Re: Blood and Iron

Capítulo 789

Re: Blood and Iron

O vento varria a costa como uma criatura viva, uivando entre as garras de pedra da fortaleza que coroava o Rochedo de Gibraltar.

Para a maioria dos homens, aquele lugar parecia amaldiçoado, mas para Heinrich Koch, parecia ter um propósito.

Ele estava de pé no topo das ameias orientais, seu grande sobretudo balançando com o vendaval, binóculos pressionados contra os olhos enquanto escaneava o horizonte onde o Atlântico se fundia ao Mediterrâneo.

Nuvens de tempestade cobririam o estreito como uma tampa sobre uma panela de pressão.

Ali embaixo, as baterias de artilharia do Comando de Defesa Costeira de Gibraltar se erguiam ao longo dos penhascos, centenas de canhões enfiados nos antigos calcários. E cada um deles respondia unicamente a Heinrich.

Um tenente correu atrás dele, seu hálito formando nuvens de gelo no vento cortante.

"Geral," disse ele. "O almirante Metzger está solicitando confirmação. Acredita que o comboio americano que avistamos anteriormente possa tentar outro ataque noturno."

Heinrich abaixou lentamente os binóculos.

Seus olhos pálidos estavam calmos. Calculadores. Um homem que passou sua juventude estudando mapas de campos de batalha às sombras de Bruno, e passou sua idade adulta moldando-se no tipo de comandante que não precisava de sombra alguma.

"Diga ao almirante," ordenou Heinrich, "que se os americanos tentarem uma travessia noturna, irão descobrir que a escuridão nunca foi aliada deles."

O tenente fez uma saudação rápida e saiu correndo, os passos ecoando no pedra molhada.

Heinrich permaneceu imóvel por um longo momento, ouvindo, sentindo a rocha sob seus pés.

Gibraltar sempre fora uma fortaleza lendária, o escudo do Mediterrâneo, a porta de entrada entre continentes.

Mas, nas mãos do Império Alemão, tornara-se algo verdadeiramente monstruoso.

Não uma fortaleza, mas uma guilhotina, e Heinrich segurava a corda.

Dentro dos penhascos, o bunker de comando vibrava com eletricidade.

Oficiais navais alemães se reuniam sobre mesas de mapas iluminadas por lâmpadas vermelhas. Operadores de rádio usavam fones como linhas de vida. Técnicos monitoravam telas de radar, rastreando cada embarcação que ousasse se aproximar do estreito.

Heinrich entrou, chutando neve de seus botas. A sala se colocou em posição de descanso.

"Relaxem," disse ele.

Avançou até a mesa central, onde um oficial naval apontava para um agrupamento de pontos em movimento no radar.

"Comboio, senhor. Composição incerta, mas estimamos pelo menos seis transportes, dois destróieres, talvez mais além do alcance do radar."

Heinrich inclinou-se sobre o mapa.

"Os americanos devem desembarcar reforços na Sicília," disse em voz alta. "Sabem que os americanos estão sangrando no Mediterrâneo central. Sabem que as rotas marítimas pelo Egeu são suicidas."

Ele endireitou-se.

"Então vêm pela minha porta de entrada."

Um jovem oficial da equipe engoliu em seco, nervoso.

"Geral… devemos avisar Berlim? Pedir permissão para um ataque preventivo?"

O riso de Heinrich foi suave, quase de pena.

"Berlin não me colocou aqui para pedir permissão para respirar," afirmou. "O Kaiser confia em mim. O Reichsmarschall confia em mim. E a confiança é uma espécie de liberdade que homens como nós raramente recebem."

Ele apontou para o mapa.

"Vamos atacar primeiro."

O almirante Metzger se aproximou, com o boné sob o braço.

"Nossas U-boats estão posicionadas. A bateria costeira seis pode estar pronta em três minutos. E os mísseis anti-navio estão em espera para serem utilizados. Mas o apoio aéreo será limitado pelo tempo."

"Que se dane o tempo, se trouxermos os bombardeiros, seria exagero. As baterias costeiras e as plataformas de mísseis serão suficientes."

O bunker ficou em silêncio.

"Senhor?" perguntou discretamente o oficial.

A voz de Heinrich cortou a tensão como uma lâmina.

