Re: Blood and Iron

Capítulo 742

Re: Blood and Iron

As lâmpadas da Salinha Oval queimavam com luz tênue, suas chamas cintilando contra uma névoa de fumaça de cigarro e cansaço.

A sala permanecia silenciosa, a não ser pelo zumbido baixo da ventilação e pelo barulho de papéis sendo mexidos, carregando o aroma de tinta, óleo e más notícias.

O presidente Franklin Delano Roosevelt sentava-se atrás da sua mesa, mãos entrelaçadas, encarando uma única pasta que já tinha sido lida várias vezes.

Luzon foi perdida.

Palawan caiu.

Comunicações cortadas.

Baixas inaceitáveis.

Ele não precisava abri-la novamente.

As palavras já estavam gravadas em sua mente.

Ele exalou lentamente, a fumaça subindo em espiral para a escuridão acima dele.

Do outro lado da sala, o general Douglas MacArthur estava de pé perto da janela, a silhueta de seu boné refletindo fracamente a bandeira lá fora.

Por um longo tempo, nenhum dos dois falou.

Finalmente, Roosevelt quebrou o silêncio.

"Diga-me, general... como uma fortaleza como Luzon caiu em três dias?"

MacArthur não se virou de imediato.

Quando o fez, sua voz carregava a resignação de alguém que já tinha respondido à pergunta por si mesmo.

"Porque, senhor presidente, estávamos preparados para um inimigo que já não existe mais. Esperávamos uma tempestade no Pacífico. Recebemos um golpe relâmpago vindo do outro lado do mundo."

O olhar de Roosevelt se desviou para o mapa do Pacífico na parede.

Linhas e marcadores traçados em lápis vermelho, rotas de abastecimento, trajetos de comboios, setores defensivos… tudo agora sem sentido.

"Você está dizendo que fomos pegos de surpresa," ele afirmou.

"Estou dizendo," respondeu MacArthur, "que fomos enganados achando que a distância ainda significava segurança."

Ele deu um passo à frente e colocou uma pequena pilha de fotografias sobre a mesa.

As imagens eram granuladas, em preto e branco, capturadas por voos de reconhecimento sobre Luzon.

Nelas, paraquedas pendiam como flocos de neve acima da selva, enquanto colunas de fumaça subiam de comboios em chamas lá embaixo.

Corpos de tanques alemães, formas elegantes e desconhecidas, rastejavam pela floresta como predadores no topo da cadeia alimentar.

Roosevelt olhava-as sem pronunciar uma palavra.

"Fizeram isso com menos de uma divisão?"

"Muito menos, senhor. Uma brigada aerotransportada inteira, enviada da Europa e largada pelo ar nas Filipinas em setenta e duas horas. Três mil homens, talvez menos."

O rosto do presidente se franziu.

"Isso é impossível."

MacArthur balançou a cabeça.

"Impossível ontem, talvez. Não hoje. Nossas informações confirmam isso. Os alemães não planejaram apenas um ataque anfíbio, eles executaram um movimentação aérea global numa escala que achávamos inviável. Veículos do série E, armaduras modulares, motores híbridos. Eles podem embarcar em uma de suas operações estratégicas de transporte aéreo, voar, e descer direto no combate. Uma brigada de armas combinadas autossustentável em sua totalidade... É logística num nível que nunca imaginamos."

Roosevelt recostou-se, a cadeira rangeu sob o peso da revelação.

"Deus do céu..."

"Eles se moveram mais rápido do que podíamos pensar," continuou MacArthur. "Quando nossos escoteiros confirmaram a queda, eles já haviam destruído metade da Terceira Divisão Blindada."

E, antes que pudéssemos enviar reforços, eles já tinham tomado um aeródromo. Dando-lhes uma base direta no coração das Filipinas. Ao mesmo tempo, Palawan caiu ante a força de desembarque alemã-tailandesa. O timing deles foi perfeito."

O presidente massageou as têmporas, as mãos tremendo levemente.

Ele já tinha visto derrotas antes, mas não assim.

Nem tão precisas. Nem tão silenciosas.

"Dissemos ao povo americano," disse em voz baixa, "que os oceanos eram nossas muralhas. Que o Reich não poderia nos alcançar aqui. Disse que o ataque a Avalon fora um acaso. E que eles não conseguiram fazer isso mais de uma vez!"

Ele fez uma pausa, os olhos fixos nas fotografias.

"E agora eles nos provaram mentirosos."

MacArthur não respondeu. Simplesmente fumava, a brasa de seu cigarro brilhando fracamente na penumbra.

Roosevelt pegou outra reportagem, abriu-a, leu as primeiras linhas e depois a fechou de novo.

"Quem comandou a operação aerotransportada?"

"Oberst Gero von Manstein," respondeu MacArthur. "Comandante da 1ª Brigada de Infantaria Blindada Aerotransportada. Mas, deve saber que quem liderou a ponta da operação, o comandante do 3º Batalhão Imperial de Guardas Aéreos Blindados 'Der Falke', foi Oberstleutnant Erich von Zehntner, neto do marechal de campo do Reich alemão…."

