Re: Blood and Iron

Capítulo 716

Re: Blood and Iron

As grandes janelas da sede do Sindicado von Zehntner deixavam entrar a fraca luz do fim do outono de Berlim.

Ela reluzia nos pisos de mármore e na madeira escura da mesa, projetando sombras longas sobre os brasões de ferro esculpidos das empresas conquistadas embutidos na parede.

Erwin von Zehntner estava na ponta da sala de reuniões, folheando o mais recente dossiê de inteligência, entregue naquela manhã por mensageiro.

A situação nos Estados Unidos estava se desmanchando mais rápido do que o esperado.

Revoltas em Kansas City. Lei marcial em Chicago.

This radio stations in Nova York sendo tomadas pelo governo federal.

Títulos do Tesouro desabando. Futuros de grãos despencando.

Na página 12, cuidadosamente preso no lugar, estava um relatório da holding de Nova York, uma das inúmeras empresas de fachada enterradas no registro imperial sob oito camadas de falsas direções.

Mostrava como a pressão estava afetando duramente seus ativos.

Aço. Petróleo. Papel. Ferrovias.

Até os meios de comunicação.

Todos sangrando.

O maxilar de Erwin se travou enquanto ele virava a página. Um carimbo vermelho na parte inferior chamou sua atenção:

"Apreensão Provisória: Consórcio Milwaukee Toolworks – autorizada pela Ordem Executiva de Emergência 131."

Os americanos haviam cruzado o Rubicão.

Ele se deslocou até o telefone rotativo fixado na parede, um modelo reforçado de campo, fosco preto, com uma águia imperial de bronze acima do descanso.

Ele girou o dial cuidadosamente. Três toques.

A voz que atendeu não parecia apressada nem casual.

"Zehntner."

"É o Erwin. Preciso falar com meu pai."

"Um momento."

Um clique suave soou ao transferir a linha. Um breve silêncio seguiu-se.

Então…

"Continue."

A voz veio baixa e firme, sem pressa. Bruno von Zehntner não gastava palavras.

Erwin respirou fundo e enfrentou a tempestade.

"Os americanos começaram a apreender nossas operações," disse ele. "Sob poderes de emergência. A desculpa é segurança nacional. Nossos agentes no Interior informam que estão preparando o encerramento do acesso ao capital estrangeiro sindicalizado completamente. Estamos sangrando em todos os setores."

Uma longa pausa na linha.

"Entendo."

Erwin recuou em direção à mesa.

Sobre ela, estavam pastas e arquivos, alguns encadernados em couro de bezerro, outros envoltos em fitas.

Names como Blackcliff Industries, Fenwick Broadcasting, Red Hill Shipping e Mid-Atlantic Fuel Consortium.

"No total," prosseguiu Erwin, "perdemos quase um quarto do nosso valor no exterior se as apreensões continuarem. Se nacionalizarem o que construímos…"

"O que construímos," interrompeu Bruno, "nunca foi feito para durar."

As palavras soaram com uma determinação mais definitiva que qualquer tiro.

Erwin congelou.

"…O quê?"

"Você me ouviu," disse Bruno. Sua voz era fria como ferro. "Comprei as indústrias deles. Seus bancos. Seus jornais. Não para preservá-los. Não para lucrar. Para possuí-los. E, quando chegasse a hora, vê-los apodrecer por dentro."

Sussurros de estática ondulavam naquela linha. Erwin podia ouvir o chiado leve de um fósforo sendo riscado.

"Pai… isso são centenas de bilhões de marcos," disse ele. "Passamos anos montando essas empresas de fachada. Décadas. Toda a estratégia de infiltração pós-guerra…"

"E agora dá frutos," respondeu Bruno. "Deixe que dê."

Erwin manteve o silêncio. Ao longe, as badaladas da Catedral de Berlim começaram a soar.

"Não passei toda a minha vida preservando o Terceiro Reich só para acumular restos de tesouros estrangeiros como algum barão mercador inglês,"

Bruno continuou. "Eu capturei a fundação da América para que, na hora certa, pudéssemos despejar ácido em sua garganta."

"Você acha que esse é o momento?"

"Sei que é. Os americanos finalmente caíram na isca. Apreender ativos ilegalmente, sem provas de vínculos estrangeiros. O que resta do nosso domínio sobre os meios de comunicação dos EUA agora pode ser usado para minar o governo americano de dentro."

