Re: Blood and Iron

Capítulo 763

Re: Blood and Iron

As chamas de Manila ainda queimavam quando Erich von Zehntner saiu do convés da cabine do comandante.

Fumaça crescia ao redor do cruzamento destruído, flutuando em slow gray ribbons pelo bairro abalado pelos bombardeios.

Em algum lugar a oeste, um depósito de munições ainda explodia, cada detonação rolando pela cidade como um trovão distante.

Já não era mais caos, era algo mais frio, mais deliberado. Um campo de batalha que tinha mudado de sobrevivência para cálculo.

Erich enxugou a sujeira dos olhos e escutou. O estalo de tiros distantes tinha se dispersado em rachaduras esporádicas.

A brigada estava se estabilizando. A doutrina airborne, treinada, refinada, aperfeiçoada, estava se consolidando novamente.

"Senhor!"

Um oficial tailandês correu em direção a ele, capacete torto, uniforme queimado, rifle ainda pendurado no peito.

Ele parou e fez uma saudação rápida. Seus homens se espalharam atrás dele, exaustos mas de pé.

"Major Kiet, do 3º Regimento Tailandês Aerotransportado", falou entre fôlego. "Pousamos perto do bairro Escolta. Entramos em contato imediatamente. Sem apoio de blindados, só rifles e lançadores leves."

Erich observou a postura do homem. Cansado até os ossos, o adrenalina ainda vibrando. Um bom oficial.

"Baixas?" Erich perguntou.

Kiet engoliu em seco. "Pesadas... mas conseguimos segurar. Conectamos com a 2ª Batalhão nas vielas perto da ponte Quezon. Disseram que você estava coordenando a contraofensiva."

"Estamos", respondeu Erich. "E agora você faz parte dela."

Um lampejo de humor sombrio passou entre eles. Então Erich fez um gesto na direção do grupo de veículos blindados parados por perto, com tinta queimada, placas amassadas, ópticas ainda brilhando.

"Você esperava reforços, Major?"

O tailandês deu um sorriso tenso, sem humor.

"Sim."

Erich deu uma palmada nas costas dele.

"Vocês são os reforços."

Pela primeira vez naquela noite, Kiet realmente expirou.

Logo atrás deles, paraquedistas alemães recarregaram carregadores, verificaram comunicações, arrastaram caixas de munição capturadas para o lado da avenida.

Um médico ajoelhou-se ao lado de um soldado ferido, cujo uniforme estava rasgado pelos estilhaços; o homem fez uma careta, dispensando ajuda, insistindo que outros precisavam mais.

Agora não era mais o terror frenético do queda. Era a respiração controlada antes do ataque final.

Erich acionou o rádio.

"Todos os callsigns, consolidem por pelotões. Começamos a contraofensiva em dez minutos."

Os homens se moveram conforme, não com medo, mas com aquela certeza fria e treinada que só unidades de elite, que sangraram juntas em continentes diferentes, conseguiam transmitir.

Paraquedistas alemães limpavam lentes, retiravam lama das armações das armas, apertavam cintos.

Paraquedistas tailandeses verificavam pernos de granadas e torniquetes, murmurando palavras breves na sua língua, meio oração, meio lembrete de não morrerem de forma estúpida.

Uma garota filipina, não maior que treze anos, espiou por uma porta quebrada ao passarem. Kiet parou, levantou a mão, e ela desapareceu na escuridão com a rapidez de um gato selvagem.

Ninguém falou sobre isso. Nessa guerra, civis eram sombras, às vezes assustados, às vezes prestativos, às vezes com uma faca na mão.

Erich anotou cada viela, cada varanda, cada loja de tecidos desabada que poderia esconder um PIAT ou uma bazuca americana roubada.

A cidade exalava cheiro de poeira, fruta podre, cordite e água salgada trazida pelo vento da noite.

Não era mais um campo de batalha, era um labirinto feito para matar invasores.

