
Capítulo 425
Re: Blood and Iron
Bruno ficou surpreso ao perceber, não duas semanas depois, que o Kaiser havia solicitado sua presença no palácio real em Berlim. Normalmente, uma viagem de trem de Innsbruck até a capital do Reich alemão seria um pesadelo logístico—consumindo tempo, paciência e energia. Mas era o início de uma nova era.
Já tinham sido construídos números suficientes de Ju-52 não apenas para uso militar, mas também para a infraestrutura nascente da futura aviação comercial. Embora as rotas aéreas civis ainda não estivessem totalmente abertas, Bruno—como sempre—estava na dianteira. Ele simplesmente pegou uma carona em um transporte da Luftstreitkräfte com destino a Berlim.
O que antes consumiria a maior parte de um dia tornou-se uma manobra rápida e calculada. Assim, em poucas horas, Bruno estava em uniforme completo de gala militar no palácio do Kaiser, ladeado pelos afrescos ornamentados do Reich. Porém, não foi a grandiosidade do palácio que lhe chamou a atenção—mas duas faces familiares esperando por ele lá dentro.
Uma delas, ele não esperava ver novamente tão cedo.
Marie-Adélaïde, a Grã-Duquesa de Luxemburgo, permanecia com uma postura que revelava a calmaria de uma tempestade silenciosa sob seus olhos. Sua última conversa terminara com tensão, palavras mal interpretadas e orgulho ferido. Bruno esperava ressentimento, talvez um distanciamento frio—mas, quando seus olhos encontraram os dela, havia apenas um brilho de vergonha. Nada de desafio. Nada de raiva. Vergonha.
A mudança em seu semblante chamou-lhe atenção imediatamente. A expressão brincalhona, o ar de flirt e a pose indulgente de uma mulher apaixonada por um sonho desapareciam. O que restava era uma soberana despojada de ilusões, diante daquele homem que uma vez tinha seu coração—e que agora deveria manter sua soberania.
Bruno fez uma reverência—curta, precisa, mas claramente respeitosa.
"Vossa Alteza Real," disse, com voz firme, mas baixa, "peço desculpas pela asperidade de minhas palavras na última vez que nos encontramos. Pensando bem, respondi de uma forma inadequada às emoções que estavam por trás delas. Se causei algum incômodo, peço sua compreensão."
Marie não reagiu imediatamente à desculpa. Deixou-a pairar, estudou-o com um olhar ameno e esperou até que ele se levantasse. Então, com uma voz desprovida de flirt e vaidade, ela respondeu.
"Nada fiz de errado, Vossa Alteza. Sou eu quem deve pedir desculpas. Cometi um ato escandaloso—perseguindo um homem já dedicado a outra pessoa, consumida por sonhos ingênuos que deveria ter superado há muito tempo."
Bruno ficou tenso. Sua sinceridade foi mais forte do que qualquer repreensão.
"Sei o que talvez esteja pensando," ela continuou, "considerando minha presença aqui. Mas eu não solicitei sua presença. E, se vê-la novamente lhe causa desconforto, peço desculpas de coração."
Ela fez uma reverência profunda—formal, contida e completamente desprovida do afeto que outrora ela demonstrava com facilidade. Não havia saudade na voz, nem esforço para recuperar terreno perdido. Apenas dignidade e recuo.
Bruno não respondeu de imediato. Não estava acostumado a essa versão de Marie. Mas, antes que o silêncio se tornasse constrangedor, o Kaiser avançou com timing impecável.
"Peço desculpas se estou interrompendo," Wilhelm disse, com voz firme, "mas estamos com uma programação. Se há assuntos pessoais entre vocês dois, talvez possam aguardar até a assinatura do tratado?"
Bruno e Marie aceitaram o sinal com acenos de cabeça. Quando Bruno se virou para seguir com o Kaiser para a sala ao lado, olhou uma última vez por cima do ombro.
Marie levantou a cabeça e, por um segundo—talvez imaginado, talvez não—ele achou ver o mais leve rubor em suas bochechas. Uma espécie de vergonha. Arrependimento amargo. A expressão de alguém que se forçava a ceder contra todos os seus instintos. Ela tinha lutado pelo amor; agora, se rendia à realidade.
Bruno desviou o olhar.
Não havia virtude em criar esperança falsa numa mulher—para confortá-la, para suavizar o golpe de um romance que nunca existiu e nunca existiria. Quaisquer que fossem seus sentimentos, qualquer coisa que ele tivesse negado—não era o lugar para desfazer isso. Assim, avançou silenciosamente, junto com o Kaiser.
O tratado foi apresentado com precisão cerimonial. A tinta faria o que exércitos não conseguiram—unir Luxemburgo ao Reich alemão por meio de anexação plena.
Embora estivesse dentro das projeções estratégicas de Bruno, ele não esperava que Marie se rendesse tão rapidamente. Acreditava que ela tentaria manipular a Brigada Werwolf ou obter respaldo financeiro e logístico para sua causa.
Mas isso fora um erro de cálculo—não político, mas de caráter. Bruno, apesar de toda sua visão sobre a política internacional, falhara em entender a profundidade do coração de Marie.
Ela não era uma donzela utópica agarrada à vaidade. Era uma governante que compreendia exatamente qual era sua situação: insustentável. Cercada por instabilidade, com uma França em fragmentação, pequena demais para se defender e sem aliados capazes de oferecer algo além de pena.
A anexação não era sua derrota—era sua única chance de continuar. Se fosse conquistada por bandidos, sua população seria escravizada. Sob a proteção alemã, eles teriam um futuro.
Sim, ela o amara. Talvez ainda amasse. Mas Marie não entregou seu país por amor. Ela o entregou por dever, por proteção e pela pequena esperança de que alguém pudesse manter os lobos afastados.
Bruno destruiu o sonho—sem piedade, como o dever exigia. E agora, ela o assistia, o homem que uma vez sonhara como salvador, assinando o documento que encerraria para sempre o reinado de sua família.
Bruno não olhou para trás. Não podia.
Ele entendia de guerra, paz e dever. Mas nunca compreenderia a dor de uma mulher que entregava uma coroa—não porque fosse fraca, mas porque era a única forte o suficiente para fazer aquele sacrifício sem chorar.
Fora da sala do tratado, as bandeiras de Luxemburgo já estavam sendo baixadas.
E, pela primeira vez desde que a conhecera, Bruno deixou de ver Marie-Adélaïde como uma garota perseguindo o amor.
Ele a viu como uma soberana que caminhou voluntariamente para sua própria execução política—pois era a única maneira de salvar o que pudesse.
E isso doía muito mais do que qualquer romance que pudesse ter existido.