Re: Blood and Iron

Capítulo 544

Re: Blood and Iron

Tóquio, Japão — Outono de 1930

A guerra na Coreia não tinha seguido a favor do Japão.

Os russos haviam mobilizado cem mil homens no início da invasão. Enquanto isso, o Japão contava apenas com trinta mil soldados defendendo a região quando a guerra foi declarada.

Esses defensores estavam há muito mortos; substituídos aos poucos por reforços recrutados das ilhas home e de outras colônias, desesperadamente lançados na máquina de guerra para conter a avançada maré de aço russa.

Ainda pior, a tentativa japonesa de atacar a Bismarck Sea terminou em desastre total. "Desastre" foi a palavra mais suave para descrever o ocorrido neste século.

Os alemães, apesar de possuírem números inferiores, não só mantiveram sua posição; eles destruíram toda a esquadra japonesa e cada marinheiro que a acompanhava.

O Imperador, já mantido vivo além de sua expectativa natural por medicamentos estrangeiros, tinha se tornado cada vez mais frágil.

Nunca quis guerra contra a Alemanha. Sim, sentiu-se ofendido quando Bruno se recusou a se ajoelhar diante dele durante uma visita diplomática anos atrás.

Mas sabia que era melhor não desafiar um gigante adormecido.

Agora, acamado, o Imperador Taisho convocou um membro distante da Família Imperial; uma mulher na faixa dos trinta e poucos anos.

Ela entrou na câmara em toda formalidade cerimonial, fazendo uma reverência profunda, a testa encostada no tatami.

"Vossa Alteza, fui chamada?"

O Imperador tossiu, seu coração fraco lutando por fornecer palavras com fôlego. Na vida passada de Bruno, Taisho morreu aos 47 anos.

Desta vez, apenas medicamentos estrangeiros — em sua maioria alemães, obtidos por intermediários — mantiveram-no vivo até então.

Mas agora, a morte estava à porta. Ele fez um gesto para que ela se aproximasse.

A mulher se aproximou da cama. Ele cochichou algo em seu ouvido.

Ela prendeu a respiração. "Vossa Alteza! Vocês entenderam errado… ele nunca se interessou assim por mim. Foi amor não correspondido. Ele não faria isso por mim."

Porém, o aperto fraco do Imperador ao redor de seu pulso ficou mais firme por um momento, sua voz um arrastar de convicção.

"Você… é nossa única esperança agora… Se meus generais continuarem nessa loucura… tudo que construímos será perdido. Ele não vai parar… não até acreditar que somos uma ameaça mínima. Mesmo que duvide que funcione… você precisa tentar…"

Sua respiração falhou.

E então, cessou.

A mulher ficou em choque, sem acreditar.

"Vossa Alteza? Por favor… acorde. Alguém ajude! O Imperador — ele não está respirando!"

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Em outro lugar, no Centro de Comando…

Os generais e almirantes do Império Japonês pareciam ter envelhecido uma década em poucos meses.

Chegou a notícia: os alemães lançavam operações anfíbias e aerotransportadas em grande escala por todo o Sudeste do Pacífico.

O Japão havia concentrado tudo na frente coreana após fracassos iniciais para conquistar seus objetivos estratégicos, deixando assim sua flank sul exposta.

Uma ilha caiu. Depois outra. E então uma terceira.

Os alemães estavam construindo uma ponte; uma cadeia de ilhas com linhas de abastecimento e bases avançadas que se projetava como uma lâmina em direção ao continente japonês.

Em breve, os bombardeiros alemães teriam alcance de ataque.

Tensões cresciam.

"Precisamos deslocar imediatamente a Segunda e a Terceira Esquadras para o Sudeste do Pacífico! Se não, enfrentaremos uma invasão de Chosen e Okinawa ao mesmo tempo!"

Um contra-argumento foi respondido na mesma rapidez.

"Não podemos! Essas esquadras são os únicos elementos que mantêm a linha russa unida! Tirando-as, perderemos a Coreia até o inverno!"

Seguiram-se insultos. ofensas. Vozes elevadas. Os oficiais estavam segundos de um colapso total — até que uma voz cortou o silêncio como o trovão de um dragão.