Mas agora era o seu labirinto.

Ele deu o último sinal de cabeça.

Começou a contraofensiva.

Moviam-se como fantasmas pelas vielas, paraquedistas alemães com panzerfausts às costas, tailandeses em formação dispersa carregando granadas americanas capturadas e lâminas feitas localmente.

Acima dos telhados, o céu pulsava com fogo tracador, linhas vermelhas e verdes traçando breves assinaturas na fumaça.

Os Liberties avançavam novamente.

Sempre se podia ouvi-los antes de vê-los, um troar metálico e gemendo, como uma fundição caminhando com pernas de aço.

Os motores vibravam, quebrando vidro nas janelas. As esteiras esmagavam o pavimento em pó.

Enormes. Primitivos. Cegos.

Erich se abaixou atrás de uma loja destruída enquanto um deles avançava pelo próximo boulevard. Seu holofote varreu a rua, captando poeira, mas sem atingir o pelotão escondido na construção esquelética.

"Acompanhamento de infantaria?"

Seu ajudante levantou um visor.

"Duas esquadras, talvez três. Filipinos misturados com americanos. Equipamento leve. Nervosos."

"Sabem que estamos por perto", murmurou Erich.

Ele bateu duas vezes no rádio.

"Equipes de caçadores, preparem. Blindados leves, segurem a posição. Panzerfausts, ocupem posições altas, janelas, varandas, cômodos superiores."

As respostas vieram instantâneas, curtas e focadas.

Enquanto isso, dois tanques leves alemães E-10, descaracterizados, prontos para serem lançados pelo ar, rápidos como lobos, rolavam silenciosos pelo beco ao lado, com os motores na marcha lenta.

"Não atirem a não ser que ordenem", disse Erich ao comandante do tanque pelo microfone. "Queremos o gigante na encruzilhada, não sangrá-lo a distância."

"Sim, senhor."

O tanque Liberty cruzou a esquina, a torre girando lentamente como um grande olho de aço procurando presa.

Seu metralhador coaxial deu um disparo, destruindo um carro estacionado em pedaços só para forçar uma reação, mas nada aconteceu.

Os escoltas avançaram cautelosamente, rifles erguidos. Então os tailandeses atacaram primeiro.

Um pelotão saiu das sombras, disparando rajadas disciplinadas contra a infantaria de acompanhamento antes de se esconderem atrás de barricadas e muros quebrados.

Três americanos caíram instantaneamente; dois filipinos se espalharam atrás de uma carroça.

A torre do Liberty virou rapidamente na direção do movimento. E aí foi seu erro.

"Agora!" gritou Erich.

Os dois tanques E-10 dispararam em movimento, saindo do beco a toda velocidade. Seus projéteis APDS assoviaram, duas rajadas, duas faíscas, atingindo as laterais angulares do Liberty. Não para penetrar; ainda não.

Mas para virar.

O tanque engasgou, a arma recuando ao ser apontada para os paraquedistas tailandeses.

"Panzerfausts, atirem!"

Do alto, três foguetes cruzaram o céu como estrelas cadentes, dois vindo da esquerda, um da direita. Eles atingiram juntas as juntas frágeis, os anéis da torre.

O impacto sacudiu toda a avenida.

O Liberty explodiu no local. Se os projéteis de 75mm APDS não conseguiram atravessar a blindagem lateral, as cargas direcionadas destruíram completamente a besta metálica.

Sem dúvida, pelo tamanho da explosão, a munição interna foi atingida.

Uma coluna de fogo e ferro ergueu-se na vertical, levantando a torre quase meio metro do anel. Ela caiu de volta, com fumaça saindo de cada fresta.

Os escoltas pararam, atônitos.

Os Fuzileiros Alemães abriram fogo com rajadas disciplinadas. Os paraquedistas tailandeses varreram as bordas. Em poucos momentos, a esquina virou um campo de morte.

