
Capítulo 739
Re: Blood and Iron
As casamatas compostas do batalhão blindado estavam agachadas sob o dossel da selva, cada uma envolta em sombra.
Nem um único motor fazia barulho. Nenhum brilho de calor surgia das portas de escapamento.
Apenas o suave, rítmico estalos da umidade evaporando no metal quente denunciava as máquinas como seres vivos.
Eles estavam como feras à caça, esperando.
O veículo de comando de Erich von Zehntner repousava semi-enterrado em cipós e samambaias, sua armadura pintada coberta por uma rede de camuflagem.
Ele ouvia os canais criptografados.
Cada voz lhe chegava por uma névoa de estática e distorção codificada, homens sussurrando coordenadas, reconhecimentos breves, o pulsar abafado das máscaras de respiração.
Algumas transmissões vinham de outros tanques. Outras, das telas de infantaria escondidas na lama, vigilantes ao reluzir de algum movimento.
Então veio a chamada.
"Blindagem detectada a dez quilômetros de distância. Força hostil estimada em tamanho de brigada. Esquece… melhor considerar uma divisão."
Uma divisão. Dez mil homens e suas máquinas avançando pelo interior de Luzon para cortar os desembarques aéreo alemães antes que pudessem consolidar suas posições.
Em qualquer guerra comum, resistir a uma onda assim seria um ato de loucura.
Mas Erich sabia de algo que os americanos não percebiam.
Ele olhou para seu artilheiro, um veterano magro com suor escorrendo pelo pescoço.
Os olhos do homem estavam fixos na mira, cujas lentes brilhavam levemente com o reflexo do retículo de mira.
Sob o veículo blindado, capacitores silenciosos pulsavam com energia armazenada, alimentando o sistema de propulsão híbrido-elétrico e os sistemas de controle de tiro, que faziam o design o que era.
Estes não eram os monstros a diesel da geração passada.
Os motores do batalhão haviam sido desligados horas atrás, substituídos por bancos de baterias silenciosas.
Sem fumaça. Sem vibração. Sem som. Na noite da selva, eles eram fantasmas.
Um estalo na rede.
"Alvo adquirido. Aguardando permissão para atacar."
A resposta de Erich foi instantânea.
"Abram fogo."
As palavras mal saíram de seus lábios quando a floresta explodiu.
Um clarão cegante rasgou a linha de árvores.
A primeira rajada de arma não foi um trovão, mas um estrondo profundo e concussivo, seguido por uma onda de choque que engoliu todos os sons ao seu percurso.
Cartuchos rastreadores rasgaram a escuridão como cometas de metal derretido.
O dossel da selva queimava com o reflexo branco das faíscas das atiradeiras de chamas.
O batalhão disparava em ritmo coordenado, trinta máquinas respirando em uníssono.
Cada terceira rodada era um penetrador de alta velocidade, o restante, explosivo de ricochete de ar e altas explosões.
Em segundos, o horizonte virou uma cortina de fogo.
Erich observava pelo periscópio enquanto a primeira formação americana desaparecia sob a luz intensa.
A sua coluna de blindados avançou diretamente para a zona de morte. O que os inimigos ainda consideravam sombras se transformou numa parede de luz e ferro.
O general Maurice Rose estava sentado na parte de trás da formação de sua divisão, segurando um cigarro aceso entre os dedos.
A umidade tinha encharcado seu uniforme até parece-lo uma peça de trapo molhado.
Ele era um homem que preferia céus abertos, não essa floresta sufocante onde até os faróis pareciam afundar.
Sua divisão tinha sido enviada para interceptar o que o Comando Supremo alegava ser uma brigada alemã de paraquedistas, a leste.
Pessoalmente, considerava aquilo uma bobagem.
Não eram tropas de para-quedas um incômodo? Perigosas em cidades e colinas, com certeza, mas nada que uma divisão blindada não esmagasse antes do café.
Preferia o Palawan, onde desembarcava a principal invasão alemã-tailandesa no momento.
Mas ordens eram ordens. Interceptar, cercar e eliminar.
Essas eram as palavras exatas dadas pelos seus superiores em Washington.
Como se esses burocratas resmungões soubessem alguma coisa sobre como vencer uma guerra.
Ele suspirou fumaça em direção ao teto do tanque Liberty e murmurou: "Não sei o que o Kaiser fez pra fazer o Roosevelt perder o sono, mas isso poderia esperar até o amanhecer."
O oficial ao lado dele assentiu distraído. Rose interpretou aquilo como um sinal de concordância e continuou.
"Cinco mil paraquedistas, só isso disseram. Sem blindagem. Sem artilharia decente. Provavelmente desembarcaram meio armados. Vamos pegá-los até amanhã."
Ele puxou cinza do cigarro.
"Você já ouviu esses boatos de tanques alemães caindo do céu na França? Dizem que foi assim que Dunkirk foi conquistada tão facilmente, por uma única brigada, nada mais. Pode acreditar nessas besteiras?"
O oficial sorriu cinicamente. "Contos de fadas, senhor."
"Exatamente," disse Rose. "Ficção científica. Talvez na próxima me digam que os Krauts estão construindo foguetes para a Lua."
Os homens riram, mas o som morreu rápido quando o oficial de comunicações se inclinou para frente, ajustando o headset.
"Senhor… a Terceira Brigada informa que estão sendo atacados."
Rose deu uma risada curta. "E? Talvez tenham pisado nas próprias minas de novo. Manda dizer para…"
A expressão do oficial de comunicações mudou.
Seu tom de voz ficou mais baixo. "Senhor, eles estão tomando fogo pesado. Dizem que não veem o inimigo… apenas flashes de canhão. Três quartos de baixas. Estão pedindo apoio imediato."
Rose o encarou. "Três quartos? Isso é impossível. Devem estar exagerando. Eles…"
A voz do oficial tremeu. "Senhor, a linha… está morta."
"O que quer dizer com morta?"
"Nada de estática, senhor."
Por um momento, o interior do tanque ficou silencioso, só com o suave sussurrar do rádio.
Então, timidamente, outro canal abriu. Uma voz desesperada, gritando através da interferência.
"Segunda Brigada sob fogo pesado! Inimigo desconhecido, blindado, flanqueando pelos bosques! Pedido…"
A transmissão terminou abruptlyamente.
Do lado de fora, o céu noturno a leste brilhava em laranja, pulsando como relâmpagos distantes.
O solo sob o tanque Liberty vibrava, o suficiente para Rose sentir nas dentes.
"Meu Deus…" ele sussurrou.
Ele se ergueu parcialmente para fora da torre, examinando o horizonte pelos binóculos.
Por um instante, pensou ter visto movimento, lampejos de luz entre as árvores.
Então veio outra explosão, mais perto, acompanhada por um zumbido baixo que parecia se estender no ar antes de desaparecer.
"Que porra foi essa?" perguntou um dos tripulantes.
Rose não tinha resposta.
Seu silêncio era mais assustador que os gritos no rádio.
E, quando finalmente respondeu, nada conseguiu impedir o medo que crescia dentro de cada um deles.
"Dá a ordem para a 4ª Brigada avançar imediatamente em apoio à 2ª. Quanto à 1ª Brigada, diga para recuarem e aguardarem novas ordens…"
Ninguém ousou discordar do General.