Re: Blood and Iron

Capítulo 851

Re: Blood and Iron

O avião tocou o solo no final de domingo à noite. As ruas de Berlim estavam iluminadas pelos postes de iluminação pública até onde a vista alcançava.

Na maioria das casas, as pessoas já estavam na cama, mas não Erich… Assim que a rampa se abriu, seus soldados começaram a sair de dentro da aeronave em massa.

Centenas de missões haviam sido realizadas para garantir que a brigada e todo o seu equipamento fossem trazidos de volta para o país. E a dele era a última, pois não era o tipo de homem que abandonava o campo de batalha antes que todos os soldados sob seu comando tivessem saído antes dele.

Era uma qualidade que herdara de seu avô. Se a presença de Bruno não fosse fundamental nos tratados de paz que encerraram a guerra,

ele provavelmente ainda estaria em Cuba, certificando-se de que cada ativo alemão estivesse fora do teatro de guerra antes de ousar pisar no último avião que decolasse de Havana.

Mas tudo isso agora não importava; Erich, ao invés disso, permaneceu ali, observando sua Brigada e os homens que sobreviveram à guerra.

Havia tão poucos rostos entre eles que estiveram lá em Dunquerque, quando ele revelou ao mundo do que o Reich Alemão era realmente capaz.

Porém, ele não deixou que os mortos e feridos diminuíssem sua sensação de alívio. Cada homem presente, inclusive ele, fazia uma longa inspiração do ar alemão, fresco, nítido e limpo.

Berlim era verdadeiramente uma cidade de excelência, moderna de uma forma que desafiava a própria época, mas ainda assim, de alguma maneira, tradicional, mais parecida com o século passado do que com o atual.

Até mesmo os arranha-céus, que continuavam a crescer em número e densidade, não eram torres de vidro e aço, mas monumentos neobaroques que testemunhavam a majestade imperial e a inspiração divina do Senhor Deus Todo-Poderoso.

Havana, em comparação, tinha um ar mais rústico. Para muitos, era mais uma temporada exótica do que uma ocupação militar.

Quando Erich finalmente se fartou de ver como a capital do Reich Alemão tinha mudado tanto em apenas quatro anos, virou-se para os soldados sob seu comando.

Qualquer disciplina que ainda mantinham na Guerra desaparecia no instante em que pisavam naquela pista de pouso, beijando o chão sob seus pés.

Também não podia culpá-los. Eles tinham lutado; sangraram, e agora estavam de volta em casa, vivos e vitoriosos.

Nos próximos dias, muitos deles seriam condecorados com honrarias completas por seus serviços na defesa do país e do Reich Alemão.

Por ora, todos pensavam em suas famílias, na aposentadoria, e em retomar suas vidas que haviam sido adiadas por anos.

Alguns falavam de universidade e da busca por uma educação superior. Outros de se envolverem com algum ofício, motivados pela visão da grandiosidade de Berlim após terem lutado em ruínas, selvas e vilarejos por tanto tempo.

Outros ainda, sonhavam com carreiras ou sonhos de todos os tipos possíveis. O mundo era deles para conquistar, e eles já provavam que a pior fase de suas vidas tinha ficado para trás.

Enquanto Erich observava esses jovens conversando sobre seus objetivos de vida como um bando de colegiais animadas, não pôde deixar de pensar na própria vida… e no caminho que havia escolhido.

Somente quando um dos cabos-de-guarda da bateria original de Erich se aproximou, acendendo um cigarro, que o homem finalmente voltou à realidade.

"É uma visão que nunca envelhece. Voltar pra casa de uma guerra, e ver os meninos falando com tanta alegria sobre uma vida além do serviço... Não é isso mesmo, Oberst?"

Erich olhou para o homem e percebeu as linhas marcadas no rosto dele. E a carne queimada nas mãos. Ele apenas assentiu e soltou um suspiro.

"Essa é a minha segunda vez vendo isso… Acho que concordo com você, Oberstabsfeldwebel. Isso nunca cansa..."

O sargento-major jogou o cinzeiro no chão e pisou nele, apagando-o sob os pés.

"Essa é a minha terceira... E a última, temo eu…."

Ele virou-se e executou a saudação mais genuína e formal que Erich já tinha visto. Todos os homens ao seu lado se alinharam em perfeita união.

