Re: Blood and Iron

Capítulo 413

Re: Blood and Iron

Uma fumaça longa e escura ergueu-se da trincheira cavada bem perto das ruínas do Palácio de Versalhes, metade deles reduzido a escombros no caos que tomou a França após o fracasso da República Francesa, com perdas humilhantes e devastadoras na Guerra Mundial.

Mais de três milhões de franceses estavam mortos na fronteira do Reich alemão, seus corpos transformados em matéria orgânica sob as máquinas de guerra que avançaram por cima deles, indo em direção a Paris, exatamente um ano atrás.

A morte deles foi causada por políticos incompetentes, corruptos e totalmente ignorantes, eleitos pelas massas pouco instruídas. Esses homens foram enviados para lutar uma guerra que não poderiam vencer e, repetidamente, foram jogados no moinho de carne por generais orgulhosos demais para admitir que não tinham meios de penetrar as defesas que seus inimigos haviam preparado uma década antes do primeiro disparo.

Foi uma chacina sem sentido de proporções épicas—uma cujo impacto duraria muito mais do que se imaginava. Os soldados franceses que tiveram a sorte de serem capturados vivos pelos alemães—e que foram tratados como hóspedes em um resort de quatro estrelas durante sua prisão—voltaram para encontrar suas famílias enterradas sob a terra.

Doenças, fome e o colapso da ordem interna permitiram que elementos menos civilizados formassem bandos errantes que destruíam o campo, enquanto ideólogos lutavam pelo controle das áreas metropolitanas.

As colônias? Uma mera sombra de um governo desesperado para manter o poder. Tentaram recrutar os soldados que voltavam—amargurados e endurecidos pela guerra—para combater os revolucionários, tanto marxistas quanto réactionários de origem.

Havia um problema: sem uma economia sustentável, e com o país sob controle de reis bandos, senhores da guerra locais e assassinos fanáticos de todas as origens, o que poderiam oferecer a esses homens? Que promessa poderia convencê-los a arriscar a vida por um governo que já os tinha traído?

Ao invés disso, muitos pegaram em armas não pela glória da França ou pela sobrevivência da República—que, sejamos honestos, já estava morta e enterrada sob o peso do aço alemão devidamente forjado—mas porque a luta era tudo que lhes restava.

Rifles de todos os países possíveis estavam em suas mãos—alemães, italianos, britânicos, franceses, espanhóis. Se havia porto, armas encontravam seu caminho até quem tentasse conquistar seu espaço.

Charles de Gaulle liderava uma dessas milícias, tendo tomado as terras do falido Palácio de Versalhes e transformado o local em uma fortaleza—um ponto de partida para avançar na cidade destruída de Paris.

Barreiras improvisadas e fortificações de ocasião já conquistaram vários trechos do antigo e renomado palácio barroco, reduzindo-os a pilhas de mármore e pedra que os milicianos usavam como cobertura para atirar.

Uma metralhadora antiga MG-01/03 estava nas mãos de um soldado francês, seu capacete Adrian pintado com o brasão da Casa de Gaulle, a antiga família nobre de onde Charles de Gaulle descendeu.

Originalmente uma casa menor e sem território, os de Gaulle perderam seu status com a queda da monarquia e de seus impérios sucessores. Agora, o brasão tinha sido ressuscitado como símbolo da Milícia Galliana—uma organização de soldados fiéis a de Gaulle, tentando restaurar a ordem na Paris anárquica e no país devastado pela guerra.

Perto do atirador havia um veterano fumando um cigarro, sua fumaça se dispersando na chuva fina que caía sobre as ruínas da cidade—uma chuva leve que parecia lembrar ao mundo que o céu chorava pela contínua obsessão da humanidade por sangue.

As roupas deles eram gastas—claramente distribuídas pela então extinta República Francesa durante a guerra. O azul havia desbotado. Lama e sangue tinham manchado o tecido tão profundamente que nenhuma lavagem conseguiria apagar isso.

Os capacetes Adrian estavam batidos e riscados, cobertos de fuligem e sujeira. A maioria tinha apenas uma marca nova: o brasão pintado, tanto no capacete quanto na braçadeira no braço direito—costurado no centro da faixa branca da antiga tricolor francesa.

Um estampido de tiros cortou o ar como um trovão. Mas era esperado. A metralhadora mugiu uma vez e o insurgente vermelho, que ousou espiar de atrás da cobertura, entrou em colapso, seu boina rasgada, o cérebro espalhado pelo chão molhado.

Ato idiota de um ideólogo pouco acostumado a combate real—outra vida ceifada pelas duras verdades da revolução violenta. Uma dívida paga na íntegra por quem luta e por quem suporta sua loucura.

Porém, nenhuma emoção passou no rosto do atirador. Ele era mais jovem que o veterano ao seu lado, seu uniforme menos marcado, o esmalte do capacete ainda intacto. Mas ele não vacilou. Não comemorou. Já não se incomodava em tirar uma vida.

O veterano jogou seu cigarro gasto para fora da trincheira e pegou sua arma, levantando-a por um instante para disparar um tiro preciso nas costas de outro marxista, que tinha tentado inutilmente recuperar o corpo do camarada.

"Boa mira. Mas fica de olho nesses idiotas—como aquele ali. Amador. Saiu da cobertura, sabendo que tinha uma metralhadora montada mirando exatamente seu lado, e virou as costas enquanto fazia isso."

"Sinceramente, como é que a França caiu tanto se esses imbecis são nossos inimigos? Depois de tudo que vimos lutando contra os alemães, é uma verdadeira boiada."

O sotaque do veterano era inconfundivelmente americano. Seu uniforme rasgado o identificava como legionário—um estrangeiro que tinha servido antes do colapso. Um dos últimos voluntários que ainda não tinha fugido, morrido ou trocado de lado.

O atirador mais novo respondeu, numa postura firme e calma, enquanto disparava outro curto rajada:

"Vocês tiveram uma mão forte na Flandres. Mas não subestimem esses fanáticos. A sede deles por crueldade compensa a falta de habilidade."

"Claro, vocês enfrentaram os melhores do Kaiser. Mas a vida aqui na França também não foi nada fácil pra quem ficou. Não esqueçam disso."

O americano assentiu, guardou a arma e saiu da trincheira com um sorriso severo.

"Vou lembrar disso. Continue disparando neles. Eu vou ver se consigo pegar umas cabeças."

E assim, a violência em Paris—e por toda a França dilacerada—persistia. Uma batalha aberta para quem tivesse um rifle, um sonho ou uma ilusão de se tornar o próximo governante.

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