"Deixem os americanos verem exatamente quem bloqueia seu caminho."

Quando a noite caiu, a Rocha iluminou-se como se um Deus tivesse incendiado suas veias.

Fileiras de holofotes colossais emergiram dos penhascos, transformando meia-noite em uma cópia pálida do meio-dia. O mar cintilava com uma luz de aço, destruindo qualquer tentativa de ocultação.

O comboio americano vacilou instantaneamente.

Do posto de comando, Heinrich observou através de um periscópio naval de alta potência enquanto os navios se dispersavam confusos, destróieres zigzagueando, transportes voltando em pânico, como gado sensível a um lobo.

E então, as armas começaram a falar.

A primeira explosão veio de uma bateria costeira, um monstro de 380 mm enterrado em uma caverna na encosta do rochedo.

Seu rugido sacudiu toda a Gibraltar.

A ogiva acertou o destróier americano à frente em um ângulo descendente, perfurando limpo o convés, as caldeiras e o mastro, detonando debaixo d'água em uma nuvem de vapor e metal fragmentado.

O destróier se desfez como uma lata amassada.

Gritos de comemoração surgiram no bunker, mas Heinrich levantou uma mão com firmeza.

"Guardem o fôlego," ordenou. "Ainda vem muito mais."

A segunda bateria entrou em ação logo depois, seguida pela terceira e quarta, cada disparo reverberando como um trovão atravessando o Mediterrâneo.

O estreito virou um campo de morte, iluminado pelo brilho de navios em chamas. Submarinos passaram ao largo do caos, lançando torpedos na direção do comboio desorientado. Enquanto isso, mísseis rasgavam o céu, descendo em direção à flotilha aliada.

Em poucos minutos, os americanos já não lutavam contra os alemães. Estavam lutando contra o próprio oceano.

Heinrich assistia a tudo com a serenidade de um cirurgião conduzindo uma operação.

"Alvo nos transportes," ordenou. "Os navios de guerra vão se afogar tentando protegê-los."

Um tenente naval hesitou.

"Senhor… isso vai forçá-los a desviar para a África Ocidental. Terão que desembarcar em Dakar ou Lagos, e atravessar o deserto até Túndicia. Perderão metade da força só pelo calor."

Heinrich assentiu.

"Essa é a ideia. Até agora, temos operado sob a ordem de deixá-los desembarcar no Marrocos e na Tunísia. Bruno queria que suas vidas partissem de forma violenta e rápida às margens da Sicília. Agora, ele quer que os americanos queimem sob o calor do Sahara."

O jovem olhou para ele em silêncio.

Horas depois, o mar voltou a ficar calmo.

O brilho dos destroços em chamas se esvaía no horizonte. As ondas carregavam os últimos pedaços de casco americano em direção ao Marrocos como presentes mórbidos.

Heinrich ficou sozinho na beira do penhasco, com neve grudando em seu casaco. Sua respiração se fundiu ao vento.

Passos se aproximaram pela neve.

Era o próprio almirante Metzger.

"Geral," disse ele baixo. "Berlim solicita atualização."

Heinrich manteve o olhar fixo no Atlântico escuro.

"Informe que o estreito está seguro."

"E os americanos?"

A expressão de Heinrich não mudou.

"Eles tentarão desembarcar na África Ocidental. Depois, morrerão na África Ocidental."

Metzger hesitou.

"Isso… é bom para nós?"

A resposta de Heinrich foi fria, firme, esculpida na mesma pedra que comandava.

"Estamos em guerra," disse. "Tudo que matar menos alemães é bom para nós."

O almirante assentiu.

"E a Sicília?"

Finalmente, Heinrich se virou, olhos afiados de propósito.

"Com Gibraltar fechado," disse ele, "a Sicília vira um punho fechado. Os soldados aliados que ainda permanecem na ilha estarão mortos dentro de duas semanas. E então, começa a segunda fase desta guerra."

Ele sorriu discretamente enquanto Metzger fez uma reverência.

"Sim, senhor."

A neve caía como cinzas ao redor dele.

E, lá do outro lado do oceano, outra parte da nação de Roosevelt, à beira do colapso, se preparava para morrer por um continente que já não os queria mais.

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