Re: Blood and Iron

Capítulo 770

Re: Blood and Iron

Bruno permanecerara na base aérea fora de Manila por vários dias após o início de sua visita. A maioria considerava sua presença uma grande vantagem para o esforço de guerra, um símbolo de determinação inabalável que descia sobre o front do Pacífico.

No entanto, Bruno achava isso um alívio, uma fuga bem-vinda do escritório abafado em seu palácio nos Alpes ou, Deus me livre, das paredes sufocantes do Reichskanzlei em Berlim.

Erich o acompanhava aonde fosse, atendendo-o mais como um ajudante do que como comandante da brigada.

Durante esses dias, Bruno inspecionou o aeródromo com cuidado meticuloso, garantindo que todas as armas estivessem contabilizadas e bem conservadas, não por mero instinto burocrático, mas por preocupação genuína com a prontidão de seus soldados.

Helicópteros e aviões de carga decolavam a cada hora, lançando tropas aéreas tailandesas profundamente nas selvas de Mindanao e das Visayas. A máquina de guerra não parava de operar.

Hoje, porém, Bruno se permitiu um momento de pausa.

Sentou-se dentro do clube dos oficiais, vestido com um uniforme de campanha sem nenhuma insígnia. Erich estava ao seu lado, junto com vários oficiais superiores destacados na base.

Beberam cerveja e uísque enquanto Bruno, estranhamente, parecia estar de humor incomumente bom.

Os oficiais trocaram olhares confusos. O que, pelo amor de Deus, poderia colocar o infame velho Leão do Tirol nessas condições, especialmente aqui, na retaguarda de uma zona de guerra ativa?

Bruno limpou a espuma da barba, respirou fundo e, finalmente, esclareceu o mistério.

"Vocês sentiram o cheiro?"

Erich olhou ao redor, assim como os demais, sem entender bem o que ele quis dizer, até que Bruno continuou.

"Esse é o cheiro de pólvora e napalm, o cheiro de vitória. Me faz sentir vinte anos mais jovem."

Ele hesitou, girando sua bebida, com o olhar distante, além das paredes do clube.

"Lá atrás, quando ainda sentia..."

Interrompeu-se, balançando a cabeça. "Não adianta relembrar. Não é assim que se diz o velho ditado? 'Lembrar-se do passado é a forma mais baixa de conversa.'"

Erich observou seu avô em silêncio. Bruno sempre fora um homem frio, controlado, de aço escondido sob a carne. Mas vê-lo agora, nostálgico em vez de amargurado, era… estranho.

E Bruno percebeu o olhar.

Ele riu, tomando outro gole.

"Acredite em mim, quando você chegar à minha idade, desejará ser jovem o suficiente para atacar trincheiras de novo, em vez de ficar assistindo o mundo passar, sabendo que seus melhores anos ficaram para trás."

Ele terminou sua cerveja e se levantou.

"Mas chega de melancolia. Há uma guerra a vencer, e não há tempo para eu ficar nesse seu agradável clube. Oberst von Zehntner, por favor, acompanhe-me. Sua unidade ainda precisa treinar nas novas torretas, e já estamos longe do campo de batalha há tempo demais."

Todos os oficiais se levantaram de uma só vez, cumprimentando com solenidade enquanto Bruno saía acompanhado de Erich. Só quando a porta se fechou atrás deles é que o silêncio se quebrou.

"Então, esse é o velho leão do Tirol?" sussurrou um dos oficiais. "Nunca pensei que fosse vê-lo pessoalmente."

Outro se inclinou.

"Todas as fotos mostram ele com uma expressão de pedra. E até o Erich fala dele como se fosse uma estátua de granito. Mas ele fala de pólvora e napalm como se fossem canela e mel."

Um terceiro acabou sua cerveja e completou:

"Acho que homens como ele foram necessários para vencer a Grande Guerra. Homens duros. Não como nós, nascidos numa era de paz e prosperidade conquistada com sangue."

Um tenente na extremidade da mesa soltou uma risada baixa na sua bebida.

"Paz e prosperidade", murmurou. "Engraçado como fomos criados achando que isso era para sempre. Agora olhem para nós, suando na selva enquanto os velhos leões caminham pelo fogo como se nunca tivessem saído dele."

Um oficial mais jovem, com pouco mais de vinte e cinco anos, engoliu em seco.

"Achava que homens como Bruno eram mitos. Algo criado pelo escritório de propaganda para nos inspirar. Mas ao ouvi-lo falar de pólvora como se fosse perfume…" Ele respirou fundo.

"Faz pensar no que foi preciso para alguém virar como ele."

Silêncio caiu ao redor, mais pesado que o ar úmido.

Um capitão resumiu em voz baixa:

"O mundo não faz mais homens como ele. E não sei se isso é uma bênção… ou um aviso."

A reflexão perdurou enquanto eles pensavam em silêncio.

Bruno von Zehntner pode muito bem ser o último de uma geração forjada no fogo, homens que carregaram o peso das nações nas costas e se recusaram a quebrar.


Erich tinha dificuldades para acompanhar o ritmo do avô. Para um senhor de sessenta anos, Bruno se movia como alguém com metade da idade.

Eles cruzaram rapidamente a base, com botas mergulhando em poças rasas de chuva fresca, até se aproximarem dos hangares do aeródromo.

Só então Bruno voltou a falar, passando informações às quais Erich não tinha acesso.

"Seu primo, Bruno, estava na Sicília. Conquistou uma Cruz de Ferro de Segunda Classe na cabeça de praia. Mas essas linhas foram rompidas, e a unidade dele já foi trocada há meses."

Erich soltou um suspiro que nem sabia estar segurando. Muitos membros da sua família lutaram nesta guerra, espalhados por teatros distantes. Ele não podia protegê-los, e essa preocupação jamais o abandonou.

No entanto, um nome ainda o incomodava.

"E Heinrich?"

Bruno parou diante do hangar e lançou um olhar malicioso para Erich.

"Qual deles? Meu Heinrich, ou o seu Heinrich?"

Erich olhou para ele com expressão vazia.

"Meu irmão mais novo, óbvio."

Bruno olhou para o oeste, em direção aos centros de treinamento onde o jovem provavelmente estaria conquistando suas asas.

"Seu pai queria me proibir. Deus me livre de acontecer algo com os dois filhos mais velhos dele. Mas eu não pude dizer não. Aquele garoto deve terminar a escola de voo em breve. Depois, é para a Sicília, para apoiar seu primo assim que sua unidade voltar para o front."

Erich ficou em silêncio. Muito quieto.

A tensão nos ombros dele se suavizou, dando lugar a uma determinação firme.

"Ótimo", falou em tom suave. "Espero que ele vire um ás. Nossa família precisa de uma honra assim."

Bruno não respondeu com palavras, não precisava; seu sorriso já dizia tudo. Juntos, entraram no hangar, onde os homens de Erich já aguardavam.

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