Re: Blood and Iron

Capítulo 564

Re: Blood and Iron

No coração da América, a pesada mesa de carvalho na sala de estratégia do Departamento de Guerra rangia sob pilhas de telégrafos, fotografias de reconhecimento borradas e dossiês de inteligência urgentes.

A atmosfera era carregada de preocupação; um medo silencioso que ninguém tinha coragem de pronunciar ainda.

Um coronel passou a mão trêmula pelos cabelos. — Senhores, temos as últimas avaliações aéreas. As cidades litorâneas estão... devastadas. Não bombardeadas. Não queimadas por ataques comuns. É como se o próprio ar tivesse incendiado. Distritos inteiros apagados de um só estrondo.

Do outro lado da mesa, um Adido Naval tocou as fotografias com o dedo rígido. — Nossos analistas nem conseguem estimar o peso. Disseram que deve ser alguma nova forma de explosivo de alta explosividade. Olhem aqui; os padrões de choque se espalham por quilômetros, as ruas internas desgastadas por algo que eles descreveram como... como se um vácuo tivesse rasgado tudo.

— Você está sugerindo que os alemães desenvolveram algum novo tipo de explosivo? Algo além de nosso estoque de TNT e amatol? — perguntou outro militar, a voz tremendo.

— Não sei, — admitiu o coronel. — Mas seja lá o que for, obrigou os japoneses a se renderem de imediato. Depois de apenas alguns ataques.

O Secretário da Guerra respirou fundo, o ar saindo de seus dentes com um sibilo. Ele pegou um decantador, vertendo duas doses de bourbon em um copo, e nem se deu ao trabalho de oferecer a ninguém.

— Então, vamos deixar isso bem claro, — rosnou. — A Alemanha acabou de obrigar um dos maiores impérios do mundo a se ajoelhar usando um punhado do que; enormes munições aéreas? Foguetes? Uma superarma? E tudo isso foi feito por suas unidades coloniais. Nem mesmo pelas forças que mantêm na fronteira europeia.

Silêncio caiu como uma tampa de caixão.

Finalmente, o chefe de inteligência sussurrou, — Senhor, se foi isso que eles deram aos seus regimentos coloniais, que Deus nos ajude se algum dia formos confrontar suas divisões homeland.

Ninguém discordou. O único som era o giro lento do bourbon no copo do secretário, refletindo a luz como sangue.


Nos morros míticos do Serviço Secreto de Inteligência da Grã-Bretanha, onde as sombras nasciam na escuridão dos corações humanos, a sala de mapas em Vauxhall Cross estava densa de fumaça de cigarro e do cheiro pungente de suor.

Películas de rotas marítimas globais e interceptações de telegramas se espalhavam pelas paredes como teias de aranha; cobertas com anotações frenéticas e novas adesões.

Um controlador do MI6 apontou uma mão para um conjunto de documentos dispersos na mesa. — Estes são nossos relatórios mais recentes de agentes infiltrados nos portos coloniais alemães. Grandes quantidades de compostos de nitrato. Remessas específicas de turbinas. E estes — — ele tocou uma fotografia granulada — — o que acreditamos serem cartuchos cilíndricos longos. Muito maiores que qualquer coisa para artilharia padrão.

Outro analista tossiu. — E os padrões de choque nessas cidades japonesas... não se parecem com nada que já estudamos. Nem de canhões navais, nem de bombardeios aéreos convencionais. Distritos inteiros achatados de uma só vez. As pedras foram sugadas para dentro como se fosse pela boca de um monstro.

Alguém por perto sussurrou: — Meu Deus... que tipo de armamento poderia fazer isso? Se não for pura quantidade de explosivos, deve ser algum princípio novo de explosão.

O controlador apenas balançou a cabeça. — Não sabemos. Esse é o horror. Ainda estamos tentando entender se isso são novas formulações químicas, ou algum dispositivo avançado de pressão.

Ele se inclinou sobre a mesa, baixando a voz. — E lembrem-se, essas forças eram guarnições coloniais da Alemanha. Não seus exércitos principais. Não as divisões que defendem o Reno ou Berlim. Se suas colônias podem causar esse terror... o que o Pai-Nosso tem reservado em reserva?

Um silêncio tão profundo que o relógio na parede parecia ensurdecedor.

Por fim, um chefe de estação de cabelos grisalhos murmurou, — Me ligue para o Ministério da Fazenda. Precisamos informar o Gabinete de que o alcance da Alemanha, e suas armas misteriosas, podem forçar uma revisão completa das nossas garantias continentais.

Ninguém discordou. Todos estavam ocupados demais imaginando como Londres ficaria sob aquela mesma respiração monstruosa.


Na cidade de Paris, dentro dos salões reconstruídos de Versailles, De Gaulle permanecia rígido às janelas altas de seu escritório particular, encarando o pátio onde a Guarda Republicana treinava ao pôr do sol. Seus ombros se moviam com fúria silenciosa.

Na sua mesa, jazia o relatório mais recente do Deuxième Bureau, páginas já amassadas e manchadas de suor, de suas mãos. Recontava, em termos sombrios e clínicos, como as forças coloniais da Alemanha tinham destruído os exércitos do Japão, derrubando um grande império sem jamais convocar suas principais divisões.

O pior ainda estavam nas últimas linhas, sussurrando sobre novos bombardeios estranhos; conchings monstruosos que achatavam distritos costeiros inteiros, rasgando estruturas para dentro, como se o próprio ar tivesse colapsado.

A garganta de De Gaulle trabalhou, presa a um rosnado bruto.

— **Colônias**, — sussurrou. — Não as linhas ao longo do Reno. Não as divisões de fortaleza atrás da maldita muralha de concreto e aço. E ainda assim, trouxeram o Sol Nascente à submissão.

Ele virou-se para o general, que esperava nervoso à porta. — Que notícias da Bélgica e Holanda?

O oficial engoliu em seco. — Cables preliminares sugerem... inquietação crescente, mon Général. Seus ministros lembram bem quando nossos exércitos cruzaram suas fronteiras sob o Plano XVII. Agora, com guarnições alemãs acomodadas de Antuérpia até Estrasburgo, eles nos temem. Talvez busquem garantias explícitas de Berlim em breve.

As mãos de De Gaulle se cerraram em punhos, tremendo de raiva contida.

— Assim, nossos antigos tampões se voltam para a própria potência que nos ocupou, só para escapar de outra incursão francesa. — soltou uma risada amarga. — Maravilhoso. França: o terror de seus próprios vizinhos.

Ele deu um passo à frente, apontando um dedo na camisa do general.

— Então dobre nossas unidades blindadas. Triplique os contratos da nova artilharia de cano longo. Quero nossas reservas químicas ampliadas até o ponto de fazer a despensa gemer sob peso. E observe bem: se os Boche alguma vez marcharem, faremos todas as ferrovias pegarem fogo, cada depósito de combustível preparado para arder. Eles podem invadir nossas fronteiras, mas nada restará para alimentar suas máquinas.

Sua respiração passou a sussurrar pela boca.

— Porque um dia, Berlim vai ficar com fome de novo; com paredes ou sem paredes. E quando isso acontecer, arrastaremos eles por mil milhas de ruína antes de nos render.

O general deu um salto atencioso, com uma saudação torcida, e saiu apressado. Sozinho, De Gaulle voltou-se para o pátio, os olhos frios e tão fixos quanto uma lâmina.

Prevalecerá a França. Ou ela queimará tudo pelo caminho.

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