Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

Capítulo 16

Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

TL/Editor: Raei

Revisor: BlessedCursed

Cronograma:

Ilustrações: Nenhuma.

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Longtail, tendo adquirido um novo lar, passou por uma transformação admirável.

Não era que a aparência dele tivesse mudado, e sim o clima ao redor dele.

Não parece que o ar de alguém muda quando a pessoa ganha confiança?

Era um efeito parecido.

Observando o próprio reflexo na água parada, Longtail pensou consigo mesmo.

Quem sou eu?

Ele era Longtail, o dono de “Hannam The Hill”. [1]

Com a ajuda de Ian, agora orgulhoso dono de um ninho de respeito, Longtail só tinha uma coisa a fazer: seduzir mulheres e gerar Longtail II, III e IV — virando um macho distinto.

[Eu devo uma grande dívida a você.]

A gratidão de Longtail por Ian era imensa, além das palavras.

Mas Ian não tinha a menor intenção de cobrar essa dívida de Longtail.

“[Uma dívida? Se amigos começam a contabilizar dívidas, eles ainda são amigos?]”

[Hahahaha! Você tem razão!]

Ian e Drake riram juntos, felizes.

De repente, Ian sentiu um zumbido estranho nos ouvidos.

“...O quê?”

Um bip agudo, seguido de uma sensação pegajosa embaixo do nariz...

“O quê?”

Assustado, Ian limpou o lábio de cima.

Ele percebeu que o sangue escorria do nariz.

“Por quê...?”

Tump!

Ian desabou desacordado quando bateu a cabeça no chão do ninho de Longtail.

[Amigo! Você está bem? Acorda, amigo!]

Longtail, em pânico, chamou Ian, que estava inconsciente.

“O que eu faço?”

Como era um drake, Longtail não tinha a menor noção sobre saúde humana.

Então, enquanto Ian ficava ali, desacordado, tudo o que ele conseguia era andar de um lado para o outro, tomado pela preocupação.

Foi quando ela apareceu.

Uma mulher humana saiu dos arbustos.

Provavelmente era uma das companheiras de Ian, mas Longtail — que não era muito bom em lembrar rostos humanos — não a reconheceu.

“Espera! Drake! Escuta!”

Krurrr...?

“Eu sou amiga do Ian! Não me coma, eu sou amiga!”

Longtail não conseguiu entender as palavras dela, mas uma coisa ele ouviu com clareza — um nome familiar: “Ian”.

Assim como humanos olhavam para os mistérios, os mistérios também olhavam de volta para os humanos.

Longtail, do mesmo jeito que Ian tinha dominado a magia de invocação, lembrava o nome do próprio invocador — algo que servia como ponte entre as línguas.

Longtail observou em silêncio enquanto a mulher se aproximava de Ian.

Vendo que não havia ameaça da parte do Drake, ela se aproximou com cuidado, conferiu embaixo do nariz dele se ainda respirava e verificou se Ian estava vivo.

“Graças a Deus. Ele ainda está respirando.”

A mulher, Lucy Talian, soltou um suspiro de alívio.

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“...Que horas são?”

Os olhos de Ian tremeluziram e se abriram no escuro do ninho.

Para um drake, aquilo era uma casa esplêndida, rivalizando um apartamento de luxo; mas para os humanos, não passava de uma caverna espaçosa.

Ian estendeu a mão instintivamente para o celular.

Mas alguém segurou o braço dele com delicadeza, impedindo.

“Você acordou?”

“Hã?”

Ian ergueu a cabeça. A caverna estava escura, mas Ian — que tinha afinidade com a escuridão — conseguia ver tudo tão bem quanto de dia.

“Cassie?”

Era Cassie.

A mulher que sempre escondia cabelo e rosto sob a própria roupa, revelando apenas às vezes um semblante lindíssimo.

Ian ficou confuso.

Por que Cassie estava ali?

Cassie tinha colocado a cabeça de Ian cuidadosamente no colo dela, como um descanso macio em vez do chão duro.

“Tá... macio.”

Ian, um pouco envergonhado, tentou se sentar.

“Fica deitado só um pouquinho.”

“Não... eu me sinto mal. Faz quanto tempo que você está aqui?”

“Não precisa se preocupar. Eu tô bem.”

Conversa com Cassie sempre dava em Ian uma sensação estranha.

Ela parecia uma personagem de fantasia medieval, só que emanava uma inteligência que ultrapassava a época.

