Re: Blood and Iron

Capítulo 557

Re: Blood and Iron

A sala de comando era uma estrutura baixa, de concreto reforçado, parcialmente enterrada na terra vermelha, disfarçada com uma rede de camuflagem e cercada por trincheiras recém-cavadas forradas com sacos de areia.

Não era elegante nem particularmente segura, mas cumpria seu propósito; próxima o suficiente da linha de frente para manter-se informada, mas não tão perto a ponto de ser obliterada pelo poder de fogo japonês.

Bruno se abaixou sob a entrada baixa e foi recebido pelo cheiro penetrante de suor, óleo de motor e papel queimado.

Dentro, o ar era denso e quente; as luzes estavam tenues para preservar a visão noturna. Telefones de campo vibravam com frequências constantes.

Operadores de rádio murmuravam nos headsets. Mapas estavam presos em todas as superfícies disponíveis; marcados, riscando, reescrevendo diversas vezes.

No lado oposto do bunker, de pé e ereto em seu uniforme cinza com gola preta, estava o leão do velho mundo.

Generalfeldmarschall August von Mackensen.

Bruno já tinha se habituado a ver homens fraquejarem com o passar dos anos, mas Mackensen, já na casa dos oitenta e tantos, ainda carregava-se como um Hussar de uma era esquecida.

Sua postura havia se curvado um pouco com o tempo, e a voz que antes era de ferro havia suavizado até se tornar uma voz rouca, mas a aura permanecia. Um homem moldado pelo dever e forjado na guerra.

"Field Marshal", disse Bruno, oferecendo um cumprimento militar preciso.

Mackensen retribuiu, depois virou a mão para dispensar o gesto. "Guarde isso para o Kaiser. Eu já estou velho demais para brincar de fantasia."

Bruno se aproximou, notando quanto peso o velho tinha perdido. Seu bigode, que antes era régio, agora estava completamente grisalho, embora ainda fosse cuidadosamente encrespado com precisão prussiana.

"O senhor me convocou?"

Mackensen apontou para a mesa de mapas. "Sim. Okinawa está sob nosso controle, mas o próximo passo precisa ser planejado. Sente-se."

Bruno se acomodou ao lado dele. A mesa estava tomada por modelos de elevação, fotos pregadas, rotas de ataque. Um copo de água mineral morna permanecia intacto ao lado do bastão de Mackensen.

"Li suas propostas", disse o velho, batendo o dedo contra uma pasta marcada DÄMMERUNG. "São brutais. Calculadas. Necessárias."

"E então?"

"E então, aprovo. Não que minha aprovação importe muito agora." Mackensen suspirou, voltando o olhar para a parede do bunker, como se tentasse enxergar além dela; para o mar, para a Europa, para um passado que rapidamente se transformava em pó.

"Essa será minha última guerra", murmurou. "Uma pena não ter sido travada em defesa da Pátria, mas aqui... nestes trópicos terríveis."

Bruno não respondeu. Não havia consolo a oferecer. O peso das palavras de Mackensen era pesado demais.

"Os filhos do Kaiser", continuou Mackensen. "Acham que sou um fóssil. Talvez eu seja. Lutei em três guerras, atravessando dois séculos. Lembro do Balkans antes dos eslavos destruírem tudo. Lembro da Áustria antes de seus ossos serem devorados. E agora estou aqui, a setenta quilômetros do solo japonês, planejando o fim de um império que nunca achei que teríamos que enfrentar."

Ele tossiu em um pano. Algumas marcas de escarro verde mancharam o tecido. Bruno fingiu não notar.

"Não queria que fosse assim", confessou Mackensen. "Queria morrer na Silésia. Em paz. Sentado numa cadeira, com meus netos aos pés e um livro no colo. Mas, ao contrário, morrerei aqui, nesta caixa de concreto encharcada de suor, rodeado por cabos de telégrafo e pelo cheiro de homens mortos."

"Você não vai morrer aqui", disse Bruno suavemente. "Na verdade, acho que você viverá mais uma década na aposentadoria tranquila que merece."

