Re: Blood and Iron

Capítulo 553

Re: Blood and Iron

A morte do Tsar aconteceu de forma bastante repentina, logo após Bruno deixar o palácio da sua família. Ele havia mentido ao dizer que ainda tinha um ano de vida. Na verdade, morreu antes do fim do inverno.

Por mais que Bruno tentasse entender, não conseguia compreender como Nicholas conseguiu parecer tão apresentável na cerimônia. Ele deve ter reunido toda a força que tinha e contado com os melhores maquiadores para esconder a verdade de todos, inclusive dele mesmo.

O funeral foi realizado na Catedral de Pedro e Paulo, em São Petersburgo. Era o sepultamento tradicional para os membros da Casa de Romanov.

Bruno se lembrava pouco da cerimônia. Ele só tinha a impressão de ter ficado ali, imóvel e silencioso, vestido com toda a farda de Marechal de Campo da Rússia. Um posto que conquistara durante a Revolução de 1905, quando, como voluntário estrangeiro, ajudara a sufocar os primeiros focos de comunismo no solo russo.

Era uma experiência surreal. Bruno lutou tanto para salvar Nicholas e sua casa, e certamente tinha tido um desfecho melhor nesta vida. Além disso, sua família ainda vivia e mantinha o poder.

Mas… Ver seus esforços passarem diante de seus olhos. Era algo que ele não queria aceitar. O mundo que ele ajudava a moldar, a linha do tempo que criava, continuava a avançar, levando as almas nele contidas assim como a do mundo de onde viera.

Ao final da cerimônia, Bruno fez suas despedidas de forma adequada. A um homem que uma vez admirara, a um homem que salvará, a um homem ao qual se acostumara, mas nunca chegara a estar próximo.

Alexei e Elsa ficaram diante de Bruno, o jovem vestido como o soldado que sempre quis ser, mas que por sua condição nunca pôde. Suas palavras foram o que, afinal, despertou Bruno de seu estado de choque.

"Quero agradecer a você, em nome do meu pai. Ele disse isso mil vezes, para ter certeza. Mas ele nunca deixou de admirar você e tudo o que fez pela nossa família naquela época. E, nos últimos dias dele, eu nunca vi o homem tão feliz. Seja o que você lhe disse na privada naquela noite, quando nos revelou sua condição, tornou a morte dele uma que ele não se arrependeria."

Bruno se remexeu, mas ficou em silêncio. Não soube o que dizer, como responder. Ele havia visto a carta que Nicholas deixara para ele.

As palavras ainda passavam por sua cabeça toda vez que abria um pedaço de pergaminho. Palavras que refletiam um sentimento semelhante ao que Alexei acabara de expressar.

No final, Bruno apenas abaixou a cabeça e disse aquilo que desejava poder dizer a Nicholas.

"Muito obrigado, Sua Alteza. Suas palavras significam mais para mim do que posso expressar." Mas me perdoe, preciso de um momento sozinho."

Depois, Bruno se virou e saiu da catedral, buscando um pouco do ar fresco necessário para clarear a mente.

Elsa se aproximou de seu marido e o abraçou com força. Murmurando em silêncio nos ouvidos do Tsarevich seus pensamentos.

"Nunca vi meu pai tão desanimado… Bem… Uma vez só, quando o Erich faleceu."

Alexei entendia bem a dor do coração. Ele mesmo ainda passava por isso. Perdera o pai, e agora o peso do mundo estava sobre seus ombros.

A Rússia ainda lutava contra o Japão, e as tropas no campo ainda não sabiam que seu Tsar havia morrido.

Ele teria que assumir o controle após sua coroação e navegar pelo meio do corvoa de lobos que tentariam destruí-lo. Não tinha tempo para lamentar, e Bruno também não.

Por isso, ele encontrou uma compreensão muito maior do que Bruno estava passando do que jamais conseguiria entender antes deste momento. Alexei apertou a mão de sua esposa e a confortou com um beijo suave.

"Ele vai ficar bem, amor. O dever vem primeiro… Seu pai sabe disso melhor que ninguém, e agora… Eu também sei."

Elsa não discutiu, mas a expressão no rosto dela era de preocupação. Por mais que amasse e adorasse seu pai, ela tinha medo de que Alexei tentasse imitar seu comportamento. E, se isso acontecesse, o menino gentil pelo qual ela se apaixonara teria que morrer, substituído por um lobo. Ou pior… Por um urso.

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A bandeira não queimada do Reich alemão agora tremulava sobre Iwo Jima. Dez mil soldados alemães desembarcaram na ilha, apoiados por cinco mil paraquedistas alemães.

Se não fosse pela doutrina de guerra anfíbia alemã e o uso de forças especiais para desmantelar as fortificações japonesas antes do desembarque, além de ações atrás das linhas inimigas, atacando soldados e suprimentos japoneses mais ao interior, tudo isso teria se transformado em uma verdadeira máquina de fazer carne de acordo com mitos.

Contudo, os alemães se adaptaram de forma bastante eficiente aos ataques anfíbios.

Para uma nação cuja componente de elite de Marinheiros foi fundada em 1915, eles estavam décadas à frente do resto do mundo em termos de doutrina.

Veículos de assalto anfíbios, veículos de combate de infantaria e tanques leves atravessavam diretamente do navio de ataque até as praias, levando soldados e fogo de apoio.

A partir daí, desmantelavam as fortificações inimigas e deixavam suas tropas de infantaria, permitindo uma ofensiva em grande escala, com proteção adequada.

Os japoneses tinham pouco o que fazer contra as armas e táticas avançadas usadas pelos alemães, e as últimas ilhas do arquipélago de vulcões caíram nas mãos dos alemães um dia após a Rússia conquistar Seul na Península Coreana.

A partir desse momento, a Alemanha e sua Luftwaffe podiam começar o bombardeio de Okinawa e do território japonês. Enquanto isso, os russos fariam o mesmo após tomarem Busan.

Mais duas batalhas precisariam ser travadas para que as forças japonesas fossem completamente cercadas no continente. E, quando isso acontecesse, a rendição seria a única opção lógica. Mas, com a morte do Imperador um ano antes e a recusa em capitular mesmo diante de uma derrota total, isso se tornava cada vez mais difícil.

As lideranças russas e alemãs começaram a temer que a guerra só terminaria se invadissem o território japonês como um todo. E, se isso acontecesse, o custo não seria contado em vitórias — mas em milhões de vidas perdidas.

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