Re: Blood and Iron

Capítulo 539

Re: Blood and Iron

De Gaulle tinha aliados no exército da Quarta República que invadiram o palácio de Versalhes, reerguido sob a cobertura da névoa da manhã cedo.

O que restava do antigo palácio, reconstruído a partir de ruínas de guerra durante a fragile paz, ainda era símbolo: não de monarquia, mas da autoridade francesa. E agora, estava sendo tomado.

Para surpresa de de Gaulle, a guarda pessoal de Pétain não ofereceu resistência. Ficaram de boca fechada, quietos, enquanto os rebeldes entravam. Talvez por medo, decepção ou aprovação tácita, cederam.

Os corredores de mármore ecoaram com o som de botas e tensão sussurrada até chegarem ao escritório do presidente. De Gaulle ergueu um punho, depois o baixou.

Seus homens invadiram o local.

Ele avançou para dentro da sala de teto alto, onde a poltrona de couro de encosto alto atrás da escrivaninha dava de cara para as grandes janelas que revelavam os jardins.

Um sorriso frio cruzou o rosto de de Gaulle. "Vocês podem ter me passado a perna em Paris anos atrás. Subestimei quantos corpos vocês estavam dispostos a empilhar só para segurar a cidade. Mas acabou aqui, Marechal. Você está preso por traição à República e ao povo da França."

Silêncio.

De Gaulle concordou lentamente. Dois soldados avançaram, contornando a mesa, pararam e ficaram imóveis.

Não era Pétain quem estava meio caído na cadeira, mas Maxime Weygand; cabeça pendendo para um lado, olhos abertos e sem vida. Um buraco limpo atravessava sua têmpora, sangue coagulado contra o encosto de couro.

O sangue de de Gaulle gelou.

Ele se virou rapidamente para seus homens, berrando: "Selar o palácio. Encontrar aquele bastardo! Ele sumiu! Sabia de tudo!"

Os soldados dispersaram.

De Gaulle se avançou e fixou o olhar em Weygand. Não havia tristeza, nem oração, nem respeito pelo morto. Apenas desprezo.

Então, o colaborador tinha apostado tudo — e perdido.

Mas havia mais uma coisa.

No chão, perto da escrivaninha, jazia um objeto isolado. De Gaulle o pegou com cuidado: um panfleto de propaganda da Grande Guerra, desbotado, circulado pelos americanos para desencorajar intervenção.

Na imagem torcida, um marechal alemão marchando por trincheiras impregnadas de gás, com o rosto substituído por um crânio. Vapor verde se elevava atrás dele, curvando-se sobre os corpos de soldados franceses.

Ao seu lado, soldados stormtroopers com máscaras de gás e baionetas permaneciam como espectros. Nos seus capacetes, crânios sorridentes. Uma legenda fantasma caminhando pelo massacre.

No topo, uma frase em latim, escrita de forma crua e recente, como se fosse sangue:

*"Dulce et decorum est pro patria mori."*

De Gaulle murmurou a tradução, quase para si:

*"É doce e honroso morrer pela pátria..."*

Um toque amargurado, zombando de uma antiga honra.

Seus olhos se estreitaram; depois se abriram de surpresa. Os pelos do pescoço eriçaram-se. Olhou para a torre da igreja acima do pátio.

Estalo.

O tiro ecoou como trovão.

A dor explodiu no seu ombro, e um fragmento de osso se ricocheteou contra o pescoço de um soldado próximo, que caiu engasgando sangue.

De Gaulle caiu no chão, ofegante, segurando o ferimento.

"Atirador! Encontre esse psicopata! Agora!"

Mas o assassino já tinha desaparecido. Sem disparo de novo, sem lampejo, sem rastro.

Medics correram até lá. A ferida era grave, mas não fatal. De Gaulle sobreviveria.


Berlim — Horas depois

Bruno estava sozinho em seu escritório, enquanto o relatório lhe era lido. O atirador havia falhado. De Gaulle tinha sobrevivido.

Ele ficou em silêncio por um momento. Apenas assentiu lentamente.

Assim seja.

Se o tiro o tivesse matado, talvez tudo mudasse. Nenhuma guerra contra a França. Nenhum sangue futuro.

