Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

Capítulo 15

Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

TL/Editor: Raei

Cronograma:

Ilustrações: Nenhuma.

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Depois de reencontrar Drake, Ian sentiu uma onda repentina de cansaço.

Ele tinha ficado correndo e tenso a noite toda, sem falar nas bebidas que tinha tomado.

No pouco tempo em que ficou separado de Drake, aquele cansaço esquecido voltou com força, como uma enchente.

[Você está cansado.]

Drake notou rapidamente o estado de Ian.

"[Ah, um pouco...]"

Sem que Ian soubesse, usar a língua Maronius era uma tarefa mentalmente exaustiva.

Ela fazia mistérios além da compreensão humana escoarem pela glândula pineal escondida no crânio, naturalmente provocando mais cansaço do que a fala comum.

Afinal, só falar um idioma estrangeiro por algumas horas já cansa—imagina a língua dos mistérios.

Daqui a alguns dias, Ian perceberia o quanto é exaustivo falar Maronius; é incrivelmente desgastante.

[Sobe nas minhas costas.]

"[Posso?]"

Ian hesitou por um instante, mas entendeu a intenção de Drake e assentiu.

Carregar Ian nas costas era como um humano pegar um gato ou um cachorro.

Na perspectiva do “pet”, talvez a criatura pensasse: “É ok eu ser carregado assim tão confortavelmente? O humano não vai cansar?”

Mas, do ponto de vista humano, não há problema nenhum em carregar um bichinho fofo.

"[Claro.]"

Ian se sentou atrás do pescoço de Drake.

Assim que Drake levantou a cabeça e começou a andar,

“Nossa...”

Parecia estar montado num prédio em movimento.

[Hm. Na próxima vez, eu devia pedir uma sela.]

Era fascinante que Drake tivesse pensado em conseguir uma sela pra Ian e ainda soubesse o que era uma.

Provavelmente ele aprendeu observando humanos cavalgando cavalos.

Enquanto Ian cochilava nas costas dele, Drake logo chegou ao ninho.

"[É aqui?]"

[Sim. Você consegue arrumar?]

Drake esperou, ansioso, a resposta de Ian.

Ian examinou o ninho de forma casual, estimando o que precisava ser feito.

“Com certeza, seria acolhedor, sem insetos nem umidade.”

Insetos e umidade são ameaças detestáveis para ninhos de répteis, podendo até estragar os ovos.

Por isso, os répteis escolhem com cuidado o lugar onde vão botar.

“Mas como a fêmea Drake disse, é um pouco apertado pra dois.”

O problema era uma pedra projetada dentro da caverna.

Se ela fosse removida, o ninho dobraria de tamanho.

“É só pressionar isso pra baixo e alisar as paredes.”

Embora Ian não soubesse quais eram as preferências estéticas de Drake, o comportamento anterior dele indicava que ele preferia algo liso.

Ele tinha reclamado das paredes ásperas, então essa era provavelmente uma suposição correta.

"[Drake, preciso me concentrar. Você pode dar um passo pra trás por um instante?]"

[Claro! Pode deixar.]

Enquanto Drake se afastava, Ian conseguiu concentrar plenamente sua língua Maronius nos mistérios da terra.

Ian fechou os olhos e reuniu toda a concentração.

"[Ó Terra...]"

Estando na caverna, a terra respondeu prontamente ao chamado de Ian.

[O que te trouxe, jovem humano?]

“...”

As sobrancelhas de Ian se franziram levemente.

A voz da Terra era bem peculiar.

Ela respondia ao idioma Maronius dele, mas havia uma relutância no tom.

“Isso não é bom.”

Você consegue perceber o humor de alguém só pelo jeito que fala.

Em geral, tons mais alegres ou mais sombrios indicam se a pessoa está de bom ou de mau humor.

Com base nos “dados” acumulados até agora, o humor da Terra parecia estar despencando justamente naquele dia.

"[Eu, faço um pedido, por favor.]"

[Eu não estou interessada. É só isso que você tem a dizer?]

“Como eu pensei.”

Com uma recusa cortante, Ian abriu os olhos.

Se Ian fosse um mago da Terra mais competente, talvez conseguisse ter uma conversa mais profunda com a Terra para resolver a questão.

Mas o nível da magia dele com a Terra era só um.

Ele teria evoluído se ainda tivesse pontos sobrando, porém todos os pontos de habilidade haviam sido investidos em aumentar o nível de invocação.

Seu mestre, Eredith, tinha avisado: se os mistérios recusam atender a vontade de um humano, não se deve forçar.

Enfurecer os mistérios pode levar a uma proibição vitalícia de praticar magia—ou pior, perder a vida para uma força mística tomada pela fúria.

