Re: Blood and Iron

Capítulo 753

Re: Blood and Iron

A noite cintilava com fogo. Traçantes atravessavam o dossel como veias de luz derretida, cada explosão destruía a selva em flashes caóticos.

Metralhadoras rugiam em fúria sobreposta, morteiros retumbavam ao longe, criando uma cacofonia de destruição.

O Oberstleutnant Erich von Zehntner se agachou atrás do tronco de uma árvore caída. Lama atravessava seu rosto, sua mandíbula firmemente travada.

Cada grito era engolido pelo coro do fogo automático. A própria selva parecia queimar, rajadas vermelhas e laranja iluminando entre as árvores, transformando a noite em uma tempestade de chama tremeluzente.

Então, tão repentinamente quanto começou, o tiroteio cessou. Fumaça pairava no ar, brilhando com um vermelho-pálido de brasas moribundas.

Os únicos sons eram o resismo de respirações pesadas e o suave sussurrar de cinzas caindo entre as folhas. Não era silêncio de paz, era o silêncio que esconde facas.

Erich exalou, limpou a sujeira da testa e alcançou seu lança-foguetes. Carregou a câmara, puxou o gatilho e atirou.

A explosão escarlate iluminou o dossel, revelando silhuetas que se moviam entre as árvores.

"Ali!" — ele ordenou. "Os caras estão bem ali! Iluminem eles!"

A metralhadora ao lado voltou a ganhar vida, seu ronco estrepitoso sacudindo o chão. Bilhetes atravessaram a mata, rasgando galhos, rasgando carne invisivelmente.

Erich se juntou à tirada, disparando rajadas curtas e controladas na selva tremeluzente, cada tiro deliberado, metódico, o ritmo da experiência.

Só quando o último eco desapareceu ele levantou a mão.

"Parar fogo!"

A selva prendeu a respiração mais uma vez. Erich ficou olhando para a escuridão. "Alguém verifique se algum deles ainda está respirando."

Uma voz de soldado veio pelo rádio, quase animada na sua exaustão: "Entendido, Oberstleutnant."

Um suspiro depois, o lança-chamas rugiu. Sua língua de fogo devorou a folhagem, banhando a escuridão em luz laranja.

Os gritos que se seguiram foram curtos, agudos, humanos.

Os homens continuaram queimando, cada raiz, cada tronco, cada sombra que pudesse esconder outra emboscada. A selva queimava como um altar.

E quando as chamas finalmente começaram a apagar, as mãos de Erich tremeram. Ele puxou um cigarro do casaco, acendeu e observou a brasa ganhar vida.

A fumaça encheu seus pulmões como remédio, acalmando o tremor até que seus dedos voltassem a parecer de pedra. Ele olhou para o inferno em silêncio e sussurrou para ninguém.

"Vocês mereceram porra nenhuma, seus safados..."

As labaredas crepitaram, espalhando-se pelo mato até que o horizonte inteiro relampejasse em vermelho. Cinzas flutuavam em espirais lentas ao seu redor, pousando em seus ombros como neve.

A noite, apesar de seu trovão e fúria, parecia soltar um suspiro. Erich deu mais uma tragada, com os olhos semicerrados, o reflexo das chamas refletido neles como brasas gêmeas.

Por um longo tempo, ninguém falou. A selva tossia e chorava sob o calor, e acima dela, uma só luz de sinal ainda ardia, pintando o céu de sangue.

O amanhecer avançava pelo fumaçado. A selva não queimava mais, mas ainda fumegava, um panorama de cinzas e silhuetas retorcidas.

A primeira luz surgia através da neblina, em raios estreitos, cintilando em cartuchos e folhas molhadas. Erich permanecia à beira da clareira, com o uniforme encharcado de orvalho e fuligem.

Ao seu redor, os homens se movimentavam lentamente, exaustos, virando corpos, marcando os mortos, puxando os feridos da lama.

A fúria da noite deu lugar ao ritmo mecânico da sobrevivência. Um médico passou, carregando um jovem soldado cuja perna havia sido amputada abaixo do joelho.

Nenhum deles falou. Os carregadores de feridos já estavam sem macas há tempos; usaram portas, lonas, o que fosse de madeira que não tivesse pegado fogo.

Erich acendeu outro cigarro e olhou para o horizonte. A luz cinza revelava o verdadeiro custo do combate.

A terra estava marcada onde os lança-chamas tinham passado; as árvores eram apenas costelas carbonizadas brotando do chão.

Leutnant Mertens se aproximou, com uma prancheta na mão. Seu rosto estava marcado de fuligem, os olhos vermelhos.

"Contagem final, senhor."

Erich não estendeu a mão.

"Me diga."

"Cinco mortos em ação. Oito feridos, dois em estado crítico. Vinte e seis inimigos confirmados mortos, seis capturados vivos. O restante fugiu para os pântanos ao norte. Encontramos três depósitos de suprimentos, armas leves, granadas de morteiro, equipamentos médicos, a maioria deles restos de combates anteriores contra os americanos, mas alguns parecem ser improvisados. Acho que receberam ajuda de vilarejos próximos."

