Re: Blood and Iron

Capítulo 578

Re: Blood and Iron

Lisboa, Praça do Comércio

O sol do final da manhã banhava a Praça do Comércio com uma luz suave, refletindo raios dourados na pedra de calcário polido da elegante praça.

Gaivotas voavam preguiçosamente lá pelo alto, seus gritos ecoando suavemente contra as fachadas e colunas grandiosas, misturando-se ao murmúrio de moradores e turistas.

Bruno passeava tranquilamente, com uma postura relaxada em um terno de linho sob medida, mas mesmo com essa roupa casual, uma aura de autoridade permanecia inconfundível.

Ao seu lado caminhava o príncipe Umberto da Itália, de olhar atento, jovem, mas já carregando a reserva disciplinada de um futuro rei.

Do outro lado de Bruno, estava o príncipe herdeiro Paulo da Grécia, mais descontraído, cuja risada ecoava com facilidade, iluminando aquele encontro informal.

Alguns passos atrás, Heidi e a rainha Hedwig conversavam em silêncio, seguidas por Eva, Elsa e as filhas mais novas.

O grupo se by ocasionalmente, apreciando o ritmo da cidade, aceitando delicados doces oferecidos por vendedores ambulantes e permitindo que fotógrafos tivessem breves momentos para registrar lembranças.

Umberto parou, provando um pastel de nata, acenando de forma apreciativa. "Só isso já valeria uma viagem a Lisboa."

"Com certeza," completou Paulo, terminando seu próprio pastel com um único e entusiasmado mordida, "embora vá ser estranho voltar a Atenas e achar o café menos satisfatório."

Bruno riu, removendo migalhas de seus dedos com descontração. "Devemos aproveitar essas pequenas alegrias enquanto durarem. Especialmente homens como nós, para quem a paz é muitas vezes efêmera."

Os olhos de Umberto se agudizaram, com um breve olhar para Bruno. "Meu pai diz que a paz é sempre apenas uma preparação para a próxima tempestade. Ele fala frequentemente da sua sabedoria nesses assuntos."

"Então seu pai entende melhor do que a maioria," respondeu Bruno suavemente. "Itália e Grécia estão mais unidas do que nunca, exatamente porque aprendemos com nossos erros."

Paulo olhou pensativo para o rio Tejo, brilhando ao sol. "A Grécia deseja mais do que tudo estabilidade e paz. Mas meu povo aprendeu, por meio de uma história amarga, o preço de estar despreparado. Meu pai valoriza muito seus conselhos, Bruno."

O olhar de Bruno suavizou-se um pouco ao observar o jovem príncipe grego. "E eu valorizo a coragem do seu pai. A força da Grécia será fundamental nos anos que virão. A união entre nossas famílias vai além do casamento; é um pacto de sangue e dever."

Paulo e Umberto trocaram olhares silenciosos e resolutos, cada um assentiendo discretamente.

"Falando nas tempestades que se aproximam. A guerra já está surgindo na Espanha enquanto estamos aqui em Lisboa em diplomacia com Sua Majestade Rei Manuel... Há apenas uma fronteira entre nós. Pelo que sei, seu pai, Umberto, já pensa em testar suas forças recentemente modernizadas contra os vermelhos na Catalunha, Aragão e Navarra..."

Não foi dito uma palavra. O silêncio permaneceu entre os homens, enquanto as risadas das mulheres que os cercavam abafavam o vazio que ficava.

Umberto não falou, pois seu pai não o alertou sobre tais planos. Ao contrário, ele permanecia às escuras quanto às estratégias da Itália na Espanha. Não que isso realmente importasse; a investigação não era para ele, mas sim para o príncipe herdeiro da Grécia, que estava ao seu lado.

"E Paulo... Minhas forças ajudaram a restabelecer o controle grego sobre suas antigas reivindicações. E ainda assim... não tenho notícias do seu pai sobre seus próprios esforços contínuos para garantir que as Forças Armadas Helênicas estejam preparadas para o horizonte turbulento. O que você me diz a respeito disso?"

Mais silêncio... Embora os helenos estivessem finalmente unidos sob a autoridade grega e sua capital tivesse sido transferida para Constantinopla. As últimas décadas foram dedicadas a reparar a desordem, o caos e a podridão que os otomanos haviam deixado nas terras.

As forças militares? Não tinham sido prioridade, e Bruno, sendo um homem de armas... Sabendo disso, Paulo só conseguiu engolir em seco e desviar o olhar envergonhado.

Assim, o olhar de Bruno ficou mais frio, como se fosse intolerável, fazendo Paulo sufocar sob seu glaciar peso.

"Seu pai fala que valoriza meus conselhos, mas suas ações dizem o contrário. Não se engane: o que está acontecendo na Espanha neste exato momento é uma preparação do que virá. As chamas da revolução se espalham rapidamente, e se não forem controladas, os incêndios de Barcelona e Zaragoza hoje chegarão logo a Atenas e Constantinopla."

Bruno fez uma pausa, olhou para leste antes de continuar.

"Os vermelhos são instigados por de Gaulle para semear o caos no mundo e derrubar monarcas, pois temem que a própria natureza de suas coroas os leve a Berlim. E Alfonso não será o último. Com o pão garantido e as estradas reconstruídas, agora é a hora de investir em aço e pólvora."

Perto dali, Anna e Erika perceberam que seu pai estava interrogando seus futuros pretendentes, mas não intervieram em defesa deles.

Até o dia em que seus dedos estivessem encrustados com um anel dourado, ainda deviam obedecer primeiro ao pai.

O tom de Umberto ficou um pouco mais sério. "Estou ansioso para visitar Tirol em breve, para aprender diretamente com sua equipe. Meu pai insiste na importância de ver como vocês operam de perto."

"Será muito bem-vindo," assegurou Bruno com sinceridade, tentando suavizar a conversa para um tom mais leve.

"Tirol pode ensinar muito a vocês. Entre elas, paciência, humildade e a força silenciosa que só se encontra nas montanhas."

O olhar de Paulo silenciosamente expressou gratidão ao seu colega italiano, antes de falar dos assuntos na Espanha e das lições que seu futuro sogro lhe havia passado.

"É estranho, não é? Aproveitar tanto calor e risadas, sabendo que o mundo está tão à beira do caos."

Bruno seguiu seu olhar, concordando com a cabeça.

"Justamente por o mundo estar tão à beira do caos, precisamos aproveitar esses momentos. Segurá-los com força, pois nos lembram por que lutamos, por que resistimos."

Umberto endireitou os ombros, com uma resolução renovada no semblante. "Então, sejamos gratos por este dia e preparados para o que o amanhã nos trará."

"Com certeza," concordou Bruno, guiando-os gentilmente em direção ao coração de Lisboa, suas risadas se misturando aos sons da cidade. "Pois as tempestades virão em breve, e será nosso dever enfrentá-las juntos."

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