"[Eu peço desculpas.]"

A Terra sumiu sem sequer reconhecer o pedido de desculpas de Ian.

“Pfff.”

Ian sentiu o peso pesado de ter que entregar más notícias.

[Ah, mago! Como foi?]

Drake correu até ele e aguardou.

"[A Terra se recusa a se comunicar. Vou tentar de novo quando o humor dela melhorar.]"

Drake ficou em silêncio por um instante.

Depois, falando num tom meio desanimado, ele disse:

[Não tem jeito. Se a Terra se recusa... talvez eu não seja o destino dela afinal.]

"[Drake...]"

[Mesmo assim, eu sou grato por você ter se preocupado comigo. Mago, você é uma boa alma.]

Drake sorriu de forma calorosa, estalando a língua.

[Nunca consegui conversar com nenhum outro Drake com tanta naturalidade. Quem diria que um humano fosse a pessoa que me entendesse? De verdade, é algo extraordinário.]

Ian sentiu um arrependimento genuíno por não conseguir ajudar Drake.

Eram mesmo uma conexão verdadeira com um ser místico, uma criatura que ia além da compreensão humana.

Uma janela de status apareceu diante dos olhos dele.

[Nova Habilidade Adquirida!]

[Magia de Invocação – Invocação de Drake]

[Chame seu amigo, Drake, para ajudar. Se for um pedido de um amigo, ele responderá com prazer.]

Ian tinha conquistado sua primeira habilidade de invocação.

Invocação de Drake.

Uma habilidade bem adequada para um mago, afinal ele deveria conseguir invocar pelo menos um monstro aterrorizante.

Mesmo ganhando uma habilidade nova, Ian não ficou exatamente empolgado.

Tudo o que sentiu foi o arrependimento por não conseguir devolver nada ao novo amigo, Drake.

[Mago, qual é o seu nome?]

"[Ian. Ian Eredith Raven.]"

[Ian Eredith Raven. Eu sou Drake Longtail. Espero que a gente possa ser amigos a partir de agora.]

"Longtail."

Em vez de dizer o nome de Drake em Maronius, Ian pronunciou o nome dele no idioma do Império.

Para surpresa de Ian, Drake pareceu entender e respondeu com um rosnado baixinho.

Ian sorriu em silêncio.

[Como um presente em sinal da nossa amizade, eu vou te dar algo.]

"[Mas eu... não tenho nada para te dar em troca.]"

Enquanto Ian murmurava aquilo, Drake Longtail explodiu numa risada gostosa.

[Se eu esperasse algo em troca, que tipo de amigo eu seria!]

As palavras fizeram sentido para Ian.

Ian decidiu aceitar com gentileza o presente de Drake.

Afinal de contas, é falta de educação recusar quando alguém oferece tão generosamente.

[Vem! Escolhe o que você quiser!]

Drake levou Ian até um canto do ninho, cheio de joias empilhadas.

Por ser primo de dragões, Drake tinha muitas semelhanças com eles—inclusive o hobby de colecionar gemas.

A diferença é que os dragões invadiam vilas humanas e tomavam as joias à força, enquanto os Drakes só pegavam de vez em quando aquilo que chamava atenção.

O ninho, do jeito que se esperaria de um Drake, era repleto de joias.

No meio de tantas pedras preciosas, uma em especial chamou o olhar de Ian.

Uma opala grande.

Com formato de um ovo branco impecável, aquela opala lindamente lapidada parecia rolar pelo chão.

“Isso... espera um pouco.”

Ian se lembrou de uma aula sobre magia que Eredith tinha dado.

Os mistérios são entidades caprichosas, seus humores mudam constantemente.

Quando estão de mau humor, podem até se recusar a se comunicar, como Ian tinha acabado de experimentar.

Um mago experiente talvez conseguisse persuadir um mistério de gênio difícil a cooperar e alcançar o resultado desejado.

Mas nem todo mago consegue conviver bem com os mistérios, certo?

Magos iniciantes, que ainda não dominam a exploração dos mistérios, recorrem a círculos mágicos nessas situações.

Círculos mágicos!

Desenhar um círculo é bem simples.

Você desenha um círculo e o inscreve em Maronius.

Então o mistério percebe o círculo e cumpre o pedido desejado.

A diferença entre um círculo mágico e um feitiço é parecida com a diferença entre uma carta e uma conversa.

Um círculo mágico transmite a vontade ao mistério usando palavras escritas.

É algo mais unilateral e limitado quando se trata de passar mensagens não verbais.

E o mais importante: permite uma entrega ousada e unilateral de um presente.