Erich assentiu lentamente, com o olhar distante. "E os feridos?"

"As equipes de evacuação já estão a caminho. Se Deus quiser, chegarão vivos em casa… mesmo que não totalmente inteiros…."

Foi só então que ele pegou a prancheta, folheando as páginas sem realmente ler. Quando avisou os demais comandantes de batalhão sobre o que enfrentariam no Pacífico, poucos realmente entenderam.

E, no entanto, os registros mostraram o quão proféticas tinham sido suas palavras. Ele abaixou depois de um momento.

"É uma vitória," — ele disse secamente. — "Mas uma vitória de Pirro."

Mertens olhou para cima, hesitante. "Senhor?"

A voz de Erich foi calma, quase reflexiva.

"Ninguém precisava morrer por isso. Matamos alguns camponeses com rifles antigos e bombas artesanais. Vingamos nossas perdas e enviamos uma mensagem à região. Mas o preço nunca deveria ter sido pago desde o começo."

Ele se virou, gesticulando em direção ao horizonte, onde a fumaça fina de cabanas distantes se erguia lentamente.

"Você não consegue conquistar lealdade com bomba, Mertens. Cada bala que acerta a pessoa errada cria dois inimigos que você nunca verá. No final, seremos obrigados a queimar esta ilha do mesmo jeito que queimamos estas matas."

Suas palavras ficaram no ar enquanto o tenente hesitava. "Deveríamos relatar como setor limpo, senhor?"

"Relate como seguro," — disse Erich. — "O comando prefere palavras organizadas para verdades confusas."

Um vento seco varreu a clareira, carregando o cheiro de madeira queimada e sangue. Em algum lugar ao longe, um galo cantou, absurdamente deslocado na desgraça.

O som fez alguns homens olharem para cima, esperando outro ataque. Erich se agachou ao lado de um dos corpos, um jovem guerrilheiro de não mais que vinte anos.

O rifle do rebelde ainda segurado firme, olhos fixos no céu. Ao seu pescoço, pendia um pequeno crucifixo, escurecido pelas chamas. Erich passou o polegar pela fuligem, depois se levantou.

"O alto comando vai querer fazer um exemplo para os vilarejos locais envolvidos. Sem dúvida, já receberam ordens durante a noite para iniciar operações punitivas. Nós fomos apenas os primeiros a agir. Recolha os corpos e prepare-os para o que o seu avô tiver planejado."

Mertens assentiu e se afastou, dando ordens baixas enquanto Erich observava os homens trabalhando, cavando covas rasas, carregando o inimigo com cuidado, como se carregassem também seus próprios mortos.

Terminou seu cigarro, jogando a ponta na lama e esmagando-a com a bota. O céu acima havia ficado completamente claro.

Os primeiros raios do sol pintaram a selva de ouro, como se tentassem fazer parecer que a noite nunca existiu. Ele pegou o rádio e ativou.

"Thunder Two-One a todas as unidades. Área garantida. Iniciem as operações de recuperação e preparem-se para mover-se às 08h00."

Apareceu um chiado, seguido de uma série de confirmações. O som se transformou no zumbido matinal dos insetos que voltavam a vida. Por um longo tempo, Erich permaneceu sozinho, a luz crescente refletindo a insígnia prateada no colarinho.

Pensou nas vilas à frente, nos rostos que se voltariam do acolhimento ao ódio num piscar de olhos, numa guerra que se tornaria menos sobre conquista e mais sobre contágio.

O padrão nunca mudou. O fogo gerava espectros, e os espectros nunca ficavam enterrados de verdade.

"Garantido,"— murmurou quase para si mesmo.— "Nada nesta maldita selva será realmente seguro."

O vento mudou novamente, levantando as cinzas aos seus pés. Elas se ergueram brevemente, dançando na luz, antes de desaparecer no amanhecer, até que o som dos rotores rompesse a quietude.

Erich olhou para cima, ao ver os primeiros helicópteros de evacuação rasgando baixo o topo das árvores, suas sombras varrendo a clareira queimada.

A força de ar levantou cinzas e poeira, ardendo nos olhos dos homens abaixo.

Médicos avançaram pela névoa, acenando painéis sinalizadores laranja, enquanto macas se alinhavam ao lado do ponto de aterrissagem.

Um a um, os feridos eram içados, com os rostos pálidos debaixo da sujeira, olhos fixos, mãos agarrando o que pudessem.

As equipes de resgate trabalhavam em silêncio, com movimentos treinados, mecânicos.

Erich observou até que a última maca desapareceu na barriga de um helicóptero.

A porta se fechou com estrondo, e a máquina levantou voo, sumindo na névoa do amanhecer como uma alma partindo. O som sumiu, deixando apenas a folhagem sussurrando de novo em silêncio.

Sabia que esse cenário se repetiria, hoje em Luzon, amanhã nas Visayas, depois em Mindanão.

Selvas diferentes, mesma cinza, mesmo silêncio. Isso se tornaria o Pacífico: um ciclo de fumaça e voos de maca, vitória medida em cansaço.

Erich virou-se ao ver o sol ascender, murmurando consigo mesmo: "E isso só está começando."

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