Re: Blood and Iron

Capítulo 743

Re: Blood and Iron

Eva estava dentro do grande salão do Palácio de Berlim, o ar carregado de polimento e história, seu olhar fixo nas pinturas que decoravam as paredes de mármore.

Ali, em uma cujo tinta envelhecera quase uma década, repousava sua própria semelhança, capturada com toda sua elegância.

Seu marido, Príncipe Wilhelm, segurava a filha mais velha nos braços, ainda uma bebê quando a pintura foi encomendada, enquanto no seu colo estava o filho deles, Bruno, o Jovem, nomeado em homenagem ao avô, com apenas cinco anos na época.

Uma única lágrima escorreu pelo seu rosto antes que ela se obrigasse a respirar, recompondo a compostura que se esperava dela.

Aquele menino agora era um jovem, um oficial júnior que lutou em Paris durante os estágios iniciais da guerra e ganhou medalhas por bravura.

Hoje, ele estava estacionado na Sicília, se preparando para a invasão aliada que todos sabiam que viria.

Eva, finalmente, compreendeu como sua própria mãe havia sentido quando seu pai partira para a guerra.

Ela tinha sido apenas uma garota na época, vendo sua mãe olhar fixamente para a pia da cozinha, lavando a mesma louça repetidas vezes.

Naquela época, ela não entendia a vazio por trás daqueles olhos, a maneira como o medo esvaziava o coração de uma mulher até que a rotina se tornasse seu único refúgio.

Agora, ela entendia.

Nunca tinha conhecido o medo de um marido indo para a guerra; os deveres de Wilhelm eram políticos, não militares.

Mas o medo de perder um filho, isso era algo que sua mãe havia sido poupada. Dolorosas graças diferentes, mas do mesmo sangue.

Era um peso que só as mulheres em sua posição podiam compreender: sorrir para o Império enquanto rezavam para que o telegrama nunca trouxesse o brasão de sua família.

Ela respirou fundo, forçando a tristeza a voltar ao seu lugar.

Passando delicadamente o dedo pelo rosto juvenil na pintura, ela sussurrou uma prece silenciosa por sua segurança, depois virou na direção da próxima sala.

Lá, encontrou seu marido, Príncipe Wilhelm, ao lado do pai dele, o Príncipe Herdeiro, e do avô, o Káiser Wilhelm II.

Assim que o velho Imperador viu sua nora entrar, sua expressão mudou de severa para radiante.

Ele deu um passo à frente com uma vitalidade que parecia reduzir anos de sua idade.

"Eva, minha querida neta! É maravilhoso te ver. Estava justamente contando ao meu filho e neto as últimas notícias do Pacífico."

Eva olhou rapidamente para os dois homens; ambos assentiram discretamente, os olhos carregando uma tranquilidade silenciosa.

Seja qual fosse a notícia, não era trágica. Seu coração relaxou, e ela conseguiu um pequeno sorriso.

"Vovô, você realmente não deveria ficar andando assim," ela advertiu suavemente. "Tenho certeza de que, seja qual for a notícia, não precisa ficar dando voltas pelo salão."

O Káiser bufou, batendo a bengala no tapete como se a ideia de fragilidade o ofendesse.

"Você é parecido com seu pai! Sempre me dizendo para desacelerar. Um hipócrita, esse homem! Se não fosse por mim, ainda estaria atacando trincheiras com metralhadoras como um verdadeiro soldado! Saiba que estou tão ágil quanto um de sessenta!"

Seu bravata fez Eva rir de verdade.

Ela sabia a verdade: seu pai, Bruno, ainda lideraria ataques se o próprio Káiser não tivesse proibido expressamente isso perto do final da Grande Guerra.

Mas ela também sabia que precisava orientar a conversa antes que ele começasse a falar de anedotas de vinte anos atrás.

"Pois bem, você vai me contar as novidades do Leste?" ela questionou suavemente.

As bochechas do Káiser ficaram vermelhas ao lembrar, e ele tossiu teatralmente para disfarçar o constrangimento.

"Certo… como dizia, parece que os americanos começaram a reforçar ainda mais o Pacífico depois que o seu sobrinho derrotou a Terceira Divisão Blindada dos EUA em Luzon, obrigando os sobreviventes a recuarem para Manila. Os preparativos em Argel e Marrocos foram adiados mais três meses. Ou seja…"

Ele sorriu amplamente. "Ou seja, seu filho provavelmente será deslocado do front para suas folgas anuais quando a guerra começar!"

A mão de Eva voou até a boca.

Ela virou instintivamente na direção do marido e do sogro, buscando confirmação. Ambos assentiram, e isso foi suficiente.

A parede que ela cuidadosamente mantivera começou a rachar, e lágrimas começaram a escorrer livremente.

Seu marido a segurou nos braços enquanto a família assistia em silêncio.

Não havia vergonha na sua demonstração, apenas alívio, a gratidão pura e silenciosa de uma mãe que sabia o quão tênue podia ser a linha entre dever e morte.

O Káiser deu uma risada suave, limpando o rosto com as próprias mãos molhadas. "Ah, veja? Até os deuses da guerra às vezes poupam os dignos. Talvez o garoto tenha herdado a sorte do avô."

Mas o Príncipe Wilhelm balançou a cabeça. "Não, vovô. Isso não é sorte. É calendário. Bruno nunca permitiria exceções por causa da família."

O sorriso do velho se transformou em compreensão.

Pela sua posição e poder, Bruno von Zehntner sempre manteve uma lei acima de todas: nenhum favoritismo.

Até mesmo o sangue dos imperadores tinha que conquistar seu lugar na engrenagem.

"Ele está certo," Eva sussurrou entre as lágrimas. "Se meu pai tivesse a sua preferência, nosso filho seria o último a deixar o front, não o primeiro. O destino virou a roda a nosso favor desta vez."

O Káiser exalou, assentindo solenemente.

"Então, agradeçam não pelo favoritismo, mas pela providência. A força do Império repousa em homens que servem porque precisam, não porque são escolhidos."

Eva apoiou a cabeça no peito do marido, seus soluços suavizando-se em respirações trêmulas.

Pela primeira vez em meses, ela se permitiu ter esperança, mas até nisso havia culpa.

Em algum lugar, outra mãe recebia a carta que temia. Outra família não teria tanta sorte.

Ela enxugou os olhos, endireitou o vestido e conseguiu um sorriso tênue. "Então, vamos rezar para que ele volte logo, antes que a sorte mude de ideia novamente."

Seu marido apertou a mão dela. O velho Káiser olhou para as grandes janelas do palácio, onde o crepúsculo banhava Berlim de ouro e cinza.

"A guerra não poupa ninguém para sempre," murmurou. "Mas, pelo menos esta noite, sejamos gratos por ainda jorrar sangue de nossa casa."

Por um breve momento, até as sombras da história pareciam ficar paradas, ouvindo as risadas e o alívio que, por mais breve que fosse, suavizavam o coração de aço do Império.

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