Erwin se virou de costas para a mesa.

Uma rajada de ar frio atravessou as grandes janelas, bagunçando a bandeira imperial carmesim pendurada atrás do púlpito da sala de reuniões.

"A economia toda pode sair do controle," disse ele. "Perdemos prestígio no Banco Imperial. Nossos próprios acionistas…"

"Nossos acionistas não importam," bradou Bruno. "Eles obedecem. Ou desaparecem. Deixem os americanos verem fogo. Deixem seus cidadãos destruírem os motores que lhes demos. Deixem seus senadores passarem decretos que só confirmam nossa propriedade secreta. Deixem suas multidões queimarem nossas fábricas até o chão, porque ao fazerem isso, queimam as únicas ferramentas que tinham para sobreviver."

Bruno fez uma pausa, depois acrescentou friamente:

"E o que é perder alguns bilhões, Erwin? E eles apreenderem cada ativo que deixamos à vista? Essa era a tarifa de entrada. O preço pela influência. E agora… agora que sua república começou a se consumir, a gente simplesmente recua… e deixa o banquete acabar."

Erwin olhou para as texturas da madeira na mesa. As cifras nagregadas em sua cabeça. As perdas projetadas. Os procedimentos de desacoplamento. Os cronogramas de liquidação.

E, ainda assim…

Ele folheou o dossiê novamente, desta vez analisando os números com mais cuidado.

a capital oculta. Os cofres de reserva.

As carteiras domésticas na Eurásia. Os contratos militares garantidos nas províncias internas do Império.

Se a América colapsasse amanhã, eles não seriam destruídos.

Pois se dariam mais fortes.

O Reich permaneceria intocado, na verdade, mais forte. Seu poder econômico não estaria mais parcialmente disfarçado sob o peso americano.

Ele fechou o dossiê, com a unha puxando a trava como uma arma de ferrolho.

"…Você planejou isso," disse Erwin.

"Eu me preparei para isso," respondeu Bruno.

A voz de Erwin baixou, firme e resoluta.

"Então queimar isso tudo."

Bruno ficou em silêncio por um momento.

Depois, com satisfação sombria:

"Boa."

A linha caiu.

Erwin permaneceu ali por um longo tempo, na sala silenciosa.

Na rua, Berlim seguia seu curso.

Bondes rangendo. Trabalhadores uniformizados voltando para casa. Em algum lugar, música tocava suavemente de um café com cantos de latão.

E do outro lado do oceano, os Estados Unidos cambaleavam em direção ao abismo.

Não faltava muito agora.

Mais um pouco de pressão.

Mais um pouco de gasolina.


A chancelaria do Reich permanecia silenciosa neste horário, exceto pelo tique-taque do relógio de parede e o sussurrar ocasional de uma mensagem telegráfica com ordens confidenciais pelos rádios que cercavam o Reich e suas fronteiras.

As lâmpadas emitindo luz baixa, projetando longas sombras sobre o mapa da América do Norte estendido na mesa de planejamento central.

Pinos e fios coloridos marcando falhas críticas como feridas infectadas.

Bruno, de uniforme, colarinho impecável, mãos juntas atrás das costas, assistia a uma fita silenciosa de imagens de vigilância projetada na parede oposta.

O áudio extraído de um escritório em Washington, D.C., de um senador rindo bêbado com um lobista durante drinks, discutindo contratos militares como se fossem leiloeiros.

"…Eles vão aprovar o projeto de qualquer jeito," o senador cochichou. "Só garante que meu filho fique com o cargo. Ele nem precisa aparecer."

A gravação cortou. Outra começou a servir.

Desta vez, de uma sala privada do Supremo, uma assessora sussurrando no ouvido de um juiz sobre como manipular a redação de uma decisão em troca de doações para um truste familiar.

Outra gravação. A Casa Branca. Roosevelt em pessoa.

Calmo. Controlado. Sempre cuidadoso.

Mas nem tanto.

Bruno recostou-se na cadeira e fechou os olhos. Sabia cada palavra de cor, e elas eram música para seus ouvidos.

Um homem avançou. Diretor de Inteligência Konrad Reimann, chefe da Inteligência Militar Alemã. Seu uniforme limpo, severo.