"Oberst Erich von Zehntner… Foi uma honra de nossas vidas servir sob seu comando!"

Erich apenas balançou a cabeça e sorriu com o gesto sincero, retribuindo a saudação com a sua própria.

"Fallschirm-Panzergrenadiere! Vocês estão dispensados!"

Após esse momento, toda a formalidade e fingimento desapareceram. Erich avançou e deu um abraço fraterno para cada um de seus soldados, desejando boa sorte na vida e nos caminhos que escolhessem seguir.

No fim, Erich se viu ali, na antiga parte de Berlim. Apesar das modernizações e expansões ao longo dos anos,

a antiga região permanecia tranquila, pitoresca e aconchegante. Como se fosse um passo ao século passado.

Quando os passos de Erich pisaram na antiga rua de paralelepípedos, ele se deparou cara a cara com as mesmas portas de madeira familiares.

Não havia campainha; não havia necessidade dela. Em vez disso, havia uma grande maçaneta de ferro fundido.

Era quase um romance quando Erich sorriu, batendo na porta, olhando para a antiga mansão da família, que vinha de gerações.

No começo, não houve resposta, então Erich bateu de novo. Finalmente, ouviu a voz que mais ansiava ouvir vindo de dentro.

"Só um minuto!"

E, como nos relógios, as portas se abriram, Erika olhou rapidamente para Erich e parou no lugar.

Seus olhos encheram-se de lágrimas antes que sua mente compreendesse claramente quem era a pessoa à sua frente.

Então ela correu para o homem, o abraçou chorando, tomada por uma felicidade avassaladora.

"Você finalmente voltou! Rezei a Deus todos os dias pela sua segurança! Mesmo depois de os papéis dizerem que a guerra tinha acabado, não acreditei, só acreditei quando te tive nos meus braços, vivo e são!"

Erich apertou sua esposa com força. O aroma do fireplace da mansão e as brasas frescas de lenha bem cortada inundaram seus sentidos.

Não era forte ou sufocante, mas sim uma fragrância que ele ansiava há tempos. E foi esse cheiro que realmente confirmou que ele havia retornado do conflito, e não estava simplesmente sonhando, enquanto sangrava em algum campo distante, longe de casa.

Erich precisou reunir todas as suas forças para não desabar em lágrimas, mas soltou um suspiro perceptível, reprimindo as lágrimas e o sorriso ao mesmo tempo.

"Eu te disse que voltaria inteirinho, não foi?"

Depois, secou as lágrimas dos olhos de Erika, que certamente se preocupava mais do que deveria, de forma razoável, com seu marido.

Ela sorriu, quase desacreditada, até que Erich a fez entender a verdade: que ele tinha finalmente voltado para ela, com um beijo.

Depois de uma eternidade de ficar na porta, desfrutando do abraço mútuo, Erich enfim se obrigou a entrar em casa, fechando a porta atrás de si e de Erika, que rapidamente tirou seu casaco e colocou na sapateira perto da entrada.

Erich olhou ao redor, observando o interior da velha mansão da família. Poucas coisas tinham mudado desde sua partida.

Fotos e quadros de várias gerações de sua família, com as marcas que deixaram nesse lugar, decoravam o hall de entrada.

Depois de pegar o casaco de Erich, Erika rapidamente entrou na cozinha, pegou uma cerveja gelada para ele, e ambos se sentaram no sofá, diante da grande lareira.

"Você precisa saber que já coloquei as crianças na cama. Não esperava que voltasse tão cedo. Se soubesse que viria hoje, teria certeza de que todas estariam esperando por você."

Erich riu ao ouvir isso. Ele não se ofendeu nem um pouco. Na verdade, achava que as crianças já deviam estar dormindo, e não queria acordá-las por causa dele.

Por mais que desejasse vê-las, cuidar delas após tanto tempo separado, ele sabia que não era adequado perturbar o sono delas agora, por seu próprio bem.

Se as acordasse, ficariam excitadas com o retorno do pai e fariam muitas perguntas, dificultando o descanso necessário. Assim, essas perguntas seriam respondidas na manhã seguinte, no café da manhã.

Por ora, naquela noite, permitiu-se uma reunião íntima e confortável com sua esposa. Uma conversa onde não só falariam da guerra e de como haviam vivido separados, mas também sobre o futuro e a família.

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