Quando alguém pergunta: “Vou te pagar uma refeição. O que você quer comer?”, pode até ser meio estranho dizer honestamente o que você prefere—por vários motivos (medo de parecer ganancioso, relutância em admitir que gosta de comida nada saudável...).

Mas e se a outra pessoa te mandar um vale-presente do seu alimento favorito?

Parece que leram sua mente, e é uma satisfação imensa.

Se você está pensando: “Qual a diferença? Não é a mesma coisa—comprar uma refeição?” então...

Infelizmente, você não tem o talento natural de um mago.

De qualquer forma.

Os mistérios preferem presentes oferecidos por um círculo mágico, em vez de presentes diretos.

Se você desenha um círculo formal e coloca nele um presente que o mistério goste?

Ah, isso sim é uma mudança de jogo—como um acompanhamento perfeito pra uma tigela de arroz.

Mesmo um mistério profundamente ofendido amoleceria rapidamente diante de uma oferta dessas.

“A Terra gosta de gemas...”

As gemas são tão ligadas à Terra que muitas vezes são chamadas de ossos da Terra.

Principalmente as gemas lapidadas com as mãos humanas; a Terra valoriza muito esse tipo.

Ian pensou na grande opala.

Oferecer aquilo à Terra... poderia trazer resultados mágicos?

Com um sacrifício desse tamanho, ele tinha certeza de que conseguiria o resultado desejado.

"[Longtail, posso ficar com essa opala?]"

Apontando para a opala branca, Longtail soltou um “hn” pelo nariz.

[Claro. Ela já é sua.]

"[Obrigado, Longtail.]"

Vendo Longtail entregar a preciosa gema com generosidade, sem nenhuma reclamação, Ian sentiu uma onda de emoção silenciosa.

Ele tinha recebido um presente tão maravilhoso de um amigo—agora era a vez dele retribuir.

Ian começou a desenhar um círculo mágico no chão, usando uma pedra.

Desenhando um círculo, ele o preencheu com palavras que os mistérios costumam apreciar.

[Querida Terra, chegou o mês de maio, trazendo um clima mais quente. O céu azul e a brisa fresca me fazem perceber com carinho a passagem do tempo...]

E assim por diante.

Embora acabasse ficando meio como a introdução de um boletim escolar, esse tipo de “formalidade” era do gosto dos mistérios.

“Isso deve servir.”

Ian olhou para sua criação com carinho.

Um círculo mágico, igual àqueles de histórias em quadrinhos, com palavras mágicas girando ao redor dele, estava pronto.

Para quem não entendia nada, poderia parecer um verdadeiro círculo mágico.

Mas para outro mago, aquilo pareceria uma peça mal escrita—daquelas que dariam vontade de zoar.

Não dava pra evitar.

Na vida passada de Ian, ele tinha sido da ciência, não das artes.

Pra que se preocupar com um assunto literário como composição?

Pra Ian, essas ninharias não importavam.

Pra que serviam as habilidades de escrita?

Ele tinha uma janela de habilidades impressionante à disposição.

[Amigo, o que você está fazendo?]

Longtail mostrou curiosidade pelo círculo mágico de Ian.

Para uma criatura como Drake, o círculo provavelmente parecia apenas rabiscos sem sentido.

"[Magia.]"

[Hã? Que tipo de magia...]

Ian se concentrou de novo.

"[Ó Terra!]"

Então aconteceu algo inacreditável.

A opala no centro do círculo mágico brilhou, estalou e se desfez, desaparecendo no chão como se tivesse sido absorvida pela Terra.

A Terra tinha aceitado a oferta de Ian.

[O que te trouxe, jovem humano?]

A voz da Terra, agora bem mais suave, saudou Ian.

Com um sorriso vitorioso, Ian gritou:

"[Mova a pedra! Alise as paredes!]"

[Heh. Se é isso que você quer...]

Começaram sons de um ronco no fundo...

Conforme a Terra vibrava, Drake ergueu a cabeça, surpreso.

Mas aquilo era só o começo da surpresa dele.

[Não acredito...!]

Os olhos de Drake se arregalaram enquanto ele olhava para o próprio ninho.

Aquela pedra horrenda que ficava no meio do ninho estava se transformando, como se fosse líquida, derretendo no chão!

E não era só isso.

As paredes também tinham mudado, ficando incrivelmente lisas e impressionantes!

[Incrível! Como isso é possível!]

Agora o ninho estava espaçoso e bonito.

Parecia que pagaram uma fortuna pra contratar um designer de interiores e transformar a casa dele.

Longtail ficou sem palavras ao ver o ninho irreconhecível.

Depois de completar a magia, Ian falou sorrindo:

"[Pronto. Esse é o valor da gema que eu recebi. O que você achou do meu presente, amigo?]"

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