O velho riu baixinho. "Ah, é? É engraçado como as pessoas falam de você, como se sempre soubesse o futuro e se preparasse perfeitamente para ele. Se o que diz for verdade, morrerei um crente."

Bruno riu também, balançando a cabeça. "Pode ser que sim, pode ser que não. Para mim, sou só um homem com o dever de proteger sua família, seu povo e sua pátria. E sempre tentei dar o meu melhor nesse sentido. Com ou sem o conhecimento do futuro queimado na minha cabeça."

Isso lhe rendeu uma risada verdadeira, rouca e dolorida, mas sincera. "Você vai negar isso até que eu esteja enterrado sob a terra, não é?"

Ele se endireitou, voltando a se concentrar.

"Japoneses não vão se render só com ataques aéreos. O coração deles ainda pulsa. Tem que ser arrancado. E isso significa Kyushu."

Bruno assentiu. "Começaremos com ataques às últimas instalações de radar. Depois, base aérea, depósitos de suprimentos. A Marinha deles já não possui grandes navios. Nosso grupo de porta-aviões está totalmente abastecido. O Reich está pronto."

"E os russos?"

"Alexei ainda está reunindo forças. Seul foi um golpe duro. Busan foi ainda pior. Mas ele vai vir. Tem algo a provar."

Mackensen bufou. "Ele tem um trono que precisa estar à altura. Esse tipo de homem é perigoso. Mas, talvez, seja o que o mundo precisa. Outro urso ao leste, para manter os lobos à distância."

Ele baixou o olhar, com os dedos repousando sobre uma foto presa à mapa; uma imagem de reconhecimento de Kyushu, marcada com alvos e avaliações de risco. Seu olhar permaneceu nele, fixo.

"Sabe", disse Mackensen lentamente, "nunca quisemos que este mundo fosse assim. Depois de Paris... achávamos que haveria paz. Ou, pelo menos, previsibilidade."

"Por isso tudo deu errado", respondeu Bruno. "Eles lutaram para sobreviver. Nós lutamos para moldar."

O velho marechal lançou um olhar de relance. "Essa é a diferença, não é? Entre sobrevivência e ambição?"

"Sempre foi assim."

O ambiente voltou a ficar silencioso. Os únicos sons eram o farfalhar dos mapas e o chiado ocasional dos rádios. Lá fora, motores de bombardeiros ganhavam vida.

Depois de um longo silêncio, Mackensen voltou a falar. Sua voz tinha tomado um cansaço que Bruno nunca tinha ouvido antes; não de exaustão, mas de resolução.

"Prometa uma coisa."

"Qualquer coisa."

"Quando eu for... não gaste soldados com pompa. Sem desfile. Sem salvas de canhão. Quero que envie uma carta para meu filho, e que as minhas medalhas sejam derretidas para fazer as próximas Cruzes de Ferro."

Bruno hesitou. "Você terá um lugar na Hall da Fama dos Heróis."

"Não quero mármore. Quero memória. Que me lembrem como uma história que os pais contam aos filhos, quando eles se perguntam o que é o dever."

Bruno se levantou. "Posso fazer isso."

Mackensen estendeu uma mão frágil, porém firme. Bruno a segurou, e por um momento, passado e futuro se encaixaram em um pacto silencioso.

"Então vá", disse Mackensen. "Prepare o trovão. Estarei aqui quando o fogo começar. Mas não espere por mim."

Bruno fez um novo cumprimento, agora sem vergonha. Virou-se e foi em direção à saída.

Ao chegar na porta, olhou para trás uma última vez. Mackensen havia retornado ao mapa, traçando o dedo pelas costas sul do Japão, murmurando suavemente para si mesmo.

Um homem nascido na era da cavalaria, comandando o golpe mortal na era atômica.

Do lado de fora, o céu escurecera. Bombardeiros começavam a decolarem um a um, com os motores rugindo.

Bruno franziu o olhar contra o sol enquanto uma silhueta passava por cima: um Do 217, totalmente carregado, indo em direção ao norte.

A Operação Dämmerung havia começado.

E o crepúsculo antes da última escuridão havia caído.

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