Re: Blood and Iron

Capítulo 613

Re: Blood and Iron

Os pilares de mármore do salão haviam sido outrora palco de música cortesã e do eco dos saltos das damas nobres.

Agora, estavam repletos de microfones, cinegrafistas e a silenciosa tensão do julgamento.

O brasão nacional da Espanha repousava atrás do tribunal: o leão dourado e o castelo vermelho ladeando a bandeira do rei Afonso XIII.

Abaixo dele, uma longa mesa de mogno, elevada por dois degraus baixos, onde estavam sentados cinco juízes, todos escolhidos a dedo pela coroa.

Um era general.

Outro, bispo.

Outro, magistrado civil.

Outro, filósofo monarquista.

E o último… era um alemão.

Ninguém dizia em voz alta, mas todos que assistiam sabiam: aquilo era mais do que justiça. Era teatro.

E o mundo observava.

Dezenas de jornalistas estrangeiros estavam sob a galeria de imprensa, com cadernos prontos, câmeras em ação.

Torres de transmissão fora de Madri levavam o julgamento ao vivo para todas as regiões do Reich, o Reino da Itália e territórios monarquistas aliados na América Latina.

Uma voz solene silvou pelo rádio:

"Cidadãos da Espanha. Subsídios da Coroa. Ouçam agora o veredicto de traição."

As portas do tribunal rangeram ao se abrir.

Seis homens e uma mulher foram escoltados por guardas reais.

Ex-generais, líderes anarquistas, comandantes de sindicatos e ex-ministros do chamado governo republicano.

Alguns mancaram. Outros pareciam vazios, derrotados não só pela guerra, mas pela constatação de que a história os havia abandonado.

Seus grilhões tilintaram. Seus olhos se mexeram rapidamente.

Manuel Azaña, ex-primeiro-ministro da República Espanhola, avançou com passo vacilante primeiro.

Seu cabelo já estava grisalho, sua voz outrora afiada agora rouca após semanas de isolamento. Ele parou diante do tribunal, sem fazer reverência.

"Manuel Azaña Díaz," leu o magistrado, "você está acusado de alta traição, administração ilegal, sedição, incitamento à revolta, cooperação ilícita com Estados estrangeiros e mortes de 300 mil espanhóis durante o conflito civil. Como você se declara?"

Azaña olhou para as câmeras e hesitou. Por um momento, alguns na galeria acharam que ele faria uma última resistência, clamaria pela República ou pelo menos denunciaria a monarquia.

Em vez disso, respondeu de forma monótona: "Culpado de governar. Não de traição."

Era só isso.

O bispo se inclinou para frente. "Você declarou a formação da sua chamada República e negou a legitimidade do reinado de Sua Majestade! Você profanou altares. Assinou ordens para nacionalizar a Igreja. Permitiu o massacre de mais de mil padres. Você nega isso?"

"Eu não assinei as balas."

"Mas assinou as leis que lhes deram as armas."

O ambiente ficou em silêncio.

Depois veio Dolores Ibárruri, La Pasionaria, outrora a voz vibrante da Frente Popular. Agora, ela parecia uma sombra amarga, com seu lenço vermelho preso sob o cinza das roupas penitenciárias.

"Você mobilizou multidões para queimar catedrais," disse o juiz alemão com calma. "Chamou por purgas na aristocracia. Abriu as portas para agitadores estrangeiros interferirem nos assuntos espanhóis."

"Lutei por justiça."

"Você a encontrou?" ele perguntou.

Ela não respondeu.

O tribunal seguiu por mais de uma semana. A cada dia, uma nova fila de revolucionários entrava na sala. Alguns desafiadores, outros derrotados, alguns chorando, outros com o rosto de pedra.

E, com cada testemunho, o mundo via.

Fitas gravadas eram cortadas para o público internacional: clips granulados de igrejas queimadas, valas comuns de civis, crianças baleadas na rua por milícias anarquistas, a destruição de Valência, o bombardeio de Toledo por artilharia republicana, tudo apoiado por ajuda dos Aliados.

A mensagem era clara.

Não eram rebeldes. Não eram combatentes pela liberdade. Eram assassinos de terno sob medida.

No oitavo dia, o próprio rei Afonso entrou na galeria, sentado com dignidade enquanto os veredictos finais eram lidos.

Manuel Azaña: morte por pelotão de fuzilamento.

Ibárruri: prisão perpétua em um convento de trabalhos forçados.

General Líster: enforcado.

Líder sindical José Díaz: morte por enforcamento, comutado para prisão perpétua após confissão.

Federico García Lorca: absolvido... considerado poeta, não conspirador.

Nessa noite, uma transmissão pública foi feita do grande balcão do Palácio Real. Soldados enfileirados nas ruas. sinos das igrejas tocando em tom baixo.

O primeiro-ministro Tomás Garicano ficou no púlpito, com a bandeira real tremulando atrás dele.

"Esta guerra não foi apenas civil," afirmou. "Foi existencial. Não estávamos divididos por partidos, mas por valores. Entre aqueles que destruiriam a Espanha e aqueles que morreriam para preservá-la."

Ele fez uma pausa.

"Não celebramos este tribunal. Lamentamos que fosse necessário. Mas que fique claro para Madri, Paris, Washington, que a Espanha não permitirá outra revolução. Não agora. Nunca mais. Se trouxerem fogo às nossas terras, responderemos com ferro. Se erguerem suas bandeiras vermelhas em nossas praças, devolveremos em cinzas e sangue."

Câmeras piscando.

E então, sem música, sem hino, a tela se apagou.

A transmissão terminou.

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