A única outra pessoa com um tipo de sabedoria parecida que Ian tinha conhecido era o mestre dele, Eredith.

“Você é uma feiticeira?”

Os olhos de Cassie se arregalaram com a pergunta repentina.

“Não?”

“Então como você veio parar aqui? Passou pelo Drake?”

“Ele deixou eu entrar depois que eu disse que era sua amiga.”

Ian ficou ainda mais curioso.

Como ela se comunicou com Drake?

Ela conhecia Maronius?

O silêncio ficou meio constrangedor.

Foi Cassie quem finalmente quebrou.

“Feiticeira, Ian. Eu tenho uma coisa pra te contar.”

“Uma confissão?”

Ian se ajeitou, sabendo que era algo importante e que ele tinha de ouvir com atenção.

“Hmm. Pode falar. Fala livre.”

Vendo a pressa no jeito dele, Cassie ficou levemente irritada, mas continuou.

“...O ataque ontem à noite. Foi culpa minha.”

Ian ficou surpreso com a admissão dela.

“Você estava trabalhando com os bandidos? Eu sabia que tinha algo errado!”

O rosto dela, ele pensou, era perfeito para enganar.

Então Cassie era uma daquelas mulheres espertas que atraem vítimas desavisadas pros bandidos!

“Não! Como você pode achar que eu sou bandida!”

“...Por causa do seu rosto?”

Ian, influenciado por ideias modernas, acreditou que, em histórias de fantasia, belas mulheres bandidas eram um item básico do gênero.

Mas ela tinha um rosto bonito e não era bandida?

Na visão dele, isso era quase uma traição das expectativas.

Ela devia ser repreendida por não cumprir o estereótipo!

Cassie, corando, esclareceu.

“Meu nome de verdade é Lucy! Lucy de Talian!”

“Seu nome de verdade? Então Cassie era um pseudônimo?”

“Sim! E é um segredo importante. Então, por favor, não conte pra ninguém!”

Ian, lembrando dos acontecimentos da noite anterior, refletiu sobre a revelação.

“Será que aqueles eram sequestradores, e não bandidos?”

“...Não eram bandidos. Sim, sequestradores.”

Eles sabiam o nome da Lucy.

E estavam ali para levar ela.

“Por que sequestradores iriam atrás de você?”

“...Você realmente não sabe de nada... Ah, é. Você é um feiticeiro.”

Lucy Talian se surpreendeu com a ignorância de Ian antes de lembrar que ele era um feiticeiro extraordinário.

Fazia sentido ele não saber o nome “Talian”.

Por quê?

Porque ele era feiticeiro.

Feiticeiros muitas vezes viviam num mundo só deles.

Com um suspiro profundo, Lucy começou a explicar.

“Estou noiva.”

“Já? Quantos anos você tem?”

“Dezoito.”

“Então é a mesma idade que eu?”

“Nobres costumam se casar cedo.”

Ian se espantou com a revelação de Lucy.

“Você faz parte da nobreza?”

“...”

Lucy ficou genuinamente chocada.

Esse feiticeiro era incrivelmente talentoso, mas sabia tão pouco do mundo.

“Na família Talian, eu fui prometida aos sete anos.”

“Pra algum... pedófilo maluco... Não.”

Ian se corrigiu rápido.

“Então foi um casamento político.”

“Não é isso também.”

Por um instante, ele perdeu o controle da postura ao imaginar uma criança de sete anos casando.

Mas mesmo num cenário medieval, parecia improvável que alguém quisesse casar apressadamente com uma criança.

O noivado de Lucy era claramente uma jogada política.

“Meu noivo é um cavaleiro, ex-mercenário. Ele tem trinta e três anos.”

“Hmm... Parabéns?”

A diferença de idade era grande, mas isso não era tão fora do normal nos tempos atuais.

Só que Lucy continuou, rangendo os dentes,

“Mas aquele bastardo...! Envenenou meus pais!”

“!”

Ian ficou sem palavras com essa reviravolta inesperada de drama familiar medieval.

Uau!

O genro de um nobre envenenando a família do próprio sogro?

Era Crusader Kings? [2]

“Mas por quê?”

Lucy explicou:

A família Talian, uma família baronial que administrava a Região de Pianleb, tinha poucos cavaleiros para defender as próprias terras.

Pressionados por forças externas e com medo de se tornarem marionetes de algum cavaleiro em ascensão, os Talian planejaram casar a filha com o líder de um grupo famoso de mercenários para ter proteção.