A expressão de Roosevelt endureceu.

"Claro que sim."

Por um momento, os dois apenas ficaram olhando para o mapa.

A silêncio se prolongou até o relógio na lareira tocar duas vezes, o som vazio e distante.

"Conheci o avô dele uma vez," disse Roosevelt enfim. "Genebra… Foi há alguns anos, quando descobrimos que ele tentava comprar ativos americanos por intermediários. Achamos que armamos uma emboscada para um rato, mas na verdade estávamos dando pinta de águias para uma águia. Na época, achei que o sujeito não havia conseguido corresponder à lenda que o cercava. Acabei descobrindo que ele era muito mais assustador que o mito que o precedia."

"Parece que o negócio da família anda em alta," comentou MacArthur.

Roosevelt sorriu amargamente. "Sim. Indústria, guerra, política e genialidade. Tudo transmitido como uma espécie de herança divina doentia."

Ele pegou uma caneta, batendo-a contra a mesa.

"Quarenta e três mil mortos ou desaparecidos," disse, "na sua maioria aliados ou auxiliares filipinos, mas muitos nossos também. E tudo em três dias."

"Setenta e duas horas," correu MacArthur suavemente.

O presidente olhou para ele. "Você parece quase impressionado."

A expressão de MacArthur manteve-se inalterada.

"Respeitar um inimigo sem admirá-lo, senhor. Eles conseguiram o que achávamos impossível: coordenação total entre ar, terra e mar. Transformaram o planeta em um tabuleiro de xadrez."

Roosevelt estreitou os olhos. "E nós somos as peças."

"Não, senhor. Apenas chegamos tarde à mesa."

O presidente ficou em silêncio novamente. A lâmpada da mesa chiava suavemente, seu filamento tremendo na calmaria do ar.

Do lado de fora, a chuva começava a bater contra o vidro.

"O que você recomenda?" perguntou finalmente.

"Fortalecer a Austrália e recuar nossas tropas ainda presentes nas Filipinas até Manila. Lá, formaremos uma linha de defesa. Precisamos de tempo para reconstruir a esquadra, rearmar e nos adaptar. Se tentarmos retomar Palawan agora, perderemos outra geração nisso."

Roosevelt olhou para a janela escura.

"E enquanto isso?"

"Enquanto isso," respondeu MacArthur, "aprendemos a pensar como eles."

A mão do presidente apertou a caneta até a clipa de metal se dobrar.

"Transformaram a guerra em ciência. Que Deus nos ajude se resolverem transformá-la em arte."

MacArthur apagou seu cigarro no cinzeiro e ajustou o boné.

"Eles já fizeram isso, senhor."

A voz de Roosevelt baixou. "Você acha que conseguimos pará-los?"

O general o olhou nos olhos.

"Não sei. Mas se não tentarmos, ninguém mais vai."

O presidente concordou lentamente, como se estivesse selando um pacto secreto com o próprio ar.

Abriu uma pasta nova, marcada como SÓ PARA OLHO OURO, e assinou a autorização na parte inferior.

"Comece a mobilização total do Pacífico. Dobre o número de grupos de porta-aviões em Pearl, redistribua os bombardeiros de Darwin e prepare planos de contingência para uma mobilização de guerra total. E, Douglas…"

"Senhor?"

"Não contem nada à imprensa sobre o desembarque aéreo. Nada sobre a rapidez com que se movem. Deixem que pensem que foi uma invasão convencional. Se o público entender o que acabou de acontecer, teremos que enfrentar outra revolução em todo o país."

"Sim, senhor presidente."

MacArthur fez uma pausa antes de sair. "E o discurso de amanhã?"

"Dir-lhe-ei a verdade que precisam ouvir," respondeu Roosevelt. "Que essa nação não entregará um palmo de terra sem fazer o mundo sangrar por ele. Que essa guerra não é uma questão de escolha, mas de sobrevivência."

Ele se recostou, olhando para o teto manchado de fumaça.

"Vão chamá-la de luta pela liberdade, mas o que ela realmente é... é uma luta pelo tempo."

MacArthur assentiu uma vez, virou-se nos calcanhares e saiu. A porta se fechou com um quieto adeus final.

Roosevelt permaneceu imóvel, a chuva lá fora agora mais forte, cada gota ecoando como o lento tique de um relógio.

Ele pegou a pasta novamente e a abriu, embora já não precisasse. As fotografias continuavam as mesmas. Os nomes, os mesmos.

Olhou até a tinta parecer escoar.

"Setenta e duas horas," sussurrou.

"Três dias para atravessar o mundo e fazê-lo arder."

Deixou a pasta de lado e voltou a olhar para a janela escura.

"Deus ajude-nos," disse em silêncio, "se eles aprenderem a fazer isso em duas."

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