"Basta!"

Silêncio.

"Acabo de receber uma notícia do palácio… Seu Majestade, o Imperador, faleceu."

A sala congelou.

Cada homem abaixou a cabeça. Dor, choque, arrependimento.

Ele morreu no meio de uma guerra que nenhum deles tinha autorização para iniciar.

Uma guerra que agora estavam perdendo.

Mas com sua morte… veio a obrigação. Agora, eles não tinham escolha se não vencer.

Porque perder… seria desonrar a memória do Imperador. E no Império do Japão; não haveria pecado maior.

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Uma espessa neblina pairava na orla do porto como um véu de segredo. A lua estava baixa, pálida e distante, refletida na água negra como prata derramada sobre óleo.

Os cais, normalmente vibrantes com o grito de gaivotas e os gritos de carregadores, estavam quase silenciosos agora, exceto pelo rangido de cordas contra madeira e pelo vai-e-volta das ondas contra os casco.

Uma figura solitária estava à beira do cais, coberta por um sobretudo de viagem escuro, com um capuz largo puxado para baixo sobre o rosto.

Luvas de seda escondiam suas mãos. Um lenço cobria a metade inferior do rosto. Sua postura era ereta, mas o peso de cargas invisíveis pendia de seus ombros.

Na mão luvada, ela segurava um cronômetro de prata, antigo, desgastado pelo tempo. Ela o abriu com um clique suave, a tampa polida revelando, não um relógio, mas um medalhão.

No lado esquerdo, uma foto desbotada de um homem de uniforme; seu marido. Do lado direito, duas crianças pequenas, sorrindo inocentemente. Sua mão digital tremia ao tocar os rostos.

"Desculpe…" ela sussurrou, a respiração formando névoa no ar frio. "Perdoe-me por partir assim."

Ela fechou os olhos. O vento do oceano puxou seu sobretudo, como se tentasse puxá-la de volta para a costa, para a vida que abandonava.

"Você acordará de manhã e vai se perguntar onde fui parar. Vai pensar que me levaram, ou pior. Mas eu não podia ficar. Não com o que me pediram para fazer."

Ela fez uma pausa, depois olhou para trás, sua vista se direcionando ao carro preto em marcha lenta ao fundo. Dentro, estava um homem com um sobretudo antigo de criado, cabelo branco, encurvado, observando silenciosamente pela janela.

Sakura suspirou e voltou seu olhar para o mar.

"O Imperador confiou a mim sua última esperança. Não o exército. Não os ministros. A mim. E nem sei se o homem que vou encontrar… ainda se lembra de mim."

Seus dedos hesitaram antes de fechar o cronômetro com firmeza. O som ficou mais alto do que ela esperava na noite silenciosa.

Ela o guardou na pochete interna de sua bolsa e apertou o sobretudo ao redor de si. Voltou a caminhar em direção ao carro.

O motorista, um homem de idade chamado Ishida, saiu e abriu a porta.

"Vossa Alteza… tem certeza?" ele perguntou baixinho.

"Ishida-san," ela respondeu suavemente, "você estava comigo quando eu era menina. Quando meu pai faleceu. Quando me casei. Quando tive meu primeiro filho."

Ele assentiu, sem palavras, com os olhos molhados atrás de óculos finos.

"Então, por favor… fique comigo agora. Só mais um pouco. Ajude-me a cumprir a vontade de Sua Majestade."

Ishida engoliu em seco, depois fez uma reverência formal. "Claro, Princesa."

Ela avançou, passando por ele, subindo a escada; as tábuas rangendo sob seus passos. Uma pequena fragata com bandeira suíça aguardava silenciosamente no porto, sua tripulação bem paga para não fazer perguntas.

Depois de embarcar, ela parou no topo da escada e voltou os olhos para a costa; para a terra que estava prestes a deixar para trás. Para sua família.

"Não é traição," ela sussurrou. "É dever. O Imperador sabia que a paz jamais viria por meio da guerra."

Um sino soou. As amarras se soltaram. A embarcação rangeu e se movimentou, afastando-se do cais como um navio fantasma desaparecendo na neblina.

Sakura não olhou para trás novamente.

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