Re: Blood and Iron

Capítulo 414

Re: Blood and Iron

Em contraste com as batalhas travadas na França, a Áustria permanecia calma e silenciosa. Quase meio ano de violência havia deixado cicatrizes em seu território, lideradas pela Brigada Werwolf. A podridão fora sistematicamente extirpada da nação e consumida pelas chamas da guerra.

Agora, a Áustria se ergueu forte. Seus recursos militares haviam sido reorganizados sob a coroa dos Habsburgos, seus soldados receberam o tratamento adequado pelos horrores que assombravam suas mentes e pelos medicamentos que devastaram seus corpos. As bandeiras do Ducado agora desfilavam orgulhosas pelas ruas de Viena, enquanto tanques e veículos blindados desfilavam como heróis conquistadores retornando de uma campanha de uma década no antigo Oriente.

Porém, a famosa Brigada Werwolf e suas temidas bandeiras desapareciam de vista.

Eles permaneciam nas fronteiras — mostrando suas presas às terras de São Estêvão. Hungria e os Balcãs sentiam o peso de um verdadeiro predador no topo da cadeia alimentar observando das colinas, esperando o momento de atacar.

O medo era um motivador poderoso, especialmente para aqueles que haviam visto seus superiores nos bairros mais ricos e desenvolvidos do Duplo Monarquia caírem sob sangue e ferro às mãos de lobos disfarçados de homens. E agora, esses mesmos lobos estavam a poucos quilômetros de distância, com suas correntes escorregando a cada dia.

Monstros assim não poderiam entrar nos Balcãs. Milícias e exércitos nacionais começavam a se reunir na fronteira da Áustria, na esperança de mandar os lobos de volta para sua toca.

E, no entanto, no meio da preparação, uma voz de razão rasgou a loucura — uma voz muito mais perigosa que os tambores de guerra. Bruno von Zehntner, numa jogada que chocou diplomatas de toda a Europa, anunciou que, se os povos dos Balcãs pudessem realizar referendos pacíficos dentro de três meses para determinar seus próprios destinos e fronteiras futuras, ele abandonaria sua e de sua família a reivindicação sobre o Grão-Principado da Transilvânia para sempre. Segundo declarou, o povo seria o primeiro a decidir quem os governaria.

Poucos entenderam que esse sempre fora o verdadeiro objetivo de Bruno. O gesto de “diplomacia altruísta” era, na verdade, uma manobra calculada — uma armadilha elegante. Ao oferecer paz e liberdade, Bruno provocou os Habsburgos a morderem a isca.

A Transilvânia tinha sido um presente da dinastia ao homem que vingara sua honra, que liderara o exército coalizionista que desmantelou a Sérvia e respondeu ao assassinato do Arquiduque Franz Ferdinand e sua esposa com fogo e aço. Agora, ver essa terra devolver-se — ser devolvida — era uma repreensão simbólica por seus fracassos. Era um gesto que dizia: “É assim que vocês consertam a bagunça.”

E, em troca de tal ato nobre, Bruno exigiria algo mais.

Se pudesse libertar o Oriente para estabilizá-lo, agora poderia avançar pelo que realmente desejava: os Alpes. Tirol maior. Vorarlberg. Liechtenstein. Tudo sob seu controle — separado do domínio Habsburgo e elevado ao Grão-Principado do Tirol, sob a monarquia federa alemã. Um monarca de direito próprio, mas subordinado aos Hohenzollern. Um rei nas montanhas, coroado não por nascimento, mas por feito.


O resultado foi rápido. A Transilvânia concordou com os referendos. Bruno governou com justiça durante seu breve mandato — reformou leis, estabilizou a economia, restabeleceu as defesas militares — mas ficou claro para o povo que ele não tinha intenção de permanecer. Ele não tinha amor por sua terra. Nenhuma lealdade ao sangue deles. Veio como soldado. Saiu como estadista.

E assim, lei, ordem e uma tênue decência humana retornaram ao cadáver do Império Austro-Húngaro. Primeiro com fogo e pólvora, depois com tinta e cédulas. Tudo — cada ato de guerra e paz — foi impulsionado pela vontade de um único homem.

Embora a história, é claro, esquecesse essa verdade.

Bruno voltou a Viena pouco tempo depois. A cidade havia se transformado completamente. A podridão da degeneração, do hedonismo e do declínio espiritual que antes permeava seus cafés e salas de concerto fora varrida. A Áustria renascia como o centro cultural do mundo alemão. A economia ainda carregava cicatrizes do colapso, mas as empresas estavam se reerguendo. As famílias já não vendiam a si mesmas — ou seus filhos — por pão.

A estabilidade havia retornado, em grande parte devido ao silêncio de Bruno e à reconstrução nos bastidores. E agora, no palácio outrora defendido contra ele, Franz Joseph — envelhecido e sábio, um monarca que sobreviveu a séculos — esperava sem guarda ou ostentação.

Ele sobrevivera ao que parecia ser a morte, graças aos antibióticos que Bruno introduzira anos antes. Mas os anos pesavam sobre ele agora, e ele sabia por que Bruno tinha vindo.

A dívida estava vencida.

O imperador idoso suspirou enquanto conduzia Bruno até seu escritório. Serviu duas bebidas com mão trêmula e olhou firme para o seu hóspede.

"Diga logo… como está o estado?"

Bruno não falou. Simplesmente enfiou a mão no casaco, puxou um envelope e deslizou-o pela mesa. O movimento foi lento. Deliberado. Como uma lâmina sendo desencapada.

Franz Joseph arregalou os olhos ao abrir. Seus olhos percorreram o documento. A cor foi drenada de seu rosto. O valor era absurdo — impossível. Nenhuma nação poderia pagar uma quantia dessas. Nem após uma guerra mundial. Nem após o colapso. Sem perder tudo.

E, no entanto, o recibo estava perfeitamente detalhado. Sem exageros. Sem corrupção. Sem extorsão. Apenas uma justa compensação pelo sangue derramado, contratos cumpridos e uma nação salva.

Ele olhou para cima, tremendo.

"I-isso… isso não pode estar certo…"

A voz de Bruno foi suave. Sedutora. Implacável.

"Eu avisei. Guerra é uma coisa muito cara. Você escolheu pagar ao concluir. Agora, a conta venceu. Pode contestar na corte, é claro, mas isso não ficaria bem para sua casa. Não após tudo que aconteceu…. "

O imperador engoliu seco.

"Não há como pagar isso. Nem que eu entregasse o tesouro dos Habsburgos."

Bruno sorriu cordialmente. Como um diabo oferecendo calor no frio.

"Pois bem. Talvez haja outro caminho para quitar sua dívida."

E ali estava — o veneno melado. A armadilha foi ativada. O diabo não rugiu nem gritou. Ele simplesmente ofereceu. E o que ofereceu era irresistível.

Se Franz Joseph fosse mais jovem — tolo, orgulhoso — talvez tivesse lutado. Mas a sabedoria mostrara que alguns demônios usam terno e sorriso. E que alguns impérios são comprados, não destruídos.

E assim, silenciosamente, os Habsburgos começaram a soltar as mãos das montanhas. E, como que por acaso, as chaves do Reino caíram nas mãos de Lúcifer. Sem resistência, sem retórica.

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