Re: Blood and Iron

Capítulo 728

Re: Blood and Iron

A Sala de Situação abaixo da Casa Branca havia ficado silenciosa.

As grandes telas de projeção ainda exibiam as fotografias aéreas, granuladas, fantasmagóricas, parcialmente obscuras por nuvens; mas as implicações já estavam claras.

Onde ontem de manhã ficava o porto de St. John's, agora só havia uma mancha cinza de aço retorcido e slicks de óleo em chamas.

O Atlântico, antes considerado a proteção da democracia, transformara-se em sua ferida à mostra.

O presidente Roosevelt estava encurvado na cabeça da mesa, com as mãos entrelaçadas sob o queixo.

Seu cigarro permanecia aceso, sem que ele o tocasse.

À sua direita, o Chefe de Operações Navais falava com uma voz que oscilava entre incredulidade e raiva.

"Eles não só atingiram um estaleiro, Sr. Presidente. Eles o apagaram. Cada casco, cada estaleiro seco, cada navio de escolta. Estações de radar ao longo da costa leste do Canadá ficaram cegas dez minutos antes do impacto. Nossos analistas acreditam que os alemães as bloquearam. Nem sabíamos que isso era possível! Eles têm alcance que achávamos impossível."

Seguiu-se um silêncio longo e tenso.

O presidente exalou, fumaça subindo à tenuidade da luz fraca. "Você está me dizendo que nenhum radar detectou a assinatura do inimigo?"

"Por um breve momento, enviamos a nossa esquadra mais próxima de aviões de caça, incorporada aos canadenses em Terra Nova, mas foram abatidos antes que pudéssemos entender a escala da força inimiga."

Outra voz, aguda, nasal, impaciente; a do Secretário da Guerra.

"Devíamos ter esperado isso. Estávamos tão focados na África do Norte que deixamos o hemisfério norte completamente desprotegido. Se Berlim consegue alcançar Terra Nova, pode atacar Halifax a seguir. Talvez até Nova York."

Isso provocou murmúrios ao redor da mesa. A ideia de Nova York sofrendo um ataque aéreo, antes considerada absurda, agora não parecia suficiente para assustar.

Roosevelt recostou-se na cadeira. Sua voz era calma, mas todos na sala podiam ouvir o ferro sob ela.

"Então vocês estão me dizendo que, depois de gastar um ano, três frotas e um bilhão de dólares para proteger a costa da África do Norte, eu deixei o Atlântico desguarnecido?"

O Secretário da Guerra não respondeu. O silêncio foi a resposta suficiente.

O Chefe do Estado-Maior do Exército esclareceu a garganta. "Senhor, a campanha na África do Norte está na sua fase final. Estamos garantindo acesso pelo Estreito de Gibraltar. Assim que conseguirmos, as Forças Armadas Espanholas não serão suficientes para impedir nossa invasão do continente europeu. O bastião alemão será destruído."

Roosevelt o interrompeu. "Então, conquistamos um deserto e perdemos um continente."

Ele se levantou, afastando-se da mesa, caminhando lentamente até o mapa na parede.

O Atlântico dominava grande parte dele, linhas azuis traçando rotas de comboios de Norfolk a Casablanca, de Halifax a Londres. Todas agora vulneráveis.

"Os alemães não atravessaram o oceano em 1914," disse Roosevelt baixinho. "Construímos nossa política externa com base nisso. Acreditávamos que o Atlântico era uma barreira. Parece que esquecemos o que acontece quando o inimigo aprende a nadar."

Um oficial de inteligência júnior, um homem quase na casa dos vinte anos, com voz trêmula, falou do fundo.

"Senhor, interceptações de sinais indicam que a Luftstreitkräfte lançou ataques a partir de bases na Groenlândia, sob acordo formal com a Dinamarca. Isso os coloca ao alcance de toda a costa leste."

Todos voltaram a olhar abruptamente.

O Secretário de Estado franziu a testa. "Groenlândia? É território dinamarquês. Eles são neutros."