Erich passou pelo Liberty em chamas, o calor tocando seu rosto, o metal deformando-se sob a fome do fogo.

"Esse é um," comentou. "Tem mais."

Até o anoitecer, o bairro ao redor do Palácio Malacañang caiu sob controle alemão.

A brigada aerotransportada, dispersa poucas horas antes, agora formava bolsões de ataque direcionados, empurrando os defensores americanos e filipinos para pátios em ruínas e mercados abandonados, onde a superioridade do fogo favorecia os paraquedistas.

As botas de Erich esmagaram cartuchos de balas enquanto ele subia no chassi carbonizado do Liberty que destruíram mais cedo. Do alto da carcaça, observou o campo de batalha.

Os tailandeses varriam as margens do rio. Esquadrões alemães rompendo apartamentos, um andar de cada vez. Ao longe, uma camionete americana pegava fogo como um funeral.

Mertens subia as escadas colapsadas de uma igreja próxima.

"Senhor, mensagem do capitão Kiet. Eles cortaram as rotas de fuga do bairro sul. Os americanos estão recuando em direção à baía. A coesão deles está se dissolvendo."

"E nossas baixas?"

"Dez mortos desde o último informe. Vinte e duas feridos. A companhia de tanques leves perdeu duas viaturas, mas destruiu três Liberties em troca, confirmado."

"E na nossa área?"

"Todos os tanques Liberty destruídos ou incapacitados."

Erich fechou os olhos por um instante breve, não por cansaço, mas por cálculo.

O som do Liberty pegando fogo e morrendo na rua ecoava no silêncio da noite.

"Achavam que blindagem os salvaria," disse em voz baixa. "Mas blindagem não vale nada quando o chão rejeita você."

Uma pausa.

"Lutaram bem," ofereceu Mertens.

"Nós lutamos melhor." respondeu Erich ao descer do tanque, os sapatos batendo no asfalto rachado.

Então, o rádio na cintura silvou.

"Thunder Actual, aqui Recon One. Detectamos blindados inimigos no lado sul da cidade... mas eles não são Liberties. Repetindo, não são Liberties."

Erich pegou o receptor.

"O que são?"

Sons de estática.

Depois:

"Padrão desconhecido. Menor. Mais rápido. Parece um novo modelo de tanque leve americano. Números incertos. Vinte? Talvez mais. Movendo-se rápido."

Erich sentiu algo frio se instalar no peito.

Por um momento, ficou ali, com a palma da mão na chapa queimada, sentindo o calor morto irradiando através da sua luva.

O Liberty tinha sido feito para assustar homens como ele, para lembrar ao mundo da indústria americana, da confiança americana, da inevitabilidade americana. Em vez disso, jazia destruído como um brinquedo com os intestinos derramados na avenida.

Ele saiu do tanque, os sapatos deixando pegadas na fuligem. Tailandeses carregando foguetes capturados passaram correndo. Alemães arrastando corpos para filas de identificação.

Cada homem se movia, se reorganizava, se ajustava para a próxima luta. Erich os observava, sua determinação, seu cansaço, sua disciplina. Eles resistiriam. Sempre resistiram.

Mas algo mais o puxava.

Blindados americanos novos. Padrão desconhecido. Rápido.

Isso significava que alguém em Washington estava se adaptando.

Quer dizer que a segunda rodada seria pior.

E se Washington estivesse mudando de estratégia, então ele precisaria ficar mais cruel, mais inteligente, mais rápido do que nunca.

Senão, Manila engoliria todos eles vivos.

Erich sorriu, as chamas atrás dele lançando sombras longas e agudas em seu rosto.

"Que venham."

Ele recolocou o capacete, carregou uma munição nova e começou a caminhar em direção ao bairro do sul.

Logo atrás, o Liberty queimava como um titã caído.

À sua frente, novos gigantes aguardavam.

Ele os recebia de braços abertos.

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