Re: Blood and Iron

Capítulo 618

Re: Blood and Iron

As janelas do palácio davam para os jardins, mas Rei Carol II não via nenhuma das tulipas ou sebes aparadas.

Ele permanecia de pé, com as mãos entrelaçadas atrás das costas, enquanto o leve tique-taque do relógio alto marcava o silêncio na sala.

Desde que a tinta secou nos acordos de Tirol, a paz com a Hungria era mais uma chapa de metal a ponto de explodir do que um tratado, carregada pelo peso da sombra de Bruno von Zehntner.

Durante anos, ambos os reinos cuidaram de suas fronteiras, com receio de provocar a ira do Reich.

Mas agora?

Agora, a Hungria era vista nas salas de Berlim, conversando calorosamente com Wilhelm e, pior, com Bruno próprio.

Todos os indícios apontavam que eles buscavam uma vaga na mesa dos Novos Poderes Centrais.

E, se conseguissem, o equilíbrio se desequilibraria.

No próximo pedido de Budapest a Bucareste, eles não precisariam negociar; bastava apontar para o norte, e os alemães fariam o resto.

Carol expirou lentamente. Evitou a Grande Guerra, atendendo aos avisos silenciosos de Bruno, advertências que salvaram seu trono e evitaram a ruína da Romênia.

Porém, ao fazer isso, também se tornou dependente da boa vontade de um homem cuja lealdade estava acima de tudo ligada ao Reich.

Seu ministro-chefe, Argetoianu, esclareceu a garganta. "Majestade, nossa posição ficou delicada. Se a Hungria entrar na aliança, vai reivindicar antigas pretensões. E Berlim ficará menos disposta a segurá-las."

Os olhos de Carol se estreitaram. "A menos que Berlim tenha motivos para ver a Romênia como algo além de um estado-tampão."

"Quer dizer, seduzi-los," disse o ministro, embora não fosse uma pergunta.

Carol se voltou da janela. "Hohenzollerns não são estranhos entre si. Wilhelm é da linhagem principal; eu, de uma ramificação mais nova. Sangue é sangue, mesmo que escorra sob as gerações. Se a Bulgária pode usar casamentos e sentimento a seu favor, nós também podemos."

Argetoianu franziu a testa. "E se o Kaiser lembrar da nossa neutralidade na última guerra como covardia?"

Carol sorriu de canto. "Então, lembrarei que a covardia deixou os soldados alemães livres para lutar em outros lados. Um favor não reconhecido é um favor não pago. E Wilhelm parece ser do tipo que prefere manter suas dívidas em dia."

Ele olhou novamente para os jardins; as tulipas balançando ao vento, como fileiras de soldados erguidos em formação.

"Prepare a correspondência. Berlim vai ouvir de seus parentes em Bucareste antes do fim do mês."


Berlim, Três Semanas Depois

A luz da tarde inclinava-se pelas janelas altas do gabinete do Kaiser, reunindo-se sobre a mesa lustrosa onde uma correspondência de cor creme jazia rasgada e aberta.

Wilhelm deixou a carta com um leve grunhido e deslizou-a na direção de Bruno.

"Do Carol," ele disse. "Nosso 'querido primo' em Bucareste."

Bruno pegou, vasculhou a caligrafia fluida e suspirou, silencioso e sem humor.

"Ele se veste bem, fala de laços familiares, respeito mútuo, herança comum dos Hohenzollern, mas o cheiro de desespero passa por tudo."

Wilhelm recostou-se, entrelaçando os dedos. "Ele não está errado em se preocupar. A Hungria está se aproximando mais, e ele teme ficar isolado."

Bruno serviu-se de um gole do decantador, o vidro refletindo a luz âmbar. "Medo, e com razão. A Hungria, por mais que exiba bravatas, poderia dar conta do recado se nós a incluíssemos na jogada. Tem indústria, força de trabalho, e—"

ele deu um gole—"um orgulho teimoso que faz dela uma aliada perigosa, mas também uma inimiga bem mais perigosa."

"E a Romênia?" perguntou Wilhelm, com o sobrancelha levantada.

Bruno soltou uma risada suave. "Seria peso morto. Uma aliada só no nome, sugando recursos enquanto nos dá uma nova frente de defesa. E pior... se ligarmos nossos destinos aos deles, garantimos que Budapeste interprete isso como uma ofensa e se jogue contra os Aliados."

Deixou o copo cair com um baque sutil. "Se Arz se sentir encurralado, vai apostar tudo. Tudo ou nada. E Arthur Arz von Straußenburg não é o tipo de homem que abdica de uma reivindicação, especialmente na terra onde nasceu. Ele apostaria seu reino todo antes de ceder uma réstia."

Wilhelm passou a mão pelo queixo. "Então, ao aceitarmos Carol, corremos o risco de perder a Hungria. Mas, se pegarmos a Hungria, Carol verá seus medos confirmados."

O olhar de Bruno permanecia na mapa pendurado na parede ao longe, com os Bálcãs marcados com tinta cuidadosa.

"Um deles vai ficar decepcionado, Wilhelm. E sei qual tem mais valor para nós numa guerra."

O Kaiser permaneceu em silêncio por um longo momento, então empurrou a carta de lado como se já não tivesse mais importância.

"Então, a Romênia fica esperando. Laços de família ou não."

Bruno pegou novamente o copo, com tom hunido: "O sangue cria alianças que ideally duram séculos. Mas essas alianças só permanecem se ambas as partes renovarem seus laços a cada geração ou duas. A Romênia não fez isso, e agora verá que a força da Hungria vale mais do que seu sangue rarefeito."


A luz da primavera pelos vitrais do palácio era tênue e sem cor, transformando os pisos de mármore emPlanos de vidro frio.

Rei Carol II sentava-se atrás de sua mesa, a telegrama de Berlim ainda aberta em suas mãos.

A linguagem era cortês, até calorosa em alguns trechos, garantias de amizade, respeito mútuo, o "valor duradouro do papel da Romênia na estabilidade europeia".

E, no entanto, entre cada linha, estava a mesma verdade: Sem promessas. Sem garantias.

Ele colocou o papel com cuidado deliberado. No silêncio de seu gabinete, o estalido da lareira parecia zombeteiro.

"Estão deixando a porta aberta para a Hungria," disse, finalmente, sem olhar para cima.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Istrate, cambaleou um pouco. "Majestade, a redação não—"

Carol o interrompeu com um olhar firme, capaz de fazer o homem calar-se no mesmo instante. "Sei bem o que diz. Também sei o que não diz. Berlim não arriscará ofender Budapeste. Ainda não."

Ele recostou-se, entrelaçando os dedos. "Enquanto Bruno von Zehntner respirar, será a sombra que cobre todas as minhas fronteiras. Ele não hesitará em deixar a Hungria avançar suas reivindicações se isso servir ao seu jogo."

Istrate hesitou. "Então, devemos considerar—"

"—como evitar que ele nos veja como descartáveis," finalizou Carol.

Seus olhos cruzaram um retrato na parede ao longe: um Wilhelm II mais jovem, tirado antes da guerra, lembrança do vínculo distante com os Hohenzollern que uma vez acreditou ser inquebrável.

"Família," disse Carol em voz baixa, quase para si, "só importa até deixar de importar."

Permanecia ali, por um longo momento, em silêncio, com a telegrama repousando como um veredicto na mesa diante dele.

Do lado de fora, o vento sacudia as venezianas, trazendo a sensação de que a próxima tempestade já se aproximava.

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