Re: Blood and Iron

Capítulo 441

Re: Blood and Iron

Cinzas, fuligem e as brasas de uma fogueira morrente eram tudo o que restava daquela cena. E os corpos espalhados por todo o cenário. Era como se aqui tivesse acontecido algo apocalíptico. A realidade? Guerra…

Nos últimos oito anos, a Nação do México esteve mergulhada na revolução, e quanto mais avançava, mais instáveis ficavam as coisas. Parecia que quase todos os dias acontecia algum tipo de assassinato, o que provocava uma resposta ainda mais brutal por parte de algum senhor da guerra.

A verdade é que aquilo não era uma guerra civil organizada entre forças governamentais e revolucionários. Os senhores da guerra iam e vinham, e os homens que lutavam por eles eram fiéis a esses senhores, não às bandeiras que agitavam a qualquer momento.

Claro, tudo era retratado como uma guerra civil mais tradicional, mas a situação estava longe de ser simples. E agora, uma nova bandeira tremulava sob as cinzas de Veracruz: militia armada usando braçais negros com uma caveira e um sombrero na cabeça, executando qualquer alguém que ainda tivesse um sopro de vida.

Não com tiros na cabeça, mas com baionetas no coração. Munição não era barata, especialmente porque a maior parte dela era importada pelo Reich Alemão através do mar. Ao fundo, estava o líder desse último bando de guerra: Coronel Rafael Olivares…

Meio revolucionário, meio cowboy, meio operário de fábrica. Olivares era um ex-oficial do Exército Mexicano que passara os últimos oito anos lutando por quem ele julgasse ter a maior chance de estabelecer ordem e estabilidade na região.

Mas, à medida que tudo ia se entregando ao caos, e quando Washington atinge seu limite, ele foi rápido em aceitar a oferta de se tornar o representante dos EUA no terreno, suas botas na terra. Ou melhor, seu fantoche.

Porque mais nada parecia funcionar, e tudo só piorava a cada dia que passava. O rosto do homem estava escondido por um bandana preto rasgado, cujo estampado de caveira em seu tecido ônix já começava a desbotar com o uso.

Sob o colete que usava sem paletó, com as mangas arregaçadas, tinha um bandoleiro de couro marrom sobre o peito, contendo clips de 7.92x57mm Mauser — munição de sua Winchester 1895.

Era uma arma que parecia de uma era que se ia, uma típica do velho oeste morrendo — enquanto os exércitos modernos já adotavam armas semi-automáticas, esses guerrilheiros preferiam recorrer ao passado — priorizavam pragmatismo ao progresso. Precisavam de algo confiável, resistente, que não falhasse fácil. Os tempos do Velho Oeste tinham ficado para trás, mas no México — entre as ruínas ardentes de Veracruz — esse espírito ainda vivia em aço e fumaça.

A arma tinha sido encomendada à Winchester nos Estados Unidos, recalibrada para a munição padrão alemã 7.92x57mm. Foi fabricada para os Filhos da Liberdade — guerrilheiros pró-Washington que lutavam não por território, mas pelo controle do caos.

Essas armas receberam modificações com acessórios mais militares e eram compatíveis com clips padrão Mauser 98, que a Alemanha tinha em abundância após seus estoques de guerra.

A munição inundava o país em caixas de papelão, com clips de cinco balas, entregues aos guerrilheiros para serem usadas nas rifles trazidas da fronteira dos EUA, e esses armamentos tinham dado excelentes resultados em Veracruz.

Quem controlava a cidade antes pouco importava, porque ninguém apoiava o grupo que se autodenominava "Los Hijos de la Libertad", conhecido em inglês como "The Sons of Liberty".

Para aqueles obrigados a sentir o peso da sua fúria, eles eram simplesmente chamados de "Los Calaveras Negros" — As Caveiras Negras. Pelo banner e pelos braçais feitos sob medida, uma referência aos treinadores alemães, misteriosos e secretivos.

Olivares colocou a rifle no ombro e puxou sua pistola do coldre na cintura, que tinha pequenos ganchos para seus carregadores rápidos. Um revólver M1917 em calibre .45 ACP, fornecido pelo Exército dos EUA, que era a arma padrão dos Calaveras Negros.

O homem fumava um cigarro enquanto verificava se todas as balas estavam devidamente carregadas antes de puxar o cão. Ao dar uma tragada, olhou para o homem ao seu lado, que, apesar de parecer um local, parecia deslocado na região.

Pele impecável, cabelos e sobrancelhas dourados, vestindo-se mais como um empresário do que um guerrilheiro. Era um oficial do Grupo Werwolf, enviado ao México para treinar e orientar esses homens, e fazia isso há meses.

Olivares olhou para o homem e, em alemão quase perfeito, perguntou se deveria interrogar o prisioneiro, que havia sido forçado a ficar de joelhos na sua frente, antes de executá-lo.

"Tenho certeza mesmo que devo matar esse cachorro selvagem tão rápido? Talvez ele tenha informações valiosas que podemos usar para aprender mais sobre o inimigo..."

Porém, o veterano alemão apenas deu uma risada desdenhosa, balançou a cabeça e, em vez de continuar em alemão, passou a falar em espanhol — para que o homem soubesse exatamente do que estavam falando.

"Interrogá-lo? E o que ele nos diria que já não sabemos? Todo jogador, grande ou pequeno, no estado do México é seu inimigo agora... Os revolucionários, e os ditadores de aluguel lutando por um governo morto, que eles assassinarem com sua própria burrice.

Você sabe onde está o inimigo; sabe quantos homens eles têm, só precisa pegar o que é seu de direito. Matar essa fera logo e seguir para o próximo alvo, porque tudo isso — toda chama, todo cadáver — é apenas uma mensagem. Nada além disso... Nada mais..."

Olivares permaneceu silencioso, puxando mais uma tragada de seu cigarro, encarando diretamente seu comandante antes de jogá-lo fora.

Ao dispensar a bituca, apertou o gatilho ao mesmo tempo, explodindo os miolos do prisioneiro para fora da parte de trás da cabeça, deixando seu corpo para ser devorado pelos abutres.

Depois, gritou ordens aos seus homens:

"Peguem o que puderem. Não vamos ficar muito tempo. A luz do dia não espera por nós, e ainda há mais homens para matar!"

O oficial do Werwolf não deu a menor atenção ao executor, que foi morto ali na sua frente sem uma única preocupação — porque isso fazia parte do negócio, e seu negócio era guerra.

E, no final das contas, não há negócio mais seguro e lucrativo do que a guerra… Porque sempre há alguém para lutar, em algum lugar, a qualquer hora. Enquanto os humanos existirem, haverá guerra… E Veracruz é apenas o mais recente rastro de destruição deixado na sua cruel esteira de violência…

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