Re: Blood and Iron

Capítulo 781

Re: Blood and Iron

As campainhas da igreja soaram, mas nenhuma coroa entoou cântico para dar boas-vindas à paróquia ausente. A chuva era intensa sobre a ilha de Mindanao, e a neblina ainda mais espessa.

Se não fosse pelo fato de seu capacete estar totalmente coberto, a condensação certamente estaria escorrendo de sua testa de paracord para o nariz régio neste exato momento.

Mesmo assim, Erich parecia não se importar. Um cigarro repousava na sua boca, com suas faíscas infantis protegidas pela crista do capacete.

Ele se movia lentamente, com leveza entre os arbustos, acompanhado de uma esquadrilha de homens em direção ao objetivo.

Com cada badalada ecoando pela cidade, seus defensores se apressaram para suas posições, correndo rapidamente até as metralhadoras antitanque e qualquer cobertura que pudessem encontrar para se proteger do ataque iminente.

A coluna blindada avançava pela estrada, indo direto para a cidade, enquanto Erich já tinha desembarcado de seu veículo de comando e liderava um pequeno grupo dos veteranos mais experientes da Brigada.

Os homens se escondiam bem entre os arbustos, com armas em mãos, carregando os seguros fora, com os visores apontados para os alvos destacados à frente.

A pele deles, alva, estava escondida sob tintas que combinavam com o denso dossel da selva ao redor.

O lamaçal sugava seus botas enquanto rastejavam até a borda da floresta.

Erich inclinou a cabeça, ouvindo como só quem viveu tempo demais com fantasmas consegue escutar.

Outro sino soou.

Ding.

"São sete," sussurrou um dos granadeiros.

"É hora da missa vespertina," murmurou Erich sem se virar. "Mas Deus não vem."

Ele jogou o cigarro na lama sem cerimônia e levantou o punho. A esquadrilha congelou instantaneamente.

Formas se movimentavam na névoa, exploradores filipinos, descalços, com rifles envoltos em juta, deslizando entre as casas com a graça instintiva de quem conhece cada pedra e raiz de sua terra natal.

Eram magros e de olhos famintos, do tipo que lutava não por nações, mas porque a alternativa era a fome.

Um explorador parou. Olhou para cima. Por um instante, Erich pensou que o homem tinha visto eles.

Então o sino tocou novamente, disfarçando o leve clique metálico quando a segurança do rifle de Erich foi completamente desativada. O explorador se virou para gritar um aviso.

Uma rajada silenciada cortou a névoa e acertou a têmpora do homem, silenciosa como uma tosse.

O corpo caiu na lama sem mais som do que um saco de arroz caindo.

A esquadra avançou mais um metro.

Além da primeira linha de casas, a estrada dividia a vila em duas. No norte, sacos de areia eram empilhados por mãos frenéticas.

No sul, os americanos tinham fixado sua metralhadora antitanque, com o cano apontado pela estrada onde a blindagem de Bruno se preparava para avançar a qualquer momento.

Erich limpou uma gota de condensação do seu visor com o polegar protegido por uma luva. Sua voz era baixa, fria, clínica.

"Três alvos na arma, dois nos sacos de areia, um corredor. Atirem no corredor primeiro. Se ele gritar, eles disparam cedo. Entendido?"

Os homens assentiram silenciosamente.

"E lembrem-se…" acrescentou Erich enquanto se posicionava para disparar, "não deixam sobreviventes…."

A esquadra ficou imóvel; só a selva se movia. A chuva batia nas folhas. Um cachorro latiu e depois silenciou, levado por alguém que percebeu que latir poderia acabar com todos eles mortos.

O primeiro disparo veio de Erich; o corredor caiu no meio do movimento, o grito de aviso morrendo junto com ele. O resto da esquadra seguiu.

A equipe do armamento caiu antes que suas mãos pudessem fechar a câmara da metralhadora. Um dos defensores nos sacos de areia recuou e caiu de costas na lama, com uma jato de terra.

Outro se inclinou para frente, com os braços pendendo sobre a barreira como roupa pendurada.

"Avançar," ordenou Erich.

Eles cruzaram o terreno aberto agachados, com botas molhando-se em poças.

Uma granada de morteiro passou por cima, americana, desesperada, cega, e atingiu de forma inofensiva os campos de arroz ao fundo.

"Idiotas," murmurou um dos granadeiros. "Desperdiçando bombas."

"Não," corrigiu Erich. "Estão marcando a estrada."

Como se fosse convocado por suas palavras, o baixo ronco dos motores ecoou além da vila.

Blindagens alemãs se espalharam como tubarões de aço pela névoa.

Erich olhou para o relógio.

"No horário," disse.

A esquadrilha entrou na primeira fila de casas, limpando-as com precisão.

Uma avó se escondia atrás de um tear, abraçando três crianças ao peito. Um homem se agachava atrás dela, com um machete longo, olhos brilhando com uma resolução aterrorizada.

Erich levantou a mão.

"Não atirem!"

Seus homens baixaram as armas, a família tremeu, mas não se moveu. Erich fez um gesto de cabeça, reconhecendo a tragédia que a guerra impôs aos civis.

"Fiquem baixo," falou em alemão, depois repetiu em espanhol simples. "Fiquem dentro. Não corram."

O homem assentiu, embora fosse evidente que entendia pouco. Mas o machete foi baixado.

Lá fora, as blindagens alemãs chegaram à beira da cidade. Os americanos dispararam uma segunda granada de morteiro, descontrolada, desesperada.

Ela atingiu o teto da igreja, espalhando telhas quebradas. A corda do sino rompeu, e a torre produziu um último toll, uma rachadura.

Erich entrou na rua. Uma rajada de metralhadora calibre 30 cortou uma cabana próxima, fazendo estilhaços voarem. Seus homens se abaixaram, mas Erich seguiu em frente, tranquilo, como uma sombra na chuva.

Ele levantou a arma e atirou uma vez. O atirador americano caiu para trás, como se fosse puxado por um gancho invisível. O resto da posição americana se desfez sob um ataque coordenado de dois veículos alemães.

A troca de tiros durou talvez quarenta segundos. Depois ficou quieto, exceto pela chuva. O trovão murmurava ao longe. Um tenente correu até lá, com o capacete baixo, encharcado até os ossos.

"Senhor!" cumprimentou. "Cidade segura. Resistência fraca. Blindados prontos para avançar."

Erich olhou para a vila, enfumaçada e quieta.

"Baixas?"

"Dois feridos. Nenhum morto."

"Ótimo."

Ele acendeu um novo cigarro, deixando a chama iluminar brevemente seus traços pálidos sob a sombra do capacete.

"Comunique à Força-Tarefa RENO. Diga que o corredor leste de Mindanao está aberto e pronto para inserção anfíbia."

O tenente assentiu firmemente e saiu em disparada.

Erich ficou por mais um momento, ouvindo o vento, a chuva, o chiado fracasso de uma criança ao longe, o gemido suave de sacos de areia que desabavam.

Depois, virou-se na direção da coluna blindada em avanço.

"Avancem," ordenou.

A floresta engoliu sua voz, mas os homens o ouviram perfeitamente.

Comentários