
Capítulo 664
Re: Blood and Iron
A neve caía contra as janelas altas de sua residência em Berlin, batendo suavemente contra o vidro.
Uma lareira queimava de forma branda na lareira, seu calor incapaz de aliviar o frio que parecia penetrar até os ossos de Eva enquanto ela permanecia sozinha na sala de estar.
A porta abriu-se silenciosamente.
Príncipe Wilhelm entrou, com o uniforme impecável como sempre, mas com uma expressão sombria.
Ele fechou a porta atrás de si, atravessando a sala com passos deliberados.
Eva olhou para cima, e nos olhos dele ela viu a resposta antes mesmo de ele falar.
"Aconteceu," disse simplesmente. Sua voz estava firme, mas baixa. "Seu avô faleceu."
Por um momento, ela permaneceu em silêncio.
As palavras pressionaram seu peito como um peso, mas ela não deixou que a quebrassem.
Seu rosto pálido manteve-se composto, embora suas mãos estivessem cerrado com força contra o descanso de braço de sua cadeira.
Ela aspirou lentamente, de forma deliberada, e assentiu uma vez.
"Terei que partir de avião para Tirol," disse por fim, com voz tranquila, medida. "Minha família precisará de mim lá. E espero que você e as crianças venham também."
Wilhelm fez um leve aceno de compreensão. "Sei. Já preparei tudo assim que recebi a mensagem. O avião estará pronto dentro de uma hora."
Os lábios de Eva se abriram levemente, como para protestar ou insistir mais, mas ela viu a certeza nos olhos dele. Em vez disso, permitiu-se um pequeno suspiro, mantendo sua compostura intocável.
Wilhelm aproximou-se, com tom mais suave agora.
"Meu avô está preparando uma cerimônia de estado. Bem grandiosa. Ele não negaria a homenagem que seu avô merece. Coronel na Guerra Franco-Prussiana, condecorado inúmeras vezes… Bruno von Zehntner Sr. não será enterrado discretamente. O Reich o homenageará mais uma vez."
O olhar da princesa Eva da Prússia vagou para o fogo, observando as brasas crepitar.
Ela lembrou dos encontros familiares, de como a presença do avô enchia todos os salões, da mão dele repousada sobre o seu ombro no dia em que se casou com Wilhelm.
O pensamento ameaçava romper sua compostura, mas ela o engoliu.
Voltou-se para o marido, olhos firmes, voz clara. "Então, não vamos atrasar. Minha família estará esperando."
Wilhelm inclinou a cabeça e, por um momento, o silêncio entre eles falou mais do que palavras poderiam dizer.
Ela levantou-se, arrumando o vestido, com movimentos precisos e deliberados.
A princesa Eva não chorava, ainda não. Ela não mostraria fraqueza antes que a hora exigisse.
Em vez disso, endireitou os ombros, segurou o braço do marido, e juntos deixaram a sala para preparar a viagem que estava por vir.
O Palácio de Inverno estava em silêncio, seus vastos corredores sombrios sob o brilho de cristais de lustres.
Além das janelas altas, São Petersburgo jazia sob a neve, a cidade abafada em silêncio como se o mundo inteiro estivesse de luto.
O czar Alexei caminhava com passos sem pressa, cansado das reuniões do dia, até que parou em frente a uma sala lateral.
A porta estava entreaberta, e de dentro ele ouviu um som que o congelou no lugar. Não palavras. Nem risadas.
Mas o ritmo fraco e quebrado de alguém soluçando.
Ele abriu a porta cuidadosamente.
Lá, emoldurada pela luz pálida da janela, estava Elsa.
Seu rosto estava pálido, os olhos vermelhos, a compostura destruída de uma forma que ele nunca tinha visto antes.
Seus lábios se abriram, mas a princípio nenhum som saiu. Então, com uma respiração trêmula, ela forçou as palavras:
"Meu avô… ele se foi."
Coração de Alexei apertou-se. Bruno von Zehntner, o mais velho, o patriarca de sua casa, o homem cujo sombra se estendia sobre sua infância.
Ele tinha encontrado o velho Junker mais de uma vez, uma figura de ferro ainda afiada mesmo na velhice avançada.
A morte dele não era uma questão pequena para sua família, nem para o Reich.
Elsa engoliu em seco, lutando para se acomodar. "Preciso ir ao Tirol. Minha família vai se reunir, e eu tenho que estar lá."
Alexei segurou seu rosto, afastando a umidade de sua bochecha com o polegar. "Então, iremos. Imediatamente. A Rússia pode me dispensar. Mas sua família não pode dispensá-la agora."
Seu silêncio se quebrou ainda mais, e ela pressionou a testa contra o peito dele, com as mãos agarrando o cabide do casaco como se temesse soltar.
Pela primeira vez, a máscara de gelo derreteu completamente, deixando apenas uma neta chorando pela perda do homem que sustentou sua linhagem.
Alexei a segurou com força, olhando além dela para a noite coberta de neve além das janelas.
Naquele momento, ele entendeu: a morte de Bruno Sr. marcava a passagem de uma era, e para Elsa era a primeira vez que ela tinha que enfrentá-la às lágrimas.
"Vamos," sussurrou, acariciando seus cabelos. "Vamos juntos. Você não enfrentará isso sozinha."
E, pela primeira vez em anos, Elsa deixou-se ser conduzida, não como czarina, nem como a mulher de gelo que o mundo conhecia, mas como uma neta, apoiando-se na força do marido enquanto a tempestade lá fora rugia.
A Granja de Tirol nunca tinha tido tanta gente sob seu teto.
Carros elegantés pararam sob o pórtico.
De todos os cantos do Reich e além, vieram irmãos, tios e tias, primos há muito afastados, filhos e netos, esbarrando por todos os corredores.
Os oito irmãos de Bruno estavam reunidos novamente, envelhecidos e grisalhos, suas esposas ao lado, seus filhos e netos ocupando os claustros.
Seus próprios filhos, também, chegaram com seus cônjuges e pequeninos puxando as roupas de gente grande, curiosos para ver os retratos.
Até mesmo aqueles parentes distantes que uma vez o desprezaram na juventude agora curvavam a cabeça na mesma casa, na mesma linhagem, com o mesmo nome.
Dezenas, talvez centenas, se reuniram na grande sala, em um mar de preto, símbolo do luto sob o teto abobadado.
O ambiente estava carregado de silêncio, não o silêncio da solidão, mas o silêncio de legado, de uma dinastia que veio a lamentar o homem que a criou, moldou e a elevou da obscuridade para uma casa que hoje os príncipes chamam de sua.
O patriarca havia partido, e a família veio lembrar dele.