O líder dos mercenários, ao ver aquela noiva kawaii de sete anos, não se apaixonou à primeira vista... mas aceitou o noivado depois de perceber a riqueza do barão.

Para um mercenário, encontrar um lugar para se estabelecer com um cônjuge era um sonho para a maioria — uma chance de deixar para trás uma vida perigosa.

E esse líder não era exceção.

Inicialmente, ele se contentou em ser o genro do barão.

Só que a ganância humana não se satisfaz tão facilmente.

Naturalmente, quando alguém se senta, vai querer deitar; e quando deita, vai querer dormir.

Era isso que era ser humano.

Depois de virar genro de um barão, ele entendeu que nunca conseguiria realmente se integrar à sociedade nobre.

Essa percepção vinha naturalmente para qualquer um que se sentasse à mesma mesa com nobres nem que fosse por um dia.

Ele não era, de fato, genro da nobreza; era apenas um cachorro guardando as propriedades deles.

E, como era de se esperar, o líder dos mercenários começou a construir o próprio poder depois de chegar a essa conclusão.

Por mais de dez anos, aconteceu um confronto estranho.

Um confronto entre a família do barão, que usava os mercenários como escudo para proteger seu território, e o líder mercenário, tentando aumentar seu poder como genro do barão.

E, quem sacou as espadas primeiro foi o barão.

“Meus pais queriam anular meu casamento com aquele homem, e o motivo que deram foi as aventuras dele com outras mulheres.”

“...”

Era um motivo ridículo, na verdade.

Afinal, um homem prometido a uma menina de sete anos era mesmo para esperar como um monge até a noiva crescer?

Mesmo olhando pelo outro lado, se ele fizesse algo impróprio com a noiva adolescente (uma menor), isso já o marcaria como um homem doido.

Como adulto do sexo masculino, era natural procurar mulheres para satisfazer os próprios desejos.

Mas o barão usou isso como justificativa para anular.

Claro, isso era só a desculpa na superfície.

O motivo real provavelmente era que ele não aguentava ficar vendo o líder mercenário fortalecer as próprias forças.

Mas o fato de um homem prometido a alguém estar se envolvendo com outras mulheres continuava sendo verdade.

Assim, o líder mercenário passou a correr o risco de ser expulso das terras em que trabalhou por dez anos.

Então, o líder mercenário escolheu uma resposta estilo ninja.

Assassinato.

Isso. Se você não souber mais deles~ Então é só matar todo mundo~

Num banquete, o líder mercenário envenenou o barão e a esposa.

Oficialmente, foi tratado como intoxicação alimentar, mas até uma criança de cinco anos perceberia que o líder mercenário era o culpado.

Naturalmente, a facção do barão se rebelou.

Só que, infelizmente, o líder mercenário e seus subordinados apagaram as forças contrárias.

Afinal, como quem usa canetas impediria quem manda com espadas?

O líder mercenário não era burro; ele passou dez anos cultivando uma força que o sustentaria.

No fim, parecia que o golpe sangrento dele tinha dado certo... só que surgiu um problema.

A noiva do líder mercenário, Lucy Talian, escapou do território com a ajuda da própria ama!

O líder mercenário ficou, então, numa situação desesperadora.

Ele precisava se casar com Lucy para virar nobre; sem Lucy, ele era só um plebeu com uma espada.

Na visão dos nobres, um plebeu com uma espada não era diferente de um bandido.

Oh?

Então não existia barão no território de Talian, e só vivia um bandido lá?

Como a maioria dos leitores de romances de fantasia já sabia, bandido equivalia a pontos de experiência.

E então significava que quem fosse o primeiro a caçar ganharia mais.

Então, em nome de farmar pontos de experiência, os barões e condes vizinhos iam correndo para lá, deixando bem claro o que ia acontecer em seguida.

Agora, o líder mercenário, encarando o risco de perder o território que ele cultivou com tanto esforço nos últimos dez anos para nobres vizinhos, precisava arriscar a própria vida para encontrar Lucy.

“Então as pessoas de ontem eram...”

“Eram os homens dele.”

As palavras de Lucy Talian traziam uma mistura de raiva e amargura.

“E estão tentando me recapturar...”

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[1] (PR/N: Um complexo de apartamentos de luxo em altura, em Seul.)

[2] (PR/N: Um jogo medieval antigo.)

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