"Neutros," respondeu o oficial de inteligência, "não quer dizer vazio. Os alemães fizeram acordos de segurança com a Dinamarca há quase cinco anos. Você se lembra do que aconteceu com o HMCS Ottawa? Naquela época, disseram que ele havia explodido de repente, mas sabíamos que havia algo mais. Os alemães tinham uma presença militar maior lá do que deveriam há anos."

A expressão do presidente endureceu. "Então, o Reich tem bases avançadas na nossa porta. Meu Deus."

Ele se voltou para os assistentes. "Tragam de volta o General Marshall, o Almirante King e o Secretário Knox até o pôr do sol. Quero novos planos de contingência, defesa aérea continental, fortificações costeiras e protocolos de interceptação naval para operações de longo alcance. O Atlântico não é mais uma via de passagem; virou a linha de frente."


À noite, a Sala Oval se transformou num posto de comando. Telexes roncavam sem parar.

Assistentes entravam e saíam trazendo relatórios decodificados de Ottawa, Halifax e espiões infiltrados na Europa. Ou pelo menos aqueles que ainda permaneciam não detectados.

O clima era quebrado, algo entre negação e revelação.

Roosevelt estava junto de seus assessores, a lâmpada projetando uma sombra longa na mesa. "Quão cedo podemos substituir a frota Avalon?"

"Não logo o suficiente," disse o Almirante King. "Podemos liberar alguns destróieres das reservas do Pacífico, mas nossos porta-aviões pesados já estão no limite. Cada estaleiro está comprometido com a logística da África."

"E se deixarmos a África do Norte pela metade?"

"Então, desistimos de qualquer chance de invadir a Europa," disse King, direto. "E os alemães estarão às nossas portas até o Natal…."

Roosevelt massageou as têmporas. "Senhores, não posso permitir que os Estados Unidos fiquem entre oceanos sem uma frota para comandar."

Ele apontou para o mapa na parede. Uma linha vermelha conectava Washington a Halifax, às carcaças em chamas na Terra Nova. "Este," disse ele, "não será mais uma guerra que se travará além do nosso território. E os alemães acabaram de provar isso."

O Secretário de Estado hesitou. "A opinião pública não aceitará isso facilmente, senhor. O povo americano foi informado de que a vitória na África garantiria a paz. Agora…"

"Agora," interrompeu Roosevelt, "eles terão que aprender que paz nunca é garantida. Só é comprada de novo, e de novo."

Ele se virou em direção à janela aberta. O vento carregava o som fraco de sirenes, um simulacro de ataque aéreo, recentemente reimplantado.

"Os canadenses acreditaram na mesma mentira que nós, de que o oceano os manteria seguros. Que a Geografia era nossa maior defesa. Vou garantir que essa mentira morra aqui, e não em Manhattan."


Nessa noite, em uma sessão de emergência tardia dos Chefes Conjuntos, foram traçados os primeiros planos para a Operação Sentinela, uma rápida militarização do Atlântico Norte.

As ordens foram claras:

Desplegar esquadrilhas de caça em Halifax e Labrador. Reforçar a radar e a cobertura antiaérea na costa de Nova Inglaterra. Desviar um quarto da frota logística da África do Norte para defesa doméstica. Iniciar a construção de uma nova base avançada em Terra Nova dentro de sessenta dias.

Era um pesadelo logístico, e uma espécie de confissão de fracasso político.

À medida que a reunião se encerrava, Roosevelt permaneceu para trás, olhando fixamente para o mapa sob as luzes amarelas tênues.

Seus assessores já tinham ido, restando apenas o ruído do telex e o chiado tênue da lareira.

Falou suavemente, para ninguém em particular.

"Sacrifiquei os ideais da nossa nação, restabeleci a ordem com sangue, botas de ferro. Por mais que nossas bandeiras pregassem liberdade, havíamos nos tornado aquilo que temíamos… um império pela necessidade. E durante todo esse tempo, ele tinha o poder de derrubar nossa porta e devastar nossa terra."

Pegou seu cigarro, apertou no cinzeiro e assistiu a fumaça desaparecer em nada.

"Senhores," sussurrou às sombras da sala, "a era do isolamento chegou oficialmente ao fim."

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