam...
Mercenários de diferentes facções tratavam uns aos outros como completos estranhos, interagindo de forma desajeitada como se fossem vizinhos na melhor das hipóteses.
Seus uniformes não combinavam, seus armamentos variavam, criando um exército maltrapilho sem qualquer senso de pertencimento ao chamado "exército do Conde".
Este era o exército reunido por um "Conde" neste mundo de fantasia medieval.
'Eu me pergunto se eles conseguem lutar corretamente.'
Eram mercenários que viviam pela espada, então eles avançariam contra o inimigo, mas quanto à sua eficácia em combate...?
Ian, agora um pouco experiente neste mundo de fantasia medieval, tinha uma ideia aproximada da composição dos mercenários.
Mais da metade eram plebeus tolos que haviam fugido de seus deveres.
Vestindo apenas armaduras de linho e empunhando uma arma simples, declarando: "Olá~ Eu sou um mercenário~", compunham mais da metade deles.
Seu papel era essencialmente servir como escudos de carne.
Eram figurantes, proporcionando oportunidades para os veteranos mais experientes e melhor equipados brilharem.
Mesmo entre os mercenários, um plebeu continuava sendo um plebeu.
O único consolo era que seus números chegavam a 400?
"Ian, o que você está fazendo?"
"Fervendo colheres."
Nenhum mercenário ousava iniciar uma conversa com Ian, o mago.
A presença de Ian havia mudado significativamente desde que ele chegou a este mundo pela primeira vez.
Ele tinha um cajado e até mantinha um corvo.
Ele chegou a um ponto em que não precisava anunciar que era um mago; as pessoas simplesmente sabiam.
"...Fervendo colheres? Por quê?"
Lucy era a única, além do Conde, que falava com Ian.
Lucy visitava Ian sempre que se sentia entediada.
"Você não está... planejando comê-las, está?"
Sem intenção, Lucy espalhou rumores sobre as "excentricidades" de Ian.
Vendo Ian ferver colheres em uma panela, os mercenários murmuraram: "O mago está preparando sopa de colher...!"
É claro que Ian não tinha ficado louco o suficiente para realmente cozinhar sopa com colheres.
Vendo a expressão horrorizada de Lucy, Ian suspirou profundamente.
"Existe uma coisa chamada esterilização."
"Esterilização?"
"Mata insetos muito minúsculos que você não consegue ver..."
"Existem coisas assim?!"
Ah, eles não sabem.
Essas pessoas incivilizadas de outro mundo.
Isso é chamado de "esterilização", o ato de matar germes.
Ian explicou gentilmente, mas Lucy não conseguia entender o conceito.
"Se eles são tão pequenos que você não consegue vê-los... como eles se mantêm vivos?"
Certo?
Ian também não sabia muito sobre microbiologia. Ele apenas concordou com o que Pasteur[5] disse.
Felizmente, Ian era um mago.
Ele tinha o truque de inventar explicações para qualquer coisa.
"É um mistério."
"Ah... Entendi!"
Lucy trouxe sua colher para ferver junto com a de Ian.
Borbulhando, a "Sopa de Colher" cozinhava.
Assistindo a isso, alguns mercenários se aproximaram e disseram,
"Hum... Sr. Mago. Você poderia ferver as nossas também?"
O que os mercenários ofereceram foi carne salgada.
Eles estavam desesperados para compartilhar a misteriosa sopa do mago.
'...Idiotas, não é para fazer sopa.'
Levaria séculos para esses medievais incivilizados entenderem Ian.
[1] - raei: Graham é o nome do mercenário que tomou o território de Lucy. Eu pensei originalmente que o nome era Barão Jin, muitos capítulos atrás, mas deve ter sido uma referência a outra coisa naquela época, em vez do nome real. Oops.
[2] - raei: Anor-lsil está escrito em inglês nos originais e está na língua élfica em SdA(o senhor dos anéis), Anor significa sol e lsil significa lua, Anor-lsil significando Sol e Lua?
[3] - raei: J. R. R. Tolkien, autor de sda, caso você não saiba.
[4] - raei: não faço ideia de quem seja isso... LOL
[5] - raei: Louis Pasteur, químico francês, 'renomado por suas descobertas dos princípios de vacinação, fermentação microbiana e pasteurização'