Re: Blood and Iron

Capítulo 756

Re: Blood and Iron

Bruno estava sentado em seu escritório, olhando para a foto enquadrada e pendurada na sua mesa.

Suas mãos, envelhecidas pelo passar do tempo, seguravam a borda enquanto aproximava a moldura. A fotografia prateada refletia seu rosto no vidro, um velho encarando o espectro de uma juventude há muito perdida.

Ele tinha envelhecido... velho o suficiente para começar a se parecer com a idade que tinha na hora da sua morte na vida passada. Talvez até um pouco mais velho, mesmo tendo envelhecido melhor desta vez.

Seu rosto, antes limpo, de um jovem soldado marchando para a guerra, não existia mais. Agora, uma barba grisalha, bem aparada, contornava seu queixo, combinando com o cabelo prateado que ainda coroava sua cabeça.

As rugas na testa eram menos do que se poderia esperar para um homem de sessenta anos, mas estavam profundamente marcadas, resultado de décadas carregando fardos.

Seu visual hoje contrastava fortemente com a imagem na fotografia. Ele era jovem, tão jovem que ainda usava o antigo uniforme azul-prússia, em vez da farda feldgrau que o Reich e seus soldados adotariam mais tarde.

A túnica brilhava sob a luz do abajur, passada e impecável, os botões de latão reluzentes como um espelho.

Ao lado dele, Heidi permanecia radiante e tímida, a mão repousando suavemente contra seu peito. Ela ainda não tinha a confiança que viria a adquirir depois, e se agarrava a ele como se a câmera pudesse levá-la embora a qualquer momento.

Era uma imagem tirada no dia do casamento deles — uma túnica de cadete nova, limpa, bem passada, sem as medalhas e honrarias que agora adornavam o peito de Bruno.

Ele sorriu de leve ao olhar para ela, refletindo tudo o que vivera desde aquele dia distante — os anos, as guerras, a segunda chance que o destino lhe dera.

Mas, acima de tudo, pensava na família que construiu. Uma pela qual lutava desesperadamente para proteger.

Com cuidado, deixou a fotografia na mesa. O relógio de vidro na parede marcava suavemente, cada segundo cortando o silêncio.

A luz outonal atravessava as janelas altas, formando finas barras douradas no chão.

Recostou-se na cadeira e expirou lentamente, como se, por puro instinto, soubesse que o ponteiro do relógio estava prestes a marcar a próxima hora.

Por um longo tempo, ficou ali, ouvindo o sussurro da casa ao redor, o ranger silencioso das madeiras ao se assentarem, os passos distantes dos empregados, o vento suavemente batendo na janela.

Seu escritório tinha um cheiro sutil de óleo, papel e do tabaco que justamente não se permitia mais fumar.

Era um silêncio que parecia tranquilo, mas não era. O movimento do relógio, que ficava atrás dele, parecia contar regressivamente, cada segundo lembrando que o tempo disponível era cada vez menor, não uma promessa de mais horas, mas uma lembrança de que o tempo estava acabando.

E então, uma batida na porta interrompeu o momento: não uma, nem duas, mas três vezes. E uma voz familiar, calorosa e brincalhona, ecoou.

"Preparei seu almoço para a tarde. Quer companhia, ou está ocupado com a guerra demais para se divertir com uma velha dama como eu?"

Bruno levantou-se e abriu a porta para encontrar sua esposa na moldura. Ela envelhecera com a mesma elegância que ele, talvez até mais.

Ela carregava uma bandeja de comida numa mão; na outra, um caneco de um litro da cerveja favorita de Bruno. Heidi não precisava de convite. A expressão no rosto de Bruno bastava para convidar.

Ela passou por ele com a facilidade de quem compartilhou décadas, colocando a bandeja na sua antiga e familiar mesa antes de sentar-se do lado oposto.

Quando Bruno se acomodou, deu uma mordida na entrada, saboreando o momento de silêncio antes de falar.

"O Kaiser decidiu que posso trabalhar de casa," ele disse, com uma mistura de alívio e cansaço na voz.

