Re: Blood and Iron

Capítulo 607

Re: Blood and Iron

A sala de estudos da propriedade Tirol era iluminada por uma suave luz de lâmpadas douradas, as cortinas longas abertas para revelar a neve leve caindo lá fora, além das janelas.

Era uma noite rara em que todas as grandes figuras da família von Zehntner se reuniam, não por questões de estado ou estratégia, mas por algo tão antigo e humano quanto o amor.

Erich ficava de pé, ainda vestido com o uniforme que usara ao retornar da Espanha.

Seus medalhões refletiam a luz, entre eles a estrela reluzente de seu heroísmo concedida pela monarquia espanhola restaurada.

Porém, o queixo do jovem estava cerrado, e seus olhos nunca se fixavam completamente no olhar de quem estivesse diante dele.

À sua frente estavam os pais, Erwin e Alya, nobres e compostos na postura, mas claramente curiosos.

Heidi sentada ao lado do marido, Bruno, ambos figuras mais velhas, imóveis, observando com expressões difíceis de decifrar.

Erich sentia o peso do olhar de seu avô.

Áspero, penetrante, o olhar de alguém que sobrevivera a duas vidas de guerra, traições e vitórias.

O silêncio se alongava, pesado.

Então Erich respirou fundo e falou.

"Sei que isso vai surpreender. Talvez até decepcionar. Mas fiz minha escolha. Amo ela. Já a amo há algum tempo. Erika não é apenas a filha de um amigo caído; ela é uma pessoa independente. Forte. Orgulhosa. Bondosa. Quero me casar com ela."

No entanto, ninguém falou nada.

Ele hesitou, como se estivesse esperando a sentença. "Se isso significar abrir mão da herança ou do título, eu aceito. Prefiro ser um homem sem título e tê-la ao meu lado do que um príncipe desta casa com tudo no coração vazio."

Um leve tremor surgiu no canto dos lábios de Alya, quase um sorriso. Heidi piscou uma vez, depois olhou para o marido.

Bruno exalou e inclinou-se um pouco para frente. "Só gostaria que você tivesse me contado antes sobre suas intenções."

O coração de Erich parou.

Bruno continuou, calmo e seco como a neve: "Eu teria organizado tudo oficialmente. Apesar de a mãe dela ainda me detestar, eu prometi cuidar da família da Erika quando seu pai faleceu. Se você tivesse feito isso, eu não teria planejado outra coisa…"

E ele hesitou, mexendo no vinho no copo com uma pausa que deixou o jovem suando frio.

"...E, na verdade, acho que isso agora passa para o seu irmão mais novo."

Erich piscou. "Então… você não está… bravo?"

Bruno pareceu divertido. "Claro que estou. Tive seis meses de negociações com a Casa Orleans planejados para você. Mas... devia ter congelado esses planos assim que percebi o quanto você estava apaixonado pela Erika... esse é meu problema, não seu."

Antes que Erich pudesse responder, Erwin ajustou a garganta.

"Não seja tão duro com o garoto," disse, colocando uma mão reconfortante no ombro do filho. "Ele é jovem. E achava que teria que fugir às escondidas. Dá pra culpá-lo por não ter contado antes o que queria? Estamos falando de você, pai…"

Um momento passou, e Heidi, de todos, foi a primeira a assentir. "É verdade."

Alya deu um sorriso satisfeito e completou: "Você realmente tem uma fama."

Até os criados pausing, enquanto Bruno, lentamente, olhava ao redor da sala, incrédulo.

"Sinto que sou tão intimidante assim?" perguntou por fim, com a voz carregada de compreensão genuína, "que minha própria família teme decepcionarem-me?"

Todos responderam em uníssono.

"Sim."

Heidi tomou um gole de chá.

Erwin sorriu de leve.

Alya abafou uma risada.

E Erich… finalmente respirou aliviado, os ombros relaxando enquanto se voltava para sua noiva, que entrava agora pelo hall.

Erika, com olhos orgulhosos e sem medo, deu um leve aceno de cabeça, como se aquilo também fosse mais uma vitória conquistada em uma batalha.

"Sabe," murmurou Bruno, levantando-se com um suspiro e indo até a lareira, "quando eu era jovem, os homens temiam decepcionar seus comandantes. Não os avós."

Erwin riu. "Isso porque a maioria dos avós não anexou a Áustria e sobreviveu a tiros disparados por todos os governos do planeta."

Bruno fitou as chamas, depois balançou a cabeça, sorrindo para si mesmo.

" Pois é," murmurou, levantando seu copo em direção ao casal. "À juventude. E ao seu bom senso… eventualmente."

Todos ergueram seus copos.

Do lado de fora, o vento soprava sobre as montanhas.

Por dentro, a paz, pelo menos por ora, permanecia firme.

Comentários