
Capítulo 758
Re: Blood and Iron
Capitão Konrad von Zehntner estava sentado no alto do PCM, enquanto ele avançava por terra tropical, levantando poeira e sujeira no ar úmido.
Um cigarro descansava entre seus dedos, estabilizando os estremores que o atormentavam desde as primeiras aterrissagens semanas antes.
Seu capacete jazia em seu colo ao lado de sua espingarda, a gola do uniforme BDU desabotoada e as mangas arregaçadas até o cotovelo.
Apesar do equipamento de selagem contra umidade, projetado para o calor e a umidade da selva, homens como Konrad encontravam pouco conforto mesmo sob seus coletes mais leves e uniformes ripstop.
Ele não era o único a se posicionar no teto. Nesse calor, os interiores dos veículos viravam saunas. Muitos preferiam o risco da exposição aberta ao cheiro sufocante de suor e aço.
Perto dele, o operador de rádio se inclinava sobre o aparelho, ajustando os dials enquanto o chiado da transmissão atravessava o receptor.
"Tempo estimado para contato... cinco minutos," ele disse, elevando a voz acima do motor. "Melhor avisar ao pessoal pra colocar os capacetes. Parece que os americanos estão nos dando trabalho lá fora."
Konrad deu um chute no cinzeiro do lado do PCM. O cinza fez um estalo ao ser sufocado pela umidade. Depois, ele olhou para seu pelotão descansando nos telhados dos veículos, suspirando enquanto colocava o capacete e carregava o ferrolho de sua espingarda.
"Tempo estimado: cinco minutos!" ele berrou. "Se prepara ou vai acabar morto! Não vou contar pra suas mães que vocês morreram por não seguir ordens!"
Os homens se mobilizaram rapidamente, ajustando capacetes firmes, checando correias, colocando carregadores. Metal chiou e os ferrolhos deslizaram.
O comboio avançava em direção à borda da aldeia, e logo o som da batalha se tornou inconfundível: tiros de armas leves, explosões e o som de lança-chamas vindo de algum lugar à frente.
Estalos alvejando a floresta, granadas estourando dentro de ocas, a selva brilhando com flashes de luz.
A atenção de Konrad foi atraída por um de seus homens carregando um foguete peculiar em seu Panzerfaust[1].
Não era a forma pontiaguda e cônica de uma carga antitanque. Este era liso, cilíndrico, errado de um jeito que fez o estômago de Konrad ficar apertado.
"Ei, soldado!" ele chamou. "O que diabos é isso?"
O jovem soldado piscou para ele, alheio ao tom de alarme na voz do mais velho.
"O quê? Você nunca viu um Panzerfaust antes?"
Konrad conteve o impulso de bater nele. "Um Panzerfaust usa uma carga com forma específica, seu tolo. Parece que você grudou um pote de vidro na ponta!"
O soldado riu, de repente percebendo a confusão. "Ah, isso aqui não é pra tanques, senhor. É uma nova cabeça de guerra. Vou te mostrar em um segundo."
Antes que Konrad pudesse insistir, a autocanha de 30mm montada no primeiro PCM rugiu, abafando todos os outros sons.
Projetis de rajadas explodiram a linha de árvores à frente. O comboio parou abruptamente.
"Avancem!" Konrad ordenou. Os homens saltaram dos veículos, prontos com as espingardas, mergulhando para se proteger enquanto se aproximavam do combate.
O jovem soldado disparou seu armamento, e Konrad finalmente enxergou o que a estranha rodada poderia fazer.
A granada voou como um cometa pela selva. O trincheira que atingiu não explodiu, ela implodiu.
A terra aspirou e vomitou fogo, colapsando por dentro sob pressão, queimando tudo que havia lá dentro.
A explosão deixou apenas um cratera fumegante onde estavam homens e árvores derrubadas.
O soldado já recarregava. Em segundos, outra explosão branca e ardente rasgou o horizonte, mais uma trincheira sumiu na fumaça.
Konrad já tinha visto a devastação de armas termobáricas antes, descartadas por aviões ou lançadas de lançadores pesados, mas nunca assim.
Nunca nas mãos de um único soldado.
A compreensão era ao mesmo tempo aterradora e fascinante.
Ele apenas sorriu, balançando a cabeça enquanto corria com seu pelotão, buscando abrigo atrás de um tronco tombado.
Ele mirou na sua espingarda, respirou fundo e apertou o gatilho. Rajadas de fogo preciso responderam ao caos à frente, de forma metódica e implacável.
Com a chegada da companhia de Konrad, e do resto do batalhão avançando atrás deles, a batalha virou rapidamente a favor deles.
Lança-chamas rugiam, granadas explodiam, e tiros passavam pela selva parecido com trovão.
Em poucos minutos, a linha americana quebrou.
Aqueles que não foram consumidos pelas chamas e tiros fugiram para dentro da floresta, onde a artilharia começou a cair em amplos arcos de destruição.
Konrad se agachou atrás da cobertura, recarregando, o rosto marcado de suor e com faixas pálidas de poeira.}
Ao seu redor, o ar vibrava com calor e explosivo de pólvora.
O cheiro de sangue, napalm e carne queimada era tão forte que parecia dá pra sentir o gosto.
Ele olhou para o soldado que tinha disparado aquela arma terrível. O garoto estava sorrindo, carregando outro cabeçote na arma como quem joga uma partida no parque de diversões.
Konrad murmurou baixinho, com a voz rouca, mas firme:
"Bem-vindo ao futuro da guerra."
Porém, ninguém o ouviu. Logo depois, passou o barulho do aço rolando dos PCMs blindados, veículos de combate de infantaria e tanques, passando por ele.
Suportados por caças de ataque no alto, que cortavam o que restava da resistência americana como um ceifeiro cortando trigo.
A selva tremia com a força da marcha. Tanques avançavam na lama, com seus canhões girando em direção à linha de árvores enquanto a infantaria se espalhava entre eles.
Caças sobrevoavam, checando por assinaturas de calor e transmitindo coordenadas para a linha de avanço.
"Avançar até a aldeia," ordenou Konrad, encaixando carregadores novos em suas bolsas. "Sem pausas, sem prisioneiros. Limpa e varre até chegarmos ao rio."
"Sim, senhor."
O rádio praguejava, transmitindo que o próximo objetivo já estava à espera.
Algum lugar além da fumaça, outro foco de resistência começava a se formar.
Konrad quase podia ouvi-lo antes mesmo de ouvirem: o som distante de morteiros, o tilintar desesperado de uma defesa tentando resistir ao inevitável.
Ele deu o último trago no cigarro e o jogou na lama. "Preparar, vamos continuar. Ainda não acabou."
A coluna avançou, o som dos motores misturando-se ao trovão até que a própria selva parecesse se mover com eles.
A guerra continuaria até que todas as forças inimigas na região fossem expulsas ou completamente destruídas. Ou empurradas para outra área de conflito.
E, quando as balas parassem de voar, até os insetos ficariam em silêncio.