"Pelo menos até uma emergência exigir que eu vá a Berlim. Mas isso seria raro. Nossa rede de comunicações é tão forte que minha presença direta só seria necessária se algo tivesse dado terrivelmente errado."

Heidi não respondeu. Não queria falar da guerra. Muitos dos netos deles já estavam na linha de frente, e tantos dos netos dos irmãos também.

Porém, Bruno não conseguiu se conter.

"Espero que todo o dinheiro que gastei para ajudar a fundar a Ordem de Santa Notburga tenha sido bem empregado..."

Os lábios de Heidi se curvaram numa expressão brincalhona ao se inclinar para frente, mostrando a fita e a medalha que ela usava sob o busto.

"Por que você pergunta? Está com medo de que sua fonte inesgotável de fundos tenha sido desperdiçada? Ou teme que viramos uma mera balbúrdia social, onde tudo que fazemos é beber vinho e fofocar enquanto vocês, homens, enfrentam suas próprias obras de caridade?"

Antes que pudesse responder, ela pegou com destreza o caneco de cerveja que ele acabara de deixar na mesa e sorriu, quase provocando.

"Não precisa se preocupar, meu amor," ela continuou. "As Damas estão reunidas. Desde o começo desta guerra, temos trabalhado duro para garantir que o povo do Tirol e toda a Alemanha estejam bem cuidados, apesar da loucura que o mundo insiste em abraçar."

Bruno suspirou aliviado, até que as próximas palavras de Heidi cortaram a paz como uma faca envolta em seda.

"Aposto que minhas meninas estão fazendo um trabalho muito melhor do que aqueles jovens Cavaleiros de São Miguel. Você não criou aquela ordem sua para um propósito semelhante? Como anda isso?"

Bruno pegou a cerveja de volta dela, bebeu profundamente e limpou a espuma do lábios.

"Tem ido maravilhosamente bem," ele respondeu. "As operações diárias ficam por conta do nosso filho Josef. Eu estou mais focado na própria guerra. Se quer competição, que não faça uma aposta amigável com o garoto?"

Heidi só conseguiu fazer biquinho, de um jeito que até uma mulher de cinquenta e oito anos parecia adorável.

Qualquer resposta espirituosa que pudesse ter ficado na ponta da língua morreu ali mesmo, fazendo Bruno levantar uma sobrancelha.

"O quê? Nenhuma frase de efeito hoje?"

Heidi suspirou e balançou a cabeça, admitindo, talvez pela primeira vez, a derrota na sua pequena guerra de palavras.

"Acho que realmente estou envelhecendo..."

Bruno começou a rir, e o olhar dela só alimentou a risada. Quando conseguiu se acalmar, ele zombou de si mesmo com sua própria piada.

"Bem-vinda ao clube... Agora somos da geração que manda os filhos e netos para lutar guerras que começamos entre nós mesmos. Às vezes, penso se não teria sido melhor deixar a próxima geração assumir o comando alguns anos antes."

Heidi percebia que ele falava mais por brincadeira do que a sério. Ela não imaginava um mundo onde Bruno não estivesse à frente das Forças Armadas do Reich, mesmo que isso significasse servir a outro Kaiser.

Porém, havia sinceridade na voz dele. Uma espécie de reconhecimento silencioso de que, talvez, o orgulho de sua geração fosse o que mantivera as chamas acesas.

"Você fez tudo que pôde para impedir a guerra, Bruno," ela disse suavemente. "Os franceses eram teimosos demais para aceitar que seu papel como Grande Potência tinha chegado ao fim, e fizeram disso o problema do mundo. Você soube desde o momento que a última guerra terminou que outra era inevitável. E, por causa dessa visão, estávamos prontos quando ela veio."

Bruno assentiu em silêncio, tomando mais um gole longo. Virou o olhar para a janela.

Além do vidro, se estendia a cidade que ajudou a expandir e reconstruir nos Alpes, uma maravilha tecnológica da nova era, perfeitamente combinada com a beleza do antigo.

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