Mas agora, o francês ficaria cauteloso, e uma nova tentativa atrairia atenção que a Alemanha não podia permitir.

Bruno virou-se para a mesa. Lá estava a antiga faca do Pathfinder da Divisão de Ferro, sua lâmina impecável, exceto por uma inscrição em latim gravada em ouro:

Ele a pegou e, com a calmaria solene de quem pondera cada possível custo, sussurrou:

*"Si vis pacem, para bellum..."* — Se quer paz, prepare-se para a guerra.

Recolocou a faca na bainha e pegou uma bebida. Depois do que havia acontecido, não havia mais nada que pudesse aliviar a tensão na sua mente naquele momento.


Em algum lugar fora de Genebra

Trem diplomático blindado, a caminho de Berlim

O ritmo constante dos porcos de ferro era uma espécie de ninar estranho. Não deveria ser reconfortante, mas para Marechal Philippe Pétain, era.

Ele não dormia naquela noite; não de verdade. Sentado em um banco acolchoado de couro, ao lado de uma janela estreita, uma mão com luva descansando na bengala entre os joelhos, a outra segurando uma taça de vinho que não tinha tocado.

Lá fora, a neve traçava os tratamentos irregulares dos Alpes. A Suíça deixou o trem passar sem inspeção. As notícias já se espalhavam do incidente em Versalhes.

Ele sabia como logo chamariam aquilo: um golpe de Estado.

Uma batida suave na porta do compartimento interrompeu seus pensamentos. Um dos attachés alemães entrou. Jovem, sem barba, visivelmente desconfortável na presença do Marechal. Entregou uma carta lacrada com um gesto rápido.

"De Berlim. O Marechal von Zehntner envia cumprimentos e confirma sua passagem segura."

Pétain pegou o envelope, mas não o abriu. O homem ficou de pé, mexendo-se nervosamente. Cleared his throat.

*"A rádio informou que o General Weygand foi encontrado morto. Com uma execução à queima-roupa. E de Gaulle... bem, ele sobreviveu a uma tentativa de assassinato. Está hospitalizado."*

Lá estava.

Pétain assentiu lentamente. "Obrigado. Isso é tudo."

O jovem oficial saudou e saiu aliviado.

Pétain deixou o silêncio tomar conta novamente.

Então Weygand tomou sua decisão. Talvez acreditasse na fantasia de ressurreição de de Gaulle, de uma França livre do domínio alemão. Ou talvez apenas invejasse o pouco de poder que ainda lhe restava.

Seja qual for o motivo, o tolo estava morto agora.

Finalmente abriu o envelope. Dentro, havia uma nota curta, escrita com letra firme e confiante:

*"A França não deve cair nas mãos de crianças. Manteremos ela segura até que aprendam o peso dela. — B."*

Pétain permitiu-se um sorriso discreto. Os alemães nunca tinham falado com tanta franqueza antes de Bruno von Zehntner chegar. Aquele homem... ele não era um soldado no sentido antigo. Era um construtor. Um estrategista de impérios.

Pétain já tinha se considerado o salvador da França, com as falhas da Terceira República e o caos após a capitulação ao Reich. Assumira a causa de reunificar um caos ensanguentado e destruído.

Mas, mesmo agora, de Gaulle preferiria retornar àquela sombra desfeita, inflamada e humilhada de uma nação, se pudesse ser o soberano de suas cinzas.

Não, após tudo que fez, Pétain sabia que não poderia salvá-la.

Nem mantê-la.

Fez o que qualquer velho soldado faria quando a maré virou: recuou.

Pétain apoiou-se, fechou os olhos. A ferrovia balançou suavemente sob ele, as placas de armorando gemendo levemente ao passar por um túnel.

Deixe de Gaulle ficar com Paris.

Deixe-o levantar suas bandeiras e gritar por liberdade. Deixe-o achar que tomou o poder.

Porque, na verdade, a guerra pela França só estava começando.

E, na hora de escolher entre sangue e soberania, entre nação e ego, Pétain sabia que o mundo não perguntaria quem governava o Palais Bourbon.

Perguntariam quem domina o céu.

E os trens.

E o fluxo de aço, carvão e pão.

Ele respirou fundo, frio e profundo.

Berlim lhe daria abrigo.

Mas a França? A França lembraria.

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