Re: Blood and Iron

Capítulo 509

Re: Blood and Iron

Embora pichações e panfletos de propaganda continuassem a se espalhar pelas cidades da França, após sua unificação sob o novo regime de Pétain, o chamado "Réveil de France" permaneceu mudo e bastante inativo.

E eles haviam permanecido calados por anos, desde o fim oficial da Guerra Civil Francesa. A razão era simples: a brutalidade do novo regime havia rapidamente levado aqueles com espírito de liberdade a se unirem à causa de Gaulle.

Mas isso não era uma preocupação para Bruno. Na verdade, à medida que dois anos passavam, ele era obrigado a enfrentar assuntos mais pessoais. Casar seu filho tinha sido uma coisa. Mas Bruno não tinha previsto de verdade como se sentiria em 1922, quando tanto sua filha Elsa quanto seu noivo, Alexei Romanov, finalmente atingiram a maioridade para se casarem.

Não era um sentimento impróprio entre pai e filha que causava tais dificuldades, mas sim o quanto ele sentiria falta daquela garota após ela deixar sua casa e partir para a Rússia, para ficar ao lado do seu novo marido.

Estar tão longe de casa, não poder mais conviver com sua filha diariamente, não era algo que ele tivesse realmente compreendido o peso até o dia aproximar-se rapidamente.

Por isso, Bruno temia cada novo ciclo do sol, enquanto Elsa ficava cada vez mais empolgada com o seu casamento. O planejamento ficou a cargo de Heidi e da czarina, ambas se reunindo frequentemente na Rússia, junto com Bruno e seus filhos que ainda moravam em casa, para organizar a cerimônia.

Porém, havia outro entre o grupo que não estava nada entusiasmado com tudo isso. Eva tinha suas próprias razões para estar de humor fechado, ficando de lado na mesa, bebendo vodka junto com seu pai. Ambos se mantinham afastados da reunião social, cada um por suas razões.

E ambos entendiam bem por que o outro estava cabisbaixo. Eva sabia que seu pai adorava suas pequenas mais do que tudo, e ver uma delas finalmente abrir as asas e voar era demais para ele suportar.

Enquanto isso, Bruno sabia que Eva também tinha uma inveja enorme do status quo. Ela estava noiva do príncipe herdeiro Wilhelm, que tinha cerca de cinco anos a menos que ele. Ou seja, ele completaria 18 anos em dois anos.

Já Elsa era bem mais próxima da idade do seu noivo. Havia cerca de um ano entre eles. Como a irmã mais velha, era difícil para Eva aceitar que sua irmã menor estivesse se casando antes dela.

E assim, ela só podia beber com o pai, balançando a cabeça enquanto os dois silenciosamente lamentavam a passagem do tempo e as mudanças que ela trazia.

"Sabe, Eva… Vai me matar ver Elsa partir para a Rússia. Você tem ideia do quanto vou gastar para viajar entre Innsbruck e São Petersburgo toda semana?"

Eva rolou os olhos para as besteiras do pai. Claro que o homem escondia o fato de que o que realmente o matava era a ideia de ficar longe da filha. Não, ele preferia falar de contas detalhadas, despesas durante as viagens e, sem dúvidas, reclamar do tempo de deslocamento.

"Quer dizer, você tem ideia de quanto dura um voo dessa distância?"

Eva não conseguiu segurar o próprio semblante de tédio, soltando até um suspiro audível ao se divertir com as divagações do pai, porque ela sabia o quanto essa mudança era importante para ele.

"Bem, pelo voo que fizemos hoje de manhã, diria que leva cerca de dez horas, dependendo das condições, é claro…"

Bruno deu uma golejada na taça e concordou com a cabeça, fingindo-se preocupado com o tempo de viagem, enquanto acrescentava mais um drama fingido.

"E você faz ideia de quanto tempo toda essa jornada acumula se eu for toda semana ver minha filha? É exaustivo!"

Eva bebeu discretamente de sua bebida, enquanto olhava para sua irmã mais nova, que lhe lançou um sorriso bonito enquanto conversava com a mãe e a futura sogra sobre a decoração e detalhes que compunham a grande cerimônia digna de uma dinastia imperial.

A sala toda estava cheia de planejadores de todos os tipos. Nada era negligenciado para esse evento, principalmente a segurança, que Nicholas discutia, pois era mais envolvido com esse planejamento do que com qualquer outra coisa.

