Re: Blood and Iron

Capítulo 605

Re: Blood and Iron

As paredes do salão ainda carregavam marcas de tiros de artilharia, hastily tapadas com gesso e camadas novas de tinta, mas as rachaduras eram mais profundas do que as paredes.

Elas percorriam a alma de uma nação à beira do colapso e through as últimas ilusões rasgadas do controle americano no Pacífico.

O presidente Franklin D. Roosevelt estava sentado sob uma águia americana envernizada, sua cadeira de rodas cuidadosamente posicionada atrás de uma longa mesa de mogno.

Do outro lado, estavam três homens, representantes do Fronte Cívico, a face política nominal da insurgência que havia esgotado as forças americanas de Luzon a Sulu.

A voz de Roosevelt era medida, de modo diplomático. Mas seus olhos estavam cansados.

"Senhores," começou, ajustando os papéis à sua frente. "O povo americano deseja paz. Querem seus filhos de volta. E imagino que os seus também."

O homem no centro, o senador Teodoro Marasigan, era magro, bem vestido e calmo na postura.

Isso, apesar de saber que uma vez havia elaborado ordens para emboscadas e campanhas de colocação de minas em Samar, sob outro nome.

"Senhor Presidente," disse ele com firmeza, "apreciamos sua disposição em conversar conosco abertamente. Muitos dos nossos temiam que o senhor nunca reconhecesse a legitimidade do Fronte Cívico."

FDR sorriu de leve. "Vamos não nos iludir. Legitimidade é uma conveniência política. O que reconheço é o custo da guerra."

Marasigan inclinou um pouco a cabeça. "Então, vamos discutir o custo. Não buscamos vingança. Queremos independência. Uma independência verdadeira. Não uma coberta por bandeiras e marcada por cláusulas de tratados."

Roosevelt olhou para seus assessores e depois se inclinou para frente.

"Uma retirada completa e imediata," falou lentamente, "não é politicamente viável aqui em casa. Não após os anos que passamos. O sangue. Os recursos. As eleições."

"Entendemos," disse o segundo representante, o prefeito Inigo Cruz de Cavite, que também era dito como um antigo comandante de campo.

"Mas também não podemos permitir que vocês instalem outro governo 'sorgo' que responde a Washington enquanto reprime nosso povo."

FDR respirou fundo.

"Então, encontramos uma terceira via. Um roteiro rumo à independência. Uma cronograma. Eleições supervisionadas por observadores neutros. Ajuda econômica transitória."

As sobrancelhas de Marasigan se levantaram. "E quem governa nesse período de transição?"

Roosevelt olhou diretamente nos olhos dele. "Vocês. O Fronte Cívico. Com a condição de que as hostilidades cessem. Que a insurgência desarme. E que a nova Constituição das Filipinas proteja os interesses econômicos americanos pelos próximos dez anos."

Marasigan recostou-se. "Você quer paz com dignidade para a América. Mas está nos pedindo que consolidemos a dependência."

O tom de Roosevelt ficou mais severo. "Estou oferecendo uma república, não uma colônia. Mas, se quiser que essa república seja reconhecida no cenário mundial, precisará fazer sua parte."

Houve silêncio.

Então Marasigan falou cuidadosamente. "Vamos aceitar sua proposta. Formalmente. E apresentá-la ao nosso conselho. Mas saiba, Sr. Roosevelt, se nossos compatriotas perceberem uma amarra escondida sob o veludo, eles vão romper."

Roosevelt assentiu. "Não esperaria menos de uma nação que lutou tanto por isso."

Estendeu a mão. Relutantemente, Marasigan a aceitou.

Do lado de fora, a chuva começava a cair sobre os telhados queimados de Manila, lavando as cinzas, mas não o sangue.

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As paredes do refúgio na montanha eram de adobe grosso, frescas, apesar do calor tropical.

Uma única lâmpada de gás piscava sobre um mapa de Luzon feito à mão, pregado na parede do fundo.

Ao redor da mesa de madeira, reuniram-se o conselho de liderança do Fronte Cívico: políticos, antigos comandantes de campo, professores e padres que se tornaram revolucionários.

A sala estava silenciosa, salvo pelo zumbido distante das cigarras e o suave ruído da chuva sobre o telhado de telhas.

O senador Teodoro Marasigan, ainda com seu terno bem passado da reunião em Manila, ficou na cabeceira da mesa, com a proposta assinada por Roosevelt nas mãos.

"Ele chama isso de transição," disse Marasigan, deixando o documento sobre a mesa, "mas não se engane... isso é uma coleira. Só que uma que brilha mais do que a anterior."

O general Emilio Salazar, ex-comandante da resistência em Luzon, batucou na mesa com o dedo áspero.

"Coleira ainda é um passo longe da jaula," bufou. "E o povo está exausto. Nossos estoques estão baixos. Nossos combatentes, sobrecarregados. Você acha que podemos manter isso por mais um ano?"

"Tem outro problema," disse Inigo Cruz. "Katipunan ng Dugo at Laya. Já distribuíram panfletos em Cebu. 'Sem negociações. Sem eleições. Apenas o sangue cura a ferida.'"

Escupiu no chão de terra.

"Eles estão crescendo," disse Maria Ysabel del Rosario, ministra de comunicação do Fronte Cívico. "Nem sequer estão tentando vencer a guerra. Só querem destruir o sistema, e agora somos nós que estamos na frente."

Marasigan franziu a testa. "Se rejeitarmos o acordo de Roosevelt e Katipunan intensificar seus ataques a civis, mercados públicos, postos americanos, então Washington terá toda desculpa para apertar novamente o cerco. Vão nos rotular como duas faces do mesmo monstro."

"E se aceitarmos," interrompeu Salazar, "Katipunan vai nos chamar traidores, marionetes, covardes. E terão a simpatia de todos os cidadãos zangados e famintos que se sentem traídos."

"Então, de qualquer modo," disse Cruz com tom sombrio, "estamos segurando a faca pela lâmina."

Silêncio.

Finalmente, Ysabel falou, sua voz calma, mas firme. "Então, devemos fazer os dois. Aceitar o plano de transição, mas controlar a narrativa. Transformar isso na nossa vitória, não numa concessão."

Salazar levantou uma sobrancelha cética. "Você acha que o povo se importa com ‘narrativas’ enquanto dividem arroz e enterram os filhos?"

"Acredito que se importam quem ainda está de pé quando a poeira assentar," ela respondeu. "Roosevelt quer um acordo. Isso nos dá vantagem. Exigimos observadores internacionais, não apenas americanos. Alemães, siameses… Qualquer um com olhos neutros."

Marasigan assentiu lentamente. "E, nesse meio-tempo, enviamos emisários aos grupos de extremismo do Katipunan. Quem não estiver totalmente perdido para o radicalismo, oferecemos uma oportunidade de diálogo. Os demais…"

A voz dele se tornou mais dura. "…isola-los. Cortamos suas fontes de financiamento. Deixamos os americanos lidarem com as represálias. Deixamos claro... que somos o caminho para a paz, não eles."

"E se os americanos nos traírem?" perguntou Salazar, apoiando-se com os braços cruzados.

"Então, lutamos de novo," respondeu Marasigan, simples. "Mas na próxima, o mundo vai saber quem quebrou a paz."

A chuva aumentava lá fora, batendo como tambores distantes.

Naquele esconderijo remoto, cercado por uma floresta enevoada e os fantasmas de companheiros caídos, o Fronte Cívico escolheu a lâmina de barbear. A paz não viria facilmente. Mas, se viesse, seria deles.

Ou de ninguém.

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