Ele entregou um envelope grosso, selado com cera negra e o sigilo do Ministério de Proteção do Estado.

Reimann esclareceu a garganta.

"A Operação Laertes está totalmente indexada," disse ele. "Cada gravação foi registrada, transcrita e colacionada… áudio, escuta telefônica e interceptações. Temos um arquivo categorizado de cada crime, cada traição, cada negócio sussurrado desde o segundo mandato do presidente Hughes."

Bruno não se virou.

"Suspeitas de Roosevelt."

"Sim. Mas ele acredita que o Escritório Oval seja o limite do nosso alcance, e talvez o prédio do Capitólio. Ele não conhece o Federal Reserve, nem a Conferência Católica, nem o conselho editorial do New York Times."

O canto dos lábios de Bruno se curvou levemente.

"Ainda pensa que é o leão na jaula."

Reimann assentiu.

"Vamos iniciar vazamentos seletivos para pressionar certas facções? Ou o colapso total?"

Finalmente, Bruno se virou.

"O arquivo completo."

Reimann piscou surpreso.

"Tudo?"

Bruno assentiu uma vez.

"Vaze. Para o público. Todo pecado, cada suspiro de traição, cada propina nos bastidores. Deixe o povo americano ouvir, com seus próprios ouvidos, o que o governo deles realmente é."

Reimann hesitou.

"Calculamos uma destabilização nacional em até setenta e duas horas. Levantes armados em pelo menos doze estados. A Guarda Nacional será sobrecarregada."

"E a confiança deles," disse Bruno, frio, "será irreparável."

Ele caminhou lentamente até a parede, passando a mão de luva pelo mapa da América.

"Eu avisei Hughes anos atrás. Ele sabia. Tentou conter. Tentou guiar seus sucessores a um decaimento mais discreto. Mas não se pode guiar um cadáver. Só se pode enterrá-lo."

Reimann ajustou os óculos.

"E Roosevelt?"

Os olhos de Bruno se estreitaram.

"Ele apostou na ditadura. Para salvar os destroços do próprio caos, com força de vontade de ferro e mão firme. Apostou mal, porque nunca antecipou até que ponto posso alimentar o fogo que destrói as bases do próprio mundo dele."

A voz de Bruno foi calma, mas definitiva.

"Que fique claro: isso não foi sabotagem. Foi revelação. O mundo só precisa ouvir a verdade."

Depois, Bruno tomou um gole de sua garrafa, murmurando para si mesmo, refletindo em voz alta.

"Embora eu tema que a revelação só vá até certo ponto. Se os americanos se importassem metade da metade com a verdade quanto com seu conforto, então, sem dúvida, sua nação teria se derrubado antes mesmo de chegar ao século XX. Não, temo que tudo isso só nos dará um tempo… tempo para fortalecermos as margens da Europa para uma invasão eventual do resto do mundo."

Reimann assentiu de forma firme e virou de calcanhar, sem ter ouvido o monólogo interno de Bruno escapar de seus lábios.

Porém, ao partir, Bruno o interrompeu com tom severo.

"Ah, e mais uma coisa, você conseguiu confirmar aquela coisa que te pedi?"

Reimann parou de repente, consciente de que tinha evitado deliberadamente entregar a última pasta de sua maleta, sabendo do horror completo que se desenrolaria se a verdade fosse revelada.

Mas, no final, foi forçado a fazer isso mesmo, com um suspiro pesado.

"Quase tinha esquecendo… Aqui está o relatório de inteligência que você pediu. Há evidências de uma espécie de instalação de testes de armas em Alamogordo, Novo México, mas está em estágio embrionário. Suspeitamos que eles estejam tentando e falhando miseravelmente em construir uma arma nuclear."

Erwin franziu a testa ao ouvir essas palavras, quase por instinto, até que Reimann continuou com sua avaliação da ameaça.

"No entanto, a maioria de seus físicos e engenheiros mais talentosos foi absorvida pelo Reich há anos. Com o que sobra… Talvez em uma década, talvez duas, eles tenham algo mais funcional que mera teoria?"

Bruno não disse nada; apenas assentiu, dando permissão ao oficial para se retirar.

E então permaneceu ali, olhando por muito tempo para a pasta fechada sobre sua mesa, ponderando se deveria ou não realmente ler seu conteúdo.

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