Já Eva, ao ver o sorriso da irmã, retribuiu com um sorriso e virou-se para o pai, expressando seu próprio desabafo sobre toda essa situação.

" Deus, eu a detesto…"

Bruno riu. Ver a ciúmes mesquinha da filha mais velha era suficiente para fazê-lo voltar à realidade, afastando-se de seu modo excessivamente preocupado e apaixonado de pai.

"Sabe… em dois anos você vai passar por tudo isso também…"

Eva, no entanto, recusou as tentativas do pai de convencê-la a se reconciliar com a irmã, e respondeu com um sorriso de lado.

"Sim, mas diferente da Elsa, eu vou me mudar para Berlim, e não vai ser tão complicado nos encontrarmos e continuarmos meus estudos. Não é mesmo, pai?"

Bruno não conseguiu evitar de balançar a cabeça e rir. Sua filha já tinha percebido que suas reclamações sobre a dificuldade de visitar São Petersburgo eram só uma cortina de fumaça para esconder o fato de que ele se sentia triste com a ideia de que todas as três filhas mais velhas iriam sair de casa e não mais fazer parte do seu dia a dia.

Após mais uma goleada na vodka, Bruno não pôde deixar de suspirar e olhar para Elsa, que, apesar de fazer o possível para manter uma aparência calma e controlada, claramente estava ansiosa por baixo de sua fachada congelada.

"Para onde o tempo vai? De repente, sinto-me tão velho…"

Eva não pôde evitar rir da observação do pai, garantindo que ele ainda não era nada disso.

"Por favor, pai… Com a idade da nossa família, você só vai envelhecer de verdade quando fizer 70 anos! Já olhou no espelho ultimamente? Você quase tem 42 anos, ainda tem todo o cabelo loiro e nenhuma marca do tempo no rosto…

Você e a mãe parecem ter uma década a menos da sua idade, e se meus tios e avós forem exemplo, essa parece ser uma característica da nossa família…"

Bruno assentiu com a cabeça, concordando com as palavras da filha, mas logo as negou na mesma hora.

"Embora eu não envelheça fisicamente na mesma velocidade que as pessoas comuns, lembre-se, Eva, que a idade é uma questão de cabeça… E eu, atualmente, me sinto envelhecido. Vou conversar com sua irmã. Você também deveria fazer o mesmo quando estiver pronta."

Depois de dizer isso, Bruno colocou seu drinque na bancada e saiu do lado de Eva, indo se sentar ao lado da esposa, entrando na conversa como se fosse uma pessoa naturalmente extrovertida, e não apenas alguém que tinha se adaptado à situação por necessidade.

Quanto a Eva, ela ficou em silêncio olhando para o fundo do copo, suspirou, terminou de beber com um gole forte, e então colocou o copo ao lado do do pai na bancada, seguindo seu conselho.


Os Estados Unidos estavam agora em um período de transição. A Revolução Mexicana tinha acabado, e o novo governo era uma espécie de fantoche de Washington. Permitindo muitos acordos, tratados e negócios favoráveis aos que viviam ao norte do rio Bravo.

Enquanto isso, a indústria começava a se recuperar nos EUA em certa medida, e seu exército continuava a modernização. Sem querer ficar atrás da Europa, que, segundo informações de seus campos de batalha, tinha ficado bastante atrasada nesse aspecto.

E na esfera social? Era um período de mudanças. Todo homem e mulher com alguma limitação passava a ter direito de votar. E com isso, vieram reformas sociais profundas, como a proibição de bebidas alcoólicas. Principalmente impulsionada pelo segmento feminino da nova base de eleitores.

Porém, havia um problema: proibir uma substância de forma total, com poucas exceções e fácil de produzir na garagem de alguém, era uma receita certa para aumentar a criminalidade.

E rapidamente, após a emenda constitucional que proibiu o álcool, organizações criminosas monopolizaram essa demanda ilegal.

Assim, os EUA estavam numa situação difícil, enquanto o presidente Hughes ponderava seus próximos passos. Já fazia um tempo desde que ele tinha entrado em contato com Bruno, ou vice-versa. Mas, com o aumento da violência nas cidades americanas, ele tinha que agir. O telefone parecia uma tentação, chamando-o como uma sedutora. Mas sua mão não se estendeu até ele. Até que, eventualmente, estendeu…

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