Re: Blood and Iron

Capítulo 426

Re: Blood and Iron

Foi uma nova era para Luxemburgo e seu povo. Pela primeira vez em muito tempo, o pequeno Grão-Ducado — silenciosamente situado entre Alemanha e França — havia caído. Não por espada, nem por rifle, mas pelo impulso de uma caneta.

Acabaram os dias em que a paz e a prosperidade eram protegidas pelo delicado equilíbrio dos interesses das potências vizinhas. O antigo jogo de diplomacia de influência suave e manobras políticas não era mais viável. Em seu lugar, surgiu a lógica fria e dura da era moderna — uma era governada não pela persuasão, mas pela força. Pelo sangue e ferro.

Marie-Adélaïde tinha compreendido isso muito mais profundamente do que Bruno inicialmente tinha percebido. Por muito tempo, ele acreditou que ela estivesse apaixonada por ele apenas pelo que poderia lhe proporcionar. E, embora fosse verdade que o futuro da soberania de Luxemburgo parecia depender de alguma ligação pessoal imaginada entre eles, sua busca sempre foi mais do que uma estratégia política.

Ela o amava. Não pelo status, não pelo poder, mas pelo homem por baixo das medalhas. E, no entanto, quando chegou a hora, e os bandidos ameaçaram seus portões, ela fez o que qualquer governante faria: assinou o tratado.

As bandeiras do Reich alemão erguiam-se acima de Luxemburgo, trazendo consigo a ocupação. Talvez não oficialmente — ela permanecia Grã-Duquesa, assim como o Rei da Bavária mantinha seu título — mas seu poder tinha se dissolvido. A autoridade real agora estava nas mãos daqueles que marcharam do leste.

Demorou mais do que Bruno gostaria para entender plenamente o alcance da aposta de Marie. Ela tinha apostado sua liberdade, seu povo e seu coração na esperança de que ele permanecesse ao lado dela — não como comandante, não como herói, mas como um homem. E, em vez disso, ele se mantém à margem.

Num mundo ideal, talvez ele pudesse ter aceitado seus sentimentos. Em outra vida, até mesmo tê-la como consorte. Mas este não era aquele mundo. Era um mundo definido por juramentos e deveres, onde a felicidade pessoal muitas vezes era a primeira a ser sacrificada pelo serviço.

Bruno havia enterrado há muito seus próprios desejos sob o peso da obrigação — por Heidi, pelos filhos, pelo Kaiser, pelo seu povo. Que espaço sobrava para sonhos? Então por que, então, essa escolha o assombrava mais do que qualquer campo de batalha?

Não era a rejeição em si. Ele já tinha cometido ações piores em nome do dever. Era a maneira como fez isso — sem pensar, abruptamente, com uma espécie de frieza definitiva que escondia a profundidade dos sentimentos de Marie. Ele presumiu, como tantos antes dele, que ela estava jogando um jogo. Que ela se recuperaria. Que isso não importava.

Mas importava. Porque, ao contrário dos oportunistas ou das princesas ingênuas que flertaram com ele por status ou segurança, Marie lhe ofereceu algo extremamente raro: um amor puro e sincero. Ela nunca exigiu que ele abandonasse sua esposa, nem mesmo pediu mais do que um pedaço de seu coração. E, em troca, ele a cortou com uma frieza cirúrgica, normalmente reservada para operações especiais.

Agora, sentado num taburete de uma taverna após o encerramento da cerimônia de anexação, ele não conseguia parar de pensar nisso. Não sabia por que o Kaiser o chamara a Berlim para a assinatura formal — talvez para lembrar tanto Bruno quanto Marie de seu lugar na hierarquia, ou talvez para tentar alguma reconciliação que claramente tinha fracassado. Quaisquer que fossem as expectativas do antigo monarca, elas não se concretizaram.

Então, Bruno fez o que podia fazer. Sumiu dos salões de mármore e das Salas douradas e se encontrou numa taverna tranquila em Berlim, uma que Heinrich, Erich e ele frequentaram nos primeiros anos. As paredes de madeira envelhecida. Os barris desiguais. A cerveja barata e honesta.

Sentou-se com uma caneca de um litro na frente, sem tocar, olhando para ela como se pudesse dar respostas. Cumprira sua promessa a Marie. Garantira sua segurança, mesmo que isso custasse a soberania dela. Mas a que custo para ele? Para ela?

Foi quando ouviu a voz.

"Posso me sentar aqui?"

Era suave. Familiar. Medida.

Ele ergueu o olhar — e lá estava ela. Marie-Adélaïde. Não vestida de monarca, nem como uma mulher ultrajada. Apenas… ela mesma. Ainda régia, mas sem artifícios.

Ele fez um gesto indicando o assento em frente. Ela levou um tempo para se sentar lentamente.

Por um momento, nenhum dos dois falou. Os murmúrios do bar se dissiparam numa estranha calma distante.

Então, ela quebrou o silêncio.

"Eu entreguei tudo," ela disse. "Minha coroa, meu poder, a independência do meu povo. Tudo. E fiz isso ciente do que significava."

Bruno assentiou com a cabeça levemente.

"Você salvou vidas."

"Eu destruí uma nação," ela respondeu.

"Você preservou o que pôde. É mais do que a maioria consegue."

Ela o estudou. "Você pensa menos de mim por causa disso?"

"Não," ele respondeu. "Acho que o mundo te forçou a fazer uma escolha impossível. E você fez a melhor."

Uma longa pausa.

"Eu fiquei brava," ela admitiu. "Com você. Por muito tempo. Porque achava que você me dispensou. Que tratou meus sentimentos como um obstáculo a ser removido."

"Eu fiz isso," Bruno disse com sinceridade.

Ela piscou.

"Pensei que fosse estratégia," ele continuou. "Que você queria influência. Proteção. Um lugar à mesa do Reich. Não via a mulher por trás da coroa. Não com clareza. Só aprendi tarde demais."

Marie olhou para suas luvas.

"Não quero um pedido de desculpas," ela disse. "Só quero que saiba… que cada palavra foi verdadeira."

Bruno finalmente deu uma golada na cerveja. A espuma grudou em seu lábio superior, e ele limpou com um guardanapo.

"E eu acredito em você," ele afirmou.

Mais um silêncio entre eles, agora mais tranquilo. Quase dócil.

Depois, com um sorriso que não alcançava totalmente seus olhos, Marie se levantou.

"Tenho que ir. Ainda tenho trabalho. Mesmo rainhas de marionete têm horários."

Bruno também se levantou, fazendo uma leve reverência. "Sua Graça."

"Não faça isso," ela disse. "Hoje não. Apenas deixe ser Marie."

Ele assentiu.

Ela se virou para partir, porém parou na porta. "Em outra vida?"

Bruno não hesitou.

"Em outra vida."

E assim, ela desapareceu.

Deixando para trás apenas o perfume, uma caneca quase cheia de cerveja e uma dor que nenhum campo de batalha havia conseguido deixar.

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