Re: Blood and Iron

Capítulo 422

Re: Blood and Iron

Bruno talvez tenha se apressado ao atravessar a brecha do palácio cercado em Luxemburgo, mas não era bobo. Fez isso porque conhecia bem seu layout—não por visitas frequentes, mas por uma experiência marcante.

O antigo palácio foi reformado durante a Grande Guerra devido aos estragos causados por Leon e seus homens, seguidos pela destruição causada pelo Desatino de Hindenburg. O Exército francês, em um ato de celebração intoxicado, derrubou toda a edificação até o chão. Bruno, movido tanto por lealdade quanto por estratégia, ajudou a financiar sua reconstrução—assim como de grande parte da cidade.

Muitas áreas de Luxemburgo foram reconstruídas pensando em defesa tática: pontos de estrangulamento, zonas de morte, estruturas reforçadas. Tudo projetado para que uma pequena força pudesse resistir a um cerco.

Por isso, Bruno sabia que a entrada permitia espaço para dois homens lado a lado—nada mais. Sabia também que havia posições elevadas com 360 graus de visão, de onde os patrulheiros luxemburgueses poderiam chover fogo sobre os invasores. E, pelas marcas de sangue nas paredes e pisos, era evidente que os bandidos franceses tinham levado uma surra bem antes da chegada do Esquadrão Lobo.

Ele tinha certeza de que centenas de franceses tinham morrido durante a noite, decapitados pelos defensores obstinados da cidade.

Naturalmente, os homens de Bruno o seguiram pela brecha—não tão rápido, mas com igual urgência. Vasculharam os corredores, limpando sala por sala com um silêncio frio e eficiente.

O que deixava os homens mais inquietos não era o sangue. Era Bruno.

Ele se movia como um deles. Liso demais. Seus movimentos eram perfeitos. Seus sinais, precisos. Sabia de cada sussurro, de cada frase, de cada protocolo aprendido em campos de treinamento brutais. Limpava cantos como quem já fazia isso há mil anos.

E, no entanto, todos o conheciam como comandante, alguém de patente—um general de escritório, alguém que deveria estar enterrado em mapas e relatórios. Quando se pensava no treinamento de combate que tivera na juventude? Era um estilo antigo, feito para guerra de outro tempo. Não fazia sentido...

Mas Bruno estava ali, agora, movendo-se como alguém treinado para uma guerra ainda por nascer. A contradição roía a mente deles, mas não tinham tempo para refletir sobre isso. Avançaram como espectros pelo palácio manchado de sangue—até encontrarem os primeiros alvos vivos.

Um pequeno grupo de bandidos ajoelhados no chão, armas abandonadas, tremendo de medo. Bruno levantou o rifle, pronto para capturá-los—até que um tiro passou zunindo ao lado dele e de seus homens. Imediatamente, refugiaram-se atrás de cobertura. Mas não entraram em pânico. Não atiraram sem controle. Esses eram profissionais, forjados no fogo e treinados para uma ação letal. Começaram a procurar quem tinha atirado, examinando o prédio com olhos treinados.

Bruno ia espiar e devolver o tiro quando ouviu alguém gritar com ele em luxemburguês:

"Sua mãe é uma vadia gago com um troço grosso!"

Bruno riu—não porque o insulto fosse inteligente, mas porque a situação era absurda. Policiais atirando loucamente, aparentemente incapazes de reconhecer seus aliados, quase o acertaram por puro pânico.

Ele respondeu em luxemburguês perfeito:

"Cuidado com a língua, amigo. Sua Alteza tem tentado ser minha amante há anos. Se ela ouvir que você insultou minha mãe, vai te punir de forma terrível."

O homem, achando que era uma afronta à Grã-Duquesa, ia atirar novamente quando seu oficial o puxou pelo braço.

"Besta! Eu te avisei que os alemães tinham chegado! Você estava atirando no Lobo da Prússia, seu idiota!"

O soldado, horrorizado, largou a arma e se escondeu atrás de cobertura.

Bruno sinalizou aos seus homens para segurarem a ação e avançaram de forma menos agressiva, capturando os demais bandidos com eficiência.

Ele voltou-se ao comandante da gendarmaria e fez uma correção seca:

"Na verdade, agora é o Lobo do Tirol. Resumindo: fui promovido de novo. Minha casa fica nos Alpes, não em Berlim atualmente."

"De qualquer forma, estou impressionado com sua resistência. Foi muita gente e fogo que vocês trouxeram. E a Sua Majestade, a Rainha, e a família dela estão bem?"

O comandante permaneceu ereto e fez uma continência formal.

"Não pensei que Sua Alteza Real lideraria pessoalmente a ofensiva. A Grã-Duquesa vai... ficar mais animada do que devia ao saber disso."

"Ela está bem, senhor. Meus melhores homens a protegeram junto com a família real no bunker."

"Mais uma vez, somos gratos por vocês terem nos salvado. Gostaria de vê-la agora?"

Bruno olhou para um operador de rádio próximo—um diferente de antes—e acenou com a cabeça. Era tudo que precisava para confirmar. As operações de limpeza começaram imediatamente, e preparativos foram feitos para que um batalhão permanecesse na fronteira de Luxemburgo, defendendo a região até uma solução definitiva, às custas dele.

Ele voltou seu olhar ao comandante, relaxando a pegada no rifle, deixando a correia moderna de duas pontas firme ao corpo.

"Por favor. Mostre o caminho, Capitão."

Durante o restante da noite, a Brigada Lobo caçou todos os bandidos sobreviventes. As interrogatórias foram brutais. Os culpados foram presos. E, quando chegasse a hora, o julgamento não seria feito pelos alemães, mas pela própria mulher que eles tentaram derrubar.

Quanto à Grã-Duquesa de Luxemburgo—ela ficou surpresa ao ver que Bruno veio pessoalmente resgatá-la. E, naquele momento, seus sentimentos só se fortaleceram.

Um fato que Bruno achou simplesmente irritante.

Ele tentou dispensá-la com delicadeza, usando diplomacia e distância. Mas ela era obstinada, teimando no romance. Ainda assim, ele fez uma promessa:

"Se o perigo vier à sua porta, eu entrarei nele para te salvar."

E cumpriu essa promessa até o fim.

Agora, vinham as consequências. Mas isso era assunto para outro momento, uma hora em que o sol tivesse substituído o anoitecer e o palácio estivesse livre dos pecados de quem ousou profanar sua graça.

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